sexta-feira, julho 22, 2016

Momentos marcantes

Em minha postagem anterior, fiz uma citação rápida ao tempo em que eu estudava inglês. Hoje me dou conta de como aumentaram os recursos para alunos brasileiros praticarem o idioma. Na minha adolescência, nos anos 70, tínhamos só o cinema, praticamente. Enquanto assistíamos aos filmes, ficávamos brincando de adivinhar as falas (porque as legendas em geral entravam antes). De resto, havia revistas importadas e um universo bastante limitado de livros, geralmente pocket books. Os filmes da TV eram todos dublados.

Hoje? Primeiro, tivemos o videocassete. Depois, a TV a cabo, com seus canais estrangeiros. Com a chegada da Internet, as chances de se praticar inglês tornaram-se fartas, abundantes, inesgotáveis. Temos sites, e-books, audiobooks, podcasts e comunicação direta com nativos do idioma. Uma verdadeira overdose de língua estrangeira.

Mas, na minha juventude, não era assim. Por isso, fiquei eufórico quando, aos 20 anos, encontrei uma edição especial da revista Somtrês incluindo um compacto com trechos da última entrevista de John Lennon. Diversos veículos alegavam ter colhido os depoimentos finais do ex-Beatle, notadamente a Playboy, mas essa foi de fato a derradeira entrevista, realizada na tarde do dia em que ele seria assassinado. Trouxe para casa esse verdadeiro tesouro e ouvi várias vezes. Isso foi na semana em que a segunda-feira caiu no dia 25 de maio de 1981. Lembro minha mãe, curiosa, querendo saber o que eu estava escutando. Ela só estava acostumada a ouvir música saindo das caixas de som de meu equipamento.

Por que lembro a data? Simples: foi quando comecei a trabalhar. As recordações ficaram entrelaçadas. Naquela semana eu fiz "curso de integração" bem perto de onde eu morava. No intervalo para almoço, ia para casa, comia e aproveitava o resto do tempo para ouvir mais um pouco o disco. Assim como a primeira semana de trabalho foi marcante, a última também está sendo. Hoje me dou conta que comecei a trabalhar cerca de meio ano após a morte de John Lennon e estou me aposentando meio ano após o falecimento de David Bowie. A música sempre fez parte da minha vida, então esses detalhes inevitavelmente servem como referência.
Meus colegas fizeram uma festa de despedida para mim ontem. Ganhei de presente um calção esportivo e uma camiseta, já que eles sabem das minhas caminhadas, um par de chinelos desses de se usar em casa e, sutilmente, uma garrafinha de Coca Zero! Obrigado, gente. Foram 35 anos de aprendizado, lições, amizades, até alguns namoros (foi no trabalho que conheci minha ex-esposa, mãe do meu filho) e, principalmente, o meu sustento, a minha independência financeira. Agora começa uma nova fase.

