quinta-feira, setembro 30, 2004

Cuidado com livros

Detesto quando vou comprar um livro e o vendedor preenche a nota fiscal em cima da capa. Que é isso? Já vou sair com o livro todo riscado? Sei que isso não atrapalha a leitura, mas não gosto. Se acha que é muita mania, pense no seu carro, que também não deixa de funcionar se tiver a lataria arranhada. E você cuida dele como um filho. Pois eu gosto de preservar meus livros. Consigo ler um livro inteiro sem quebrar a lombada.

No tempo do disco de vinil, muitos vendedores preenchiam a nota em cima da capa, também. Trogloditas! A cultura está em mãos erradas! São essas mesmas pessoas que escrevem em bancas de jornais: "Proibido folhar revistas." Então tá.

Confusões de infância e adolescência

A imaginação das crianças muitas vezes supera a de escritores e humoristas. Pedro Bloch explorava isso muito bem em sua coluna "Criança Diz Cada Uma", da revista Pais e Filhos, que foi também título de um livro de sua autoria. O americano Art Linkletter tinha um programa de TV em que entrevistava crianças e contou muitas de suas "tiradas" no livro "Kids Say the Darndest Things". Mas às vezes acho graça das confusões que eu mesmo fazia na infância.

Quando criança, eu imaginava que "estro" fosse um movimento musical. E tudo por causa do programa "Um Instante, Maestro", de Flávio Cavalcanti, onde eu ouvia falar em "uma estro" pra cá e "uma estro" pra lá. Um dia minha mãe me viu brincando de reger uma orquestra. Eu segurava uma batuta imaginária na mão e dizia: "Já fiz uma estro, agora vou fazer duas estros."

Eu não conhecia pessoalmente todos os amigos de meus pais, mas alguns nomes me eram bem familiares, de tanto que eles citavam. Um nome que eu ouvia bastante era de um tal de Fulano. Achava que fosse realmente uma pessoa chamada assim.

Mesmo quem não é gaúcho deve saber o que é um CTG, ou Centro de Tradições Gaúchas. Existem vários espalhados pelo Brasil e até pelo mundo. Pois, no começo de minha adolescência, eu pensava que os CTGs fossem todos numerados. O de Porto Alegre era o 35. Só muito tempo depois caiu a ficha e percebi que o nome era uma alusão ao ano da Revolução Farroupilha, 1835.

Eu tinha 15 anos quando estreou na Rede Tupi a novela "Tchan, a Grande Sacada". Achei o nome superestranho pois, além de não saber o que era "tchan", imaginava que "a grande sacada" fosse uma sacada bem espaçosa. E a música ainda dizia: "é preciso ter tchan e entrar de uma vez na grande sacada". Só fui entender a expressão vários anos depois, quando a vi novamente em um anúncio de roupas que eram "a grande sacada" para o verão, ou algo assim.

Meus pais tiveram uma empregada que ficou conosco mais de quarenta anos e era como se fosse da família. Ela me viu nascer e me tratou como criança a vida inteira. Às vezes ela me sufocava com excesso de atenção, mas era uma pessoa com uma bondade infinita. Sempre que faltava luz ela dizia que ia acender uma vela de "palma sete". Eu pensava que "palma sete" fosse um tamanho padrão de velas. As menores deveriam ser de palma cinco. Procurando bem talvez se achassem até maiores, de palma oito ou dez. Eu lembro que já era bem grandinho quando aprendi que o termo correto era espermacete.

Sempre que alguém falava em "posar para a posteridade" eu achava que a palavra fosse derivada de "poster".

Minha irmã me ensinou uma oração que falava na "piedade de vina". O que seria vina? No Paraná eu sei que é salsicha.

E assim hoje eu tomo conhecimento das confusões que outras crianças fazem. Um de meus sobrinhos estudou no mesmo Jardim de Infância que eu, na rua Senhor dos Passos. Um dia minha irmã perguntou a ele se saiba o nome da rua onde estudava. "Sei, mãe. É Senhor do Espaço." O filho de um colega ouviu a mãe dizer que teria que levá-lo "no homeopata". Imediatamente perguntou: "Quem é o teu pata?"

quarta-feira, setembro 29, 2004

O teste da pisada

Eu sempre digo: se quiser saber o nível de uma pessoa, pise no seu pé. Qualquer um disfarça bem quando está calmo, mas ninguém resiste a uma boa pisada no pé. Alguns seguram um gemido de dor, mas ficam esperando que você se desculpe. Outros soltam toda a baixaria que estava reprimida por trás da fachada.

Acabei de pisar no pé de um colega. Ele não disse nada e aceitou minhas desculpas. Confirmou minha teoria. Mas juro que foi sem querer.

terça-feira, setembro 28, 2004

Sant'ana e os cachorros

Eu gosto de ler o que o Paulo Sant'ana escreve. Nem sempre concordo com ele, mas aprecio o estilo lúcido e humano de suas crônicas na Zero Hora. Hoje ele se saiu com uma sensacional:

Recebi dezenas de e-mails de donos de pitbulls e rottweilers. Têm dois argumentos principais: os cães são mansinhos, brincam com as crianças – e os culpados dos ataques fatais são os donos dos cães, pelo que o colunista está errado em amaldiçoar os animais.

Mas é evidente que são os donos dos cães os culpados. Eu por acaso escrevo para os cães lerem?

Isso me faz lembrar outro texto dele há muitos anos, comentando sobre um cidadão que havia sido mordido por um cachorro. O dono alegou: "ele pensou que você fosse atacá-lo". Aí, Sant'ana, que é Bacharel em Direito, comentou que "para um cachorro não se pode argüir a tese da legítima defesa putativa".

Eu simpatizava com cães, até que uma namorada minha me mandou sair do quarto para o cachorro parar de latir. Bem, o namoro não durou muito. Mas a última notícia que tive é de que ela e o cachorro continuavam juntos.

Recomendação

O blog do Caco Barcellos é muito legal! Não, não aquele Caco Barcellos. Este. Meu sobrinho Ricardo Pacheco de Barcellos.

Melhor que spa

Acho que vou me candidatar a prefeito ou governador. Sabem por quê? Pra emagrecer! É impressionante como os candidatos entram em forma para uma campanha. Lembro o Antônio Britto como perdeu a barriga ao se candidatar a governador. Pois agora é o Raul Pont quem exibe uma silhueta invejável. Os outros candidatos também estão nos trinques. Tem vaga em algum partido?

