sexta-feira, janeiro 18, 2019

O assédio de famosos

A demissão de José Mayer da Globo traz à baila a polêmica das acusações de assédio que ocasionalmente se fazem a artistas famosos. Muitas vezes, essas ocorrências causam surpresa e decepção aos fãs. "Puxa, logo ele, tão querido! Não esperava isso dele!"

Já li muitas biografias de celebridades. No caso de homens, observa-se um padrão: a facilidade com que conseguem mulheres. Tanto para uma transa descompromissada como para relacionamento sério. O que não significa que não levem foras ou não sofram rejeições. Phil Collins, por exemplo, estava curtindo uma fossa em um local chamado Rainbow Room, em Los Angeles, logo após o divórcio de sua primeira esposa. Em certo momento, ergueu os braços para trás e uma moça agarrou suas mãos. Ela viria a se tornar sua segunda mulher. Eu acho que posso erguer meus braços à vontade, que nenhuma beldade irá aparecer!

O fato é que homens famosos, em especial os atraentes, vivem uma realidade diferente daquela a que nós, simples mortais, estamos acostumados. O jogo de sedução a que eles habitualmente recorrem tem outras regras.

Em 1997, o ex-assessor do Kiss, Chris Lendt, escreveu um livro interessantíssimo chamado "Kiss and Tell". O dia em que alguém publicar no Brasil uma tradução do capítulo sobre a primeira turnê brasileira do grupo, em 1983, cairá como uma bomba por aqui. Mas o que quero citar agora é outra passagem, em que o autor comenta a relação do grupo com as fãs.

"Como Paul Stanley me explicou, a maioria dessas garotas provavelmente tinham namorados na cidade que teriam que dedicar meses – talvez anos – e gastar centenas de dólares em encontros e presentes para fazer com que elas dissessem sim ao sexo. Com o Kiss, bastava uma noite e um ingresso grátis para um show." Mais adiante, Lendt conclui: "Não era difícil entender tudo isso. Para muitas das garotas, [membros do] Kiss eram superastros de outra galáxia, muito além da vida sem graça e do ritmo apático da Cidade Anônima dos Estados Unidos. Por que elas iriam desperdiçar a chance única de fazer sexo com alguém famoso e criar uma lembrança que duraria para sempre, uma espécie de contato com a imortalidade?"

Enfim, mesmo quem não devora biografias de homens famosos deve imaginar a quantidade de mulheres que muitos deles já levaram para a cama. E como iniciou cada uma dessas conquistas? Com alguma forma de assédio. A maneira exata com que cada um faz a abordagem é algo que eu realmente desconheço. Mas a verdade é que esses artistas se habituam com facilidades. Ficam mal acostumados. Quando encontram alguém que impõe limites, aí é que a situação complica. E o que para eles sempre foi um ritual tranquilo e rotineiro pode acabar se transformando em processo.

O x da questão seria o sedutor irresistível conseguir diferenciar entre uma recusa tática e um não inequívoco. Uma certa insistência faz parte do jogo, mas pode haver casos em que a mulher não quer ceder, mesmo para um homem famoso e cobiçado. O problema é se ele vai entender isso. Quem sempre se deu bem pode não saber o momento de desistir. Por outro lado, existem também os falsos sinais. Se você convidasse uma mulher para subir ao seu quarto de hotel e ela aceitasse, você acharia que ela só quereria conversar como dois amiguinhos? Ela não teria obrigação nenhuma de transar com você, mas a expectativa, com certeza, seria criada. O que não justificaria uma relação sexual forçada, que foi a acusação feita ao jogador português Cristiano Ronaldo.

Ninguém está acima da lei. Quem incorre em crime de assédio ou estupro deve responder por seus atos. Inclusive os que vivem num mundo à parte, cercados de tietes e groupies que lhes fazem perder a noção de limite, de certo e errado. E nem entrei na questão das menores de idade, meninas com corpo de mulher que tanta encrenca já causaram a seus ídolos. Casos como o de Mayer devem servir de lição para que os artistas sejam mais cautelosos em suas investidas. Até para, conforme o caso, não cair em armadilhas. E toda a força às mulheres que tentaram dizer não e se sentiram desrespeitadas.  

terça-feira, janeiro 15, 2019

Livro da Gisele Bündchen: original é em inglês

Eu juro que pretendia ler o livro da Gisele Bündchen em português. Mas, depois de constatar que o original é em inglês e a edição brasileira é uma tradução, mudei de ideia. Até porque a edição em inglês está disponível em audiobook. É o mesmo caso do livro do Pelé, "A importância do futebol", como comentei aqui.

