sábado, janeiro 14, 2017

Aniversário do Iuri

Parabéns, Iuri! Que nós possamos estar juntos nesta caminhada por muitos e muitos anos! Beijo do pai.

sexta-feira, janeiro 13, 2017

Testando o Netflix

Não sou assinante do Netflix. Sempre gostei de ter minha própria videoteca, um sonho que acalentava desde que comprei meu primeiro videocassete em 1985 (como já comentei aqui), mas que só consegui realizar plenamente na era do DVD. Comentei isso com um colega no ano passado e ele respondeu que, com o Netflix, a gente "tinha" os filmes, só que de outra forma. Achei interessante a ideia e comecei a pensar no caso de aderir a essa nova tendência do mercado de vídeo. Atraiu-me a possibilidade de escolher uma produção mais rara ou um documentário para desfrutar a qualquer momento.

Tive minha primeira decepção ao encontrar, na Internet, uma notícia sobre os filmes que seriam retirados do Netflix. Ah, então eles não ficam em definitivo? Ponto a favor da minha videoteca. Mas ontem, na casa de amigos, pela primeira vez dei uma examinada no Netflix. Na condição de visita, eu não iria ficar assistindo a um filme de uma hora e meia. Mas aproveitei para explorar as opções. Com o controle remoto na mão, comecei a fazer algumas buscas. Beatles? Nada. Bowie? Nada. Pink Floyd? Nada. Até apareciam alguns títulos, mas estavam indisponíveis. Por exemplo, quando pesquisei Phil Ochs, a ferramenta de busca listou o documentário "There But For Fortune", mas não para ser visto. Após mais algumas tentativas frustradas, desisti.

Para não dizer que não encontrei nada que me interessasse, quando fiz as procuras pelos nomes relacionados a música, apareceram sugestões de outros filmes com temas semelhantes. Um deles era "Don't Stop Believing: Everyman's Journey", um documentário sobre como o filipino Arnel Pineda veio a ser o cantor da banda americana Journey. Uma espécie de história de "cinderelo". Assisti aos primeiros dez minutos, apenas por curiosidade. 

Pode ser que eu um dia assine o Netflix, se não pesar muito no orçamento. Mas para complementar meu acervo de vídeo, jamais para substituí-lo. Depois do teste de ontem, concluí que não passa de uma versão eletrônica das "locadoras de bairro" bem comuns, daquelas que só têm filmes recentes e/ou manjados. É para espectadores casuais, não para consumidores de um nicho mais específico. Por isso, continuo preferindo a minha videoteca.

quinta-feira, janeiro 12, 2017

Bowie Legacy: não compre

Se você é iniciante em David Bowie e procura uma boa coletânea para ter uma amostra do melhor do cantor, não compre Bowie Legacy. A seleção de faixas nos dois CDs seria perfeita não fosse por um detalhe: a obra-prima de Bowie, "Life on Mars?", sofreu uma remixagem radical que praticamente mutilou a música. No afã de incluir algo "novo" no pacote, a gravadora retirou a guitarra de Mick Ronson e a bateria de Woody Woodmansey. A intenção talvez tenha sido criar um clima "sinfônico", mas o resultado é um "vazio", principalmente nos refrões. Isso não se faz com um clássico. Prefira a compilação anterior, Nothing has changed - tanto a edição tripla, que já comentei aqui, quanto a versão dupla. Ambas são bem representativas e trazem "Life on Mars?" com todos os instrumentos. Aproveito para avisar também que a caixa Sound+Vision, com quatro CDs, não é um "best of", mas um apanhado aleatório de canções diversas de Bowie. A melhor opção é mesmo Nothing has changed.

domingo, janeiro 08, 2017

Os 70 anos de David Bowie


Há dez anos, registrei aqui no Blog os 60 anos de David Bowie ("Bowie sessentão"). Observei a diferença entre os 50 anos dele, que foram amplamente comemorados, inclusive com um show especial do cantor, e o relativo silêncio dos 60. Bowie estava em recesso. Não se sabia ao certo se voltaria a gravar ou não. Acabou retornando em 2013 com The Next Day. Mas nunca mais fez shows.

Eu não imaginava que comemoraríamos os 70 anos dele in memoriam. Mas a obra dele está aí, para nós e para as futuras gerações. E, pelo visto, ainda teremos material inédito pela frente. No ano passado, saíram três faixas novas no CD duplo da trilha sonora da peça "Lazarus". Ontem, em comemoração antecipada dos 70, foi lançado o clip de "No Plan". 

