sexta-feira, novembro 30, 2007

A grande noite

Sim, eu esperei por essa noite feito criança. Mas enquanto dirigia meu Gol desregulado que apagava em cada esquina no trajeto da Praia de Belas até o Bourbon Country - e bem na hora do pique, pois a sessão de autógrafos estava marcada para as 7 da noite - eu lembrava de um e-mail que recebi há cerca de um mês de Lucio Haeser, o autor do livro "Continental - a Rádio Rebelde de Roberto Marinho". Ele disse que a editora lhe pedira para escolher entre a Livraria Cultura ou a Saraiva, que fica no Shopping Praia de Belas. Respondi com sinceridade: eu ia muito na Saraiva, porque moro perto, mas a Cultura é uma livraria enorme, a maior de Porto Alegre. E ele, que há bastante tempo mora em Brasília, escolheu a Cultura. E assim, enquanto enfrentava o trânsito das 6 e meia, pensava: "Maldita hora ... Se eu tivesse dado força para a Saraiva, só precisaria atravessar a rua!"

Mas valeu a pena. O evento foi tudo o que se esperava. O pessoal da Continental compareceu em peso, assim como diversos músicos. Vocês podem ler mais detalhes
aqui, no site oficial de divulgação. Vamos às fotos:
Lucio Haeser, Francisco Anele Filho e eu. Anele foi fundamental para o projeto. Ele guardou as fitas da Continental sob seu teto por mais de 30 anos e providenciou a confecção do CD que acompanha o livro.


O redator Wladimir Ungaretti, que "matou" Jorge Mautner em 1975 (mais detalhes no livro), exibe com orgulho o seu Che Guevara. Aproveitei para pedir autógrafo também do pessoal que fez parte da história da rádio. Aqui está o Cascalho assinando o meu exemplar do livro. Beto Roncaferro, que tinha um programa à meia-noite só para tocar rock progressivo e pesado. Foi também um dos Discocuecas. Eu ao lado de Marcus Aurélio Wesendonk, locutor e diretor de programação da rádio. Ele era amicíssimo de meu irmão, João Carlos Pacheco, que também era locutor na emissora. Aliás, consideravam-se irmãos, também. Eu, Fernando Westphalen (Judeu) e Anele. Judeu foi o idealizador da Continental dos anos 70. Nossa geração deve a ele a idéia ousada que deu certo.Marina Lima, Clóvis Dias Costa (do Ritmo XX) e eu.Eu ao lado do músico Nélson Coelho de Castro. Foi ele quem deu meu e-mail para o Lucio e nos colocou em contato. Ele tem uma música no CD, "Magricela". Carlos Couto substituiu Anele em 1977 como técnico de som. Hoje ele é conhecido dos ouvintes do "Cafezinho" da Pop Rock. Eu e o locutor Wladimir Oliveira. José Fogaça compareceu no final da noite. Não como Prefeito, mas como ex-apresentador do programa "Opinião Jovem" e autor de "Testamento", que abre o CD na interpretação dos Almôndegas. Vejam a faceirice indisfarçável do Lucio com o sucesso do evento.Lucio, Cascalho, Fogaça e Hermes Aquino. Hermes está cantarolando "Guantanamo", parceria dele com Fogaça. Depois cantou um trecho de "Sexto Sentido", outra música dos dois, essa gravada por Fafá de Belém. Por sinal, Fafá estava se apresentando no teatro do Bourbon Country, num show em que só interpretava músicas de Chico Buarque.

Esse é o meu colega e amigo Leonel, que prestigiou a sessão de autógrafos a meu convite.
P.S. - Faltaram dois links importantes:
Livraria Cultura (para comprar o livro pelo site)
Comunidade da Continental no Orkut

quinta-feira, novembro 29, 2007

Sessão de autógrafos foi um sucesso

Não vou poder escrever muito agora, mas já adianto que a sessão de autógrafos do Lucio Haeser foi um sucesso. A turma da Continental compareceu em peso. Entre os músicos, estavam lá Hermes Aquino, Nélson Coelho de Castro, Cláudio Vera Cruz, Toneco, Beto Roncaferro (que também era radialista) e Rogério Lauda (do grupo Simbiose, autor de "Flor de Klô"). Até o Prefeito José Fogaça, que trabalhou na rádio e tem uma música de sua autoria no CD ("Testamento", interpretada pelos Almôndegas), deu um jeito de aparecer no final da noite, depois de participar da cerimônia de tombamento da Igreja da Conceição, que estava marcada para as 19 horas. Obrigado ao colega e amigo Leonel por ter prestigiado o evento a meu convite. Breve aqui um texto mais detalhado com fotos.

É hoje!

Finalmente chegou o tão esperado dia! Hoje, às 19 horas, Lucio Haeser estará na Livraria Cultura do Bourbon Shopping, em Porto Alegre, autografando seu livro "Continental, a Rádio Rebelde de Roberto Marinho". Todos os que viveram sua adolescência na Porto Alegre dos anos 70 têm o dever moral de prestigiar esse lançamento. Essa frase até soa como um dos slogans da Continental, não é? "Na Porto Alegre dos anos 70..."

Meu irmão João Carlos Pacheco, o Cau (profissionalmente ele era conhecido como Pacheco), foi um dos primeiríssimos locutores da Continental na fase clássica. Fui com ele algumas vezes à rádio. Ficava com ele dentro do estúdio curtindo o trabalho que ele fazia, observando o tom irônico com que lia os textos e sentindo-me um privilegiado por conhecer por dentro um veículo símbolo de minha geração. Além de radialista ele era também profissional de computação desde 1969, nos tempos em que o computador era uma enorme máquina envolta em mistério, chamada por muitos de "cérebro eletrônico". Por isso mesmo, custo a acreditar quando lembro que ele não chegou sequer a conhecer a Internet. Ele morreu de câncer em 1993, em Goiânia, com a idade que eu tenho hoje, 46 anos. Se eu já sou apaixonado pela rede, ele, que no final da vida foi também apresentador de TV em Goiânia - nossa! - iria se achar aqui dentro!

Antes de tomar conhecimento do projeto do Lucio, eu pensava em escrever um livro sobre a Continental. Mas imaginava colocar a idéia em prática mais tarde, quando minha vida estivesse melhor organizada, com mais disponibilidade de tempo. Se tivesse que esperar a aposentadoria, que assim fosse. Mas quando soube que já existia alguém nessa empreitada, imediatamente abandonei o plano. Sempre fui contra chover no molhado. No fim, sem demagogia nenhuma eu digo: que bom que foi o Lucio e não eu quem fez esse livro. Pois ele fez muito melhor do que eu faria. Quando que eu iria me dar conta, por exemplo, de pesquisar os documentos do SNI que mencionam a rádio? Pelos trechos que já li, garanto que o trabalho dele está perfeito. Por outro lado, que bom que me foi dada a chance de contribuir naquilo que eu tinha para dar.

