quarta-feira, junho 12, 2019

Dia dos Namorados

Feliz Dia dos Namorados!

domingo, junho 09, 2019

André Matos e o rock brasileiro em inglês

Com o falecimento de André Matos, observam-se dois tipos de postagem no Facebook. Um deles, de fãs absolutos do vocalista e do estilo em que ele se enquadrava, no caso, heavy metal. Esses, como não poderia ser diferente, rendem as mais calorosas homenagens ao ídolo. De outro lado, surgem manifestações respeitosas de pessoas que dizem não serem exatamente apreciadoras do gênero de rock em que ele militava, mas reconhecem sua importância. Mais do que isso, entendem o significado de uma perda tão prematura. André tinha 47 anos.

Já estava nos meus planos retomar um tema que abordei algumas vezes: os grupos brasileiros de rock que cantam em inglês. Em seu livro "Nenhum de Nós, a Saga Inteira de Uma Vida", o jornalista Marcelo Ferla afirma ter tocado nesse assunto no começo dos anos 90, em matéria publicada na Zero Hora com o título "The Book is on the Table". Não lembro de ter lido esse texto. Se li, não o guardei em minha memória mas, talvez, no subconsciente. Pois escrevi um comentário com esse mesmíssimo título em 1996, o qual saiu no saudoso International Magazine, jornal de música do Rio de Janeiro. Na verdade eu me recordava de ter visto essa frase colocada de forma irônica antes de uma carta cheia de expressões em inglês publicada na revista Bizz. Mas, consultando o acervo que tenho em CD-ROM, não localizei a missiva em questão. Teria sido na Somtrês? Ou a ferramenta de busca respectiva não vasculha as seções de cartas?

Bem, o que importa é que não tive a intenção de roubar a ideia de Marcelo Ferla. Na época em que escrevi o meu "The Book is on the Table", eu estava em contato com o americano Steve Walden, que preparava uma tese de doutorado sobre rock brasileiro. Fiz uma matéria com ele, enviei-lhe uma série de perguntas e uma delas foi o que ele achava de artistas brasileiros que cantavam em inglês. Ele disse que não gostava, mas apontou duas exceções: "London London", de Caetano Veloso, e o grupo Angra. Angra? Senti-me envergonhado por ter apenas "ouvido falar" na banda, mas prometi a mim mesmo que iria conferir o trabalho dela.

Felizmente, não estipulei um prazo para cumprir a promessa. Porque apenas recentemente, com as facilidades que temos hoje - YouTube, Spotify, amostras do iTunes - é que comecei a escutar os álbuns do grupo brasileiro. E meu amigo americano estava certo. O heavy metal do Angra é diferenciado, criativo, original. E o inglês dos caras é bom. André Matos foi o primeiro vocalista do Angra. Ficou desde a fundação da banda, em 1991, até o ano 2000.

Na verdade eu acho que, se procurasse, se me desse ao trabalho de ouvir mais bandas brasileiras que cantam em inglês, encontraria outras boas. Num percentual ínfimo, talvez, mas encontraria. Quando digo "boas", estou incluindo a pronúncia do idioma, que para mim é um fator essencial. E até acabei descobrindo um ótimo grupo de forma totalmente casual. Há alguns anos, refiz contato com uma colega de Curitiba com quem eu não falava havia cerca de 25 anos. Trabalhamos juntos em Porto Alegre em 1987, 1988 e 1989. Pois nesse tempo em que não nos falamos, ela teve filhos. E um deles hoje faz parte de um grupo de heavy metal chamado Wild Child. Fui ouvir os álbuns deles apenas por curiosidade, sem esperar muito (ou talvez pensando: "mais uma turma achando que é fácil cantar em inglês"), e fui surpreendido por um excelente trabalho, tanto em termos de musicalidade quanto de pronúncia de inglês. Existe um grupo americano com o mesmo nome, então anote o nome dos álbuns da banda curitibana, para não haver confusão: "Inside My Mind", "Seven" e "The Long Walk". Vale a pena conferir.

