Quarta-feira, Julho 08, 2009

Madrugada

Oi, gente, estou aqui. Segunda-feira à noite tive uma crise de asma que bagunçou meu fuso horário e atrasou alguns compromissos. Segundo uma amiga virtual, a asma significa que meu corpo está renegando que eu absorva os acontecimentos recentes da minha vida. Depois ela deu uma dica de como combater essa reação indesejada. Nunca parei para analisar se, das outras vezes em que me faltou ar, algo havia acontecido que pudesse ter influenciado. Em algumas delas, acho que sim. Hoje eu levei o nebulizador para o trabalho e meus colegas se divertiram. "Qualquer dia vai ter gente vindo trabalhar com soro!"

Mas hoje recebi uma notícia boa. Minha sobrinha Renata, filha da minha irmã, passou em dois vestibulares de uma tacada só. Em Direito na UniRitter e em Letras na Unilassale. E vai cursar as duas faculdades. Sabem que colocação ela tirou entre todos os que passaram em Direito - Manhã? O primeiro lugar! Yesss! Parabéns, Renata, e vê se continua orgulhando a família também no desempenho dos cursos!
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Quinta-feira, Julho 02, 2009

Revisionismo post mortem

Com a morte de Michael Jackson, é incrível como mesmo os roqueiros mais radicais estão reconhecendo o talento e a obra do cantor. O elogios e homenagens estão vindo de onde eu menos esperava. Até na comunidade de David Bowie no Orkut Michael está sendo reverenciado. Já eu sempre admiti ser fã dele. O dia em que ocorrer uma fatalidade semelhante com Abba, Monkees, Renato e Seus Blue Caps, Moacyr Franco ou Agnaldo Rayol, não esqueçam que eu nunca neguei minha admiração por nenhum desses artistas.
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Insônia

De vez em quando me acontece destas. Fico com insônia e venho aqui para o computador. Será que foi por causa do empate-vitória do Corínthians contra o Inter? Um amigo virtual corintiano disse que se sentiu vingado do Campeonato Brasileiro de 1976, que ele afirma ter sido a sua "maior tristeza de infância". Aí eu me pergunto duas coisas. Primeiro: será que o Corínthians deu alguma alegria à infância do dito cujo? Aquele foi um período de jejum brabo para o Timão. Se bem que, se serve de consolo, eu também fiquei triste quando o Corínthians ganhou 0 Torneio do Povo em 1971 (o primeiro título do clube paulista em 16 anos). A segunda pergunta é: os corintianos de 1976 achavam mesmo que iriam vencer o Inter de Manga, Figueroa, Falcão, Dario, etc, em pleno Beira-Rio? Hoje os tempos mudaram, mas naquela época era difícil. Em todo o caso, parabéns ao Corínthians. Aliás, descobri que tenho vários vizinhos corintianos. Fizeram a maior festa...

Já são quase cinco horas. Antecipei meu café da manhã. Depois durmo de novo, se a barulheira dos gremi..., digo, dos corintianos deixar. Olho ao meu redor e vejo pilhas de livros, CDs e DVDs quase caindo por cima de mim. Alguns estão ensacados, prevendo uma mudança que deve acontecer entre o final do ano e o começo de 2010, pelos meus cálculos. Finalmente. Vim para cá em 1998 pensando em ficar talvez um ano e acabei ficando mais de dez. Quando lembro dos primeiros meses, em que só havia praticamente o computador, cama, geladeira e fogão (e um armário embutido que faz parte do imóvel), vejo como esta minha residência passou por fases. A atual seria a da superlotação. Vou dar uma redistribuída nos sacos antes de sexta, quando meu filho vem para cá para passar o fim-de-semana. Senão ele mal vai poder circular. E aqui ele tem livre trânsito. Também é a casa dele (segunda casa, mas é).

Esta foi uma rara semana em que não tive nada para fazer fora do horário de trabalho. Aproveitei para folhear uns livros novos e assistir a alguns trechos de DVDs. É curioso que comprei o "Autorretrato" de Kleiton e Kledir na sexta-feira passada, mas a maioria das lojas ainda não o recebeu. Na segunda-feira, Roger Lerina escreveu na Zero Hora que o CD e o DVD começariam a ser vendidos "na primeira semana de julho". Pois eu consegui antes. Se soubesse que "só eu tinha", teria escrito um comentário bem mais longo e postado mais imagens. Mas agora fica assim.