Decisões e opiniões

Algumas pessoas não percebem que é bobagem tentar demover alguém de uma decisão. Decisão é decisão, está tomada. É exatamente o oposto de indecisão, que é uma situação em que até cabe dar um conselho, se for solicitado. Mas querer fazer alguém mudar de idéia sobre uma resolução pronta só serve para deixar a pessoa irritada e, conforme o caso, confusa. Na prática, não ajuda em nada.

Em 1985 eu estava jantando com amigos no Pato no Cesto, na Getúlio, quando lhes dei a grande notícia: eu iria aos Estados Unidos! Um de meus sobrinhos, então com 14 anos, tinha ganho uma excursão a Disney World de presente dos pais e, no embalo, minha mãe perguntou se eu queria ir junto. Claro que sim! Além de visitar a Disney World, iríamos também a Washington e Nova York. Aí um de meus amigos, que tinha ido aos Estados Unidos sozinho e vivido uma aventura bem interessante, ficou cismado com a idéia de me convencer a não ir em excursão. "Emílio, vai sozinho, tu falas inglês, podes alugar um carro! Emílio, essa excursão não vale a pena, eu sei qual é! Vocês vão ficar um dia só em Washington!" E me olhava com expectativa, imaginando que suas palavras surtiriam algum efeito. É claro que ele só conseguiu me causar desconforto. No fim a excursão saiu e foi inesquecível.

Outra história de que lembro, embora não com detalhes, é a de uma estagiária de no máximo 17 anos que anunciou que estava noiva. A jovem estava feliz, já com expectativa de casamento, e queria dividir sua alegria com os colegas. Imediatamente foi cercada por mulheres que haviam fracassado em seus relacionamentos, as quais se puseram a tentar "abrir-lhe os olhos" para que não fizesse a "besteira" de casar tão cedo. A menina ali, de aliança na mão direita, apaixonada, teve que suportar as duchas de água fria das colegas mais experientes que queriam evitar que ela cometesse o "erro". Não sei o que aconteceu com a moça, mas espero que tenha se casado e sido muito feliz. E se houve ou houver separação depois, desejo que ao menos o tempo em que ficaram juntos tenha valido a pena.

Assim também, há quem acredite na possibilidade de mudar a opinião ou o posicionamento de um amigo com um discurso rápido. Ou pior: com um discurso demorado. Em geral o ouvinte não está nem prestando atenção no que está sendo dito, apenas torce para que o martírio da tentativa de lavagem cerebral acabe logo. Depois vem a pergunta inevitável: "Consegui te convencer?" E o amigo não sabe se diz a verdade ou mente para encerrar de uma vez o assunto.

Não adianta, decisões e opiniões não se mudam com palavras. Só é válido tentar fazer alguém mudar de idéia em casos críticos que envolvam drogas, crime ou suicídio. De resto, palpites são bem-vindos somente quando solicitados. Cada um sabe o que faz e deve arcar com as conseqüências de seus atos.

segunda-feira, setembro 27, 2004

Clips bons eram os do ABBA!


Coletâneas de clips em geral são enjoativas, principalmente depois que a MTV consagrou uma estética cheia de cortes rápidos e um visual inusitado que compete com a música. Mas o ABBA é anterior à MTV e gravou clips deliciosamente bregas. Abba – The Definitive Collection é uma festa para os olhos. Festa mesmo, pra soltar balõezinhos e soprar língua-de-sogra. É um clip mais kitsch que o outro, mas a gente não se cansa de olhar. Nem que seja para admirar as curvas e o charme, digamos, "colonial" da loirosa Agnetha. Ela é sueca, mas parece uma "alemoa" do interior do Rio Grande do Sul. A morena Frida pra feia não serve, mas não chega aos pés da colega de grupo. Agnetha, inclusive, ficou famosa por seu bumbum sem ter uma imagem vulgar. E ela está mais bonita do que nunca no clip de "The Day Before You Came", um dos últimos do grupo, onde já aparece como uma mulher mais madura.

Mas a estética dos clips é algo. Imagine os quatro com aquelas roupas coloridas bem anos 70, dançando e cantando diante das câmeras num cenário estático. Em "Take a Chance on Me", Bjorn e Benny estão sentados bem jururus enquanto Agnetha e Frida – que eram respectivamente as esposas – ficam dançando e girando ao redor deles, pedindo que lhes dêem uma chance de namorá-los. Ao final, aparece Benny levantando de supetão e correndo atrás de Frida feito um zumbi. Pior que esse, só o clip de "When I Kissed The Teacher", em que os quatro estão em uma sala de aula e, cada vez que o professor com cara de nerd chega perto, Agnetha tasca-lhe um beijo no rosto, sem parar de cantar. Que MTV, que nada! Clips bons eram esses, ridículos e divertidos em sua simplicidade. E as músicas são ótimas também, grudam no ouvido feito chiclete. Este DVD dá de dez a zero em muita produção pretensiosa por aí. Eu gosto do ABBA, sim, e daí? Dizem que eles viraram preferidos do público GLS, mas não é problema meu. Eu já gostava deles desde que ouvi "S.O.S." na Rádio Continental em 1975.

Deja Vu

A coluna de hoje do Luis Fernando Verissimo na Zero Hora é reciclada. Já havia sido publicada há muitos anos. Pelo menos este parágrafo eu tenho certeza que sim:

Ao contrário do que muita gente pensa, o italiano não é o espanhol com mais gestos. Nem acentuar a última sílaba transforma, automaticamente, qualquer língua em francês. A certeza de que é só substituir o "o" pelo "ue" leva muitos brasileiros a pensar que qualquer um de nós fala um "pueco" de espanhol. Agora, a convicção que os brasileiros mais custam a abandonar é a de que, para ser entendido por qualquer estrangeiro, basta falar português bem alto e bem explicado.

Mas tudo bem. O comentário é tão pertinente que merece ser republicado até mais vezes, se preciso.

sábado, setembro 25, 2004

Recomendação

Não deixem de ler o texto "O maldito botão de Forward" no blog da Carol.

sexta-feira, setembro 24, 2004

Contador no blog

Um português colocou contador de acessos no blog. E ficava feliz porque, cada vez que ele ia olhar, a contagem tinha aumentado.

Pois eu também coloquei contador no blog. E cada vez que eu olho a contagem aumentou, também. Incrível, não?

