sexta-feira, novembro 07, 2008

A descoberta

Eu tinha 24 anos em 1985 quando escutei no rádio do carro o locutor anunciando uma música de um roqueiro argentino, um tal de Charly Garcia. Nunca tinha ouvido falar nele, mas o rock "Nos Siguen Pegando Abajo" me fisgou na hora. Fiquei intrigado. Rock argentino? Por que não? Depois disso, tanto a Atlântida FM quanto a Ipanema passaram a divulgar músicas de Charly. E o mais importante: os discos (ainda em vinil) começaram a aparecer nas lojas. A princípio, contentei-me com uma coletânea. Mas logo foi anunciado um show de Charly Garcia em Porto Alegre, no Teatro da Ospa.

No dia 19 de junho de 1986, eu estava lá, na primeira fila, com um de meus sobrinhos. Gostei tanto do que ouvi que tratei de voltar na noite seguinte, ainda que só conseguisse lugar no mezanino. Não importava. Eu já estava conquistado por esse ídolo portenho, que foi imediatamente para o alto do meu ranking logo abaixo de Beatles e David Bowie. E voltei às lojas de Porto Alegre para garimpar mais discos. Agora as coletâneas já não me bastavam. Eu queria tudo, não só da carreira solo como das bandas que ele integrou nos anos 70: Sui Generis, Porsuigieco, Maquina de Hacer Pájaros e Seru Giran. Não era a primeira vez que eu fazia um levantamento retroativo da obra de algum músico que não acompanhara na época. Mas, nos outros casos, no mínimo, eu tinha uma vaga lembrança de ver os discos nas lojas ou ler alguma nota nas revistas de música. Desta vez, não. O rock argentino até então havia sido totalmente ignorado pela mídia brasileira. Descobrir esse universo inteiramente novo era quase como investigar a música de outro planeta. Enquanto nossos telescópios estavam apontados para Estados Unidos e Inglaterra, uma verdadeira revolução musical acontecia logo ali, ao sul da fronteira.

Tentei imaginar como devia ter sido a repercussão do som folk com letras contestadoras do Sui Generis em 72 e 73 na Argentina, aquelas músicas todas tocando nas rádios de Buenos Aires e fazendo sucesso, "Cancion Para Mi Muerte", "Confesiones de Invierno", "Rasguña las Piedras"... Procurei me colocar no lugar dos fãs argentinos aguardando cada novo disco, comparecendo aos shows, curtindo a Máquina de Hacer Pájaros, o Seru Giran... Outro dado supercurioso é que Charly morou em Búzios por algum tempo nos anos 70 e o primeiro LP do Seru Giran foi gravado no estúdio Eldorado, em São Paulo, com produção de Billy Bond. Sim, ele mesmo, que nós conhecemos como o vocalista do Joelho de Porco que substituiu Próspero Albanese por algum tempo no final dos anos 70 (e participou do LP da Som Livre, além de lançar dois álbuns solo para o mercado brasileiro logo depois).

Mas nem só de Charly Garcia vive o rock argentino. Outro nome importante é o de Luis Alberto Spinetta, que começou em 1968 no Almendra, depois integrou várias outras bandas, como Pescado Rabioso, Invisible e Spinetta-Jade. Hoje todos sabemos quem é Fito Paez, mas no show de Charly Garcia no Teatro da Ospa em 1986 ele era apenas um tecladista convidado. Houve também Los Gatos, Manal e muitos outros. Agora que comprei o "Diccionário del Rock Argentino" na Feira do Livro, terei um bom ponto de partida para investigar a fundo todo esse tesouro musical.

Depois de tudo o que escrevi, é quase obrigatória a republicação de uma foto que tirei e já havia mostrado antes: Charly Garcia em 1987 no Teatro Presidente. O roqueiro estava em forma, com todo o pique. Não sei se voltará a ser o grande artista que foi um dia, depois de tantas internações. Espero que se recupere. Mas que bom que pude vê-lo em sua melhor fase. Três vezes, aliás (ou cinco, contando os dois shows a que assisti duas vezes). Ah, sim: observem o cameraman no fundo à esquerda. A RBS gravou todo o show em vídeo, sob a orientação de Marcelo Sirotsky (que estava sentado bem na minha frente, na primeira fila). Depois a TV mostrou somente a música "No Soy Un Extraño" (eu tinha isso gravado em VHS, com apresentação de Kleiton Ramil, mas ainda não consegui localizar). Cadê esse tape completo?