Claro que a morte dele foi uma notícia triste. Mesmo assim, senti-me gratificado de ver como o Brasil inteiro prestou suas homenagens. Certa revista de notícias chegou a editar várias capas diferentes com fotos dele. Só lembrei dos meus amigos que, nos meus 13 anos, pegavam no meu pé por meu entusiasmo com o trabalho dele. Isso em 1974. Viram? Eu estava certo o tempo todo.

sexta-feira, janeiro 06, 2017

O Batman dos jornais

Vamos abrir os trabalhos de 2017 com um tema bem light que há tempos não abordo aqui no Blog: histórias em quadrinhos.

Em 3 de dezembro de 2011, após uma prazerosa visita ao arquivo de jornais do Museu de Comunicação Hipólito da Costa, em Porto Alegre, postei alguns de meus achados sob o título "Jornais que lembram a infância". Entre lembranças do desenho animado "Mogli", do Topo Gigio e de um filme sobre o Capitão Nemo, citei uma tira de jornal do Batman de 1970 que eu nunca havia esquecido. Fazia pouco tempo que eu tinha aprendido que existia uma matéria chamada "Física" que nada tinha a ver com "Educação Física", então o diálogo entre a Dupla Dinâmica me chamou a atenção. Comentei que gostaria de encontrar a história toda para ler, mas que em geral as republicações de tiras de jornais em formato de livro se restringiam aos primeiros anos. No caso, a tira a que eu me referia era esta: Pois, no final do ano passado, meu desejo foi atendido. Saiu o terceiro volume das tiras de jornais de Batman, cobrindo justamente o período da história em questão. É o livro cuja capa aparece no topo desta postagem. Chegou ontem para mim. Vejam abaixo a mesma tira, só que em inglês:
Em 2011, tentei pesquisar sobre o enredo na Internet e acabei encontrando uma matéria sobre as tirinhas do Batman no New Straits Times, da Malásia, na edição de 26 de fevereiro de 1989. Pois o livro informa que as últimas páginas do Batman para jornal foram publicadas exclusivamente no Straits Times, antecessor do New Straits Times. Isso explica o interesse do periódico pelo tema. Ainda bem que capturei a imagem, pois a publicação não está mais disponível para consulta na rede. Aí está, apenas por curiosidade:
Como se sabe, nos velhos tempos, o universo de personagens da DC de dividia entre duas dimensões: a Terra 1 e a Terra 2. Foi a forma encontrada de explicar as inconsistências entre os heróis em suas origens e as encarnações posteriores. O primeiro Super-Homem foi considerado o da Terra 2. Esse veio a casar com Lois Lane. O Super-Homem da Terra 1 era o que aparecia com mais frequência nas páginas dos gibis e continuou solteiro. Mas, observo agora, as histórias dos jornais eram, de certa forma, um terceiro universo. Uma espécie de Terra 1 alternativa. Seria Terra 3, talvez? Ou, como é moda numerar agora, Terra 1.2?
Qualquer Batmaníaco que se preze identifica a página acima. É o momento histórico em que Dick Grayson (Robin) vai para a Faculdade, deixando para trás a Mansão Wayne e a Batcaverna. Também a dupla Batman e Robin se desfaz e cada um passa a atuar separadamente ou com outros colegas de combate ao crime. Percebendo que o momento é de mudança, o próprio Bruce Wayne decide ir morar em um apartamento, abandonando a Batparafernália do passado e tentando resgatar a velha figura do Homem Morcego das trevas.
Pois bem: o universo paralelo das tiras de jornal podia ter sua própria cronologia, mas não era de todo independente. As mudanças cruciais do personagem nas revistas tinham que ser refletidas. Então o que se vê acima é uma versão da despedida de Dick Grayson adaptada para o formato das dailies. Já a trama que se segue é diferente, tendo em comum apenas o fato de Bruce Wayne ajudar uma viúva que acabou de ter seu marido assassinado. 

Folheando as páginas do livro, imediatamente reconheci o traço de Al Plastino, cujo trabalho era mais frequente nas histórias do Super-Homem. Essa sensação de familiaridade me deu saudade do tempo em que os quadrinhos eram mais simples, sem a exagerada sofisticação que viria a lhes roubar seu charme. 

Na reta final, em 1972, numa situação confusa que os antigos autores consideraram violação de direitos autorais (como esclarece o texto de introdução do livro), as tiras passaram a ser criadas por escritores e desenhistas anônimos. Inevitavelmente, a qualidade veio a cair bastante, fugindo do padrão DC. Um terceiro herói chegou a ser introduzido, um tal de Galexo. Com isso, uma das poucas publicações a manter as historinhas de Batman foi a edição europeia do jornal militar Stars & Stripes, até que anunciou o encerramento da série, sem ocultar o motivo da má qualidade. Restou, por algum tempo, o já citado Straits Times, em páginas dominicais a cores. Estão todas no livro, que também inclui quadrinhos inéditos desenhados por Al Platino e Nick Cardy os quais foram substituídos pelos do artista anônimo. 

sábado, dezembro 31, 2016

Final de ano

Vou tentar fazer como minha mãe faria e agradecer as coisas boas que aconteceram neste ano. No plano pessoal, foram muitas. A maior de todas as bênçãos foi eu ter conseguido me aposentar, ainda mais diante do quadro que avizinha. Finalmente minha parceria com Rogério Ratner foi lançada em CD. Também, depois de longa espera, minha participação no programa "A Trilha do Rock no Brasil" foi mostrada no Canal Brasil. Conheci uma mulher legal que hoje é minha namorada.