Hábitos de consumo e transporte

Certa vez eu estava em uma pizzaria no centro de Porto Alegre e, bem atrás de mim, havia um grupo de americanos. O que estavam fazendo na capital gaúcha, não sei. Eu conseguia ouvir tudo o que eles diziam, mas não me meti na conversa. Sei o quanto eles prezam a reserva e a privacidade. Mas o comentário de um deles me chamou a atenção: "Já observaram como aqui tem de tudo? Computadores, equipamentos de som... Como pode haver tudo isso se não há dinheiro?" Nessa hora quase pedi um aparte. Mas achei melhor ficar na minha.

O primeiro impulso, como sempre, é o de achar que os estrangeiros têm uma imagem errada do Brasil. Mas não é bem isso. Em comparação com os países de primeiro mundo, os brasileiros passam dificuldades, sim. Não todos, é óbvio. Mas nossa classe média tem um padrão diferente. Nosso orçamento é mais controlado. E o raciocínio dos estrangeiros é simples: quem não tem dinheiro não deveria gastar. Não é lógico? Mas nós pensamos diferente. Podemos ter nascido num país de economia instável, mas temos uma vida só pra viver e não vamos deixar de desfrutar do que pudermos. Se tivermos que morar num apartamento pequeno, que seja. Mas ele terá computador, DVD e equipamento de som. Pagaremos a prestação, economizaremos na gasolina, mas não deixaremos de consumir.

Por falar em gasolina, nos Estados Unidos, só anda de ônibus quem por algum motivo não pode tirar Carteira de Motorista. Alcoólatras, por exemplo. De resto, até faxineiras e empregadas domésticas conseguem comprar seus automóveis. Já aqui no Brasil o ônibus é utilizado até por quem tem carro. E também por quem não tem, óbvio. Mas mesmo os que não têm, é possível que não se privem de consumir outras coisas, como os já citados computadores e equipamentos de som.

Eu tenho carro, mas ando de ônibus sem problemas. Só tenho uma mania. Pode ser orgulho, presunção, peso da idade ou mesmo do corpo, mas eu me recuso a correr para alcançar ônibus. Ah, não corro. Acho o cúmulo da humilhação terceiro-mundista. Nas poucas vezes em que fiz isso, entrei no coletivo todo esbaforido, com os batimentos cardíacos lá em cima e o corpo pronto pra começar a suar dentro da roupa de trabalho. Então não faço mais. Chego calmamente na parada e espero o próximo. Perco o ônibus, mas não perco a pose.

quinta-feira, setembro 23, 2004

Mulheres

Um dos sintomas de estar ficando velho é ver uma gatinha com no máximo 18 anos andando na rua ou no shopping com a mãe bem vigilante ao lado... e achar a mãe interessante!

Pegam no meu pé porque eu gosto de mulheres mais velhas. Não é que eu não goste das mais jovens. Mas a gente nunca sabe como elas vão ficar depois. Então o negócio é escolher entre as que já amadureceram, que essas a gente já sabe como ficaram!

Os heróis da tragédia

As palavras são pequenas para exaltar o caráter e o desprendimento de dois heróis da tragédia de Erechim. Um deles tem 36 anos e se chama Valdecir dos Santos. Ele chegou a ver o ônibus cair na barragem, levando junto seu filho Juliano, que acabara de embarcar. Em meio ao desespero, teve o alívio de enxergar Juliano salvando-se a nado. Mesmo assim, Valdecir jogou-se na água para tentar socorrer os demais jovens. Conseguiu salvar mais cinco.

Mas nenhuma figura é mais emblemática do que a do menino Lucas Vezzaro, de 14 anos. Bom nadador, ele conseguiu resgatar três pessoas com vida. Quando ia buscar a quarta, ficou sem forças e veio a morrer afogado. Seu ato de bravura foi tão comovente que conseguiu dar aos seus pais o alento do orgulho para atenuar a dor da perda. "Perco meu filho, mas sou um homem orgulhoso por tudo o que ele fez", disse o pai Sérgio Vezzara ao jornal Zero Hora.

Solidariedade. Amor ao próximo. Chavões tão surrados que soam até como pieguice. Mas são a única esperança para este mundo cada vez mais complicado em que a gente vive.

Setembro

Um mês, em princípio, é apenas uma convenção. Corresponde a 1/12 da translação da terra. Mas a partir do momento em que cada mês tem até um nome, é como se cada um tivesse personalidade própria.

Tem gente que detesta agostos. Pois eu estou começando a sentir que há qualquer coisa negativa em setembro. Não sei bem o que é. Mas é um momento em que a gente olha para o que resta do ano e pensa: dá tempo de melhorar? Ainda haverá um final feliz? É um mês carregado.

Perdi dois amigos em setembros diferentes. Mais jovens do que eu. Setembro foi o mês do atentado aos Estados Unidos. Da morte de Allende no Chile. E ontem caiu um ônibus cheio de crianças em Erechim.

Vamos nos concentrar e mandar embora essas energias negativas. De qualquer forma, faltam menos de dez dias. Só mais um pouco.

quarta-feira, setembro 22, 2004

Mudança de estação

Leio no jornal de hoje que o inverno gaúcho teve extremos de frio e calor. Ora, será que as pessoas não lembram que é sempre assim? O 8º Distrito de Meteorologia já explicou, há muitos anos, que o Rio Grande do Sul está sujeito a correntes alternadas de frio e calor. Então temos um calor insuportável no verão e períodos sucessivos de frio e calor nas demais estações. É assim todos os anos. E ninguém lembra.

Em geral, a primeira onda de frio acontece em abril. Aí, o primeiro refluxo de calor costuma cair em maio. Deste todos lembram: é o "veranico de maio". Depois, volta o frio. Mas quando vem novamente o calor, quase sempre em julho, os gaúchos se olham confusos: "A troco de que este veranico fora de época e blá blá blá..." Como se nunca tivesse acontecido antes. Como se não acontecesse todos os anos.

Se o inverno gaúcho fosse realmente como as pessoas pensam, chuveiro elétrico não venderia nada por aqui. São raros os chuveiros elétricos que esquentam a água satisfatoriamente num dia de muito frio. Quando a gente começa a pensar em trocar para um a gás, o tempo melhora e vem o calor.

Pensando bem, é melhor o gaúcho ter memória ruim para o clima do que para outras coisas. Política, por exemplo. Mas não vamos entrar neste assunto. Não agora, pelo menos. Boa primavera a todos.

terça-feira, setembro 21, 2004

A evolução do mercado de vídeo


Você já teve a sensação de estar à frente do seu tempo e ter que esperar a evolução alcançá-lo? Eu me senti assim quando comprei meu primeiro videocassete em 1985. Minha intenção era formar uma videoteca comprando minhas próprias fitas. O problema é que não havia quem vendesse em Porto Alegre. E sempre que eu perguntava a respeito, invariavelmente esbarrava em respostas como "mas pra que você vai querer comprar, se é mais barato alugar e você vai ver uma vez só e blá blá blá..." Sem contar a péssima qualidade das fitas piratas que as locadoras ofereciam. Mas, aparentemente, eu era um dos poucos que reclamavam. Os usuários em geral estavam satisfeitos.