segunda-feira, junho 15, 2026

Livro sobre Charly Garcia no Brasil

No dia 30 de janeiro, fiz uma postagem que começava assim: "Hoje à tarde fui conversar com um jornalista de Brasília que está em Porto Alegre para fazer pesquisas para um futuro livro. Vou deixar que ele mesmo divulgue o projeto, quando chegar a hora". Pois a hora chegou!  Começou hoje o financiamento coletivo de "Pasajero em trance - Uma história de Charly Garcia no Brasil", de Diego Queijo. Ele me achou aqui pelo Blog e me entrevistou para saber detalhes das passagens do músico argentino pela capital gaúcha. Forneci a ele todas as informações que tinha, mandei também fotos que tirei de shows e indiquei outras pessoas que poderiam ser boas fontes. O lançamento é da Satolep Press. Senti-me honrado porque ele usou duas fotos tiradas por mim na imagem de divulgação acima. Para fazer a encomenda antecipada e ainda escolher entre várias opções com recompensas diversas, cliquem aqui.

domingo, julho 12, 2009

Charly Garcia em Porto Alegre, 1986

Neste fim-de-semana estou com tempo de novo, então voltei a dar atenção a um de meus brinquedos preferidos: o gravador de DVD. Editei alguns trechos que estavam brutos no HD, gravei alguns DVDs e digitalizei seis horas de vídeo de uma fita VHS de 1986. E aí descobri uma relíquia que pensei ter desgravado sem querer, na época: a matéria do Jornal do Almoço sobre o primeiro show do argentino Charly Garcia em Porto Alegre, no Teatro da OSPA. Um trecho de um minuto numa fita de seis horas fica difícil de achar por tentativa e erro, mas depois de transferir para o HD do gravador, não escapa nada. E assim pude rever a reportagem depois de 23 anos. O show foi no dia 19 de junho e a matéria foi ao ar no dia 20, data da segunda apresentação.

Nos teclados, sem chamar muita atenção, estava Fito Paez

Cartaz do show

quarta-feira, novembro 30, 2005

Do baú

(Clique para ampliar.)

Aí está o argentino Charly Garcia em Porto Alegre, no Teatro Presidente, em 1987. A RBS-TV gravou o show completo, mas mostrou só uma música depois ("No Soy Un Extraño"). Hoje o Presidente virou uma igreja evangélica e Charly Garcia, detonado pelas drogas, tornou-se um souvenir de carne e osso do artista que foi um dia.

sexta-feira, novembro 23, 2018

Kátia Suman e os bastidores da Ipanema

Terminei de ler "Kátia Suman e os diários secretos da rádio ipanema fm", da editora BesouroBox. Mas antes de comentar o livro, que achei simplesmente delicioso, gostaria de repassar algumas lembranças.

Por muito tempo, eu tive como um dogma que a década de 70 foi a melhor de todas para mim. Coincidiu com minha adolescência. Mas, hoje, já não tenho certeza. Acho que os anos 80 foram, no mínimo, tão bons quanto. Se, por um lado, não havia mais a tão adorada Continental, na frequência 1120, por outro, o conteúdo daquela rádio se segmentou entre diversas FMs.

Num primeiro momento, eu tive uma fase de ouvir a Cidade e a Atlântida. Lembro de uma noite, já bem tarde, em que eu estava voltando para casa com meu fuquinha quando, para minha surpresa, surgiu uma voz feminina na Atlântida. Ela se anunciou como "Kátia vampira". Achei interessante a proposta. Uma locutora. Por que não?

Aos poucos, fui dando uma chance para a programação diversificada e fora do esquemão da Bandeirantes FM. Certa noite em 1983 - eu apostaria que foi em outubro - eu estava com meu fuquinha estacionado na Travessa Comendador Batista, não lembro se esperando minha namorada ou com ela no carro, escutando o Ricardo Barão e seu Estúdio 576. Ali ele anunciou que a programação da Bandeirantes estava migrando para uma nova rádio, que se chamaria Ipanema, e que já estava no ar em transmissão simultânea. Inclusive ele sugeriu aos ouvintes que já fossem procurando a frequência 94.9.

Pois a Ipanema me acompanharia por mais de dez anos. Eu me sentia em casa ouvindo aquele modelo de programação tido como "alternativo". Foi mais ou menos nessa época que eu comecei a frequentar lojas de discos raros e a "sintonia" de quem buscava esse tipo de material (e também dos vendedores) era a mesma de quem escutava a rádio. Ricardo Barão foi proprietário da Disco Voador, especializada em rock. Sérgio Vasconcellos, sócio da Grammy Discos Raros, substituiu Kátia nas férias dela, no começo dos anos 90. E também patrocinava dois programas na Ipanema, "Piratas no Ar", sobre discos piratas, e "Base Sonora". Este eu carinhosamente apelidei de "encalhes da Grammy", pois sempre focalizava algum álbum antológico... que a loja ainda não tinha conseguido vender! 