Meu envolvimento com o livro teve sua semente plantada em 2002, quando meu amigo virtual Luiz Juarez Pinheiro, de Curitiba, me enviou algumas gravações que havia feito do programa "Mr. Lee em Concerto", que ia ao ar simultaneamente na Continental de Porto Alegre e Iguaçu de Curitiba em 1976. Avisei a meu ex-colega de faculdade Arthur Gayer sobre esse material, pois sabia que ele ia se interessar. Um dia eu chego em casa e tem um recado na secretária eletrônica. Uma voz grave e metálica que eu já conhecia de vários shows: "Emílio, aqui é o Nélson Coelho de Castro! O Arthur me falou sobre um material que tu tens do Mr. Lee. Eu queria muito escutar isso..." Em dezembro de 2002, acabei participando como convidado de duas edições do programa "Roda Som", apresentado por Nelson, Bebeto Alves e Juarez Fonseca, mostrando as gravações que o Luiz Juarez tinha me enviado. Foi ali que eu soube do Lucio, que já estava começando a preparar seu livro. Pouco depois o Nélson Coelho de Castro passou meu e-mail para ele, ele me enviou uma mensagem e ali começamos a trocar figurinhas.

Se meu irmão fosse vivo, provavelmente não poderia vir para o lançamento do livro, já que continuaria morando em Goiânia. Mas com certeza teria contribuído com suas memórias e estaria como eu, acompanhando entusiasmado a movimentação toda. É hoje! Cau, espero te representar à altura.

terça-feira, novembro 27, 2007

Essa, não!

Minhas "Frases para o Orkut" continuam fazendo sucesso. Da última vez que conferi, mais de 700 perfis estavam usando a minha sugestão principal de texto de apresentação, aquela que diz "penso por minha própria cabeça"e "sou eu mesmo, único e inimitável". Como a ferramenta de busca do Orkut não vasculha depoimentos ou legendas de fotos, não tenho como saber quantos usaram também os exemplos que eu dei, mas imagino que estejam dando o mesmo ibope. Só que agora encontrei uma pessoa que usou no perfil quatro frases que eu sugeri como legendas de fotos. Estão lá, totalmente soltas e fora de contexto, inclusive a que diz "eu e meu cachorro, dois seres vivos em perfeita harmonia". O que é isso?

segunda-feira, novembro 26, 2007

Convite

Aí está o convite para o lançamento do livro, enviado pelo Lucio. Ficou meio estreito na página, mas cliquem para ampliá-lo.

Faísca atrasada

Às vezes acontece comigo de começar a gostar de uma música depois que todo o mundo já enjoou dela. Quando ninguém mais agüenta escutá-la, aí é que eu resolvo descobri-la. É o caso de "Woman in Chains", do Tears for Fears. Acho que foi minha música preferida de 2007, mesmo que tenha sido lançada na verdade em 1989. Outra faixa legal desse mesmo CD é "Advice for The Young at Heart". Como o Tears for Fears pôde estar bem debaixo de meus ouvidos nos anos 80 e eu só virar fã agora? Foi o mesmo que aconteceu com a Madonna.

domingo, novembro 25, 2007

Livro já pode ser encomendado

O lançamento é só no dia 29, mas o site da Livraria Cultura já está aceitando encomenda do livro "Continental - a Rádio Rebelde de Roberto Marinho", de Lucio Haeser, com entrega prometida para 15 dias. É só clicar aqui.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Biografia dos Beatles

Olha que excelente notícia para os Beatlemaníacos do Brasil: a elogiada biografia dos Beatles escrita por Bob Spitz está sendo lançada em português pela editora Larousse. São 1.800 páginas! Embora eu sempre prefira ler em inglês quando é esse o idioma original (inclusive, já tenho a edição americana), solidarizo-me com quem não domina línguas estrangeiras mas gostaria de ler essas obras todas. Existem muitos outros títulos publicados no exterior, mas os fãs brasileiros não podem se queixar: já saiu a biografia de Paul McCartney ("Many Years From Now", de Barry Miles) e a volumosa "Antologia". O mercado de livros sobre música no Brasil parece estar crescendo.

Comunidade do Orkut

Acabo de ser convidado para uma comunidade do Orkut chamada "Saia do Orkut e curta sua família". Em princípio, acho uma boa idéia, mas gostaria de fazer algumas observações:

1 - Os brasileiros continuam atribuindo "ao Orkut" as características genéricas da Internet. Como se só existisse o Orkut na rede. Como se só ele fosse o culpado pelos efeitos colaterais nocivos do ciberespaço.

2 - Não é um contra-senso criar uma comunidade dessas no Orkut? Imagine a situação: "Benzinho, vem pra cá comigo?" "Já vou, amor, estou postando uma mensagem na comunidade Saia do Orkut e curta sua família".

3 - Será que essa comunidade quer mesmo dizer o que está no título ou significa na verdade "Saia do Orkut e vá ver televisão com sua família"?

quinta-feira, novembro 22, 2007

Abelhas

Apenas um comentário rápido antes de dormir. Fiquei bem impressionado com a notícia do cavalo que morreu após ser atacado por um enxame de abelhas na Redenção (Parque Farroupilha), em Porto Alegre. O pobre animal estava amarrado a uma árvore e ficou totalmente à mercê dos ferrões. Lembro de um caso, há alguns anos, em que um enxame matou um cachorro, mas uma pessoa que estava junto sobreviveu. Na época, um especialista comentou que a resistência do ser vivo a um ataque desse tipo dependia do porte da vítima em relação ao tamanho do enxame. Alguns devem ter lido e pensado: "Ah, dificilmente alguém vai morrer picado por abelhas!" Pois se elas conseguiram matar um cavalo, o que não fariam, por exemplo, a uma criança?

Não sei se sou alérgico a abelhas. Sei que tenho um ponto mais escuro "tatuado" na mão esquerda em conseqüência de uma picada. No mínimo, um enxame conseguiria me encher de sardas. Falando sério, sempre tive fobia a abelhas, marimbondos e similares. Não gosto nem mesmo de me aproximar de confeitarias ou pontos de venda de caldo de cana onde haja abelhas ao redor. Por isso uma notícia dessas me impressiona bastante. Na minha fase derradeira como "atleta", lembro que eu estava correndo na Avenida Beira-Rio, ao lado do Parque Marinha do Brasil, quando passou um enxame por cima de mim. Por um segundo eu pensei: "O que fazer agora?" Mas elas foram embora. Acho que não estavam voando baixo o suficiente para que eu as importunasse. Mesmo assim, passaram quase no nível da minha cabeça. Em outra ocasião bem mais recente eu estava dando uma caminhada com meu filho quando avistei um enxame à direita da Catedral da Igreja Episcopal, na Rua da Praia. Como eu estava do outro lado da rua, tratei de ficar por ali mesmo.