Com o tempo, fui entrando em contato com fornecedores de cópias. Ainda assim, se pudesse, de bom grado compraria fitas originais. Até hoje valorizo o produto oficial e costumo usar o exemplo do filatelista, que não se contenta com xerox de selo. Mas também aí eu ouvia os mesmos argumentos: "Pra que pagar uma fortuna por uma fita original se uma cópia sai bem mais barata e fica boa, blá blá blá..." Tive a chance de fazer ótimas aquisições em duas vezes que estive nos Estados Unidos, em 1985 e 1990. Lá o mercado já estava com outra mentalidade (ao menos em Miami e Nova York, que foram as cidades que visitei) e havia várias lojas para venda de fitas VHS diretamente ao consumidor. As próprias lojas de discos ofereciam também fitas de música, antecipando uma prática que só bem mais tarde chegaria ao Brasil.

Em 1990, comprei um aparelho de videodisco. O formato não chegou realmente a pegar, mas teve boa penetração entre os videomaníacos mais exigentes. Aqui no Brasil não é difícil entender por que o videolaser não vingou: não havia títulos nacionais. Assim, quem não soubesse inglês não teria o menor interesse em comprar filmes. O nicho maior no mercado nacional foi mesmo o de shows. Eu importei alguns filmes e documentários, mas em quantidades racionadas, pois o preço era muito alto. Somente um videodisco chegou a ser produzido especialmente para o Brasil, que foi o de Chitãozinho e Chororó. Este, casualmente, não me interessou.

Hoje, finalmente, o mercado de vídeo chegou no estágio em que eu já queria que estivesse há quase 20 anos. As pessoas já não acham um absurdo a idéia de comprar um filme. Pelo contrário: cada vez mais consumidores estão montando suas próprias videotecas. É claro que o surgimento do DVD ajudou a cultivar essa mentalidade. Mas acho que a tecnologia e os hábitos de consumo evoluíram de forma independente. Se não fosse o DVD, seria o videodisco ou fita VHS, mesmo. Também os usuários já se dão conta de que os equipamentos de áudio e vídeo podem estar conjugados numa mesma instalação. E os preços caíram bastante. Já se encontram lançamentos luxuosíssimos em DVD por 30 reais ou menos. E muitos deles incluem material extra. No videodisco, só as edições especiais (e caras) traziam documentários e informações suplementares.

Outra mudança importante é que as produtoras estão mexendo no baú e relançando preciosidades históricas. Temporadas inteiras de séries de TV estão saindo em DVD em caixas belíssimas. No Brasil, a Globo começa a disponibilizar seu material de arquivo em séries com a do Fantástico e o DVD do Jornal Nacional. Mini-séries, documentários, filmes antigos, tudo está sendo lançado. Opções não faltam. E as mesmas pessoas que há 20 anos me perguntavam por que eu queria comprar minhas próprias fitas hoje compram seus próprios DVDs.

sábado, setembro 18, 2004

O primeiro solo de Paul Simon


(Texto escrito originalmente para o International Magazine, mas não chegou a ser publicado.)

Em 1965, o futuro da dupla nova-iorquina Simon & Garfunkel parecia incerto. O LP Wednesday Morning 3 A.M., lançado no ano anterior pela Columbia, havia sido bem recebido pela crítica, mas não estourou. Paul Simon guardava boas lembranças da noite de Londres, dos clubes folk onde já havia se apresentado outras vezes. Decidiu voltar à capital inglesa. "Em Nova Iorque eu era um garoto do Queens. Isso era ruim. Em Londres eu era um americano. Isso era bom." Assim, o compositor abandonou a Faculdade de Direito do Brooklyn e rumou para o outro lado do Atlântico. Com o apoio da amiga Judith Piepe, Simon teve suas músicas apresentadas no programa "Five to Ten", da BBC, por duas semanas. A resposta dos ouvintes foi surpreendente. Logo a CBS inglesa se interessou em contratar o músico para lançar um disco solo.

The Paul Simon Songbook continha doze faixas em que Simon se acompanhava sozinho ao violão. "The Sound of Silence" e "He Was My Brother" eram regravações de músicas já lançadas no LP da dupla. Das demais, "A Church is Burning" e "The Side of a Hill" são as únicas que não reapareceriam em discos de Simon & Garfunkel, embora uma gravação ao vivo da primeira tenha sido incluída como raridade na caixa Old Friends, de 1997. "Kathy's Song" foi a composição que menos mudou em sua futura versão, mantendo o arranjo solo com Paul Simon ao entrar no LP com Garfunkel intitulado Sounds of Silence. Já "A Simple Desultory Philippic" sofreu uma transformação drástica em sua segunda encarnação. A versão original era uma paródia ao Bob Dylan acústico, enquanto a regravação do álbum Parsley, Sage, Rosemary and Thyme foi atualizada para o Dylan elétrico. Também a letra e a melodia tiveram alterações, de forma que se tornou praticamente uma nova composição. De resto, o "jogo das diferenças" em comparação aos discos da dupla se resume ao acréscimo da voz de Garfunkel em dueto ou substituição no solo, além de guitarra, baixo e bateria. Mas as versões cruas de Paul Simon tinham aquele vigor típico das interpretações autorais, especialmente em "Leaves That Are Green", "A Most Peculiar Man", "The Side of a Hill" e "Flowers Never Bend With The Rainfall". A moça que aparecia na capa do disco com Simon era Kathy, ex-namorada e musa de pelo menos dois clássicos de sua obra ("Kathy's Song" e "America").