Por que brasileiros escreveriam originalmente em inglês para daí serem traduzidos para seu idioma pátrio? Em primeiro lugar, porque o interesse de publicar o livro deve ter partido de uma editora estrangeira. Em segundo, porque a redação final com certeza foi feita por um escritor americano. 

Destino agendado

Em 1990, eu já tinha feito minha matrícula para o primeiro semestre na Faculdade de Jornalismo quando recebi uma notícia inesperada: eu e mais alguns colegas da empresa em que eu trabalhava seríamos destacados para uma tarefa em Brasília. Não havia previsão para o tempo de permanência. Outra alternativa não me restou senão trancar a matrícula. Mais adiante, minha (hoje ex) esposa pediu licença no trabalho dela e foi para lá comigo. Assim, fizemos do limão uma limonada e acabamos explorando a Capital Federal juntos. 

Ironicamente, se eu tivesse uma bola de cristal, poderia ter voltado a cursar a faculdade já no segundo semestre. Primeiro, porque o plano de trabalho ao qual tínhamos sido alocados foi cancelado e acabamos retornando a Porto Alegre bem mais cedo do que prevíamos. Segundo, porque uma greve de alunos na PUC-RS para tentar reduzir a mensalidade acabou atrasando em vários meses o começo das aulas que deveriam ter iniciado em agosto. Mas tudo bem, fizemos a viagem aos Estados Unidos que tínhamos planejado, voltamos a tempo de ver o show do David Bowie em São Paulo (como registrei aqui) e ainda pegamos o show de 15 anos dos Almôndegas (vejam aqui).

Enfim, ficou uma lembrança bonita daquele ano. Exceto, talvez, por um instante de melancolia no dia 12 de dezembro, porque eu estava completando 30 anos. Na minha cabeça, eu estava deixando de ser jovem.

Mas, em meio à turbulência toda, folheando minha agenda para anotar e conferir os compromissos, chamou-me a atenção uma foto do Congresso Nacional. E, por ser uma publicação das Paulinas, logo abaixo, havia uma citação da Bíblia que começava assim: "Eu te chamei para o serviço..." (Isaías 42:6, embora nem todas as traduções sejam exatamente iguais).

Ora! Minha viagem à Brasília não estava escrita nas estrelas, era na agenda, mesmo! Desde então, passei a prestar atenção em qualquer frase contida nas agendas que comprava. Em anos anteriores, as edições das Paulinas não continham fotos nem dizeres, mas a de 2019 tem. Por exemplo:

Todo o amor semeado, cedo ou tarde, há de florir. (Follereau)

O amor é como uma flor. Pode nascer em lugares e momentos inusitados. (Laureane Antunes)

Que lindo, não? Duas frases em páginas diferentes, mas tudo a ver uma com a outra. Vou continuar semeando. Quem sabe não terei um jardim de amor em 2019?

Outra:

Por trás das conquistas obtidas, há horas de muito trabalho e empenho. (Ana Carolina)

Com certeza! E isso remete à frase abaixo, que está em outra página:

Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir. (Amyr Klink)

O sentido de "partir", aqui, está muito claro. É hora de ir atrás dos sonhos, de colocá-los em prática. O que não significa, necessariamente, atravessar o oceano a remo, como fez Amyr. Mas, quanto mais cedo se começar a remar, mais rápido se chegará ao outro lado. 

Mãos à obra!

segunda-feira, janeiro 14, 2019

Aniversário do Iuri

Já está virando tradição eu comemorar o aniversário do Iuri levando-o no Barranco. Meu filho está fazendo 25 anos!

Tentei uma foto no espelho, com zoom. Clicando em cima, para ampliar, até dá para ver bem.

domingo, janeiro 13, 2019

Capas de 1973

O episódio desta semana de "MPB 73 - O Ano da Reinvenção" é sobre capas marcantes daquele ano. Quem não assistiu no sábado tem uma segunda chance no domingo, dia 13, ao meio-dia, e na segunda, dia 14, às 17 horas. Vocês escolhem se preferem ver no aniversário da minha mãe (hoje) ou do meu filho (amanhã).

quarta-feira, janeiro 09, 2019

Fim do Vídeo Show

Fiquei sabendo ontem que a Globo acabou com o Vídeo Show. Eu confesso que não o acompanhava já há muito tempo. Eventualmente, eu via trechos do programa quando ia almoçar, no televisor de um restaurante próximo ao meu trabalho. Até que me aposentei em 2016.