Boa noite. Aliás, acho que pra vocês é bom dia.

terça-feira, novembro 20, 2007

Livros

Todos os anos, na medida do possível, eu "me dou" presentes de fim-de-ano. É que eu faço aniversário em dezembro, então não penso apenas em termos de Natal. Pois os meus "autopresentes" já chegaram todos. Importei alguns livros da Amazon e também um via Abebooks, um portal semelhante à nossa Estante Virtual.

Finalmente encontrei o livro "The Heat Goes On - The Authorized Asia Biography", de David Gallant. Mesmo com as facilidades da Internet, já faz alguns anos que eu venho tentando achar essa obra. Somente mil cópias foram impressas e pelo visto cada uma foi assinada e numerada pelo autor, pois a minha veio com a seguinte observação manuscrita na página de apresentação: "David Gallant 237/1000". O Asia foi um dos grupos que marcaram meus 21 anos em 1982, um ano que deixou boas lembranças. Naquele tempo eu ouvia a Atlântida FM e a música "The Heat of The Moment" tocava direto. Depois entrou na programação também "Only Time Will Tell". A crítica torcia o nariz para o Asia pelo fato de ser um supergrupo formado por lendas do rock progressivo (ex-integrantes de King Crimson, Emerson Lake & Palmer, Yes e Buggles) para fazer um som bem comercial. Eu nunca dei bola pra isso e estava numa fase bem receptiva a esse tipo de música. Só que, depois do segundo LP, eu perdi o interesse pelo grupo. Agora quero retomar a história do ponto em que a abandonei e tentar saber o que aconteceu com o Asia a partir de 1983. E investigar melhor a passagem relâmpago de Greg Lake pela banda (eternizada no vídeo "Asia in Asia").

Estou curioso também para ler a biografia de Elton John escrita por David Buckley, que é o autor do melhor livro já publicado sobre David Bowie ("Strange Fascination"). Se ele fez um trabalho no mesmo nível sobre Elton, vai valer a pena conferir. Comprei também uma biografia de Michael Jackson, de J. Randy Taramborrelli. Parece ser excelente. O livro "The Unreleased Beatles" documenta as gravações inéditas dos Beatles em áudio, filme e vídeo. No Brasil, saíram biografias de Clara Nunes, Tim Maia, Paulo Coelho nos tempos de compositor (e parceiro de Raul Seixas, Zé Rodrix e tantos outros), Maysa, João Havelange, além de outras mais antigas como de Rita Lee e Émerson Fittipaldi. Enfim, é livro que não acaba mais. Vou sair de férias em dezembro e quero colocar boa parte da leitura em dia. Toda vai ser difícil.

Ah, sim, tem o livro do Lucio Haeser sobre a Continental, também. Esse é "interrupção de prioridade" nas demais leituras. Mas só chega no dia 29.

domingo, novembro 18, 2007

As músicas do CD da Continental

O site oficial de divulgação já confirmou a lista das músicas que estarão no CD que acompanha o livro "Continental: a Rádio Rebelde de Roberto Marinho", de Lucio Haeser, que será lançado no dia 29 às 19 horas na Livraria Cultura. Por sinal, o site da livraria já lista a sessão de autógrafos em sua página de eventos - cliquem aqui para ver.

Vamos às músicas:

1 - "Testamento" - Almôndegas

Composição do atual Prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, que também é autor de "Vento Negro", um dos grandes sucessos do primeiro LP dos Almôndegas (e de muitas outras letras musicadas por parceiros diversos e gravadas por intérpretes como MP4, Nara Leão e Fafá de Belém). "Testamento" nunca havia sido lançada em disco. Imaginava-se que poderia entrar no terceiro LP dos Almôndegas, já que a Continental a tocava bastante em 1976, juntamente com as também inéditas "Piquete do Caveira" e "Alhos com Bugalhos". As duas últimas entraram no disco, mas "Testamento" ficou de fora. Sai agora, finalmente, com o livro. Essa gravação foi feita no estúdio 2 da rádio e a formação dos Almôndegas era: Kleiton (violão), Kledir (violão e vocal solo), Quico Castro Neves (violão), João Batista (baixo) e Gilnei Silveira (percussão). Dizem que Zé Flávio também participou da gravação, mas nessa época ele ainda não pertencia aos Almôndegas e sim ao Mantra. A música é uma bonita homenagem de Fogaça a seu filho: "Um pouco da minha morte / No teu corpo eu plantei / Pouco importa tua estrada / De vagabundo ou de rei / Na tua barba que é a minha / No teu sexo que é o meu / No teu sonho eu viverei".

2 - "Machu Picchu" - Hermes Aquino

Essa era a música mais conhecida de Hermes Aquino em Porto Alegre antes de ele estourar com "Nuvem Passageira". Quando o noticioso "1120 é Notícia" anunciou no começo de 1976 que Hermes estava indo a São Paulo para gravar seu compacto pela Tapecar, já avisou que uma das faixas seria "Macchu Picchu". Ela viria a ser o lado A do disquinho, mas quando o lado B entrou numa novela, a história tomou um novo rumo. Mais sobre isso adiante. No CD está a gravação que a rádio tocava com exclusividade para os ouvintes, registrada ao vivo no primeiro concerto coletivo "Vivendo a Vida de Lee" em 1975, no Teatro Presidente.

3 - "Aos Anos 70" - Utopia

Composição que virou uma espécie de hino daqueles tempos em Porto Alegre: "Anos 70 que serão dez... anos 70 que serão dez..." O Utopia era o grupo de Bebeto Alves (naquela época conhecido como Bebeto "Nunes" Alves) e os irmãos Ricardo Frota no violino e Ronaldo Frota no violão. A gravação é de 1975.

4 -"Magricela" - Nélson Coelho de Castro

Nélson Coelho de Castro estreou na Continental em 1976, depois de participar do Musipuc daquele ano com "Versos de Proa". Mas "Magricela" só entrou na programação no ano seguinte, não mais no programa de Mr. Lee, que havia terminado, mas sim no "Mestre Júlio" às 6 da tarde. Essa música também é conhecida de quem assistia ao Portovisão, na TV Difusora, Canal 10. O apresentador Fernando Vieira mostrava um tape (na época ainda não se dizia clip) em que Nélson e o grupo Olho da Rua interpretavam a música ao vivo no estúdio. A música é cantada por Nélson e sua irmã Suzana. Nessa época eles sempre faziam dueto. Nélson viria a lançar vários discos em vinil e CD, mas "Magricela" está sendo lançada pela primeira vez com o livro.