quinta-feira, julho 21, 2016

Bom dia

Não sei se é mania de velho que já estou pegando aos 55 anos, mas cheguei a uma conclusão: eu gosto de dormir e acordar cedo. Só não faço mais vezes porque nem sempre é possível. Aliás, muito raramente. Não há como já estar dormindo, por exemplo, às 11 da noite, quando se tem um dia bem aproveitado. Mas de vez em quando é bom. Sempre lembro que uma vez, aos 16 anos, cheguei da aula de inglês caindo de sono e disse a meus pais que já queria ir deitar. Não sei por que isso aconteceu, só sei que dormi 13 horas seguidas. Isso ocorreu mais uma vez aos 20 e poucos anos. Hoje, se durmo muito cedo, acordo mais cedo ainda. E é claro que em algum momento eu vou querer dormir de novo, antes do tempo. Eu sempre gostei de dormir. É um prazer. Mas estou concluindo que gosto de acordar cedo, quando é sem sacrifício. Como hoje, por exemplo.
Há tempos eu vinha "namorando" essa caixinha de cinco CDs que aparecia disponível para pronta entrega em uma conhecida loja on-line brasileira. Acabei encomendando. O grupo Boney M foi criado em 1976 pelo produtor alemão Frank Farian, o mesmo que lançou o Milli Vanilli. As duas bandas tinham em comum o fato de usarem falsos membros para fazer shows, dublagem e figuração nas capas dos discos. Os verdadeiros cantores nas gravações eram outros. Mas, enquanto o Milli Vanilli foi desmascarado e isso acabou com a carreira da banda, o Boney M seguiu normalmente sua bem sucedida trajetória no gênero Eurodisco. O pecado do Milli Vanilli talvez tenha sido o de ganhar um Grammy de Melhor Artista Estreante em 1990. Aos olhos da crítica, isso lhes conferia uma acintosa credibilidade. Já o Boney M fez tranquilamente o seu sucesso comercial com deliciosas canções pop como "Daddy Cool", "Ma Baker", "Rivers of Babylon" e "Gotta Go Home". Hoje já se sabe que a voz masculina que se ouvia nas músicas não era de Bobby Farren, mas do próprio produtor Frank Farian.
Depois de Close to the Edge (1972), The Yes Album (1971) e Relayer (1974), mais um disco do Yes ganha uma edição especial em Blu-ray 5.1: Fragile (1971 - lembrem-se do que comentei sobre artistas lançarem até dois discos por ano na década de 70). Esse foi o primeiro com o tecladista Rick Wakeman e traz a clássica "Roundabout". Enquanto álbuns de outros artistas remixados em 5.1 só estão disponíveis em caríssimos pacotes cheios de extras dispensáveis, o Yes está fazendo a coisa certa e criando produtos de bom tamanho. Aqui temos um CD e um Blu-ray com versão 5.1, estéreo, cópia direta do vinil original e outtakes das sessões de gravação, incluindo a inédita "All Fighters Past".

quinta-feira, julho 14, 2016

Hector Babenco antes do Oscar 1986

Em 1986, o filme "O Beijo da Mulher Aranha", de Hector Babenco, concorreu ao Oscar. Eu já tinha postado esta entrevista no YouTube, mas como acrescentei imagens da própria cerimônia, o vídeo foi excluído por violação de direitos autorais. Desta vez editei e coloquei somente a conversa de Hector com o crítico de cinema Rubens Edwald Filho e a apresentadora Leda Nagle. Como se sabe, o único prêmio conquistado pelo filme foi o de melhor ator para William Hurt. O diretor Hector Babenco faleceu hoje, aos 70 anos.

quarta-feira, julho 13, 2016

Ausências sentidas em coletânea de Paul

Já se encontra nas lojas a coletânea Pure Paul, de Paul McCartney, em dois CDs. Quem quiser pode importar a edição de luxo com quatro CDs e um belo livrinho. Mas, se no segundo caso a intenção for "não deixar faltar nada", haverá decepções. Há ótimas músicas tanto na versão dupla quanto na quádrupla. Na primeira estão, entre outras, "Jet", "Listen to What the Man Said", "Silly Love Songs", "Uncle Albert/Admiral Halsey", "Another Day", "Mull of Kintyre", "Let 'Em In", "Ebony and Ivory", "Band on the Run", "Live and Let Die" e "No More Lonely Night". Uma inclusão bem vinda é "Sing the Changes", do projeto paralelo "Fireman", que Paul cantou nos shows em 2010. A edição expandida acrescenta faixas menos óbvias como "English Tea", "Junior's Farm", "Girlfriend", "Hi Hi Hi", "Waterfalls" e "Venus and Mars/Rock Show". Mas nenhuma das configurações da compilação traz sucessos como "Once Upon a Long Ago", "This One", "My Brave Face", "Put it There" ou "Looking for Changes". Outras composições menos essenciais acabaram entrando em detrimento dessas.

Veredito: só compre a edição de quatro CDs se for colecionador. Ela poderia completar o que falta nos dois CDs, mas peca por omissões inexplicáveis. Logo, para uma boa amostra da obra de Paul, a seleção em CD duplo é suficiente e representativa.

terça-feira, julho 12, 2016

Tiro no vazio

Não quero ser agourento mas, como ávido consumidor de refrigerantes diet/light/zero, não vejo futuro para essa nova fórmula com stévia e "menos açúcar". Quem é diabético não vai poder tomar. Quem não consome açúcar refinado vai dispensar, também. Afinal, se o "normal" tem uma overdose de açúcar, o que é uma overdose de açúcar reduzida à metade? É quase o mesmo que lançar uma cachaça com "menos álcool" para quem é alcoólatra. A turma da geração saúde foge de qualquer tipo de refrigerante e também vai recusar. Quem não se importa de tomar o refrigerante comum vai continuar tomando. E quem quer um refrigerante com o mínimo possível de calorias, como é o meu caso, vai permanecer fiel ao diet/light/zero. Em suma, acho que miraram num público-alvo que não existe na prática. Em todo o caso, vamos observar o que acontece.