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o produtor Tom Wilson teve uma idéia brilhante. Pegou a gravação original de "The Sound of Silence", de Simon & Garfunkel, e, sem pedir autorização, acrescentou guitarra, baixo e bateria e lançou em single. Resultado: chegou ao primeiro lugar nas paradas americanas. Agora a dupla estava em demanda e foi chamada às pressas para gravar um segundo LP. O resto é história. Com isso, a carreira solo de Paul Simon na Inglaterra foi abandonada. The Paul Simon Songbook nunca foi lançado em vinil no mercado americano e logo saiu de catálogo também no Reino Unido, tornando-se um cobiçado item de colecionador. Só agora, finalmente, o primeiro disco solo de Paul Simon está sendo resgatado em CD, pelo selo Columbia/Legacy. Além das 12 faixas originais, o relançamento inclui também versões alternativas de "I Am a Rock" e "A Church is Burning" como bônus. Não deixa de ser irônico que, justo quando a dupla Simon & Garfunkel está de volta mais uma vez e excursionando com ingressos a peso de ouro, a obra de Paul Simon como solista esteja sendo valorizada. Além deste CD, está saindo também a caixa Studio Recordings 1972-2000, com mais nove álbuns-solo acrescidos de faixas-bônus.

quinta-feira, setembro 16, 2004

Objetividade verbal

Ao comentar o meu texto "Objetividade visual", publicado abaixo, meu sobrinho Rafael Barcellos, que é publicitário, resumiu: "difícil é fazer o simples". E isso vale para a escrita, também. Escrever bem não significa necessariamente redigir de forma pomposa ou rebuscada. Há quem consiga ter um estilo ao mesmo tempo claro e pernóstico. Mas às vezes o dom da escrita está em apresentar as idéias de forma limpa e objetiva. Nem todos conseguem. Chega a ser divertido observar a forma como alguns redatores tentam "enfeitar" seus textos. Os resultados são desastrosos.

A seguinte frase é um exemplo de boa redação:

"Um sentimento pungente me dominava, abafando uma vaga, uma imprecisa sensação de sarcasmo."

Então? Parece simples, não? É o tipo da frase que não revela necessariamente traços de genialidade em seu criador. É apenas uma redação clara. Essa era a alternativa correta em uma questão de português do Vestibular da UFRGS de 1979, preparado pela Fundação Carlos Chagas. A proposição era apontar a frase melhor redigida. E ainda que alguns digam que é algo subjetivo, a forma como as alternativas foram elaboradas não deixa dúvidas para quem sabe analisar. Senão, vejamos esta:

"Eu sentia duas coisas: uma imprecisa sensação de sarcasmo e um sentimento pungente que, ao dominar-me, abafava o mesmo."

"Abafava o mesmo?" Que coisa, hein? E, no entanto, muitos redigem dessa forma. Acham que soa bem e demonstra erudição.

Outra:

" Uma imprecisa e vaga sensação sarcástica me abafava a pungência que me dominava."

Que belo eco! Essa frase tem até ritmo! Se fosse musicada, poderia ser o começo de uma letra dos Engenheiros do Hawaii.

Mais uma:

"O sarcasmo impreciso e vago era abafado pelo sentimento que eu sentia, pungente dentro de mim."

"Sentimento que eu sentia" é ótima, lembra a "dor que dói" do Renato Russo. E o que era pungente: o sarcasmo ou o sentimento?

E a última:

"Tão pungente que era, dominava-me um sentimento que abafava a sensação de sarcasmo, por sua vez, vaga e imprecisa."

HEIN? Repete, que eu não entendi nada! Ah, não era pra entender, mesmo. Era só pra soar bonito e demonstrar inteligência.

Eu considerei essa questão de Vestibular uma obra-prima. O exemplo perfeito do que significa boa redação. Mais importante do que tentar rebuscar um texto é saber encadear as idéias de forma natural e objetiva.

quarta-feira, setembro 15, 2004

Eu ouvi!

Vou preservar o nome do protagonista desta pérola. Foi um professor meu na Faculdade de Jornalismo. Estava explicando que, ao redigir-se uma notícia para rádio, as siglas mais conhecidas não precisam ser substituídas pelo nome por extenso, principalmente se forem fáceis de pronunciar. E citou como exemplo AGAPAN. Aí resolveu fazer um teste.

- Ah, vamos ver uma coisa! Quem sabe o que quer dizer AGAPAN? Quem sabe fica quieto!

Um aluno começou a responder:

- Associação Gaúcha de Proteção...

O professor interrompeu, reiterando:

- Quem sabe fica quieto!

Seguiu-se um breve silêncio. Até que eu fiz a observação óbvia:

- Então ninguém vai dizer nada, né?

O que ele conseguiu provar com isso?

Presentimiento

Sin saber que existías te deseaba,
antes de conocerte te adiviné.
Llegaste en el momento en que te esperaba,
no hubo sorpresa alguna cuando te hallé.

El día que cruzaste por mi camino
tuve el presentimiento de algo fatal.
Esos ojos, me dije, son mi destino,
esos brazos morenos son mi dogal.

Encontrei essa letra numa página da Internet intitulada "Boleros Inesquecíveis". O autor se chama Emílio Pacheco - mas não sou eu! Se alguém souber mais detalhes sobre a música e o autor, favor informar. Quem é esse cara que está se fazendo passar por mim?


Homenagem carinhosa

Uma família de portugueses visitou o Brasil e ficou impressionada com o carinho que os brasileiros têm por seus vovôs e vovós. Existe até um programa de rádio dedicado a eles que vai ao ar todos os dias, em todas as emissoras: "Avós do Brasil"!

(O trocadilho é do meu colega Edson Iran e Silva Campos. Eu só adaptei e estou lançando em primeira mão.)

Difícil de pushar

Eu e dois colegas estávamos em um avião com destino a Brasília. Nos botões de metal que abriam os compartimentos de bagagem estava escrito apenas "push", em inglês, que quer dizer "empurre". Supondo que o significado fosse "puxe", vários passageiros tentavam em vão colocar suas unhas sob o botão e puxá-lo. Um de meus colegas resolveu ajudar uma senhora que estava bem atrapalhada. Levantou-se e pressionou rapidamente o botão, abrindo o compartimento. Ela agradeceu:

- Obrigada. É que eu estou sem unha!

Depois disso, cada vez que aparecia mais um passageiro cravando suas unhas sob o botão de metal, um de nós olhava para o outro perguntava:

- Tens unha? Vai lá ajudar!

Objetividade visual

Quando criei este blog, minha idéia era primeiro me familiarizar com os recursos de publicação e edição para depois me preocupar com o visual. Assim, ao fazer o cadastramento, aceitei todas as opções padrão (ou "default", como é o termo usual em informática) de configuração da página. Postei algumas mensagens, ajustei o tamanho ideal de letra e deixei para mais tarde a escolha de uma imagem de fundo ou outros retoques. Para minha surpresa, alguém colocou um comentário dizendo: "adorei o seu template". Achei que fosse piada. Mas, com o tempo, outras pessoas repetiram o elogio. Aí comecei a estranhar. Como assim, template? Olhem bem: por trás destas letrinhas não há nada! O fundo é branco! O cabeçalho da página é o padrão do BlogSpot. Estão elogiando o quê, afinal? Dei uma olhada geral e concluí que o visual estava limpo e agradável aos olhos. Decidi que continuaria assim.