5 - "Terras Estranhas" - Inconsciente Coletivo

O Inconsciente Coletivo durou pouco, mas deixou saudade. As violas e belas harmonias vocais de Alexandre Vieira, João Antonio Araújo e Ângela Langaro faziam desse grupo um dos mais queridos dos programas de Mr. Lee. Depois entrou Calique Ludwig no baixo. Eles chegaram a lançar um compacto simples pela Tapecar em 1976 com "Voando Alto" e "Fadas Douradas", mas a produção descaracterizou completamente o som acústico do conjunto. O grande momento do Inconsciente Coletivo foi o show "Sul, Primeiros Passos", apresentado no primeiro semestre de 1977 no auditório da Assembléia Legislativa, numa fria noite de segunda-feira. Ali, além de mostrar composições próprias, homenagearam colegas do movimento musical gaúcho, antecipando o modismo do "show de tributo". Reforçados por Fernando Pezão na bateria, o grupo interpretou, entre outras, "Guantanamo" de Hermes Aquino, "Em Meio aos Campos" de Fernando Ribeiro (com vocal solo de Ângela), "Daisy My Love" dos Almôndegas (com vocal solo de Calique), "Rei" do Hallai Hallai (com vocal solo de João Antônio), "Azulão" de Carlinhos Hartlieb e "Portas e Janelas" de Zé Flávio (com vocal de Fernando Pezão). Alguém tem esse show em fita? Eu quero cópia! "Terras Estranhas" entra no CD na gravação do estúdio 2 da rádio, com Alexandre, João Antônio e Ângela (ou Xandy, Tonho e Anginha, como viriam a ser creditados no compacto da Tapecar). Finalmente o som do Inconsciente Coletivo está sendo lançado em disco em sua versão pura e acústica, sem pasteurizações.

6 - "Margarida do Brejo" - Zé Flávio e Mantra

Mesmo antes de entrar para os Almôndegas em 1977, Zé Flávio era uma lenda do rock gaúcho como "guitar hero" do grupo Mantra (e também autor de três sucessos de seu futuro grupo: "Sombra Fresca e Rock no Quintal", "Amor Caipira e Trouxa das Minas Gerais" e o sucesso nacional "Canção da Meia-Noite"). "Margarida do Brejo" conta a divertida história de uma fã que sempre dava um jeito de assistir aos ensaios do Mantra.

7 - "Pense" - Status 4

Esse era o antigo nome do atual grupo vocal negro Status, que mantém dois integrantes da formação original. Quem ainda não ouviu o CD "Velhos Amigos" não sabe o que está perdendo. Hoje são três vozes masculinas, mas nos anos 70 o "Status 4" era formado por dois rapazes e duas moças. São as quatro vozes que se ouvem nessa gravação do estúdio 2 da Continental. Por sinal, essa música também foi gravada pelo grupo para o quadro de Fernando Vieira no Portovisão, na TV Difusora.

8 - "Advertência" - Bizarro

O Bizarro era uma das bandas de rock pesado de Porto Alegre nos anos 70. "Advertência" é de autoria do guitarrista Carlinhos Tatsch. Integraram a banda também o baterista Gélson Schneider, o baixista Mário Monteiro e depois Mitch Marini. Soube pelo Carlinhos que Mitch faleceu de câncer no começo do ano. Pelos meus cálculos, devia ter menos de 50 anos.

9 - "Rei" - Hallai Hallai

Outro inesquecível grupo vocal daquela época. Sua contratação pela Tapecar chegou a ser anunciada juntamente com a do Inconsciente Coletivo em 1976, mas o disco nunca saiu. Somente em 1983 lançaram um compacto simples independente com as músicas "Meu Lugar" e "Segurando o Vento". Em 1986, gravaram um LP pelo selo 3M com o nome de "Hallai", mas o som do grupo estava muito mudado (leiam sobre isso aqui). O Hallai Hallai de que todos temos saudade é mesmo o de 1976 e é esse que estará no CD. Alguns ex-integrantes do grupo estão hoje na banda Cavalo Doido. O Hallai Hallai tem uma comunidade no Orkut.

10 - "Monumento à Poluição" - Gilberto Travi e Cálculo IV

Esse é o mesmo Gilberto Travi que depois integraria os Discocuecas. Nessa época ele já tinha uma veia humorística, mas gostava também de compor músicas de otimismo e crítica ao cotidiano. "Monumento à Poluição" era uma das mais tocadas no programa de Mr. Lee em 1976: "Lá na minha rua tem uma baita chaminé / Que grandalhona que ela é / E larga uma fumaça que mata até bicho do pé (...) / Por isso minha gente preste muita atenção / Quando passarem por essa chaminé / Muito respeito porque ela é / Um monumento à poluição." Quando a Warner chegou ao Brasil no mesmo ano, tentou contratar Gilberto Travi como solista, mas ele se via como integrante de um grupo e só aceitaria se os músicos do Cálculo IV também entrassem. O contrato acabou não saindo.

11 - "Aonde Vai Você?" - Cláudio Vera Cruz

Antes de entrar para a programação da Continental, essa música havia sido divulgada num clip especialmente produzido para o "Transasom" de Pedrinho Sirotsky em 1977. Inclusive, ela foi anunciada com seu título completo: "Aonde Vai Você, Vendedora de Rapadura". Já na Continental, no programa de "Mestre Júlio", o mesmo áudio (gravado no estúdio da antiga Isaec, na Senhor dos Passos) foi divulgado com o nome encurtado para "Aonde Vai Você". Essa bonita composição de Cláudio Vera Cruz com letra de Paulinho Buffara chegou a ser lançada em disco pelo Impacto, com vocal do baixista Vasquez. Agora teremos a gravação original de Cláudio Vera Cruz no CD do livro.

12 - "Flor de Klô" - Simbiose

Linda composição acústica de Rogério Lauda com vocal de Zezinho Athanásio, o mesmo que depois se lançaria para todo o Brasil como o roqueiro Joe ("Já Fui" e "Me Leva Pra Casa"). Aqui ele canta num registro bem alto, quase um falsete, lembrando Ney Matogrosso e também Beto Guedes da fase "A Página do Relâmpago Elétrico". Essa é uma de minhas preferidas do CD. Um dia em 1977 eu tinha ido à Continental para tratar de algum assunto envolvendo o meu irmão (João Carlos Pacheco, que era locutor da rádio), quando fui chamado para pedir uma música para o programa "Participarada". Tive que escolher de uma lista, mas quando vi "Flor de Klô" (foi ali que fiquei sabendo que era com "K"), não tive dúvidas. Depois ouvi minha voz gravada no ar: "Eu queria ouvir na Participarada, com Simbiose, 'Flor de Klô'". Pena que não gravei.