Mas não consigo esquecer o que houve de ruim, também.

O falecimento de David Bowie e outros ídolos meus da música não haverá de pesar tanto. A morte é algo natural, "a única coisa certa da vida", como diz o surrado clichê. Já perdi pessoas bem próximas e não me abalei. Além disso, a obra deles continuará conosco, como sempre esteve.

O Inter ter sido caído para a segundona é lamentável, mas faz parte do jogo. O time mereceu o rebaixamento. Tudo ocorreu dentro das normas e é dessa mesma forma que o Colorado terá a chance de voltar à série A em 2017.

O que definitivamente não aconteceu dentro das normas foi a punhalada nas costas que a democracia sofreu em 2016. E é ainda mais enojante que os manifestantes que foram às ruas apoiar esse golpe tentem dar um verniz de nobreza à sua atitude. Dizem que foram "fazer a sua parte". Conversa fiada. "Fazemos a nossa parte" quando votamos, quando trabalhamos, quando respeitamos o resultado das eleições. Quando fazemos o bem. Quem visa a jogar no lixo os votos vencedores está na verdade desfazendo o processo eleitoral.

Que eu lembre, nunca me indispus com ninguém por votar diferente de mim. Mas golpe não tem como relevar. Golpe é deslealdade. Golpe é traição. Essa manobra só vingou porque teve a conivência de pessoas em posições estratégicas para sua consecução. E o apoio da grande imprensa para criar um pano de fundo de normalidade.

Mas o julgamento da história será implacável.

Pela condição especial de meu filho, não terei netos. Mas já tenho sobrinhos-netos e, em 2017, pasmem, terei um sobrinho-bisneto. Independente da posição que cada um deles tenha ou venha a ter, eu faço questão que eles saibam de que lado o tio deles esteve em 2016. Que não pactuei com um conluio sórdido que jogou o país num retrocesso histórico. E tudo para contentar setores influentes que não aguentavam mais perder eleição. As consequências já estão aí, diante de nós. Só não vê quem não quer.

Repito: agradeço as bênçãos que tive em 2016. No plano pessoal, foi um ano maravilhoso. Mas eu vi o que muitos de vocês fizeram. E vai ser difícil esquecer. 

Feliz Ano Novo.

quarta-feira, dezembro 28, 2016

Novidades de João Ricardo

Leio na página oficial dos Secos e Molhados do Facebook que vêm aí duas novidades do criador do grupo, o português de nascimento e brasileiro por adoção João Ricardo. Primeiro, como anuncia a imagem acima, em fevereiro será lançado o disco ao vivo que ele e Daniel Iasbeck gravaram em 2012. Esse trabalho já está disponível no YouTube desde 2013, inclusive com a capa inicialmente projetada, mas acabou não saindo. Talvez o nome Secos e Molhados ao Vivo pudesse causar confusões para quem não acompanhou a carreira de João depois da fase áurea da banda. Pois desta vez o álbum vai se chamar Secos e Molhados ao Vivo 2012 e terá uma foto do show na fachada. João Ricardo é excelente compositor e aqui suas músicas - tanto as de maior sucesso quanto as menos conhecidas do grande público - ganharam belos arranjos acústicos a duas vozes. Destaque para "Ancoradouro", "Assim Assado" e "Flores Astrais". É uma pena que ele e Daniel Iasbeck não estejam mais trabalhando juntos. Foi uma parceria que, ao menos musicalmente, deu certo enquanto durou. Daniel também tocou no disco Puto (2007), de João Ricardo, e Chato Boy (2011), creditado aos Secos e Molhados.
Por fim, 2017 também nos trará um álbum inédito de João sob a alcunha Secos e Molhados. O compositor já usou o nome do grupo em discos solo antes, de forma que não se sabe se haverá mais alguém com ele no estúdio. As notícias virão com o tempo. Mas o fato em si de ele estar voltando à ativa já é motivo de comemoração para seus fãs. Muitos culpam João Ricardo pelo fim da formação clássica da banda em 1974, mas se esquecem de lhe dar crédito por ter criado o projeto musical em primeiro lugar. Por ter composto a maioria das músicas e montado aquela obra maravilhosa. Uma obra que teve continuidade com ele e com outros músicos e cantores que o acompanharam. Bem vindo de volta, João Ricardo!