Outro DVD a que estou assistindo aos poucos é o documentário "1958, o Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil", sobre a Copa daquele ano, na Suécia. De certa forma o DVD do Cosmos me motivou a pesquisar mais sobre futebol e Pelé. Eu tenho a recente autobiografia publicada pelo Rei do Futebol, mas estou lendo a que ele lançou em 1977 nos Estados Unidos, "My Life and The Beautiful Game", com o americano Robert L. Fish. É claro que o texto final foi escrito por Fish, mesmo assim ele se deixou contaminar pelo português de Pelé e incorreu em diversas traduções literais: "Selection" em vez de "National Team", "intermediary" em vez de "midfield", "interior" em vez de "backcountry" ou "countryside", "participation" em vez de "interest" ou "equity" e assim por diante. Isso é o que os tradutores costumam chamar de tupiniquinglish. Depois quero ler o livro novo (em português) para comparar e ter uma visão atualizada da vida do craque. Quem diria, virei fã de Pelé "fora de época", por assim dizer. Mas sempre o admirei. Fiz questão de assistir a "Pelé Eterno" no cinema. Depois comprei o DVD.

Por falar em livros, na semana passada encontrei um sebo na Estante Virtual vendendo uma coletânea de republicações do jornal Mersey Beat, de Liverpool, por 5 mil reais! Existem vendedores que "mordem", mas aqui foi um caso evidente de desinformação. O livreiro pesquisou e descobriu que o jornal original que serve de ilustração para a capa é raríssimo, existindo apenas três exemplares preservados no mundo todo. Na confusão, pensou estar de posse de uma dessas cobiçadas relíquias. Achei melhor avisá-lo. O Mersey Beat era um jornal de música editado por Bill Harry na época em que os Beatles surgiram. O livro em questão compila as matérias de interesse dos Beatlemaníacos. Eu tenho (e não paguei 5 mil reais por ele).

Agora vou tentar dormir de novo. Por sorte, só começo a trabalhar à tarde. A quem vai acordar daqui a pouco, bom dia.
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Quarta-feira, Julho 01, 2009

Jogo

O Inter precisava de uma vitória por uma diferença de três gols. Está perdendo por uma diferença de dois. Confirma-se o que eu tinha escrito aqui.
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Segunda-feira, Junho 29, 2009

Nomes de mulheres

Além do fato de serem CDs de inéditas de artistas veteranos, "Rock'n'Roll" de Erasmo Carlos e "Autorretrato" de Kleiton e Kledir têm em comum a presença de uma música com uma infinidade de nomes de mulheres – famosas no caso de "Olhar de Mangá", de Erasmo, e desconhecidas em "Eva", da dupla gaúcha.
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Domingo, Junho 28, 2009

Autorretrato

Kleiton e Kledir, quando querem espantar o baixo astral, vêm a Porto Alegre, como dizem em "Deu Pra Ti". Mas como a gente faz quando está de baixo astral morando em Porto Alegre? Pois pra mim fez um bem danado assistir ao novo DVD da dupla, "Autorretrato". O bom humor desses caras faz a gente sorrir até nos maus momentos. Na verdade é um lançamento simultâneo em CD e DVD. Possivelmente é o primeiro CD de música brasileira a conter a nova ortografia já no título. É também o primeiro disco totalmente de inéditas de Kleiton e Kledir desde 1986 (ou antes, se levarmos em conta que o daquele ano tinha uma regravação de "Para Pedro") e o único da discografia até agora a ter todas as composições assinadas pela dupla. Já o DVD é um misto de documentário sobre o CD e clips de estúdio, seguindo uma tendência recente do mercado de vídeo (como "Blackbagualnegovéio" de Bebeto Alves e "Aborto Elétrico MTV Especial" do Capital Inicial, entre outros). O produtor musical é o mesmo do DVD anterior ao vivo, o galês Paul Ralphes, e a direção é de meu ex-professor da FAMECOS Edson Erdmann, que um dia já teve cabelos encaracolados (os caracóis fugiram todos).

"Pelotas, minha cidade / lugar onde eu nasci / ando nos braços do mundo / mas sempre volto pra ti"

Esse final do clip de "Só Liguei" diz tudo num gesto. Simples e comovente.

"A Dança do Sol é da Lua" é a primeira do CD e a última do DVD.
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Sexta-feira, Junho 26, 2009

Homenagem em vida

Que incrível casualidade: todos os meses a comunidade da rádio Antena 1 no Orkut promove uma enquete do "Artista do Mês". Normalmente vence o ídolo cujos fãs se mobilizam para angariar votos. Pois o vencedor de junho havia sido Michael Jackson. Em razão disso, a comunidade foi temporariamente rebatizada "Antena 1 e Michael Jackson". O artista mais votado ganha um tópico em sua homenagem, contando a sua história e incluindo diversas imagens e vídeos escolhidos com carinho. Se a vitória de Michael tivesse acontecido depois de sua morte, todos diriam que foi em razão da fatalidade. Pois esse foi um caso em que os fãs o homenagearam em vida. O que mostra que o astro continuava forte junto ao seu público.
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Quinta-feira, Junho 25, 2009

Michael Jackson

Ainda lembro quando, há cerca de 15 anos, um vendedor de loja de discos comentou comigo o que um médico amigo dele dissera sobre Michael Jackson. Que, só de olhar para o rosto do cantor, era possível constatar que estava com uma doença gravíssima que iria matá-lo logo. Pois faleceu hoje, aos 51 anos.