13 - "Sonho" - Toneco

Toneco era mais conhecido como o exímio violonista do grupo que acompanhava Fernando Ribeiro, mas ele também canta - e muito bem. Será um prazer ouvir a voz dele no CD além, é claro, de seu bem executado violão.

14 - "Nuvem Passageira" - Hermes Aquino

Essa não é a gravação que o Brasil todo conheceu a partir da novela "O Casarão" e sim o registro feito no estúdio 2 da Continental. O ruído de vento que entra e sai foi tirado de um disco de efeitos sonoros. Quem poderia imaginar, naquele momento, que essa música seria um dos maiores sucessos de 1976 em todo o Brasil, chegando a ser citada na revista americana Billboard (como "Hermes de Quino")?

15 - "Novo Lugar" - Inconsciente Coletivo

Na época eu ouvia essa música, mas não sabia o nome. Era uma de minhas preferidas do Inconsciente Coletivo, num clima envolvente e melancólico. Faltou dizer lá em cima que João Antônio Araújo passou pelos Discocuecas como "Toninho Badaró", foi locutor de rádio (um dos primeiros da Cidade de Porto Alegre), garoto propaganda do Tevah e atualmente é um dos donos do Abbey Road, onde ainda toca. Xandy é proprietário do Sgt. Pepper's e também continua fazendo música. Ângela é psicóloga.

16 - "Portas e Janelas" - Zé Flávio e Mantra

Um blues típico do grupo de Zé Flávio, inclusive citando Porto Alegre na letra. Uma curiosidade: o baterista do Mantra era Fernando Pezão, que depois passaria por Inconsciente Coletivo (show "Sul, Primeiros Passos", citado acima), Almôndegas (somente em shows), Saracura, Discocuecas até chegar nos Papas da Língua, onde está hoje.

17 - "De Manhãzinha" - Utopia

Mais uma do grupo de Bebeto "Nunes" Alves e os irmãos Frota.

18 - "Arquivo Continental 1120" - Eu sei que, para muita gente, esta parte final é a mais esperada do CD: vinhetas exclusivas da rádio. O que teremos aqui? Bem que eu gostaria de divulgar em primeira mão, mas quem está preparando tudo é o técnico de som Francisco Anele Filho, o "Monsieur Anele", como Cascalho o chamava. Estou torcendo para que entre a característica do "1120 é Notícia" e também a música de fim-de-ano de 1976: "Os tempos andam meio tristes / E a incerteza vai continuar / Você que é jovem se console / Pois tem tempo pra esperar / Talvez dê em nada, talvez seja igual / Mas é ano novo, creia / É tempo bastante pro mundo mudar".

Eu já disse uma vez, mas vou repetir: o dia 29 vai custar a chegar!

quinta-feira, novembro 15, 2007

Calabocando

Todo o mundo tem alguma história engraçada de infância que os mais velhos da família nunca esquecem. Mesmo que você mesmo não lembre. Se você for o filho mais moço, então, como é o meu caso, aí mesmo é que as histórias abundam. Pior é quando contam coisas recentes que você não lembra de ter dito ou feito. Aí você tenta descobrir, sutilmente, se estava bêbado ou sóbrio quando aconteceu. No caso de a segunda hipótese ser a verdadeira, talvez reste a opção de dizer, mesmo sabendo que é inútil: "Não foi bem assim". Mas a lenda é sempre mais forte. Aos filhos mais moços não é permitido conhecer sua própria história melhor dos que os pais e irmãos. Afinal, você lembra quando eles limparam suas fraldas? Eu já esqueci tudo. E, no entanto, eles juram que é verdade. Então o resto fica valendo também.

Seja como for, eu devia ter menos de 5 anos quando nossa família alugou um apartamento em Tramandaí, para veranear. Era um daqueles prédios de praia iguais a tantos outros, com corredores abertos protegidos por amuradas e uma escada no ponto central. Um dia um cachorro estava latindo sem parar e eu, com autoridade, mandava que se calasse. Minha mãe quis saber o que estava acontecendo e eu respondi:

- Eu tô calabocando o cachorro!

E ali eu, sem qualquer conhecimento de gramática, criei o verbo "calabocar", primeira conjugação, que fez sua estréia no gerúndio. O presente do indicativo seria: eu calaboco, tu calabocas, ele calaboca, nós calabocamos, vós calabocais, eles calabocam. Talvez eu achasse que, quando alguém gritava "cala a boca!", estava conjugando o verbo "calabocar" no imperativo. Eu também pensava que "destamanho" fosse uma palavra só, sinônimo de "grande". "Peguei um peixe destamanho". Só que, nessa hipótese, o verbo calabocar seria intransitivo e minha frase estaria incorreta de qualquer forma. Eu não poderia "calabocar" o cachorro, o cachorro é que teria que "calabocar" em obediência a minha ordem.

Pois foi com imensa satisfação que vi, nesse último fim-de-semana, o Rei Juan Carlos, da Espanha, calabocando o Presidente Hugo Chavez, da Venezuela. Eu sempre tive dúvidas sobre a real (sem trocadilho) função de um Rei, achando que era apenas uma figura decorativa para manter uma tradição. Agora vejo que não, que o Rei também serve para calabocar os Chefes de Estado que falam demais. Independente de qualquer posicionamento político, sempre achei Chavez um chato. Tem mais é que ser calabocado, mesmo.

terça-feira, novembro 13, 2007

Porcos selvagens à solta na rede

Você já recebeu um texto intitulado "Captura de porcos selvagens"? Eu já. Três vezes. E já foi demais. Incrível que algumas pessoas achem mesmo que aquele texto anônimo, alarmista e catequisador vá conseguir influenciar minha opinião.

Qualquer pessoa com conhecimento de inglês percebe que se trata de uma tradução. Não que seja mal traduzido, necessariamente. Mas a frase "não existe este negócio de almoço grátis" é uma tradução óbvia de "there is no such a thing as a free lunch". Não foi difícil achar o original. Pode ser lido aqui e é creditado a um tal de "Eric Whoru". Pseudônimo, é claro: "Whoru" quer dizer "who are you" = quem é você. Ainda não consegui decifrar do que se trata, mas aparentemente é o líder de uma organização intitulada Truth Seekers ("Investigadores da Verdade") que parece ter um viés neomacartista e apóia Ron Paul para Presidente dos Estados Unidos em 2008. A caça aos comunistas está de volta!

