quinta-feira, julho 20, 2017

Paulo Sant'ana

Faleceu hoje pela manhã o jornalista Paulo Sant'ana, aos 78 anos. Sua saúde já estava debilitada há bastante tempo. Sant'ana não foi o primeiro cronista esportivo a assumir o time para o qual torcia - antes dele houve o colorado Cid Pinheiro Cabral - mas sua paixão pelo Grêmio tornou-se sua marca registrada. Ao passar a escrever sobre assuntos em geral e não somente esporte, revelou-se um lúcido e romântico observador do dia a dia. Hoje poucos lembram do curto período em que ele saiu da TV Gaúcha (atual RBS TV) e foi para o Portovisão na TV Difusora canal 10, em 1977. Também sua passagem como vereador pela ARENA, o partido da situação do regime militar, parece ter caído no esquecimento. Todos querem guardar a imagem de Paulo Sant'ana como um divertido comunicador, simpatizante do povo, dos humildes e, ao mesmo tempo, um egocêntrico assumido, que usava essa característica para fazer humor. "Por que gostam tanto de mim?" foi o título de uma de suas crônicas.

De certa forma, é uma coincidência que Sant'ana tenha falecido justamente hoje, Dia do Amigo, em que um dos seus mais conhecidos textos costuma ser compartilhado nas redes sociais. Mas nem sempre com o crédito correto. Muitos pensam que o autor é Vinicius de Moraes. Mas não, é Sant'ana mesmo. Foi publicado originalmente na Zero Hora de 4 de novembro de 1990 e reproduzido no livro "Português para Estrangeiros", de Mercedes Marchant, de onde a imagem acima foi capturada.
Outro momento de Sant'ana já registrado aqui no Blog: em 1992, ele reencontra o cirurgião plástico Ivo Pitanguy, que consertou seu rosto deformado por paralisia facial.
Por fim, um vídeo histórico divulgado originalmente por mim, com a parceria de meu amigo Edson Campos, que fez a digitalização: o humorista André Damasceno, numa imitação de Paulo Sant'ana, acaba prevendo o Inter Campeão do Mundo de 2006. Não é Sant'ana quem aparece, mas é ele o personagem focalizado.

terça-feira, julho 18, 2017

Mais David Bowie ao vivo

Depois de um lançamento especial em vinil para o Record Store Day, o álbum duplo ao vivo Cracked Actor agora também está disponível em CD importado. É mais um show de David Bowie que, após anos circulando em discos piratas (bootlegs) com excelente qualidade, ganha uma edição oficial (os outros foram Santa Monica 1972, Nassau Colisseum 1976 e Montreal 1987). Talvez não tenha sido uma boa ideia escolher "Cracked Actor" como faixa título, pois é também o nome de um especial de TV que foi ao ar na BBC1 em 1975. Embora as imagens de palco sejam da mesma temporada no Universal Amphiteatre em Los Angeles, a gravação dos CDs é de 5 de setembro de 1974, enquanto o programa foi registrado no dia 2.

O grande atrativo desse concerto sempre foi uma brilhante interpretação de "It's Gonna Be Me", balada soul inédita que acabou não entrando no álbum Young Americans. Bowie a gravou nas sessões do disco, mas ela só sairia oficialmente em 1990, na primeira de muitas séries de relançamentos de sua obra. É o mesmo caso de "John I'm Only Dancing (Again)", releitura em estilo discotheque de um antigo clássico do cantor, que encerra a apresentação. De resto, as músicas são praticamente as mesmas de David Live, que contém um dos shows do Tower Theater, na Filadélfia, no começo da turnê. Nos casos das canções em duplicidade, prefira as versões anteriores.

É uma pena que não existam mais registros com boa qualidade dos shows de 1974. Bowie não excursionaria para promover Young Americans, mas a parte final da última turnê já incluíra várias composições do novo trabalho. Ironicamente, as duas que estão neste álbum não entraram no LP de estúdio. Foi também a estreia da nova imagem do chamado "camaleão", já preparando seus fãs para o estilo de soul music que ouviriam no novo disco.