Eu sempre achei que, se um dia tivesse um site na Internet, ele teria um design simples e funcional. Não era totalmente contra a idéia de um fundo de cor clara ou com uma imagem bem esmaecida, que não prejudicasse o contraste. Mas jamais encheria de babados, animações e efeitos inúteis. Ou menus incrementados, de acionamento dinâmico, que nem sempre levam onde se quer chegar. Talvez seja um ranço do tempo em que meu computador era um "lentium" 75MHz e páginas muito cheias de recursos acabavam travando o acesso. Reconheço que algumas animações em Shockwave Flash são verdadeiras obras de arte. Mas será que elas são realmente necessárias? De que adianta você entrar em um site todo sofisticado, cheio de firulas, e não encontrar o que procura?

Esse raciocínio vale para outros meios visuais, também. O Power Point, por exemplo. Tem gente que não entende que o objetivo do software é proporcionar uma ferramenta ágil e versátil para preparação de apresentações. Acham que estarão valorizando o resultado final se transformarem seu trabalho em uma demonstração de todas as opções de entrada de caracteres na tela. Aí, para agonia de quem gosta de ler com rapidez, cada letrinha vai caindo suavemente e ocupando seu lugar na frase. Outras entram da esquerda para a direita. Outras surgem aos poucos. Lá pelas tantas você já não presta mais atenção no conteúdo. Fica no suspense: como entrarão as próximas letras? Virando cambalhotas? Dando tirinhos? Surgindo do nada?

No primeiro ano de vida do meu filho, como não tenho camcorder, contratei alguém para gravá-lo em VHS em duas ocasiões. Mas, na primeira, esqueci de avisar ao cinegrafista que o que eu queria ver na fita era o meu filho, não os recursos da câmera e da ilha de edição. Aí, quando vou rever a gravação, tenho que aturar aquele bonequinho da Maggie Simpson se sobrepondo à imagem. Ou a aparição de legendas não solicitadas, tipo "Parabéns papai e mamãe!" Na segunda sessão de gravação, consegui a muito custo chegar a um acordo: só os recursos da câmera. Nem esses eu queria, mas foi o meio-termo com que tive que me contentar após alguma argumentação. Não há santo que convença os videomakers de fundo de quintal que esses efeitos não acrescentam nenhum diferencial, pelo contrário, demonstram um amadorismo constrangedor. Assim, consegui me livrar dos bonequinhos e das legendas, mas não escapei da imagem congelando e se dividindo em nove quadrinhos mostrando rigorosamente a mesma coisa.

Voltando ao blog, fico feliz que, mesmo por acaso, a minha idéia de que a simplicidade visual é mais eficaz tenha sido confirmada pelos visitantes. Eu até ia dar uma retocada em alguns detalhes, mas não vou mais. Fica o template do Homem Invisível, mesmo.

terça-feira, setembro 14, 2004

A secretária eletrônica do Verissimo

Procurem nos arquivos o meu texto "O Telefone". Foi postado no dia 1º de setembro. Agora vejam só: ontem, na Zero Hora, o Luis Fernando Verissimo publicou uma crônica intitulada "A secretária eletrônica"! Qual é a tua, Verissimo?

Eu queria ter postado este comentário ontem, mas a conexão Plunct Plact Zum não deixou.

O segundo turno

Na última campanha presidencial, chamou-me a atenção um outdoor do candidato Anthony Garotinho que dizia: "Rumo ao segundo turno". Eu não estava acompanhando com afinco as campanhas, mas aquele cartaz deixou claro para mim que Garotinho ia mal nas pesquisas.

Não sou profundo conhecedor de marketing político, mas não acho que esse seja um bom mote. Candidato tem que lutar é pela vitória, não pelo segundo turno. Se não der, paciência. Mas mendigar segundo turno, para bom entendedor, é o mesmo que admitir que suas chances são mínimas. Assim fica difícil conquistar a confiança do eleitor. Podem observar: os candidatos cujos discursos eleitoreiros falam em "chegar ao segundo turno" são os que provavelmente não chegarão.

Mentiras e desmentidos de praxe

Circulam muitas listas assim na Internet, mas esta foi compilada por mim.

Saio sem mágoas ou ressentimentos.
Eu sou da paz.
A mudança não afetará a qualidade dos serviços.
Não se preocupe, acharemos uma solução.
Calma, não é o que você está pensando!
Não vou deixar o Schumacher passar.
Não vou renunciar à Prefeitura para me candidatar a Governador.
Somos apenas bons amigos.
Este é o meu melhor disco.
Quero deixar claro que sou contra a pirataria, que é uma prática ilegal.
Pra mim ela morreu, nem que ela implorasse eu voltava.
Faremos uma rigorosa investigação, as responsabilidades serão apuradas e os culpados serão punidos, doa em quem doer.
Nada pessoal.
Estou melhor agora.
Se pudesse voltar no tempo, faria tudo igual.
A escolha não poderia ter sido melhor.
Sou um cara fiel.
Não tenho nada contra ele.
Meu filho não terá privilégios em minha empresa.
Tomo só uma cervejinha de vez em quando.
Foi melhor assim.
Você agiu bem.
Você não é gordo.
Você ainda é jovem.
Você merece!
Você não mudou nada!
Estava com saudades.
Prazer em te ver.
Já está tudo resolvido.
O que importa é a cabeça.
Adorei o seu blog!

segunda-feira, setembro 13, 2004

Conexão Plunct Plact Zum

Você sabe o que é uma conexão Plunct Plact Zum? É só lembrar da música "Carimbador Maluco", do Raul Seixas.

Conexão Plunct Plact Zum é aquela que "não vai a lugar nenhum"! De vez em quando entro numas assim na Internet.

domingo, setembro 12, 2004

A vitória do Rubinho

Rubinho Barrichello não é mau piloto. O problema é que a morte de Ayrton Senna fez com que a cobrança viesse toda pra cima dele cedo demais. Ele não teve tempo de crescer em paz, como o próprio Ayrton teve, na fase em que o Nélson Piquet ganhava todas. Lembram? Se a tragédia não tivesse levado o Ayrton daquela forma estúpida, a transição poderia acontecer normalmente de um brasileiro para o outro, como ocorreu de Piquet para Senna. E, enquanto Senna estivesse no auge, qualquer façanha de Rubinho seria considerada lucro.

