sexta-feira, agosto 17, 2018

Invadindo a tela

Eu estava assistindo a um DVD quando, de repente, um fio da minha estante entrou no filme! Sinistro!

Coincidência?

Nessa semana que passou, fiz uma série de exames de sangue, inclusive curva glicêmica, para ver como anda a saúde. Hoje recebo um telefonema me oferecendo serviços de cemitério e crematório. Fiquei assustado! Será que os laboratórios e hospitais estão disponibilizando informações? Não peguei os resultados ainda!

quarta-feira, agosto 15, 2018

O primeiro "Vivendo a Vida de Lee"

No último dia 13, completaram-se 43 anos do histórico "Concerto nº 1" da série "Vivendo a Vida de Lee". Eram shows coletivos promovidos pelo radialista Júlio Fürst, então na Rádio Continental, sob a alcunha de "Mr. Lee". Todas as noites ele divulgava talentos gaúchos na segunda meia-hora de seu programa "Mr. Lee em Concerto". Pouquíssimos artistas tinham disco lançado. A maioria das gravações era feita no estúdio dois da rádio ou nas apresentações ao vivo. Para comemorar a data, Júlio postou a imagem acima no Facebook.

Foi então que lembrei: eu tenho comigo uma amostra desse show que foi disponibilizada no Clicrbs em 2005, se não me engano. A ideia era clicar nos links e ouvir na hora, mas era possível baixar e salvar os arquivos mp3. Pelo visto, se mais alguém fez isso, guardou para si. Depois de procurar e concluir que os áudios não estavam mais disponíveis em nenhum site, juntei os dois arquivos num só, coloquei a imagem do cartaz postada pelo Júlio e subi tudo para o YouTube. Cliquem aqui para ouvir.

Será que um dia teremos como escutar esse registro completo? Seria maravilhoso!

sábado, agosto 11, 2018

Dia dos Pais

De novo, ganhei um porta-retrato com a foto do Iuri, mas adorei. Feliz Dia dos Pais!

sexta-feira, agosto 10, 2018

Guilherme Lamounier (1950-2018)

Mesmo com atraso, não posso deixar de registrar uma homenagem a Guilherme Lamounier, falecido no dia 7, aos 67 anos. Não me conformo que as matérias sobre ele o citem como "autor de sucessos de Fábio Jr." Não foi assim que eu conheci o trabalho dele e com certeza ele merecia um reconhecimento maior. 

Em 1973, a Rádio Continental de Porto Alegre tocava em sua programação fixa a música "GB em Alto Relevo", de Guilherme Lamounier, com letra de Tibério Gaspar. Eu com 12 anos, mas já fissurado por música, achava interessante aquela balada cheia de imagens criativas: "Por fora dos limites da GB / estrada e Fenemê / deflorando a imensidão do país". Com certeza foi uma sacada do diretor de programação Marcus Aurélio Wesendonk selecionar essa faixa, pois a canção "de trabalho" era outra, "Será que eu pus um grilo na sua cabeça", que a rádio nunca tocou. Mas saiu em compacto. E no lado B estava a gravação que me conquistaria em definitivo. Ela tocou na Continental numa noite de dezembro de 1973, em que eu estava ouvindo o rádio-relógio de meus pais no quarto deles. Na introdução, o locutor anunciou: "Joia brasileira". Escutei uma verdadeira obra-prima de letra, melodia, interpretação e arranjo. Ao final, como era o padrão da Continental, foi anunciado o intérprete, autores e título da composição: "Guilherme Lamounier, dele e do Tibério Gaspar, Mini Neila" No outro dia, fui correndo procurar o disco. Por sorte, tinha em compacto. Comprei na hora.

Mas, no ano seguinte, alguém da turma conseguiu o LP, todo de parcerias de Guilherme com Tibério. E o disco tocou bastante em nossas inesquecíveis "reuniões dançantes" de 1974. As músicas eram lindas, uma melhor do que a outra. Além das já citadas, eu adorava "Telhados do Mundo" e "Capitão de Papel". Fiquei na expectativa da continuidade da carreira de Guilherme Lamounier. Aí, uma decepção: a nova música do cantor que ouvi na Continental foi a fraquinha "Vai atrás da vida, que ela te espera". Sem Tibério, Guilherme agora compunha letra e música, mas seus versos não chegavam aos pés do antigo parceiro.

Em 1975, voltei a ouvir Guilherme Lamounier nas rádios, agora com o hit "Enrosca". Era outra proposta, um romantismo direto e espontâneo, com bom resultado. Hoje a composição é mais lembrada pela gravação de Fábio Jr., mas o original é muito superior. Em 1978, Guilherme lançaria um LP pela Som Livre e ali estaria outra canção de futuro sucesso para Fábio Jr., "Seu Melhor Amigo". É curioso que as regravações tenham se eternizado enquanto os as versões de Guilherme sejam pouco conhecidas, pois o compositor, admitamos, era melhor e mais vigoroso como intérprete do que Fábio Jr. 

Antes disso tudo, Guilherme Lamounier tinha um LP lançado pela Odeon em 1970, com produção de Carlos Imperial, de forma que sua obra completa se resumiu a três álbuns e alguns compactos. Considerando a maravilha que ele criou em 1973, é uma pena que não tenha se transformado no ídolo que tinha potencial para ser. O LP com Tibério Gaspar nunca foi relançado em CD, mas pode ser encontrado no YouTube. Leiam também o texto de Ricardo Schott sobre o disco no livro "1973, o Ano que Reinventou a MPB".

quinta-feira, agosto 09, 2018

Alan James: um belo álbum pop

A gravadora Discobertas, de Marcelo Fróes, é especializada em relançamentos e coletâneas, mas também aposta em novos talentos. E desta vez acerta em cheio com o primeiro álbum solo do carioca Alan James, ex-Geminianos. Despertar está disponível nas plataformas digitais desde o dia 3 e até o final do mês terá edição física em CD.