segunda-feira, julho 11, 2016

IMAX, Monkees e Prince

Sempre gostei de sentar mais ou menos na frente em cinemas, para realmente "entrar" no filme. Mas sei de pelo menos uma pessoa que prefere ficar bem atrás. Esse meu amigo não iria curtir muito um cinema padrão IMAX. Ontem, finalmente, conheci esse sistema, no Bourbon Shopping Wallig. Era um pouco diferente do que eu imaginava. A tela é enorme, ocupando quase todo o ângulo de visão do espectador, mas não pensei que fosse na mesma proporção retangular das demais salas. Talvez nos Estados Unidos seja diferente, em especial para filmes produzidos especificamente para o formato. E, para quem precisa ler as legendas, pode ser um tanto incômodo ter que estar sempre baixando a cabeça. Para mim, foi uma ótima experiência, plenamente aprovada. Mas ainda espero assistir a uma produção própria para esse recurso. No caso, vi o desenho de computação gráfica "A Era do Gelo - Big Bang", em 3D.
Good Times! é o terceiro CD, digamos, extemporâneo dos Monkees. Ou seja, um álbum de inéditas lançado depois que eles encerraram suas atividades televisivas nos anos 60, em uma das muitas voltas do grupo. O primeiro, Pool it, saiu em 1987. Sem Michael Nesmith, que preferiu continuar se dedicando a sua bem sucedida carreira solo, Micky Dolenz, Davy Jones e Peter Tork gravaram um conjunto de canções ingênuas e divertidas. O segundo, Justus, de 1996, trouxe o quarteto completo tocando todos os instrumentos, algo raríssimo para um disco dos Monkees. O resultado foi interessante, mas nada excepcional. Pois desta vez eles acertaram. Juntaram bons compositores e músicos para tentar recriar a magia dos velhos tempos. Tem até uma faixa inédita cantada por Davy Jones, falecido em 2012. Michael Nesmith participou do CD, mas não estará presente nos shows (pelo menos não em todos). Destaque para a linda balada "Me and Magdalena", que Micky Dolenz e Michael Nesmith cantam a duas vozes. Lembrou-me o estilo do grupo sessentista Left Banke.
Terminei de ouvir o audiobook com a biografia de Prince, escrita por Ronin Ro com narração de Mirron Willis. Um dado que achei interessante é que o músico queria lançar um álbum por ano no mínimo e a Warner não permitia. Nesse aspecto, ele surgiu na época errada. Nos anos 60 e boa parte dos 70, era normal os artistas lançarem até dois LPs por ano, como por muito tempo fizeram David Bowie e Elton John. Nunca esqueci a repercussão quando o Pink Floyd levou dois anos para lançar o disco seguinte a Dark Side of the Moon - no caso, Wish You Were Here - depois mais dois anos até chegar em Animals. Já na década de 80, em que Michael Jackson, Kraftwerk e outros ficavam anos a fio promovendo um mesmo trabalho, Prince sentiu-se tolhido. O livro foi escrito antes da morte do cantor e termina numa nota otimista, com uma citação de que ele estaria em "modo de celebração".