Cracked Actor é um bem vindo resgate histórico de David Bowie, mas somente para iniciados e colecionadores. 

segunda-feira, julho 17, 2017

Frio chegando, etc.

O frio chegou pra valer em Porto Alegre. Mas mesmo a temperatura tendo ficado abaixo de 30 graus nos dias anteriores, não se pode dizer que não tivemos o tradicional "veranico de julho", aquele de que só eu e os meteorologistas lembramos. Agora vem o inverno de verdade.
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Há décadas não acompanho mais futebol, mas fico triste de ver o que está acontecendo com o Internacional. Mas tenho fé de que tudo vai melhorar, o time vai se reerguer e não será rebaixado à série C!
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Meu audiobook do momento é "Googled". Tinha curiosidade de conhecer esse livro desde que vi uma entrevista do autor Ken Auletta no canal Bloomberg (como comentei aqui). Eu lembro bem de quando o Google começou a ser recomendado pelos internautas como uma ferramenta de busca bem mais eficaz do que o Alta Vista, que era o usual até então. Enquanto outros sites de pesquisa, como o Yahoo, tentavam criar um ambiente de "portal", para reter o usuário, o Google fez exatamente o contrário: sua ideia era tirar o consulente dali o mais rápido possível e levá-lo para a página desejada. Deu certo. 
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Meu filme preferido do momento (sim, isso também muda de tempos em tempos) é "Desaparecido", de Costa Gavras. O ano original de lançamento é 1982, mas acho que passou no Brasil em 1983. Eu o vi, na época, e lembro de ter gostado, mas hoje consigo apreciá-lo muito mais. É a história real de um americano que estava no Chile bem na época do golpe de 1973 (o "outro 11 de setembro", como hoje está sendo chamado) e acabou capturado e executado. Fiquei tão entusiasmado ao revê-lo que encomendei não só uma edição especial importada da Criterion Collection, cheia de extras, mas também o livro de Thomas Hauser no qual a produção se baseou. O filme tomou algumas liberdades, mas na maior parte do tempo é fiel até mesmo aos diálogos da obra. Desempenhos extraordinários de Jack Lemmon, Sissy Spacek, John Shea e Melanie Mayron. Blu-ray, por enquanto, só na Itália. 
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Notícia transmitida pelo amigo comum Auber Lopes de Almeida: Paulo Pruss, que aparece comigo na foto acima, teve um infarto em Portugal, onde se encontra desde junho. "Segundo me contou, a coisa foi bem grave, mas como é guri novo, já vai ter alta na quarta-feira", afirma Auber. Que susto, hein? Que se recupere bem e volte são e salvo para o convívio da família. Força, Paulo!
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Boa semana a todos!

quarta-feira, julho 12, 2017

A condenação de Lula

Minha opinião sobre a condenação de Lula é basicamente a mesma do impeachment de Dilma: fizeram porque queriam fazer, não porque devessem. Ou porque houvesse amparo legal. Cada vez mais entendo aquela fábula: "Por que estás sujando a água que vou beber?" Não adianta argumentar, não adianta se defender: o final é o que já estava planejado desde o começo.

Mas tem uma notícia muito pior: a aprovação da reforma trabalhista. Esta afeta a todos os trabalhadores.

Pery

A foto acima foi tirada no Carnaval de 2010, em Pelotas, em que Kleiton e Kledir foram homenageados pela Academia do Samba. Estou no meio de dois ex-Almôndegas: Gilnei Silveira à esquerda e Pery Souza à direita.

Pery está em uma clínica, lutando contra o Alzheimer. Quinta-feira à noite, dia 13, haverá um show coletivo no Auditório da Assembleia Legislativa, em Porto Alegre, em homenagem a ele. Segundo o anúncio que circula no Facebook, terá apresentações de Bebeto Alves, Claudio Levitan, Gelson Oliveira, Nélson Coelho de Castro, Raul Ellwanger, Cesar Prieb, Nanci Araujo, Neusa Ávila, Edilson Ávila, Cristiano Hanssen, Pedrinho Figueiredo, Jua Ferreira, Fernando Corona, Everson Vargas, Paulo Gaiger e muito mais. Participação de Kleiton e Kledir, Ian, Gutcha e Thiago Ramil.

