domingo, julho 15, 2018

Tá chegando a hora

É amanhã a data oficial para o encerramento dos serviços do Via-RS, o meu principal provedor de e-mail desde 1996. Já atualizei meu cadastro em diversos sites, mas alguns eu terei que ver depois como faço. Passar toda a minha correspondência eletrônica para o Gmail dá uma sensação de colocar num único quarto o que estava em dois. No início, tudo parece meio amontoado, mas vou me achando. Tem um lado bom: a partir de amanhã, dezenas de spammers vão bater com o nariz na porta!

sexta-feira, julho 13, 2018

Lembranças musicais de adolescência

Mais uma vez, inicio um relato se ter certeza do ano em que aconteceu, mas digamos que seja 1974. Eu tinha 13 anos. O pai de um amigo da turma, vizinho de andar, tinha viajado para a Itália. E o filho, com muita visão, pediu que o genitor lhe trouxesse discos de sucesso naquele país. E foi assim que três singles importados e desconhecidos no Brasil entraram em nossas vidas. Nosso amigo tinha tape deck, então íamos na casa dele para fazer gravações e acabávamos descobrindo essas preciosidades.
Um deles continha o tema do filme "Emmanuelle", que por tantos anos esteve proibido no Brasil. O compacto de Pierre Bachelet acabaria saindo em edição nacional bem mais tarde, mas com um lado B diferente do que conhecíamos. Era justamente o "outro lado" que mais curtíamos e até escutávamos ocasionalmente em nossas "reuniões dançantes": "Emmanuelle En Thailand". Aqui está um trecho (a versão do disco continha uma pequena introdução semelhante ao tema principal que, aqui, foi cortada):


Outro disquinho vindo direto da Itália para o deleite de nossa turma era "Nessuno Mai", da cantora Marcella (também conhecida como Marcella Bella). O lado A era uma canção estilo dançante que acabaria ganhando uma versão em inglês do grupo de Eurodisco Boney M, intitulada "Take The Heat Off Me". Ouçam o original:
Mas a nossa turma tinha um fraco por "música lenta" e, novamente, foi o lado B que cativou a todos: a linda balada "Per Sempre".


Por fim, o single do grupo Gli Alunni del Sole trazia uma canção ainda mais suave e envolvente de nome "Jenny e la bambola" (ou apenas "Jenny", como aparece em relançamentos em CD). Arrisco dizer que essa era a preferida da turma entre todas as citadas. Ouçam:
O lado B só não deu tanto Ibope porque tinha pouco mais que um minuto e meio. Pouco tempo para dançar, que era um de nossos indicadores de qualidade para avaliar baladinhas. Mas era bonito, também (cliquem aqui para ouvir no YouTube).

Naquela época, é bom frisar, era muito difícil comprar discos importados em Porto Alegre. Da Itália, então, praticamente impossível. Quem conseguisse itens assim do exterior realmente podia dizer que "só ele tinha". E assim essas músicas mais ou menos exclusivas fizeram parte da trilha sonora de nossas adolescências.

Mas a aldeia global da Internet facilita tudo. Primeiro, com o Google, que me permitiu localizar as informações exatas dos disquinhos em questão apenas com os títulos das músicas, que eu nunca esqueci. Depois, com as lojas on-line. A princípio, contentei-me com essas duas primorosas coletâneas em álbuns do iTunes. Mas sou apaixonado pelo formato compact disc e tive que ir atrás das edições físicas. A compilação de Alunni del Sole é uma edição dupla e, a de Marcella Bella, tripla. É uma pena que cada CD tenha apenas 12 faixas. O álbum de Marcella, por exemplo, talvez coubesse numa edição dupla. Mas o importante é que aqui estão "Jenny", "Nessuno Mai", "Per Sempre" além de outras canções maravilhosas que eu não conhecia. E assim, as músicas de minha adolescência que "só nosso amigo tinha" estão devidamente incorporadas à minha coleção, na pureza do som digital.

Ah, sim, faltou "Emmanuelle En Thailand". Essa fica pra mais tarde.

sexta-feira, julho 06, 2018

Brasil fora, etc.