sábado, julho 02, 2016

Coletânea histórica de David Bowie

Hoje tive a surpresa de ver na loja a coletânea ChangesOneBowie, de David Bowie, num CD em capinha de "mini-LP". É a primeira vez que esse álbum é relançado em sua configuração original desde que a RCA perdeu os direitos sobre os fonogramas do cantor. A Rykodisc editou uma versão adaptada e expandida em 1990 intitulada ChangesBowie. Agora a Parlophone resgata o disco exatamente com a mesma capa e lista de músicas para comemorar os 40 anos do LP.
Essa foi a primeira coletânea de David Bowie para a RCA e também a primeira com a intenção de apresentar uma amostra do melhor de seu trabalho (já que The World of David Bowie, que saiu no Brasil como Disco de Ouro, era um conjunto de gravações de começo de carreira para o selo Decca sem um critério de "sucessos" ou "o melhor de"). Em vez de deixar tudo por conta da gravadora, Bowie se envolveu diretamente na preparação do disco, posando para uma sessão de fotos exclusiva. Quem clicou o músico foi o lendário Tom Kelley, famoso por suas imagens de Marilyn Monroe nua sobre veludo vermelho. 
As 11 faixas da compilação omitiam pelo menos uma música obrigatória: "Life on Mars". Essa, incrivelmente, não entraria nem mesmo no "segundo volume", ChangesTwoBowie, de 1981. No Brasil, ChangesOneBowie incluía três faixas que a RCA nunca havia lançado por aqui: "Space Oddity", "Changes" e "John, I'm Only Dancing". Só isso já foi suficiente para atrair os fãs brasileiros. Além disso, muitos de seus outros LPs já haviam saído de catálogo. E não se pode criticar um disco que, além das citadas, tem "Ziggy Stardust", "Suffragette City", "The Jean Genie", "Diamond Dogs", "Rebel Rebel", "Young Americans", "Fame" e "Golden Years". Mas, considerando que as edições dupla e tripla da bem mais completa coletânea Nothing has Changed ainda podem ser conseguidas, essa reedição de ChangesOneBowie só interessa mesmo a colecionadores, pelo valor histórico.

P.S.: Para quem viu o filme "Christiane F.", é esse o disco que Christiane ganha de presente do namorado de sua mãe. Em seguida ela aparece colocando-o entre outros LPs e aí vemos que ela já tinha o álbum. Numa cena posterior, ela está ouvindo "Heroes" num volume muito alto e a mãe reclama. Ela responde dizendo que é o disco que o seu namorado lhe trouxe. Não se sabe se foi erro ou uma mentirinha da personagem, mas "Heroes" não faz parte dessa coletânea. Saiu depois.  

Sem Facebook

Não sei o que está acontecendo, mas estou sem Facebook. Quer dizer: ele até tenta entrar, mas o carregamento de páginas é tão lento que um dos dois acaba desistindo: ou eu, ou o Firefox. Hoje pela manhã até consegui fazer duas ou três postagens e só. Mesmo assim, em uma delas, eu tive que insistir umas seis vezes, pois segundos depois eu recebia um alerta de que a mensagem não pôde ser enviada. Seguindo uma orientação que encontrei via Google, excluí todos os "cookies" e itens do histórico. Não adiantou. Da última vez que tentei acessar a página, o máximo que apareceu na minha tela, depois de longos minutos, foi essa imagem aí de cima.

Nesta hora lembro de algo que já comentei por aqui, que é o meu ceticismo com relação a consertos. Acredito em Deus, em Jesus Cristo, em espíritos, em paranormais, em pessoas honestas (raras, mas existem), mas cada vez menos acredito em "mandar consertar". Todo o mundo conhece alguém que "sabe tudo" de computador e se oferece para me dar o telefone do milagreiro. No dia 1º de março de 2008, um sábado em que eu estava com meu filho, um desses "especialistas" que cobram por hora técnica esteve em meu antigo apartamento. Não conseguiu consertar nem minha impressora Epson, nem minha conexão à Internet. Depois de fuçar por quase uma hora, ele sentenciou: "Só pode ser o modem!" Saímos na hora para comprar um modem novo. Não resolveu. O "sabe tudo" se desculpou e foi embora sem cobrar um centavo de sua preciosa hora técnica.

Está nos meus planos comprar um computador novo. Eu preferia não ter que fazer isso. Dos três PCs que já tive, este foi o único que adquiri sem fazer concessões. Minha intenção era ter o melhor possível para minhas necessidades. Pois agora este Dell resolveu nem ligar em certos momentos. Fica tentando "dar a partida" como um automóvel sem bateria. Na insistência, acaba pegando. Mas está cada vez menos confiável. De qualquer forma, acho que só conseguirei fazer essa troca de equipamento no mês que vem. Se nesse ínterim o Facebook "voltar" para mim, ótimo. Do contrário, seguirei no meu recesso Facebookeano.

P.S: Aparentemente, meu Facebook normalizou. Vamos ver até quando.