A Assembleia está cedendo o auditório gratuitamente, de forma que não haverá cobrança em dinheiro pelo ingresso. A partir das 18 horas será feita a distribuição de senhas mediante a entrega de agasalhos ou alimentos não perecíveis. Mas quem quiser realmente ajudar Pery pode fazer um depósito na conta abaixo:

Banrisul (código do banco 041)
Ag. 0070
Conta 35.035811.0-4
CPF 177.248.480-68
Pery Alberto Alves de Souza
Infelizmente não terei como ir ao show. É impossível para mim estar na Assembleia às 18 horas e mesmo o horário de início às 19 e 30 fica apertado. Mas farei uma doação na conta acima e, de qualquer forma, já venho prestigiando o trabalho do Pery há bastante tempo. Aí estão itens de minha coleção que provam isso: o primeiro disco dos Almôndegas (também em CD), dois CDs solo do Pery (o primeiro, também em LP) e o programa da apresentação coletiva "Música Popular Gaúcha", que teve participação dele cantando "Noite de São João" e "Estrela Guria". Também tive o privilégio de assistir a um show solo dele no Teatro Renascença.

Toda a força para Pery Souza! Viva Pery!

domingo, julho 09, 2017

Lembranças da Amazon

Terminei de ouvir o audiobook cuja versão impressa foi lançada no Brasil com o título de "A loja de tudo - Jeff Bezos e a era da Amazon", de Brad Stone. Como sou cliente da Amazon americana desde 1997, senti falta de alguns fatos que para mim, como consumidor, foram marcantes. Por exemplo: a compra da CD Now, que era a mais forte revendedora de CDs e DVDs da Internet. Os brindes que a Amazon enviava no começo para seus compradores mais assíduos (em momentos diferentes, eu ganhei dois copos térmicos e um ímã de geladeira).

Como a empresa iniciou somente com livros, sua maior concorrente nos Estados Unidos era a rede de livrarias Barnes and Nobles. Mas o autor não cita a Abebooks, que até hoje congrega sebos de todo o mundo (mais ou menos como a Estante Virtual, no Brasil). No início, a Amazon apenas aceitava encomendas para livros fora de catálogo e os procurava para o cliente. Quando encontrava, informava o preço. Se fosse aceito, a venda era concretizada. Do contrário, seguia a busca, até que surgisse um exemplar com valor que o comprador em potencial considerasse aceitável. Quando passou a trabalhar com a opção "Marketplace", a Amazon equiparou-se à Abebooks ao listar ofertas de outras livrarias. 

O mais decepcionante é constatar que a companhia usa de métodos inescrupulosos para pressionar outras partes a aceitar suas condições. Se uma editora reluta em ceder aos termos que o site tenta impor, os livros por ela editados são removidos das recomendações que a página exibe. Também nas aquisições, a Amazon mais de uma vez passou a vender produtos com prejuízo para forçar concorrentes a concordar com a venda. Foi assim com a Zappos (especializada em calçados) e Quidsi (fraldas). No caso da segunda, Bezos chegou a fazer ameaças quando soube que a Walmart também estava interessada no negócio. Segundo o livro, os executivos da Quidsi optaram pela Amazon "por medo".

Diante dessas revelações, não é surpresa saber que Jeff Bezos é um chefe exigente, intolerante e às vezes cruel com seus subordinados. Em certo ponto o livro apresenta uma coletânea de frases demolidoras que seus empregados tiveram que escutar em instantes diversos, como "você é preguiçoso ou apenas incompetente?" ou "se eu ouvir essa ideia de novo, vou ter que me matar".

O que é curioso, isto sim, é que este livro esteja sendo vendido no próprio site da Amazon em suas três versões: impressa, e-book e audiobook. Com certeza Bezos tem suas qualidades, ou não teria criado um empreendimento de sucesso. Entre elas talvez esteja a tolerância a livros com os quais não concordaria. Ou quem sabe é a velha máxima de que não existe publicidade ruim.

terça-feira, julho 04, 2017

Jackson 5 NÃO vieram a Porto Alegre!