Michael Jackson sempre se assumiu como um Peter Pan da vida real. Tanto é verdade que, por muito tempo, morou numa propriedade chamada “Neverland” (Terra do Nunca), uma espécie de Disneylândia particular. De qualquer forma, nada sobrou de seu rosto original, esculpido por sucessivas cirurgias plásticas. Segundo a biografia escrita por J. Randy Taraborrelli, Michael usava uma ponta de nariz protética. E dormia na cama com crianças. O cantor garantia que era na mais absoluta inocência. Mesmo assim, sofreu processos de pedofilia e enfrentou exames humilhantes. Mas, se é tentador pensar que ele podia realmente ter um lado pervertido, não se pode negar que era também presa fácil para pais gananciosos, de olho nos seus milhões (já bastante reduzidos). E seria muita injustiça que uma obra tão marcante na música pop fosse ofuscada por bizarrices e excentricidades.

A história de como Michael e seus irmãos foram maltratados na infância pelo pai Joseph já foi repisada incontáveis vezes na imprensa. De uma família em clima de turbulência e infidelidade, surgiram os Jackson 5, o arquétipo das bandas infantis. O que diferia os Jacksons de seus imitadores era o talento legítimo de seus integrantes: bons cantores, compositores e, no caso de alguns, instrumentistas. Mas era o menor deles, Michael, que roubava o show. Ouvia-se a voz aguda daquele menino de 12 anos e lamentava-se que um dia ele mudaria o timbre. Estranhamente, a alteração foi mínima. Michael manteve uma voz rara para um adulto. E quem viu o superastro levando fãs à loucura em arenas superlotadas nos anos 80 (houve que comparasse o fenômeno com os Beatles) não o imaginaria fazendo uma modesta aparição no programa Sílvio Santos com seu irmão Jermaine no começo dos anos 70, cantando “Never Can Say Goodbye”. O menino Michael cedo lançou-se em carreira solo e estourou com “Ben" e “Got to Be There”. No Brasil, com uma ajuda das novelas, teve dois sucessos locais: “Music and Me” em 1973 (da novela “Carinhoso”) e “One Day in Your Life” em 1975 (de “Cuca Legal”). A segunda, num curioso efeito retardado, chegaria ao primeiro lugar na Inglaterra em 1981.

Os Jackson 5 começaram na Motown, mas foi na Columbia (hoje Sony Music) que fizeram a transição para a fase adulta. Depois de dois álbuns regulares, mostraram os primeiros sinais de maturidade em “Destiny” (dezembro de 1978). Foi então que se decidiu investir novamente na carreira solo de Michael Jackson. O resultado foi o bem produzido “Off the Wall” (1979), considerado o primeiro disco “adulto” de Michael. Entre vários hits, o disco trazia o sacudido funk “Don’t Stop Till You Get Enough”, que apontava a nova direção de sua carreira.

Ouvi “Wanna Be Startin’ Something” no rádio pela primeira vez no final de 1982 e pressenti que vinha coisa boa pela frente. Michael era jovem, estava apenas se descobrindo como compositor e a nova música era uma espécie de “Don’t Stop Till You Get Enough” com o dobro de adrenalina. A exemplo de Stevie Wonder, que também havia começado na infância, Michael tinha tudo para se consolidar como um grande nome da música negra americana. O que se seguiu foi um pouco diferente do previsto – e com certeza muito mais bombástico – mas de qualquer forma o álbum “Thriller” tornou-se um clássico. A reedição em CD de 20 anos é mais interessante do que a recente de 25. Ela inclui mais faixas bônus e a narração completa de Vincent Price para a faixa-título, incluindo uma estrofe cortada e a frase “can you dig it”, que saiu impressa na letra do encarte, mas não se ouve na música.

Michael pode não ter sido o primeiro a levar uma eternidade entre um álbum e outro para sugar o máximo de seu impacto (talvez Pink Floyd ou Kraftwerk), mas com certeza foi o que obteve melhores resultados com a manobra. Os fãs de Michael cresceram ao longo dos anos “Thriller”, depois os anos “Bad” (1987 em diante) até chegar aos anos “Dangerous” (de 1991), com muitos clips, aparições de TV, shows, curtas metragens e lançamentos em vídeo (como “The Making of Thriller” e o filme “Moonwalker”, ambos inéditos em DVD). Foi desse ponto em diante que sua carreira começou uma descida lenta e gradual.


Michael Jackson sempre gerou controvérsia por sua postura andrógina, seu comportamento estranho, casamentos misteriosos, filhos ocultos sob máscaras cirúrgicas, vídeos polêmicos e um estilo de dançar de quem parecia estar com pulgas subindo pelo corpo. Mas seu talento era inegável. Para os fãs, ele nunca deixou de ser o Rei do Pop. Seu futuro como artista era incerto, mesmo assim preparava uma superturnê para breve. Peter Pan não chegou a envelhecer, mas escreveu um importante capítulo da história da música pop.
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