Nos anos 70, José Carlos Pace estava numa situação parecida, à sombra de Émerson Fittipaldi. Poderia ter crescido também. Infelizmente, morreu em acidente aéreo.

sexta-feira, setembro 10, 2004

As torres gêmeas


Tomei conhecimento da existência das torres gêmeas do World Trade Center quando assisti ao remake de "King Kong", em 1977. Eu já tinha ouvido falar que havia um edifício maior que o Empire State em Nova York, mas não sabia qual era. O filme me impressionou sob vários aspectos, tanto que eu o vi quatro vezes no saudoso Cine Cacique, na Rua da Praia. Claro que a presença da Jessica Lange foi marcante para mim. Mas os efeitos especiais, hoje superados e cheios de erros que não resistem a uma análise em vídeo, também me chamaram a atenção. Em especial o momento em que Kong escala uma das torres gêmeas, depois salta de uma para outra, é abatido após uma batalha contra helicópteros armados de metralhadora e por fim cai do topo, aparecendo desfalecido em frente às torres na cena final. Pensei comigo mesmo que desejaria visitar o World Trade Center um dia.

Realizei meu sonho em 1985, numa excursão. Na primeira visita havia muita neblina e a visibilidade no observatório era zero. Mesmo assim, bati uma foto ao lado da placa que dizia "Visibility is Zero". E chegamos a subir no elevador só para ver como era. No dia seguinte, eu um colega de excursão voltamos ao prédio por nossa conta, de táxi, e aí conseguimos apreciar uma bela visão noturna de Nova York.

Voltei a visitar Nova York em 1990, acompanhado de minha (hoje ex) esposa. Não chegamos a subir ao topo do World Trade Center, mas almoçamos na praça de alimentação. Depois, eu fiz a experiência de tentar tirar uma foto de uma das torres estando bem ao lado, para ver até que ponto a lente conseguiria captar a imensidão do prédio. O resultado vocês vêem abaixo. Na outra foto, estamos indo de barco para a ilha onde fica a Estátua da Liberdade. Eu sou aquele barbudo de óculos à esquerda. Tinha 29 aninhos. As torres gêmeas aparecem ao fundo
.

Faz três anos que as torres foram literalmente varridas da paisagem nova-iorquina. É uma pena que alguns antiamericanistas ainda se regozijem com aquela barbárie. As vítimas, em princípio, foram civis inocentes. Havia brasileiros no prédio. O ato terrorista deixou os americanos com sede de vingança. Mas vingar-se de quem? Os verdadeiros agressores morreram no atentado. George W. Bush parecia enfrentar um inimigo chamado Alguém. "Alguém nos agrediu! Alguém nos humilhou! Alguém destruiu um símbolo da América! Isso não fica assim! Alguém vai ter que pagar por isso! Vamos atacar Alguém!" E foi mais ou menos o que acabaram fazendo.

O infortúnio de muitos resultou numa oportunidade de ouro para os irmãos franceses Jules e Gedeon Naudet. Eles estavam realizando um documentário sobre a formação de um bombeiro novato em Nova York. Por pura sorte, acabaram registrando a única imagem do primeiro avião atingindo uma das torres. Também por obra do destino, um deles foi o único cinegrafista a entrar em uma das torres durante o incidente, registrando as últimas imagens do prédio, e estava na torre certa quando a primeira caiu, o que lhe permitiu escapar com vida. "11/9" é talvez o melhor e mais impressionante documentário já realizado, pois capta a história pelo lado de dentro.

quinta-feira, setembro 09, 2004

SPAM e Cavalos de Tróia

Duvido que alguém receba mais SPAM do que eu. Tenho o mesmo endereço de e-mail desde 1996, espalhei-o por toda a Internet e nunca instalei nenhum filtro. Meu provedor está oferecendo esse recurso (por um preço, é claro) e breve devo implementá-lo. Acho que vai servir até como teste para a ferramenta anti-spam. Vamos ver se funciona mesmo!

Recebo as mais diversas ofertas, tanto em português quanto em inglês. Perca peso. Aumente seu pênis. Resolva seus problemas de impotência sexual. Livre-se da psoríase. Epa! Eu não tenho psoríase! (AHÁ – brincadeira, gente!) Muitas mensagens vêm com títulos enganosos, se fazendo passar por assuntos particulares. Você compraria alguma coisa de quem se vale desse expediente para oferecer seu produto?

Mas o SPAM deve dar certo, ou não seria tão utilizado. Aí lembro que eu próprio já comprei dois videodiscos e um CD de um "executivo em mudança" que estava vendendo até as cuecas. Ele foi bem objetivo no que estava oferecendo e me transmitiu confiança. Acertamos os detalhes por telefone, eu fiz o depósito na conta dele e recebi a mercadoria muito bem acondicionada em embalagem de papelão. Acho que os spammers seriam mais espertos se anunciassem com clareza e honestidade o que têm a oferecer.

Também recebo e-mails mal-intencionados contendo "cavalos de tróia" ou falsas solicitações de atualização de cadastro, com o objetivo de roubar minhas senhas. Por sorte já aprendi a reconhecê-los de cara. Nem baixo essas mensagens. Deleto tudo no próprio webmail. Mensagens legítimas contendo cartões virtuais geralmente vêm com o nome do remetente. Às vezes até examino os links, por minha conta e risco, para ver onde vão dar. Mas podem ter certeza de que nenhum banco ou loja virtual solicita atualização de cadastro por e-mail.

quarta-feira, setembro 08, 2004

O que esperavam do Gene Simmons?


Não sei por que os fãs do Kiss estão tão surpresos com o fato de o CD solo de Gene Simmons, "A**hole", ser um disco ruim. O que esperavam? Gene nunca foi bom cantor ou compositor. Suas maiores contribuições ao grupo sempre foram extramusicais. Eu o vi de perto em Porto Alegre em 1999 e fiquei impressionado com sua presença de palco. Ele é exatamente como aparece nas fotos, com a armadura brilhando e o rosto maquiado parecendo de plástico. Mostra a língua, sopra fogo, faz caretas e chama a atenção. Pelo que se conhece da história do Kiss, Gene é também um ótimo empresário. Algumas de suas composições até dão conta do recado, como parte de uma obra maior. Mas experimentem fazer uma coletânea em CD-R só com músicas do Gene, especialmente dos anos 80 em diante, e vejam se sai algo muito melhor do que "A**hole". O cara nunca esteve com essa bolinha toda. Ele cumpre uma função importante no Kiss mas, como compositor e cantor, sempre foi limitado.