O texto foi simplesmente adaptado e agora circula por e-mail como se tratasse da realidade brasileira. Aquele trecho que diz "neste país" é na verdade "in America" no original. Mas ninguém se preocupa em investigar a origem. Apenas repassam. E repassam. Como tudo na Internet.

Nunca foi tão fácil espalhar pânico.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Decifrando a charada

Quando faleceu o ator Frank Gorshin, que fazia o papel do Charada na série de TV "Batman", fiz uma pequena homenagem a ele aqui no blog e reproduzi a primeira charada que ele propôs no episódio de estréia. Transcrevi em inglês, mesmo. Agora tem gente chegando aqui querendo saber a resposta da charada, pois ela foi citada na letra da música "And No Matches", do grupo Scooter. Na verdade ela só faz sentido em inglês, mas vou tentar explicar.

There are three men in a boat with four cigarettes, but no matches. How do they manage to smoke?

Há três homens em um barco com quatro cigarros, mas sem fósforos. Como eles fazem para fumar? A resposta é:

They threw one cigarette overboard and made the boat a cigarette lighter!

A resposta usa a palavra "lighter" com duplo sentido. "Lighter" tanto pode ser "isqueiro" quanto "mais leve" (comparativo de "light", leve). Assim, a frase se traduz:

Eles jogaram fora um cigarro e deixaram o barco um cigarro mais leve!

Mas em inglês o duplo sentido também traz o seguinte significado, que é a resposta da charada:

Eles jogaram fora um cigarro e fizeram do barco um isqueiro!

A expressão "cigarette ligher" apenas reforça a idéia de que o "lighter" é um isqueiro (para cigarros) e não outro tipo de "acendedor". Enfim, é um trocadilho intraduzível, mas espero que tenham conseguido entendê-lo agora.

domingo, novembro 11, 2007

Fãs torcedores

Eu já toquei neste assunto aqui no blog, mas vamos de novo.

Não consigo aceitar a postura que uma amiga virtual definiu – e eu prontamente adotei a definição – como de "fãs torcedores". Música não é futebol. Se eu sou fã de um determinado músico, é porque o trabalho dele me agrada. Até entendo o entusiasmo que nos leva muitas vezes a vestir camisetas com o nome do ídolo, levar faixas para shows, imitar a roupa, a maquiagem, vibrar quando ganha um prêmio e outras atitudes de apoio. Mas quando esse comportamento começa a ficar obsessivo a ponto de não aceitar nenhuma crítica negativa, ficar com ciúme de outros que também fazem sucesso e até ofender fãs de outros artistas, eu deixo bem clara a minha posição: não assino em baixo. E essa opinião já me rendeu animosidades em algumas comunidades do Orkut.

Eu teria muitos exemplos para citar. Um deles é o da polêmica sobre o Kiss ter ou não copiado a maquiagem dos Secos e Molhados. É difícil discutir esse assunto sem que descambe para briguinha de torcidas. De um lado, os fãs dos Secos e Molhados me chamando de alienado por "defender americanos" e ainda acrescentando comentários irrelevantes, como dizer, por exemplo, que o Kiss é uma banda ruim que não chega aos pés dos Secos. Do outro lado, os fãs do Kiss acusando Ney Matogrosso de estar "mentindo", porque "está com inveja" porque "o Kiss é a maior banda do mundo" e ainda partindo para ofensas e manifestações de homofobia. Nenhuma das duas posturas contribui para esclarecer a situação. Sobre essa questão, já expus meus argumentos aqui.

Outro caso é quando sai alguma crítica negativa sobre o ídolo. Pronto: os fãs torcedores ficam em polvorosa! Sentem-se na obrigação de encher a caixa postal do crítico com e-mails de repúdio, como se isso não fosse ser apenas descartado como "reação típica de fã". Certa vez um fã torcedor conclamou os colegas a denunciar uma comunidade do tipo "Eu Odeio...", para que ela fosse excluída. E ficou indignado porque seu chamado não obteve a resposta desejada. "Fã que é fã denuncia", insistiu.

O fã torcedor sempre acha que o seu ídolo está sendo boicotado pela mídia. "A Globo tem alguma coisa contra [nome do ídolo]?" "Por que a MTV não toca [nome do ídolo]?" "Por que não toca [nome do ídolo] no rádio?" "Por que não colocam mais músicas de [nome do ídolo] em novelas?" Em geral são artistas que já tiveram seu grande momento e ainda aparecem, de vez em quando. Mas, para o fã torcedor, não é suficiente. Teria que aparecer sempre, todos os dias, a toda a hora. Já houve um caso em que um integrante de um grupo de discussão propôs de criar uma rádio só para tocar o seu grupo preferido! Ele não estava brincando, não. E queria o apoio dos colegas para levar a cabo seu delírio de tiete.

Não nego que fico orgulhoso sempre que a crítica aponta David Bowie como o mais genial nome do rock em todos os tempos. Afinal, sou fã dele deste 1973. Sinto-me um visionário, embora tenha sido apenas um lance de sorte. Também fiquei feliz quando
o CD ao vivo de Kleiton e Kledir ganhou o Prêmio Tim na categoria "Canção Popular", não só porque eram gaúchos e velhos ídolos meus desde o tempo dos Almôndegas, mas também porque concorriam contra ninguém menos do que Roberto Carlos. Mas se eu fosse esquentar a cabeça cada vez que alguém fala mal de um ídolo meu, viveria tomando aspirina, pois sou fã de mais de uma centena de músicos. E depois, fatos são fatos, opiniões são opiniões e música é música. Não me importo se os outros não tiverem o mesmo gosto que eu. Mas não me chamem para abaixo-assinados, campanhas de votação, envios em massa de e-mails ou nada que configure apoio incondicional a um só ídolo em detrimento de outros. Como dizia Rita Lee nos anos 70, o som nasce para todos.

Leiam também:

O dilema de ser eclético
Fanatismo

quinta-feira, novembro 08, 2007

Divulgada a capa do livro

Não sei o que o gremista Lucio Haeser achou da capa que a editora Insular criou para o seu livro, mas eu achei per-fei-ta! Não esqueçam que o lançamento será no dia 29 do corrente, na Livraria Cultura de Porto Alegre. Mais detalhes no site oficial da obra:

http://www.continental1120.com.br

terça-feira, novembro 06, 2007

Ibope fugaz

O Site Meter só mostra os últimos 30 dias, mas com um pequeno trabalho de colagem, consegui ampliar um pouco o escopo. É só para mostrar como, depois de um salto astronômico e inesperado no dia 4 de outubro, a visitação ao blog foi aos poucos voltando ao normal. No final até ficou em vantagem, pois estava em cerca de 250 no começo e agora estabiliza em cerca de 350. Mas aqueles dias com mais de mil acessos foram bons enquanto duraram.