Por isso adorei o livro da Kátia Suman. Foi a chance de saber tudo o que estava acontecendo pelo lado de dentro da rádio enquanto eu a ouvia praticamente todos os dias. A radialista inicia contando a vida dela, o nascimento por acaso na Bahia (onde trabalhava seu pai, o jogador de futebol Gago), a passagem por São Paulo, a experiência com teatro, o desejo de trabalhar na então Bandeirantes, a indicação para o horário da madrugada na Atlântida até, finalmente, em abril de 1984, a estreia na Ipanema. 

Os recados de um turno para o outro eram dados em um caderno que ficava no estúdio. Quando um era totalmente preenchido, vinha outro em seu lugar. Pois Kátia guardou todos e são eles os "diários secretos" referidos no título. A autora selecionou a mensagens mais interessantes deixadas por ela e pelos colegas e as transcreveu cronologicamente em capítulos temáticos, impressas em fonte tipo script, para dar a ideia de textos manuscritos. Ali se encontram desde reclamações de parte a parte até sugestões para a programação, dicas de shows, recados repassados de ouvintes, "xixis" do diretor Nilton Fernando, réplicas, tréplicas e muito mais. Além de Kátia e Nilton, também aparecem assinaturas de Mary Mezzari, Nara Sarmento, Mauro Borba, Jimi Joe, Nilo Cruz e outros. Em termos históricos, eu destacaria:

- A repercussão da eleição de Olívio Dutra para Prefeito de Porto Alegre, em 1988.

- A primeira eleição presidencial em mais de 20 anos, em 1989.

- A chegada do CD à rádio, alta novidade ainda chamada de "disco laser" ou apenas "laser".

- O início do uso do computador.

- Os primórdios da Internet (Kátia dá uma verdadeira aula via caderno, ainda no tempo do saudoso Netscape).

Aqui, peço licença para resgatar outra lembrança pessoal. Em 1987, liguei para a Kátia para perguntar como podia fazer para participar do Clube do Ouvinte, programa criado por ela para ser apresentado, como dizia o nome, pelos ouvintes. Ela foi bem legal comigo, me deu todas as dicas, mas ainda não foi daquela vez que marquei minha participação. Lembro que sugeri um especial sobre David Bowie, mas já tinha um agendado. Pensei então em Charly Garcia, mas, igualmente, o cantor argentino seria abordado em um programa próximo. Pois o livro reproduz algumas páginas dos cadernos e outras anotações. Na página 97, aparecem todos os Clubes do Ouvinte programados entre 22 de abril e 15 de dezembro de 1987. Dito e feito, lá estão os nomes de David Bowie e Charly Garcia. Foi justamente aquela página que Kátia consultou enquanto falava comigo. E os respectivos apresentadores - Cagê e Nara Sarmento - viriam a trabalhar na rádio.

No capítulo "making of" (Kátia escreve tudo em minúsculas, é uma marca registrada dela), a primeira observação de 1993 é de que não tem nenhum Clube do Ouvinte agendado. Ela acrescenta um comentário atual dizendo que foi nesse ano que o programa começou a decair (já tinha tido seu tempo reduzido de duas para uma hora) e se arrastou até 1994. Ironicamente, foi bem nesse período que eu participei de quatro ou cinco edições, depois de me formar em Jornalismo. Lembro que o primeiro, "Raridades e piratarias de David Bowie", foi bastante elogiado, de forma que não me sinto responsável por essa "decadência".

Uma curiosidade é que, em 1988, o diretor Nilton Fernando deixou no caderno uma longa análise comparativa entre a Ipanema e a saudosa Continental dos anos 70. Como ouvinte das duas rádios, concordo com quase tudo o que ele escreveu. De fato, a Continental começou como uma versão gaúcha da Mundial do Rio, tocava músicas das paradas de sucesso (do exterior, mas tocava), tinha um padrão de locução tradicional, com o indefectível "vozeirão", e não ia muito a fundo no rock pesado (exceto no programa que Beto Roncaferro apresentou à meia-noite, em certa época). Mas discordo quando ele diz que a emissora dos anos 70 não dava tanta força aos músicos gaúchos e que as gravações locais só tocavam no "Mr. Lee em Concerto". Eu lembro bem que os talentos de Porto Alegre, gravados no Estúdio 2 da rádio, faziam parte da programação normal. Casualmente, a Continental também tinha um caderninho (na verdade um cadernão). E às vezes também rolavam algumas farpas entre locutores de horários diferentes (eu fui testemunha ocular de uma troca de mensagens mais tensa entre meu irmão João Carlos e Ruy Carvalho, em razão de um horário em que a rádio esteve sem locutor).