Eu juro que não estava nos meus planos ignorar a Copa este ano. Mas foi o que acabou acontecendo. A cada jogo do Brasil eu tinha um trabalho a fazer bem na hora, então deixava o televisor ligado às minhas costas. Se acontecia um gol, eu me virava para ver o replay.

Já hoje foi diferente. Minha postagem anterior foi o passeio pela área reinaugurada da Avenida Beira-Rio. Entusiasmado com o sol e temperatura de 20 graus, fui de camiseta de manga curta e bermuda. Talvez se eu tivesse apenas feito a minha caminhada em ritmo acelerado, como era o plano original, não teria havido maiores consequências. Mas acabei parando para fotografar e o fim de tarde foi trazendo uma temperatura mais baixa. O resultado é que passei a semana toda tossindo e com chiado no peito.

Hoje pela manhã, cansei de esperar que o problema se resolvesse apenas com própolis e nebulizações: fui à emergência do Hospital Mãe de Deus. Tive que fazer raio X e exame de sangue e já estou tomando antibiótico. Isto me dá uma bela desculpa para ficar mais um tempo sem atualizar o blog: "estou de atestado"!

Enfim, cheguei em casa às duas da tarde, ainda tinha um trabalhinho para terminar e às cinco horas sairia para buscar meu filho. Então o que fiz bem na hora do jogo do Brasil? Tentei dormir um pouco. Nem liguei a TV. Pelo silêncio na vizinhança, imaginei que o placar estivesse zero a zero. Ao levantar, conferi no Clicrbs e já estava dois a zero. Não me passou pela cabeça que ninguém iria comemorar ruidosamente os gols do adversário. Quando vi que o Brasil marcou um, aí sim, liguei a televisão para acompanhar o finalzinho. Mas não deu. 

Já houve um caso anterior em que não vi um jogo inteiro do Brasil em Copa do Mundo transmitido pela TV (descontada a Copa de 70, em que eu tinha nove anos, ainda não gostava de futebol e acabei assistindo somente a metade da seminfinal e depois toda a final): foi em 1990. No horário do primeiro jogo da Seleção, eu e minha então esposa estávamos voltando de Brasília a Porto Alegre, de avião. 

A verdade é que, depois do penta, Copa do Mundo perdeu a graça, para mim. Antes existia o desafio de conquistar um título sem Pelé. Mas não só isso. Lembro bem da emoção que foi para mim rever os jogadores da Seleção de 1970 em seus respectivos times brasileiros no chamado Robertão (Torneio Roberto Gomes Pedrosa), antecessor do Campeonato Brasileiro. Já há bastante tempo isso acabou. O futebol brasileiro está esvaziado e nossos craques estão todos na Europa. 

Por fim, faço coro ao consolo da maioria: pelo menos não foi sete a um... 

domingo, julho 01, 2018

Avenida Beira-Rio depois da reforma

Um domingo de sol, com 20 graus de temperatura, em plena estreia do mês de julho, já seria suficiente para chamar o público para os parques. Some-se a isso a reabertura da orla do Guaíba, na Avenida Beira-Rio, que ocorreu na sexta-feira, e o que se viu foi um formigueiro indo conferir de perto as obras. Minha intenção era dar uma caminhada, mas quando me deparei com a multidão, tive que ir mais devagar. Já prevendo isso, levei minha máquina fotográfica e tratei de registrar estas imagens. As fotos foram tiradas entre 15 e 30 e 16 horas, mais ou menos.
O fato em si de a Avenida Beira-Rio estar reaberta aos pedestres é motivo de comemoração. Mesmo assim, eu me pergunto se uma reforma assim tão ampla era realmente necessária. Vamos ver como a população se adapta às inovações. A parte de baixo, junto à margem, agora tem uma segunda opção de trilha para caminhada, mesmo assim senti falta de um acesso direto a partir da escada, sem precisar atalhar pela grama.
O público que lá estava hoje parecia bem entusiasmado. Um senhor chegou a comentar comigo, enquanto eu fotografava: "O único retorno do imposto é isto aqui!" Para mim, os grandes testes mesmo serão minhas caminhadas até o centro sozinho em dias de semana e com meu filho aos sábados, domingos e feriados.