Mas interessante mesmo é olhar a estatística por mês. Vejam o "pico de outubro". Não parece a chaminé do Gasômetro?


domingo, novembro 04, 2007

Paulo Goulart falando gauchês

Paulo Goulart, como sempre, está simpaticíssimo no comercial que gravou para o Tri, a passagem integrada de Porto Alegre. Mas não disfarça sua concentração para dizer a palavra "roleta", que em gauchês é o que os não-gaúchos conhecem como "catraca" de ônibus. Lembra Carlos Zara há muitos anos num comercial das Lojas Alfred. Nós aqui dizíamos "lojasálfred", tudo junto, mas ele separou bem uma palavra da outra com ênfase no "Alfred".

sexta-feira, novembro 02, 2007

Mario Quintana em italiano

No dia 22 de outubro de 2006, na época da Feira do Livro do ano passado, eu tinha publicado um comentário intitulado: "O tradutor de Quintana para o italiano", sobre Pierino Bonifazio, que estava em Porto Alegre para uma palestra. O próprio postou um comentário corrigindo: "não sou o tradutor de Quintana para o italiano, mas um italiano que está traduzindo poemas do Mario Quintana; sem compromissos, sem editora, sem um plano. Estou fazendo isso porque adoro os poemas do Mario Quintana e tenho a sorte de ter muito tempo para fazer isso com prazer". Atendendo ao pedido dele, troquei o título do texto para "Um admirador de Quintana na Itália". Mas respondi: "Algo me diz que, se você ainda não é o tradutor de Quintana para o italiano, passará a ser muito breve". Dito e feito: hoje, na Feira do Livro, foi a sessão de autógrafos de "Poesie di Mario Quintana", uma edição bilíngüe dos poemas de Mario traduzidos para o italiano por Pierino, com prefácio de Armindo Trevisan. A fila era grande e o lote destinado para a Feira esgotou rapidamente. Eu tive sorte de pegar o último. Quem comprou, comprou.


Da esquerda para a direita: eu, Pierino Bonifazio e Elena Quintana, sobrinha do poeta Mario Quintana. Pierino e eu já nos conhecíamos. Foi uma honra ter sido apresentado a Elena, a herdeira responsável pela obra de Quintana. Ela já tinha sido avisada por Pierino do trabalho que eu e tantos outros tentamos fazer na Internet para combater os textos falsamente atribuídos ao poeta. Nossa conversa foi rápida, mas muito agradável. Contei a ela que, nos anos 70, eu tive chance de abordar Mario Quintana por duas vezes, quando eu freqüentava o Grêmio Literário Castro Alves, mas não o fiz porque sempre fui reservado e respeitador da privacidade alheia. Ela comentou que também era assim e que achava que por isso o "Tio Mario", como o chama até hoje, a tinha escolhido para cuidar dele e de sua obra. No começo, ela confessa, tinha um certo receio de se aproximar dele. Sobre isso, ela lembrou um dos geniais pensamentos do poeta:

Dizem que sou tímido. Nada disso! Sou é caladão, introspectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?

A Feira do Livro estava lotada, hoje. Uma senhora que também comprou o livro com as traduções de Pierino acha que as pessoas não viajaram no feriadão, por causa do mau tempo, e por isso vieram todas para a Feira. Ainda bem que eu já tinha feito a maior parte das minhas compras. No meio dessa multidão, fica até difícil examinar os livros. E a cobertura aumenta a sensação de claustrofobia.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Do site oficial da Feira do Livro

Eu vi quando a foto foi tirada, mas não sabia onde seria publicada. Saiu no site oficial da Feira do Livro de Porto Alegre, no álbum de fotos do dia 29 de outubro. Sim, sou eu mesmo recebendo um autógrafo de Kleiton Ramil em seu livro "Sonhos e Sonhadores". Eu lembro que, quando meu sobrinho Rafael Barcellos foi fotografado ao lado de Roger Waters, abriu um sorriso bem bobão de "olha eu aqui". Eu peguei no pé dele, disse que ele podia ao menos ter disfarçado. Pois eu pensei que estivesse disfarçando o meu orgulho com a dedicatória do Kleiton e agora vejo que também abri o maior sorriso de fã deslumbrado. Dãããã...
Por sinal, encontrei hoje o Kleiton de novo, dessa vez na Livraria Saraiva, onde ele também fez uma sessão de autógrafos. Eu juro que foi casualidade. Fui lá apenas para "bater o ponto". Aí avistei a representante da editora dele e ela me falou que o Kleiton estava ali. Conversamos rapidamente sobre o assunto do livro, sonhos. Espero que dessa vez eu tenha mantido uma postura mais casual. Mas duvido.

Googladas incautas de outubro

Vamos às googladas incautas de outubro, um mês histórico para o blog. O mês em que o número diário de acessos saltou de 234 para 1278 de um dia para o outro. Vejam no gráfico:


E tudo porque, por algum motivo que ainda não consegui decifrar, a busca do MSN passou a achar este blog. Ou o Site Meter passou a computar os acessos, talvez. Mas todos procurando uma única foto.

Enfim, para quem está chegando aqui pela primeira vez: "googladas incautas" foi a expressão que eu criei para definir os argumentos de busca usados por usuários que não sabem usar o Google. Ou qualquer outra ferramenta de busca. Só o que elas fazem é procurar as palavras que você digitou em alguma página da Internet. O Google não "entende ordens", muito menos as obedece. Mas muita gente pensa que sim. E se dirige ao Google como a um espelho mágico, um gênio da lâmpada ou a um oráculo. Essas consultas todas aparecem para mim no Site Meter. Eu vou anotando as mais divertidas para divulgar na virada do mês.

Vamos começar com a minha categoria preferida: a turma do "quero-quero". São os que pensam que precisam dizer ao Google que "querem" tal coisa:

quero aprender fazer depoimentos para uma pessoa no orkut
quero baixar musicas de bruno e marrone para o meu computadorem mp3
quero colocar meu depoimento em um site do rbd
quero colocar no orkut umas palavras bonitas para minha amiga
quero comprar cuia para chimarrão folhada a ouro
quero fazer uma montagem usando plano de fundo da playboy
quero foto de mulher bunita que posso colocar no orkut


Isso me lembra de uma correção que ouvi quando criança: "Não é bu, é bo!" Mas a palavra era outra.

quero ouvir na internet mensagens bonitas
quero saber sobre as enchentes e ver fotos e legendas !!!!
quero um virus prontro

De vez em quando aparecem uns loucos correndo atrás de vírus, quando a maioria tenta evitá-los.

quero ver texto que deixe mensagem bonita
eu quero fazer montagem de fotos agora

Agora? Tem que ser mesmo agora? E o Google com isso?