Enfim, o livro de Kátia vem se somar a "Prezados Ouvintes" de Mauro Borba, para registrar a história da saudosa e querida Ipanema FM. Leitura obrigatória para os ouvintes da rádio e para entusiastas do radialismo em geral.

sexta-feira, setembro 23, 2005

A paixão pela fotografia

Meu amigo Manoel Augusto Queiroz, que nasceu em Natal, já morou em Porto Alegre e atualmente está em Brasília, voltou recentemente à capital gaúcha para rever amigos e matar as saudades da cidade. Em um de seus passeios de bicicleta, tirou algumas fotos com sua Sony Cybershot, depois as divulgou por e-mail. Esta aí em cima foi tirada no Parque Marinha do Brasil. Achei que estava boa demais e merecia aparecer aqui (cliquem nela para ampliar).

O que me faz lembrar: eu também gosto de fotografia. Acho que, se eu tivesse me dedicado mais, teria sido um excelente fotógrafo. Sempre tive boa noção de enquadramento e do momento certo de tirar a foto, desde o tempo em que eu usava uma “Kodak Instamatic Pocket” (depois apelidada de “Xereta”). Em 1981, traduzi um manual de uma Pentax e, só de tomar conhecimento dos recursos, já fiquei fascinado com as possibilidades. Mas só viria a colocá-los em prática muitos anos mais tarde, com uma Minolta que meu irmão me emprestou, depois acabou dando de presente. E, claro, aproveitei ao máximo as aulas de fotografia na Faculdade de Jornalismo.

Por influência de um amigo, criei gosto pelo slide. Em minha viagem aos Estados Unidos em 1990, só comprei filme negativo para impressão em lojas onde realmente não havia slide para vender. E com isso quase aconteceu uma perda irreparável. Quando falei sobre os slides para o meu irmão que ainda era o dono da máquina, ele me alertou: “Olha pra ver se não tem nenhum Kodachrome. Se tiver, não vais conseguir revelá-lo aqui no Brasil.” Fui conferir e tinha um que eu havia comprado em uma lojinha do Brooklyn, em meio a um tour. Ali estavam imagens do Jardim Botânico do Brooklyn e também fotos noturnas tiradas do alto do Empire State, com tripé. Modéstia à parte, ficaram perfeitas. Só não entrariam num cartão postal porque o céu não estava estrelado. Mas engraçado mesmo foi quando fui perguntar nos laboratórios de Porto Alegre: “Vocês revelam filme Kodachrome?” Invariavelmente a resposta era: “Sim, revelamos.” Eu insistia: “Processo K-14, vocês revelam?” “Ah, não, não revelamos.” Quem acabou me ajudando foi o mesmo amigo que havia me ensinado a apreciar slides. Ele era comissário de bordo e mandou revelar o filme no exterior para mim.

Outra experiência fascinante foi fotografar shows. A primeira vez foi em 1987, na apresentação de Charly Garcia no Teatro Presidente. Fui como amador, mesmo. Consegui um lugar excelente na segunda fila e registrei vários momentos. Uma das fotos viria a ilustrar uma matéria sobre Charly que eu escreveria em 1996 para o International Magazine. Depois, já com credencial de jornalista, fotografei David Bowie, Kiss, Yes, o histórico show de Roberto Carlos e Pavarotti e outros. Muitas dessas fotos não posso mostrar, pois assinei um documento me comprometendo a não usá-las para outra finalidade que não a de publicação no veículo que me credenciou. Lembro que, no show de David Bowie em Curitiba, em 1997, assinei o Termo de Compromisso com o papel apoiado nas costas da assessora de mídia dele. Depois ele próprio pediu aos fãs que enviassem material sobre a turnê para o projeto liveandwell.com e as fotos foram amplamente divulgadas.

Acabei me afastando da fotografia porque minhas máquinas começaram a falhar. De repente, o fotômetro da Minolta passou a funcionar de forma intermitente. Tentei enviar para conserto e descobri que “só em São Paulo”. Quando meu filho estava para nascer, comprei, pra remédio, uma Zenit, que é talvez a máquina mais barata entre as que incluem as regulagens básicas de um modelo profissional. No início, até funcionou bem. Mas depois o fotômetro falhou também. Não sei se é a umidade de Porto Alegre ou eu é que emano algum tipo de energia que interfere com componentes eletrônicos. Já tive problemas com o sintonizador de um receiver e também com um telefone sem fio. Cheguei a planejar a compra de uma Canon, mas hoje me vejo num momento de transição: as máquinas convencionais se encaminham para a obsolescência, enquanto uma digital profissional ainda está numa faixa de preço proibitiva. Até posso encarar uma digital comum, já que a qualidade, pelo que tenho visto, é extraordinária. Mas imaginem eu cobrindo um show com uma caixinha prateada na mão ao lado daquelas lentes poderosas dos outros fotógrafos. Ah, não, esse mico eu não quero pagar.