Eu não vejo televisão

Aparentemente, o IBOPE não acreditou muito na minha resposta de que não vi TV nos últimos seis meses. Mandou a moça me ligar com uma pergunta sutil: que canais eu consigo pegar no meu apartamento? Ora, sei lá! O 12 (RBS) eu sei que pega porque, nos dias de faxina, às vezes eu chego em casa e a faxineira ainda está trabalhando com a TV ligada. Mas essa pergunta depende de vários fatores. Com antena externa eu pegaria todos. Com interna, quase todos. Sem antena, como vou saber? Tenho usado meu televisor como monitor para o DVD e o videocassete.

Não é que eu seja "contra" televisão. Simplesmente, ela não me atrai. Na minha situação atual, morando sozinho, não sinto vontade de ligá-la. Às vezes penso em colocar TV a cabo e me divertir gravando seriados antigos e documentários. Filmes? Prefiro ver no cinema ou escolher a dedo numa locadora. Em geral, passo minhas noites em frente ao computador. Aí, dizem que sou viciado em Internet. Se eu passasse minhas noites em frente à TV, consumindo passivamente a programação da Globo, eu seria uma pessoa normal.


Comecei a me desinteressar por televisão mais ou menos na época em que me tornei fanático por música. Enquanto meus pais ficavam na sala cumprindo o ritual da Tradicional Família Brasileira, eu me trancava no meu quarto para ouvir meus discos. É bem verdade que não ver televisão, no Brasil, acaba se constituindo num fator de alienação. Às vezes algum de meus colegas dizia uma bobagem sem graça nenhuma e todos menos eu caíam na gargalhada. Aí eu perguntava: isso é da televisão? Geralmente era. Quem não vê televisão deixa de tomar conhecimento de comerciais, personagens de novela, bordões humorísticos e imagens marcantes dos noticiários.


Quando comprei meu primeiro videocassete, passei a ver a programação da TV com outros olhos. Era como um cardápio de onde eu escolheria o que gravar. Tenho uma videoteca razoável com gravações em VHS que venho fazendo desde 1985. Pena que eu não tenha tido o cuidado de anotar o conteúdo nas caixinhas. Andei passando em revista algumas de minhas antigas fitas e descobri coisas bem interessantes. Algumas já foram devidamente transferidas para DVD-R.


Mas o mundo dá voltas e hoje voltei a ser um ET que não vê televisão. Até acho graça quando ouço amigos dizendo que vão "aproveitar" o horário político para fazer não sei o quê. Falam como se fossem obrigados a ficar sentados diante do tubo de imagem durante a programação normal. Eu até vejo televisão para acompanhar, quando surge a ocasião. Mesmo assim, espero que a companhia não se ofenda se eu pegar um livro e ficar apenas presente na sala, cada um fazendo o que gosta. No dia em que eu colocar TV a cabo com certeza vou voltar a ser um telespectador mais assíduo, talvez até resgatando o velho hábito de colecionar gravações em VHS. Mas meus amigos que me desculpem: mesmo sozinho, mesmo em casa, há coisas bem mais interessantes para se fazer à noite do que assistir à programação da Globo.

sexta-feira, setembro 03, 2004

Pensamento da hora

Só fico nervoso em duas situações: quando me perguntam se eu estou nervoso ou quando me pedem para ficar calmo.

quinta-feira, setembro 02, 2004

Dias de chuva

Engraçado que, quando chove em dia de semana, a gente vai trabalhar mas pensa: hoje o dia estava bom pra ficar em casa, enroscado nas cobertas. Mas se chove em fim-de-semana a gente pensa: que saco, tinha que chover logo hoje!

Já eu acho que uma chuva de fim-de-semana, quando a gente está bem acompanhado, tem o seu valor. Que passear, que nada!

quarta-feira, setembro 01, 2004

O telefone

Existem algumas regras básicas que as pessoas poderiam aprender ao usar o telefone:

1 – Se você discar um número e for informado de que não era o que você estava procurando, não adianta tentar convencer a pessoa do outro lado que ela é que está no lugar errado. Peça desculpas pelo engano e ligue novamente.

2 - Se você discar a segunda vez e a mesma pessoa atender informando que não era o que você estava procurando, a possibilidade maior é a de que você esteja com o número errado. Não adianta discar a terceira, a quarta e a quinta, pois continuará chegando no mesmo lugar.

3 – Quando fizer uma ligação a cobrar e a gravação disser "diga seu nome e a cidade de onde está falando", isso quer dizer que é para você dizer seu nome e a cidade de onde está falando e não "alô, Fulano?"

4 – Se a sua ligação a cobrar for atendida e seguir-se um longo silêncio, provavelmente foi a secretária eletrônica que atendeu e você não chegou a ouvir a mensagem porque a gravação "a cobrar" se sobrepôs. Experimente deixar um recado em vez de ficar gritando "ALÔ... ALÔ...!" Se quiser tentar ligar mais uma vez, tente, mas só mais uma vez, por favor!

5 – A parte de baixo do gancho de um telefone não é um enfeite, é um microfone. É ali que você tem que falar se quiser ser ouvido em alto e bom som.

6 – Nem sempre a pessoa que atendeu sabe informar o paradeiro de quem você estava procurando ou a hora em que vai retornar. Não insista.

7 – Se você ligar dizendo que tem um produto para oferecer e o interlocutor responder que não está interessado, não pergunte por quê. Agradeça e se despeça. Danem-se as técnicas de telemarketing que você aprendeu, simplesmente agradeça e se despeça!

8 – A tecla "sustenido" que você tem que apertar para que os créditos do seu celular sejam aceitos é esta - # -também conhecida como cerquinha ou jogo da velha. Infelizmente quem redigiu a mensagem não sabe que nem todos os usuários de celular conhecem notação musical.

9 – Você grava um recado na secretária eletrônica da mesma forma com que conversaria normalmente com o interlocutor, ou seja, falando ao telefone. Logo, perca esse medo ou preconceito de deixar recados. O prejudicado pode ser você mesmo.

10 – Quando a secretária eletrônica atende, muitas vezes pode não haver mesmo ninguém em casa. Logo, não fique gritando "Fulano, atende... ATENDE!" Se ele estiver em casa e quiser atender, fará isso de qualquer maneira enquanto você está gravando seu recado.