Mas não mudei de opinião. Continuo achando que o ideal para qualquer grupo brasileiro é cantar em português. Tem muita gente potencialmente boa por aí estragando o próprio trabalho por insistir em compor e interpretar num idioma que não domina. Ou pelo menos não de forma plena. Aliás, existem outros argumentos para preferir a própria língua. Recentemente comprei o livro "Tudo é música", de Ricardo Alexandre, em versão e-book, e um dos textos que ali encontrei se intitula "Da importância de cantar em português". Ele começa citando três singles que recebeu para divulgação e um deles é "One way street", da Wannabe Jalva, de Porto Alegre (que citei rapidamente aqui). E faz uma breve mas sólida argumentação em favor do rock em português. Da relevância de se usar o idioma do público, para haver uma comunicação eficaz.

As exceções que se dão bem no mercado estrangeiro é que criam a ilusão de que é fácil chegar lá e que vale a pena insistir no inglês para virar astro internacional. Mas vocalistas como André Matos não se encontram com facilidade. O que torna sua perda ainda mais lamentável. 

segunda-feira, junho 03, 2019

Rocketman: uma realidade que virou fantasia

Como ávido leitor de biografias, o primeiro elemento que observo em qualquer filme sobre fatos reais é a fidedignidade. Isso, claro, nos casos em que já possuo conhecimento prévio sobre o tema. Não vejo sentido em reinventar a história de um personagem em nome do bom cinema. Gosto de relatos fiéis, encenações realistas e diálogos e acontecimentos bem pesquisados. 

"Rocketman" anuncia-se como uma cinebiografia de Elton John, mas está mais para um musical. Em alguns trechos, as letras de Bernie Taupin foram levemente adaptadas para corresponder ao objetivo das respectivas cenas. E, assim como em "Bohemian Rhapsody", sobre Freddie Mercury, o roteiro é apenas inspirado na vida de Elton, recorrendo a diversas licenças poéticas. Por exemplo, na parte em que o músico mostra suas canções no escritório de Dick James, ele apresenta algumas composições que só seriam criadas mais de dez anos depois. Tampouco "Crocodile Rock" já existia quando Elton fez seu primeiro show nos Estados Unidos. 

De resto, as cenas estão bem montadas, dentro da tradicional estética de videoclipe. Taron Egerton tem um ótimo desempenho no papel principal, embora sua fisionomia me lembre mais a do parceiro Bernie Taupin. Vá ver o filme, divirta-se, cante junto se os espectadores das cadeiras ao lado não reclamarem, mas se quiser realmente conhecer a história de Elton John, procure uma boa biografia. No Brasil, foi publicada a escrita por David Buckley, que é satisfatória. Mas, para quem puder ler em inglês, a melhor de todas é "Sir Elton", de Philip Norman, que acaba de ser relançada em edição atualizada, incluindo uma versão em audiobook. 

domingo, maio 26, 2019

Domingo terminando

O último audiobook que ouvi em português foi "Saga Brasileira, a Luta de um Povo por sua Moeda", de Miriam Leitão, que escutei em julho do ano passado. É a história de como o Brasil finalmente conseguiu superar a hiperinflação, depois de fracassados planos econômicos. Pois agora vou encarar outro que comprei faz tempo, não lembro exatamente quando, mas o lançamento é de 2009: "O Mago", biografia de Paulo Coelho escrita por Fernando Morais e narrada pelo ator José Mayer. Saiu em CD pela editora Plugme, com áudio em mp3.

Pelo visto, a Plugme não existe mais. Foi o que concluí após uma pesquisa rápida no Google. Quem parece estar na vanguarda dos audiobooks (ou audiolivros) no Brasil é o site ubook. Inclusive ele tem outro livro do Fernando Morais que eu adoraria ouvir: "Corações Sujos". Mas precisa de smart phone e eu ouço meus audiobooks no velho e bom iPod da Apple.

A expectativa não me entusiasma nem um pouco, mas há de chegar um momento em que eu me renderei aos smart phones. Por uma razão muito simples: as pessoas não simplesmente "aderiram" ao aparelho, elas migraram para ele! Tem usuário que nem lê mais e-mail. Se você não "mandar um Whats", ele jamais receberá sua mensagem. Cansei de ler pelo mensageiro do Facebook: "Me dá teu Whats, para a gente poder se comunicar." Ora, já não estamos nos comunicando? Ou então chega uma mensagem urgente pelo Facebook, porque o remetente não lembra ou não sabe que eu só o acesso pelo computador. Pensa que eu vou ler na hora, onde estiver. Qual o problema de simplesmente telefonar? No caso de crianças e adolescentes, eu entendo bem a situação. "Manhê, na minha aula todo o mundo tem Whats, só eu não! Tenho até vergonha de mostrar meu celular velho e barato! Não consigo mais me comunicar com eles!"