Lamento apenas que, com o advento da fotografia digital, o slide se encaminha ou para a extinção, ou para um nicho restrito a aficcionados, como hoje acontece com o filme Super-8 (que ainda pode ser conseguido e revelado em raríssimas lojas do exterior) e o disco de vinil. Aqui no Brasil, já deve ter desaparecido. Tenho até medo de perguntar nas lojas. É bem verdade que sessão de slides é como recital de poesia, concerto de música clássica, ópera, palestra e documentário: só quem gosta agüenta. Mas eu adoro.

Um dia ainda vou resgatar algumas fotos em minha ex-residência e colocá-las aqui. Sei que existe uma forma de escanear slides com um acessório chamado adaptador de mídia transparente (transparent media adaptor), mas seria mais um investimento que não posso fazer agora. A fotografia vai ter que esperar. Mas eu volto. É uma paixão forte demais para abandonar ou esquecer.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Irmãos perdidos

Tá certo que, pra gêmeos, eles não servem. Mas se colocarmos lado a lado o roqueiro argentino Charly Garcia e o técnico de futebol brasileiro René Simões, parecerão irmãos. Se um deles tingir metade do bigode, vão ficar mais semelhantes ainda.

quarta-feira, junho 20, 2007

Eclético

Nesta semana eu e um amigo que, como eu, é fã dos Bee Gees, fizemos uma troca. Eu tinha uma gravação em DVD que interessava a ele, então ele me enviou a lista do acervo dele, eu escolhi um item e gravamos um o que interessava ao outro. Acabei escolhendo um show dos Bee Gees, mesmo, mas a relação incluía também A-ha, Abba, Andrea Bocelli, Art Garfunkel, Barry Manilow, Carly Simon, Carpenters, Chicago, Chris de Burgh, Christopher Cross, Daryl Hall and John Oates, Donna Summer, Duran Duran, Elton John, Erasure, Madonna, Rod Stewart, Sarah Brightman, Simply Red, Tears for Fears, Whitney Houston e outros. Quando nos encontramos pessoalmente para efetivar a transação, ele perguntou se nada mais na lista dele havia me interessado, pois o gosto dele era "bem eclético".

Eclético?

Examinem rapidamente os nomes acima. Vocês acham que os artistas citados configuram ecletismo? Data venia, não concordo. Ainda que alguns possam argumentar que Barry Manilow não é a mesma praia de Rod Stewart que por sua vez difere de Donna Summer, vejo os diferentes estilos acima como pertencendo a uma mesma categoria: pop comercial. Dá perfeitamente para imaginar uma rádio tocando esse tipo de música. A Antena 1, por exemplo. A Continental FM. É um perfil bem definido de ouvinte. Conheço várias pessoas que se enquadram.

Imagino que o que leva meu amigo a se julgar eclético é a presença cada vez mais marcante na Internet de "fãs de um ídolo só", como citei em outro post abaixo. Se comparado aos "fãs torcedores" que só ouvem Bee Gees, por exemplo, o gosto dele é bem diversificado. Ele é um cara que não se aliena, não fica ouvindo sempre o mesmo artista. Dentro do vasto universo da música, ele escolhe o que mais lhe agrada. Mas sem bitolação. É o tipo do sujeito que jamais dirá que gosta de determinada música "apesar de ser da Carole King", como já vi um fã escrever num grupo de discussão dedicado a outro ídolo. A pessoa em questão estava praticamente se desculpando por ouvir outros artistas.