De vez em quanto surge no Facebook e outros sites a informação de que os Jackson 5 vieram a Porto Alegre quando estiveram no Brasil em 1974. Recentemente vi num blog um comentário afirmando categoricamente que eles se apresentaram aqui e indicando outra página com a informação como "prova". Mas eu garanto que eles não vieram. O que houve foi que a capital gaúcha foi anunciada na revista Pop (e provavelmente outros veículos) como fazendo parte da turnê brasileira. Eu li isso na época (tinha 13 anos) e fiquei na expectativa. Mas não aconteceu. Apenas por segurança, consultei outros jornalistas ou apreciadores de música mais velhos do que eu e eles confirmaram. Não teve show dos Jackson 5 em Porto Alegre.

Outro talento de Liverpool

Ouvi Billy J. Kramer pela primeira vez em uma coletânea dos anos 60 em vinil. A gravação, no caso, era "Bad to Me", uma das muitas músicas de Lennon e McCartney que foram lançadas por outros artistas. Mais tarde, ao ler a autobiografia de George Martin, "All You Need is Ears", de 1979, vim a saber que o produtor não considerava Billy um bom cantor. Mesmo assim ele foi um dos talentos de Liverpool a serem contratados pela EMI por indicação do empresário Brian Epstein, na esteira dos Beatles.

Pois agora é Billy quem lança seu livro de memórias. E não deixa de citar a crítica que lhe era feita por Martin. O cantor apresenta o mesmo argumento que já havia constado no encarte da compilação "The Definitive Collection", de 1991: de que ele era um inexperiente menino de Liverpool encarando um estúdio pela primeira vez. Em sua fase áurea, era acompanhado pelo grupo The Dakotas, com quem tinha um relacionamento instável. Ele achava que os músicos o esnobavam. Uma curiosidade é que a banda lançou um single instrumental chamado "The Cruel Sea". Aqui no Brasil, o guitarrista Risonho gostou do lado B, "The Millionaire", e sugeriu que seu conjunto o gravasse (com uma pequena aceleração no andamento). Assim surgiu o clássico "O Milionário", dos Incríveis, sucesso exclusivamente brasileiro.

Billy lançaria outras composições de Lennon e McCartney, como "I'll Be on My Way", "I'll Keep You Satisfied" e "From a Window". Em certa ocasião, o cantor perguntou a seu conterrâneo Paul McCartney se não tinha nenhuma música nova para ele. O Beatle lhe mostrou uma canção inédita, mas Billy achou-a muito calma. Queria algo mais vibrante. O próprio Paul a gravou e ela se tornou o maior standard dos Beatles: "Yesterday".  Billy fala ainda de seu amadurecimento como intérprete, a busca de outros veículos, como pantomima e televisão, seu problema com o álcool e a volta por cima. Com uma nova banda o acompanhando (incluindo o baixista John Regan, que já tocou com Peter Frampton e Ace Frehley, entre outros), Billy continua fazendo shows e lançou um novo CD em 2014, I Won the Fight (venci a luta).

domingo, julho 02, 2017

Comentário certeiro

Comentário feito no Facebook por um amigo meu que não é petista, mas é sensato. E esteve contra o impeachment desde o início:

"O risco que corremos a partir de agora é que as eleições possam ter uma importância secundária, se decidirmos tutelar a escolha das pessoas. Tipo, se ganhar A, tudo bem. Se ganhar B, aí não aceitamos! O Brasil precisa estar preparado para eleger e deixar governar quem quer seja eleito, a menos que cometa crimes, óbvio."

Perfeito. O caos político que hoje enfrentamos é consequência da irresponsabilidade dos que foram às ruas pressionar para a saída de uma governante legitimamente eleita. E a mentalidade vigente é de que, se alguma coisa está errada, "temos que ir às ruas". Talvez porque as urnas foram totalmente desmoralizadas. Mas eu continuo dizendo que quem decide assunto na rua é gigolô e traficante. Vamos aprender a votar e respeitar o resultado da eleição, senão nunca teremos uma verdadeira democracia. O problema é: como consertar este estrago que já foi feito? "Fora Temer", por si só, não resolve.