Mas eu vou resistir o máximo que puder. Aliás, vi que os telefones bem simples ainda são vendidos no centro de Porto Alegre. Deve ter mais gente como eu por aí.
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Lembram quando saiu uma entrevista minha para o site Collector's Room em 2011? Está aqui. Pois agora fui novamente entrevistado como colecionador, desta vez para outro site. Embora seja a mesma pessoa contando sua história, o enfoque ficou diferente. Além de ter oito anos a mais para atualizar. Aguardem, que darei o link quando for publicada. 
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Além de escutar audiobooks, eu também leio livros, como vocês sabem. E sempre tenho pilhas na fila de espera. Pois, assim como no caso acima, resolvi dar preferência a publicações em português. Vai daí que estou lendo, finalmente, "Brock - o Rock Brasileiro dos Anos 90", de Arthur Dapieve. A edição original é de 1995. Antes desse eu já tinha lido o bem mais recente (no caso, de 2002) "Dias de Luta - o Rock e o Brasil dos Anos 80", de Ricardo Alexandre. Foi um período importante em que o rock nacional saiu do underground e se colocou na linha de frente da música brasileira. E ainda recebeu uma ajudinha do Rock in Rio na projeção de nomes como Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho. Só que isso teve um efeito prejudicial na popularidade da turma da MPB na segunda metade da década. O rock realmente tomou o poder.
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Os que compareceram às manifestações de hoje têm todo o direito de defender o Presidente que elegeram. Eu fiz isso pela minha Presidenta em 2016. E garanto a vocês que não participarei de movimentos golpistas, se houver. Maus exemplos não devem ser imitados.
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Boa semana a todos!

sábado, maio 18, 2019

Listas do Spotify

Faz pouco tempo que aderi ao Spotify. E um recurso do provedor de música que achei bem interessante é a possibilidade de criar listas ou "playlists". Observo que a maioria das listas criadas por outros usuários é bem extensa. Eu resolvi brincar de compilador e criei quatro "coletâneas", cada uma com quantidade de músicas típica de um CD. 

A primeira que montei foi do músico gaúcho Nei Lisboa. Desprezei eventuais sucessos e composições marcantes e foquei realmente nas minhas preferidas. Assim, ficaram de fora "Exaltação", "Mônica Tricomônica", "Capricho", "Baladas", "Dirá Dirás" e outras que alguns talvez considerassem obrigatórias. Fiz uma seleção bem pessoal de 20 músicas de minha preferência. Agora percebo que talvez eu tenha priorizado canções mais suaves. Mas nem sempre: lá estão "Carecas da Jamaica" e "O Futuro do Exterminador" para quebrar essa regra. Confiram aqui.

Outra lista que criei foi dos Almôndegas, hoje mais lembrados como "o grupo de Kleiton e Kledir". Eu era superfã do conjunto e fiquei bem decepcionado quando eles se desfizeram oficialmente em 1979. Depois teve o reencontro de 15 anos em 1990 e, desde 1999, ouve-se que "no ano que vem" eles vão se reunir para uma série de shows. Infelizmente, a condição de Pery Souza, com Alzheimer, descarta a possibilidade de retorno da formação original. Mas os outros podiam voltar. Não em definitivo, claro, mas para um projeto temporário. Para ouvir minhas 20 preferidas dos quatro LPs lançados pelos Almôndegas, cliquem aqui.

Adoro Renato e Seus Blue Caps, mas lamento que as canções mais lembradas deles sejam as versões. Essas não são as melhores, embora tenham feito mais sucesso. Para destacar o repertório original do grupo, criei uma lista com minhas 20 "não-versões" preferidas, todas dos discos da CBS. Mesmo sob esse critério, deixei de fora "Não Me Diga Adeus", "Lar Doce Lar", "Playboy" e outras. Cliquem aqui e vejam quanta coisa bonita e 100% brasileira foi gravada por esse conjunto injustamente lembrado por "só gravar versões". 