Vejam bem: não acho que haja nada errado em gostar de um só estilo de música. Isso, aliás, é o mais comum. Gosto é gosto. Não concordo é com a postura radical de alguns fãs que literalmente vestem a camisa de seus ídolos e fecham seus olhos (e ouvidos) para os demais. Mas ter predileção por um gênero musical é absolutamente normal. Só que a minha definição de eclético é um pouco diferente. Querem um exemplo? Em minha coleção de CDs vocês encontram Frank Sinatra, Sex Pistols, Agnaldo Rayol, Iggy Pop, Moacyr Franco, Monkees, Bee Gees, Pink Floyd, Platters, Conjunto Farroupilha, David Bowie, Abba, Walter Franco, B.J. Thomas, Yes, Barry Manilow, Mutantes, Alice Cooper, Billy Vaughn, Michael Jackson, Demis Roussos, Uakti, Johnny Mathis, Engenheiros do Hawaii, The Who, 5th Dimension, Nei Lisboa, Culture Club, Renato e Seus Blue Caps, Spinners, Soundgarden, Nélson Coelho de Castro, Fevers, Genesis, Roberto Carlos, Hanson, Bebeto Alves, Stevie Wonder, Journey, Asia, Boca Livre, Blue Magic, Jerry Adriani, Madonna, Ronnie Von, Kraftwerk, Beatles, Elizeth Cardoso, Charly Garcia, Almôndegas, Nat King Cole, Rita Pavone, Queen, Hermes Aquino, Glen Miller, Devo, Led Zeppelin, Elis Regina, Four Freshmen, Adriana Calcanhoto, Kiss, Diana Pequeno, The Mamas and The Papas, Iracundos, Rush, Kleiton e Kledir, Rammstein, Nara Leão, Beach Boys, Wilson Simonal, Carpenters, Rumo, Television, Chico Buarque, Elton John... Entenderam agora o que eu considero ser eclético?

Tenho outro amigo que é "não-eclético" no extremo oposto do que citei acima. Ele só ouve som "cabeça", desses que a crítica mais elitista aprovaria. Igualmente, alguns poderiam discordar ao ver que ele tem em seus CDs títulos tão diversos quanto Roberto Carlos dos anos 60, Bob Dylan e Jimi Hendrix. Não importa: também é um perfil bem definido de ouvinte, do tipo Ipanema FM. Para mim, o verdadeiro eclético é o que mistura não apenas estilos mas também modismos, conceitos e rótulos.

sexta-feira, maio 11, 2012

Há 35 anos, Genesis em Porto Alegre

 
 Ontem e hoje faz 35 anos que o Genesis se apresentou em Porto Alegre, em 1977, abrindo a turnê brasileira. Eu fui na primeira noite. Ainda não conhecia muito do trabalho do grupo. Talvez só o álbum Selling England By The Pound. Eu e um colega ficamos atrás do palco, na arquibancada do Gigantinho, mas felizmente a disposição dos equipamentos não bloqueava nossa visão. Conseguimos enxergar Phil Collins, Steve Hackett, Mike Rutheford, Tony Banks e o baterista convidado Chester Thompson, mesmo de costas.
 
O show começou bem na hora marcada, às 21 horas. Meu amigo comentou que eles eram ingleses, daí a pontualidade britânica, depois Osvil Lopes fez a mesma observação na Folha da Tarde. O aguardado visual do raio laser marcou presença logo na segunda música, que hoje sei ter sido "One for The Vine". Quando Steve Hackett anunciou "Firth of Fifth" eu comentei com meu colega: "Essa eu conheço, começa com um pianinho." Para meu constrangimento, eles pularam a introdução e iniciaram direto no acorde que antecede o vocal. Meu amigo só riu: "Começa com um pianinho, é?" Depois fiz questão de mostrar pra ele a gravação de estúdio.

A mais esperada era "I Know What I Like", que foi muito bem recebida. Também se ouviram outros clássicos como "The Carpet Crawler", "Supper's Ready" e o final de "The Musical Box". Phil anunciou "uma música nôva para vocês" (ele falou quase tudo em português, lendo em uma folha) e cantou "Inside and Out", que sairia no compacto duplo Spot the Pigeon. Na hora do bis, a banda ressurgiu vestindo camisetas do Internacional, mas teve que aguentar a vaia dos gremistas presentes.

Não assisti ao show do dia seguinte, mas ouvi as mais diversas versões sobre o que aconteceu. Com certeza a duração foi mais curta porque Mike Rutherford sentiu-se mal, mas quanto tempo exatamente? Alguns diziam que teria sido só meia-hora, outros falavam em uma hora. Pois hoje, 35 anos depois, o blog argentino Polichelas desvenda o mistério (não deixem de visitá-lo para conferir as fotos). Um contingente significativo de fãs veio a Porto Alegre de Buenos Aires especialmente para ver o Genesis, entre eles jornalistas da revista Roll e o músico Charly Garcia. Um dos portenhos gravou o show com microfone mesmo e o preservou por todos esses anos. Graças a esse registro, hoje podemos saber que, quem foi na segunda noite, teve uma hora e 15 minutos de show, aproximadamente. Cerca de uma hora a menos do que deveria (e não apenas 12 minutos como noticiou a Folha da Tarde), mas pelo menos já foi uma apresentação razoável. O verdadeiro motivo do mal súbito do baixista foi revelado no livro "Lembra do Transasom", de Pedro Sirotsky e Marcelo Ferla, lançado em 2007: à tarde o grupo tinha viajado a Gramado com Pedrinho e alguém teve a brilhante ideia de misturar vodka no chocolate quente. Deu no que deu. 