Mas, quando comprei meu primeiro videocassete, em 1985, o Vídeo Show era o que eu mais gostava de gravar. Ele ia ao ar somente aos sábados e tinha um formato muito diferente do que veio a assumir. Como definiu simplificadamente meu saudoso irmão João Carlos, era um "Fantástico do passado". Era isto que me interessava: imagens de arquivo. Uma forma de colecionar em VHS matérias que tinham ido ao ar antes da era do videocassete (ao menos em larga escala, no Brasil).

Dei uma olhada rápida no meu canal do YouTube e constatei que não subi tantos trechos do Vídeo Show quanto pensava. De alguns eu peguei somente os vídeo tapes e não a participação dos apresentadores. Quem sabe agora é o momento de divulgar mais coisas. Por ora, repriso aqui uma matéria sobre Ritchie que foi ao ar em 1985. Eu a editei antes de subir para incluir os "teasers", por assim dizer.

domingo, janeiro 06, 2019

Abrindo os trabalhos

Acho que já está na hora de fazer a primeira postagem do ano.
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Desde ontem estou enfrentando um problema de acesso intermitente a páginas da Internet. Consigo entrar no Google e no Facebook a maioria das vezes, mas em outras é uma loteria. O chato é que fico recebendo aquelas mensagens tipo "verifique se digitou corretamente o endereço" e eu tenho certeza que fiz tudo certo! Já que finalmente consegui chegar aqui, no Blogger, então vou aproveitar para fazer uma publicação enquanto consigo.
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Motivado pelo filme "Bohemian Rhapsody", decidi ouvir um audiobook com a biografia de Freddie Mercury. Chama-se "Somebody to Love - The Life, Death and Legacy of Freddie Mercury", de Matt Richards e Mark Langthorne. Estou nos primeiros capítulos, mas já deu pra perceber que é um livro muito bem escrito e pesquisado. Mas, pelo menos no início, parece tão preocupado em contar a história de Freddie quanto a da origem do vírus HIV. É uma abordagem interessante, sem dúvida. Mas, se alguém quisesse saber sobre a AIDS, escolheria uma obra que indicasse esse enfoque no título. Enfim, vou continuar escutando. Ao final, talvez publique uma resenha aqui. 
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Ontem assisti ao filme "Aquaman", confiando em recomendações de amigos no Facebook. Embora seja uma produção mística e bombástica, bem ao jeito das atuais adaptações de personagens de quadrinhos, o enredo é sólido e bem traçado. Existe uma trama bem montada em meio à parafernália visual, por sinal muito bonita. Meus amigos estavam certos: vale a pena ver.
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Bom começo de ano a todos!

domingo, dezembro 30, 2018

Ano Novo

Vamos desejar Feliz Ano Novo, sim. Vamos cuidar da saúde. Vamos buscar vitórias pessoais. Vamos fazer oposição consciente e não-golpista ao novo Governo.

Lógico que o novo Presidente foi ajudado pelo impeachment de Dilma e a prisão de Lula. Sem contar as notícias falsas nas redes sociais. Mas essas máculas não são suficientes para invalidar o fato de que ele foi eleito legitimamente. Por favor, não vamos imitar o mau exemplo de quem alegou "fraude nas urnas" para justificar o aviltamento à democracia nas manifestações contra Dilma. A vontade do povo tem que ser respeitada, independente dos percalços, do partido ou do candidato eleito. Ou da forma como os (maus) perdedores tenham agido em eleições anteriores.

Em 2019, devo começar a escrever meu primeiro livro (sim, espero que haja outros depois). Não posso garantir quando e se será publicado (com certeza não será no mesmo ano), pois nunca se deve contabilizar um ovo pelo método cloacal. Mas estou bem entusiasmado com a perspectiva de voltar às pesquisas e realizar entrevistas.

No mais, que Deus proteja a todos nós.

Feliz Ano Novo.