Por fim, decidi homenagear a saudosa Rádio Continental de Porto Alegre, a 1120, emissora histórica dos anos 70. Obviamente as músicas escolhidas são todas daquela década. Mas tive o cuidado de selecionar canções que eu lembro com certeza de ter ouvido mais de uma vez na Continental, inclusive dando preferência para algumas que só a rádio tocava, praticamente. Como "Recado para o Chico", do português Paulo de Carvalho, dedicada ao nosso Chico Buarque. "Andina", de Abílio Manoel, que na época eu escutava sem entender a mensagem: era um tributo a Victor Jara, cruelmente assassinado pela ditadura chilena. Foi uma sacada do diretor de programação, Marcus Aurélio Wesendonk. A linda "Muros de Alecrim", na interpretação de Vanusa. E a versão alternativa de "Medo de Avião", de Belchior, composta em parceria com Gilberto Gil. Lamentei não ter encontrado no Spotify "Levante os Olhos", de Sílvio César, e "GB em Alto Relevo", de Guilherme Lamounier. Ouçam aqui.

Minha próxima lista provavelmente será de gravações estrangeiras que a Continental tocava, já que a seleção acima é de músicos nacionais (com exceção do português citado, mas o tema é brasileiro). Já estou pesquisando repertório. 

domingo, maio 12, 2019

Dia das Mães

Feliz Dia das Mães!

terça-feira, maio 07, 2019

Paul Stanley conselheiro

Em seu segundo livro "Backstage Pass", lançado no dia 30 de abril, Paul Stanley, entre outras coisas, diz desconfiar de publicações de autoajuda. Isso é curioso, pois o guitarrista do Kiss parece estar seguindo os passos de seu colega Gene Simmons, que começou com uma autobiografia no formato tradicional, depois pôs-se a escrever obras de aconselhamento. A diferença é que Gene foca no lado profissional, enquanto Paul dá lições mais genéricas de vida e felicidade. Vejam os títulos de alguns capítulos: "Deixe o passado no passado", "Cada história de sucesso começa sabendo-se a diferença entre um sonho e uma fantasia", "A única regra deve ser: nenhuma regra", "Suas próprias ações, seu próprio resultado", "Escolher suas próprias batalhas significa vencer mais vezes". Se isso não é autoajuda, então o que é?

Mas não se enganem: para fãs do músico, o livro é interessantíssimo. Entre suas opiniões sobre como agir para ter realização e sucesso, Paul faz algumas observações sobre o Kiss e música em geral. Desta vez ele cita outros grupos para elogiar e não apenas para compará-los desfavoravelmente com o Kiss, como já fez tantas vezes. Ele se diz fã dos Byrds e, talvez para justificar as mudanças do Kiss, defende o direito dos Eagles e do Yes de se apresentarem com novos integrantes. Relembra as dificuldades de voltar a trabalhar com Ace Frehley e Peter Criss quando o Kiss retomou sua formação original em 1996. De Ace ele fala com respeito, em especial sobre o reencontro que tiveram em 2016 (Paul cantou em uma faixa do álbum Origins Vol. 1, de Ace). Mas Peter não é poupado: "Não acho que Peter tenha uma vida. Ele parece consumido por um tipo de realidade que a esposa dele lhe diz. Ele sempre foi negativo e manteve uma atitude do tipo nós contra eles." Assim começa um longo parágrafo de desabafo contra o baterista. 

Talvez para compensar as farpas do livro anterior, "Backstage Pass" encerra com um "Adendo" que é uma verdadeira declaração de amor fraterno a Gene Simmons, citando os momentos difíceis em que o baixista esteve presente para Paul. Desta vez o guitarrista não narrou seu próprio audiobook, como fez em 2014 com "A Life Exposed". Aquele tinha 12 horas de gravação que o músico encarou bravamente. Neste são só quatro horas e meia, mas quem fez a leitura foi Sean Pratt, com um timbre e dicção muito semelhantes aos do autor. Por momentos eu esquecia que a voz não era dele, Paul, mas de um narrador profissional. Na edição impressa, entre outras imagens, aparecem duas fotos inéditas dos primórdios do Kiss.