Para baixar a gravação da segunda noite (mais curta) do Genesis em Porto Alegre, cliquem aqui. Observem que Phil chega a anunciar com detalhes a apresentação de "Supper's Ready", depois um locutor avisa que Mike Rutherford está sendo atendido pelo médico e por fim eles tocam "Los Endos". Ainda que tenha sido captada das cadeiras na plateia, a fita tem um valor documental inestimável. Até mesmo a voz dos vendedores de "Coca gelada", etc., dá um toque de autenticidade, como "estar lá".

terça-feira, julho 12, 2011

Agradecimento e recomendação

Gostaria de agradecer ao Guto Villanova pelo elogio que me fez neste texto aqui, sobre o roqueiro argentino Charly Garcia. De vez em quando alguém coloca a gente para baixo de forma exagerada, que a gente não merece. Sei que muitas vezes não é de coração, é num momento de raiva, mesmo, e a gente tem que relevar. De qualquer forma, é bom que existam pessoas como o Guto, que pecam pelo extremo oposto e colocam a gente lá em cima, de uma forma que a gente também não merece. Aí o ego volta pro lugar e fica num saudável ponto médio.

Independente de qualquer coisa, recomendo a leitura do texto, pois é excelente. E obrigado também às demais pessoas que me dão força, pois vocês não imaginam como isso é importante.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Luis Alberto Spinetta

Em matéria de rock argentino, sou um eterno aprendiz. Por mais informações que eu procure acumular sobre o tema, sempre aparece algo mais para descobrir. Até porque o fluxo não é tão rápido e facilitado como dos Estados Unidos e da Inglaterra para cá. As informações parecem se propagar bem melhor do norte para o sul.

Mas Porto Alegre foi a porta de entrada para o rock argentino no Brasil, como bem reconheceu Fito Paez em entrevista ao International Magazine. E, morando na capital gaúcha, eu tive o privilégio de ter contato com a música de Charly Garcia. E foi através do trabalho dele que acabei ouvindo falar em Luis Alberto Spinetta. Os dois compuseram juntos a clássica "Rezo Por Vos", que ambos gravaram.

Eu estava apenas começando a investigar a obra de Spinetta. Há alguns anos, comprei a caixa do Almendra, o primeiro grupo de "El Flaco", como era seu apelido. Depois deste houve outros, como Pescado Rabioso, Invisible, Spinetta-Jade... Também tratei de descobrir algumas gravações da carreira solo. Mas eu não tinha pressa. Pensava (e ainda penso) em ir a Buenos Aires um dia e voltar de lá com a mala cheia de CDs.

Luis Alberto Spinetta faleceu hoje de câncer do pulmão. E eu que ainda sonhava em vê-lo ao vivo. Deixo aqui uma pérola pop de sua carreira-solo: a irresistível "Seguir Viviendo Sin Tu Amor":


E o clássico do primeiro LP do Almendra: "Muchacha (Ojos de Papel)".

terça-feira, janeiro 31, 2012

Caminhada nostálgica

Ontem o entregador da UPS deve ter vindo aqui bem na hora em que eu dei uma escapada rápida para comprar um lanche, pois não me achou. Deixou um aviso na caixa de correspondência. Pois hoje resolvi fazer do limão uma limonada e ir eu mesmo buscar a encomenda... a pé! É longe pra burro, na Rua Conselheiro Travassos, Bairro São Geraldo, mas e daí? Estou de férias e com entusiasmo para me exercitar. Já tinha dado a caminhada da manhã, mas tudo bem, vamos a outra. Por que não? O audiobook me faz companhia no Ipod. Apenas procurei "ir pela sombra", para evitar o sol do meio-dia. Mas isso não impediu que eu pegasse, como diz a minha irmã, um "bronzeado executivo". É aquele que só bronzeia o rosto e os braços.

Em minha procura por um caminho menos íngreme para chegar até a Av. Cristóvão Colombo, acabei passando em frente à Toca do Disco, na Garibaldi, e resolvi entrar. Em geral eu sou conhecido nas lojas de discos raros de Porto Alegre, mas a Toca fica fora de mão para mim e fazia anos que eu não ia lá. Em princípio, o dono não me reconheceu. Comentei que a loja dele ficava fora da minha "rota", mas que eu havia estado ali anos atrás. E lembrei que ele tinha exemplares do International Magazine para vender. "Ah, tu é o Emílio?" Ele não guardou minha fisionomia, mas se recordava dos textos que eu escrevia para o IM. E eu nem tinha feito qualquer menção de ter colaborado para o jornal.