Este foi mais educado:

gostria de ver as fotos de secretaria de radio px

Da série "pergunte ao Google":

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. o que quer dizer este poema

Ah, sim: se não entender algum poema, é só pedir para o Sr. Google, que ele explica! Só sei dizer uma coisa: ou autor NÃO é Mario Quintana!

achar poema pra colocar no orkut

como chama aquela música tema da daniela peres falecida atriz na sua ultima novela

Como se chama! Ah, a música é "Wishing on a Star".

como conciliar os direitos de um nao-fumante com o direito daquele que quer fumar

Simples: esconda-se para fumar.

como criar uma comunidade no orkut com a frase comprida

Traduzindo: você quer criar uma comunidade cujo título ultrapasse o limite de caracteres. Acho que não tem como.

como devo fazer para aprender montagem de foto para um dvd com fundo músical
como faço para descobrir a senha que meu filho usa no meu pc no orkut


Alô, crianças, cuidado: tem algum pai por aí querendo bisbilhotar a vida de vocês!

como faço para encontra um programa que posso colocar minha foto na capa de um cd
como posso apagar uma mensagem no meu orkut e de meus amigos adicionados, quando não vem escrito a opção de apagar ?
como posso me proteger dos efeitos Radiologicos
quando eu acesso o orkut fala que o certificado do site expirou o que fazer
como surgiu o abto de tomar café


Ai!

como usar lsd na pele

Sinto muito, o Sr. Google não apóia o uso de drogas ilegais.

existe lojas que vendem videos casais realmente casados

Não entendi.

o que e filme polêmico

E o dicionário, vai bem?

os bee gees tem alguma mania entre si?

Têm a mania de ser irmãos uns dos outros. Que coisa, né?

tem algum programa de fhoto que possa montar uma foto de uma pessoa gorda passar para magra

Sei não... é melhor tentar um programa de alimentação.

Esta não é exatamente uma googlada incauta, mas achei interessante que alguém salvou um link para o meu blog numa pasta de seu computador particular. Iarinha e Otávio, quem quer que sejam, obrigado por me prestigiar:

file:///C:/Documents and Settings/Iarinha/Desktop/Otavio Novos documentos/Blog do Emilio Pacheco Frases para o Orkut.htm

Voltando aos incautos:

FRASES LINDAS PARA PONHAR EM MONTAGENS DE FOTOS

Ponhar? A última vez que ouvi alguém usar esse verbo, devia ter no máximo três anos. Esse aí já é alfabetizado, então deve ser mais velho.

frases mensagems para seduzir munheres no orkut

Esse pelo menos tem consciência de que não sabe escrever e está procurando frases prontas. Mas vai ser difícil.

Da série "faça uma pergunta inteligente ao Google":

Se Tivesse a oportunidade de visitar uma empresa de água mineral, você iria? Para que faria isso?


Quem? Eu ou o Sr. Google?

o texto que ana maria braga leu hoje

Ah, sim, "hoje". Disse tudo.

Da série "puxe assunto com o Sr. Google":

roubaram meu carro e minha carteira esta vencida

Puxa, e agora?

seria um lugar onde eu pudesse fazer montagens com fotos

Viu, Sr. Google? Seria um lugar assim. Mas o quê? Onde?

site de relacionamento parra coroas que gostam de homens mais novos

Essa é boa! Um site de relacionamento altamente segmentado é o que ele quer!

sites que aceite pagamento de boleto bancario parcelado
somente fotos bonitas com cães pitbulls


Vai ser difícil.

um messagem bem bonita para coloca no orkut

Tinha que ter um representante das "bem bonitas".

Não sei se alguém notou, mas nas googladas incautas de setembro, não teve a "googlada do mês". É que realmente não houve nenhuma que se destacasse. Mas em outubro, ah, em outubro não foi uma, foram três impagáveis! Então nesse mês tem medalha de bronze, prata e ouro. Começando com a de bronze:

Qual o único irmão dos Bee Gees ainda permanece vivo? Robin ou Barry?

Além de fazer uma pergunta bem explicadinha, num português impecável, a uma simples ferramenta de busca, esse incauto ainda demonstra uma desinformação constrangedora! Robin e Barry são os que estão vivos! Foi Maurice quem faleceu.

Googlada de prata:

preciso aprender urgente power point não sei como tem fotos e preciso escrever ao lado das fotos


No desespero, ele resolveu recorrer ao Sr. Google, pobrezinho. Mas chegamos à medalha de ouro. Soem as trombetas! Rufem os tambores! Senhoras e senhores... a googlada incauta do mês:

fotos do aquatico do ben 10 eu quero fotos fotos mesmo não de brinquedos


Viu, Sr. Google? "Fotos fotos mesmo", ele disse! Bem explicadinho! Só imagino a fúria dele quando chegou a esta página. "Que saco, esse Google não serve pra nada, mesmo. Expliquei bem o que eu queria e ele me mostra esse blog idiota!"

Um ótimo mês de novembro a todos!

Bem na hora da chuva

Eram dez horas da noite de ontem, eu já tinha até vestido o pijama (sim, eu uso), quando fiquei sabendo que faltava um item essencial na geladeira. O jeito foi trocar de roupa e aproveitar para ir ao supermercado, que fica perto, já que ele só fecha às 11. Só que, bem na hora, caiu um toró. Pensei: azar. É só ida e volta, vapt, vupt. Na volta tomo outro banho e troco de roupa.

E fui. Fiquei realmente impressionado. Era um temporal de filme, daqueles que a gente raramente vê ao vivo, pois fica em casa, bem protegido. Ou espera passar antes de sair. A chuva vinha maciça, levada pelo vento, dobrando postes e árvores. As ruas rapidamente se alagavam. Nem me preocupei em não encharcar os tênis. Lancei-me bravamente em minha missão. Chegando ao supermercado, vi várias pessoas paradas na porta, olhando inconsolavemente para a rua, como quem diz: "E agora?"

Comprei o que precisava e mais um pouco. Na volta, com uma das mãos ocupadas com as compras, restou-me uma mão só para manejar o guarda-chuva. Ainda bem que não encontrei nenhum conhecido pelo caminho, pois teria sido uma situação meio estranha. Só imagino ele perguntando:

- O que você veio fazer na rua, com essa chuva toda?

E eu, com a bermuda molhada, a camiseta toda respingada, protegendo-me da "cachoeira" pluvial, responderia:

- Buscar água...