sexta-feira, junho 29, 2018

Avenida Beira-Rio antes da reforma

Na data em que a obra junto à Avenida Beira-Rio será aberta ao público de Porto Alegre, aproveito para dividir com vocês uma seleção de fotos tiradas por mim antes da reforma, nas muitas caminhadas que fiz por lá com meu filho. Pelas espiadas que já dei na área nova, achei que, em alguns trechos, a ciclovia deixa pouco espaço para pedestres. Enfim, vamos ver como será. Melhorias são sempre bem-vindas, contanto que, como diz o nome, substituam o que havia antes por algo realmente melhor. 



















domingo, junho 24, 2018

Visita do Japão

Alguém do Japão usou o Google Translate para ler um texto do Blog. Espero que tenha conseguido entender, pois eu não tenho a menor condição de avaliar a tradução. Apenas me pergunto se não existe equivalente para "ironias" em japonês. Talvez não. Os japoneses são muito rígidos em seus princípios. O que disserem, será com absoluta seriedade e convicção. Nada de ironias.

Pelé em versão para americanos

O livro "Why Soccer Matters", assinado por Pelé "com" Brian Winter (o que significa que o texto foi escrito pelo segundo), foi lançado em 2014, aproveitando a expectativa da Copa no Brasil. Demorei a adquiri-lo porque sabia que existia uma versão em audiobook, mas o site da Audible não estava autorizado a vendê-la para fora dos Estados Unidos. Cheguei a escrever para a editora para perguntar se não sairia em CD, para que eu pudesse importá-lo. Não sei se minha mensagem teve alguma influência, mas o fato é que, um bom tempo depois, apareceu uma edição em CD com a narração do livro em mp3 para encomenda no site da Amazon. Esperei o momento certo e comprei.

Talvez vocês se perguntem por que fiz questão do texto em inglês se Pelé é brasileiro e saiu uma edição em português no Brasil, sob o título "A importância do futebol". Ocorre que, acreditem se quiserem, o livro foi escrito originalmente em inglês. E não é o primeiro caso. Desde que Pelé ficou famoso nos Estados Unidos, já saíram pelo menos três autobiografias dele com redação final de escritor americano. A dúvida é: alguém serviu de intérprete? Sabe-se que Pelé se comunica razoavelmente em inglês, com certeza melhor do que Joel Santana, como ele mesmo, Pelé, disse num comercial. Mas pode ser considerado fluente?
O principal motivo de minha curiosidade é um erro histórico que encontrei na edição em inglês - devidamente corrigido na tradução para o português, como já conferi. No texto original, o "Dia do Fico" de Dom Pedro I se confunde com o Dia da Independência, em 7 de setembro. Ou seja, no dia 7 de setembro, Dom Pedro decidiu ficar no Brasil e assim proclamou-se a independência do país. Achei outros detalhes questionáveis, esses mantidos na versão brasileira. Por exemplo: na Introdução, Pelé afirma que praticava seus primeiros chutes com uma "toranja". Ora, essa fruta é tão rara no Brasil que é mais conhecida por seu nome em inglês, grapefruit. Ainda segundo o livro, Pelé estreou como ator na TV brasileira no papel de "um alienígena investigando a Terra para preparar uma invasão". Errado! Eu vi a novela "Os Estranhos" em 1969 e lembro bem: Pelé vivia um escritor terráqueo chamado Plínio Pompeu. Os alienígenas eram outros e pouco contato tiveram com ele.
Por fim, um aspecto que chama a atenção é que Pelé se apresenta como um jogador politizado e consciente do que ocorria nos tempos da ditadura militar. O capítulo 12 da parte intitulada "México, 1970" não parece ter sido escrito pelo mesmo cidadão que supostamente disse "o povo brasileiro não está preparado para votar" e que posava orgulhoso ao lado dos Presidentes daquele período. Ele cita as torturas sofridas pela então estudante Dilma Roussef, os brasileiros forçados ao exílio, compara a situação da época com a Alemanha nazista e menciona também o golpe de Augusto Pinochet no Chile em 1973. No capítulo 19, ele afirma:

Depois que vencemos a Copa de 1970 o governo militar não parou de usar a nossa vitória como peça de propaganda para esconder os problemas reais do Brasil. Enquanto isso se multiplicavam as histórias que ouvíamos de torturas e desaparecimentos. Eu não posso dizer que a política foi a única razão para minha aposentadoria da seleção brasileira, mas certamente foi um elemento de peso na minha decisão. Eu não podia suportar o fato de que nosso sucesso estava sendo usado para acobertar atrocidades.