Por uma casualidade incrível, logo depois chegou à loja o lendário Frank Jorge (Cascavelletes, Graforreia Xilarmônica, Cowboys Espirituais, Tenente Cascavel e carreira-solo). Conversamos rapidamente sobre os projetos atuais dele, incluindo a imortal Graforreia Xilarmônica. O dono da loja (não peguei o nome dele) deve ter ficado feliz com minha visita, porque eu saí de lá com alguns CDs comprados (Charly Garcia, The Who, Bidê ou Balde e Funkalister).

À minha sacolinha de CDs, juntou-se o que eu fui retirar na UPS: um álbum duplo precioso intitulado The Complete Cass Elliot Solo Collection 1968-71. O nome pode ser enganoso, pois a carreira-solo da cantora de The Mamas and The Papas não se resume ao material contido nessa coletânea. Mas tudo bem, o título especifica o período. Para conseguir as gravações que ela fez depois, basta adquirir a edição dupla que reúne os álbuns Cass Elliot, The Road is No Place for a Lady e Don't Call Me Mama Anymore. Essa é mais fácil de achar por um bom preço. Para comprar a anterior (que eu fui buscar hoje), o ideal é fazer como eu e encomendar diretamente do site da gravadora Hip-o Select. Pela Amazon o preço é extorsivo. Apenas cuidem para não dar como endereço uma caixa postal, pois eles utilizam o serviço da UPS que não permite esse tipo de entrega via correio. (Pretendo escrever mais sobre Cass Elliot aqui no Blog, mas ainda deve demorar um pouco, pois quero ler a biografia dela primeiro. O livro já está comigo.)

Na volta, aproveitei para rever um local que foi marcante na minha adolescência: a Rua Pelotas. Ali moravam dois amigos que conheci via rádio amador PX (Faixa do Cidadão), no caso, Luís Bonow e Luis Carlos Motta. Outros conhecidos da turma residiam nas proximidades. Não consegui localizar exatamente a antiga casa do Bonow porque são várias residências enfileiradas (o que se chama em inglês de "row houses") e eu não lembro mais o número. Mas o edifício do Luís Carlos eu acho que identifiquei. Naquela rua nos encontrávamos nos fins-de-semana para jogar conversa fora, mais ou menos entre 78 e 81. Depois a vida e os compromissos levaram cada um para o seu caminho. A Pelotas é uma rua bonita, tranquila e arborizada.

Também caminhei pela frente de onde morava o meu ex-colega de Pio XII Caiubi Tarragô, que hoje está em Belo Horizonte e se apresenta no Facebook pelo apelido de família, Caio. O edifício ficava bem no comecinho da Cristóvão Colombo, quase esquina Barros Cassal. Dobrando à esquerda nessa rua, em direção à Independência, andei pela frente do prédio onde residia o meu tio Rubem, irmão de minha mãe - o "Dédum", como o chamávamos. Muitos Natais passei ali, na infância. Bem à frente da janela do apartamento dele, enxergava-se uma escultura de dois meninos no topo do edifício do outro lado da rua. Lembro que perguntei para minha mãe o que aqueles garotos estavam fazendo ali e ela, numa tirada típica, disse que eles estavam "esperando o ônibus". Pois hoje olhei para cima e vi que eles continuam lá, esperando!

Fui até o correio, no centro, depois voltei para casa de ônibus. Tomei um dos melhores banhos da minha vida, com chuveiro desligado, por causa do calor.

Desde a adolescência as caminhadas me fazem bem. Tomara que continue assim.

sábado, abril 07, 2018

"No estoy tranquilo mi amor, hoy es sábado a la noche..."

Amanhã faço uma postagem sobre a sessão de autógrafos de "DEZmiolados Volume 2". Por hoje, deixo vocês com esta música do argentino Charly Garcia.

terça-feira, agosto 23, 2005

Visita internacional

Não sei como me achou, mas de qualquer forma é uma honra ter nos comentários a presença de um "hermano" argentino. Desculpe, não vou arriscar uma só linha em espanhol. Mas seja bem-vindo. Como vai meu ídolo Charly Garcia? Tem recuperação ou vai continuar sendo um souvenir de pele e osso do artista que foi um dia? Um dia ainda quero conhecer Buenos Aires.