Alan cita Guilherme Arantes como uma de suas influências e isso já estava evidente em "Menina do Quintal", lançada em clip e faixa avulsa para download em outubro do ano passado. A música reaparece no álbum, mas tem muito mais. Despertar abre num ótimo clima de rock com "Baby Let's Go", parceria e dueto de Alan com R-Vox e guitarra base de Luiz Lopez, músico que acompanha Erasmo Carlos e é co-produtor do disco. "Uma Estrada Melhor" e "Outro Lugar" têm uma levada mais pop, a segunda em especial lembrando "Year of the Cat", de Al Stewart. "Bem Aqui" resgata o clima dos primeiros tempos do Chicago, com sopros de metal (e também flautas) de Marcelo Cebukin. "Terno e Eterno" é uma declaração de amor feita não com suavidade, mas com grandiloquência, gritando o sentimento aos quatro ventos. 

Além das canções citadas - todas com jeito de sucesso, se ainda houver espaço na mídia - completam o álbum "Dama da Noite", "Amplificar Sentimentos" (outro hit em potencial), "Tudo que Sei", "Uma Nova Esperança", a instrumental "Visconde de Mauá" e uma reprise curtinha, também instrumental, de "Menina no Quintal". O forte de Alan parece ser o teclado, mas ele ainda toca baixo em todas as faixas e, eventualmente, guitarra. Sem se deixar contaminar por modernismos, o multi-instrumentista sintetizou influências da boa música pop do passado e criou um belo trabalho. Os arranjos estão perfeitos e as melodias grudam no ouvido. Recomendado.

sábado, agosto 04, 2018

Manifestação no centro de Porto Alegre

Como já aconteceu em outras cidades brasileiras, hoje foi o dia de Porto Alegre manifestar o seu apoio a Lula. Pontualmente ao meio-dia, no Mercado Público, ouviu-se a tradicional melodia "olê, olê-olê-olá" tocada em sopros de metal. Era a deixa para que a multidão cantasse o nome do ex-Presidente. Também houve gritos de "Lula Livre" e "Brasil urgente, Lula Presidente".
Um dos músicos participantes foi o lendário King Jim, saxofonista de bandas como Garotos da Rua e Cactus Jack. 
Depois de pouco mais de cinco minutos dentro do Mercado, os manifestantes foram saindo e seguiram pelo centro de Porto Alegre. Rumaram pela Borges até a Esquina Democrática e de lá foram pela Rua da Praia até a esquina da Caldas Júnior.
Houve algumas paradas estratégicas no percurso, como em frente às Americanas e à Praça da Alfândega, Ao final, o grupo já estava reduzido, pois nem todos percorreram o trajeto inteiro.
Os relógios marcavam 12 e 35 quando a manifestação finalmente se encerrou à beira da Rua Caldas Júnior. O recado foi dado. Pessoalmente, sou a favor de um plano B para o PT na eleição presidencial, mas isso não muda meu apoio a Lula em sua condenação totalmente sem provas.

sexta-feira, agosto 03, 2018

E ainda mais David Bowie ao vivo

Welcome to the Blackout, de certa forma, é um lançamento "irmão" de Cracked Actor, feito no ano passado (como comentei aqui). Ambos saíram primeiro em vinil como parte do Record Store Day, até ganharem edição em CD duplo posteriormente. Ambos contêm antigos shows de David Bowie até então inéditos, mas conhecidos pelos colecionadores em discos não autorizados (os chamados "bootlegs"). Ambos pertencem a turnês que já tinham rendido lançamentos ao vivo de shows anteriores dos mesmos anos respectivos. Cracked Actor era de 1974 e tinha quase o mesmo repertório de David Live, lançado na época. Pois agora Welcome to the Blackout tem um set list quase idêntico ao de Stage, de 1978. E o que é melhor para nós: está sendo lançado no Brasil.

Embora tenha músicas a mais do que Stage - no caso, "Sound and Vision", tocada apenas no último show no Earls Court, em Londres (e já lançada em 1995 na coletânea de raridades Rarestonebowie) e "Rebel Rebel", o álbum perde no quesito qualidade de som. E nem teria como competir, já que o anterior havia sido especialmente gravado e mixado para lançamento ao vivo. Este vem de uma fita que existia com qualidade suficiente para edição oficial e assim foi aproveitada. Outra diferença é a execução um pouco mais lenta da instrumental "Speed of Life", aproximando-se do original de estúdio. Mas, considerando a disponibilidade e a diversidade do material, é um álbum mais do que recomendado. As fotos e vídeos da época disponíveis no YouTube mostram um Bowie bem mais saudável e tranquilo do que o de 1976, apenas dois anos antes, em que o cantor ainda estava em uso compulsivo de cocaína. 

Por fim, lamenta-se que até hoje não tenha sido lançado o filme que o diretor David Hemmings foi chamado para fazer desses últimos shows no Earls Court. Bowie não teria ficado satisfeito com o resultado. Mas, dado o valor histórico, seria o momento de procurar uma boa matriz e tratar de lançar o registro nos cinemas e, posteriormente, em Blu-ray. Torçamos por isso.