No parágrafo seguinte, ele lamenta "não ter ido a público mais cedo para falar dos abusos que estavam acontecendo nos anos 1960 e 1970". Mais adiante, narra um encontro com Dilma Rousseff em um avião em 2011.

A versão de que Pelé teria deixado a Seleção por protesto político já havia sido mencionada em uma daquelas folhas de cobertura das bandejas do McDonald's. E o fato de ele querer se mostrar ao mundo como uma celebridade com consciência política seria louvável. O problema é que é difícil conciliar a imagem que sempre se teve de Pelé no Brasil com o revisionismo que o livro tenta passar. Muitos brasileiros que estavam sob efeito da censura e da propaganda ufanista reviram suas posições com a abertura política nos anos 80. Mas a suposta autobiografia tenta vender a ideia de que Pelé sempre soube do que acontecia e desaprovava tudo. Ora, em 1972, o craque deu a seguinte declaração  ao jornal uruguaio La Opinión, hoje citada em livros no mundo inteiro: "Não há ditadura no Brasil. O Brasil é um país liberal, uma terra de felicidade. Somos um povo livre. Nossos dirigentes sabem o que é melhor para nós e nos governam com tolerância e patriotismo."

De resto, não se pode dizer que "Why Soccer Matters" ou "A importância do futebol" não seja uma leitura interessante e agradável. Pelé relembra as partidas marcantes de sua carreira, em especial nas Copas, descrevendo os gols com razoável detalhe. Nada diz sobre seu divórcio, os problemas com o filho Edinho ou o fato de ter reconhecido sua filha Sandra na Justiça.

Sou fã de Pelé, como já deixei claro neste meu texto aqui. Tenho um razoável material sobre ele em livro e vídeo. O fato de ele ter sido simpático aos Presidentes da ditadura não diminui minha admiração, pois entendo que era um fenômeno generalizado entre famosos menos politizados. O que me incomoda é ver uma obra tentando reescrever a história, possivelmente com forte interferência do americano que redigiu o texto final. O Pelé que emerge em "Why Soccer Matters"/"A importância do futebol" é o que gostaríamos que ele tivesse sido, mas não necessariamente o que foi. 

quarta-feira, junho 20, 2018

Professor Leonam biografado

Quem teve o privilégio de ser aluno do professor Marques Leonam, na Faculdade de Jornalismo da PUC/RS, não esquece o mestre. Dinâmico, divertido, carismático, ele verdadeiramente encantava os alunos com seus ensinamentos. Em 1991, num curto período em que colaborei com o saudoso semanário Folha Encruzilhadense, de Encruzilhada do Sul, por indicação de meu amigo Ademar Xavier (foi efetivamente a minha estreia no Jornalismo, ainda antes do International Magazine), escrevi uma crônica intitulada "O lápis impiedoso". Era uma referência às anotações que o Leonam fazia em nossos textos, em especial o implacável "já usaste antes", assinalando as repetições. Quando mostrei o jornal para ele em aula, deu uma risada e falou: "Vocês estão criando um monstro, hein?"

Por tudo isso, foi com alegria que tomei conhecimento da publicação do livro "O encantador de pessoas", de Ana Paula Acauan e Magda Achutti. Já terminei de lê-lo. Como eu, as autoras são ex-alunas de Leonam e decidiram homenageá-lo com uma biografia. A infância no Alegrete, a juventude em Santa Maria, a experiência na Folha da Tarde, o convívio com os alunos na PUC, tudo isso é contado nas 160 páginas da obra, incluindo diversas fotos. Em 2016, Leonam recebeu o título de Professor Emérito, o terceiro professor da Famecos (Faculdade dos Meios de Comunicação Social) a merecer essa honra. Pois agora ganha também um livro sobre sua vida, um trabalho a ser apreciado por seus amigos, ex-colegas e ex-alunos.