sexta-feira, maio 06, 2016

Ace Frehley voltando às origens

Gravar covers é um recurso a que artistas veteranos às vezes recorrem quando o seu público já não se entusiasma com discos de inéditas. Se o resultado é bom, a gente até perdoa o comodismo. Ace Frehley, ex-guitarrista do Kiss, sabe fazer um rock and roll de alto nível, quando quer. Em seu novo CD, Origins Vol. 1, ele homenageia suas "origens" ao regravar clássicos do Cream ("White Room"), Rolling Stones ("Street Fighting Man"), Jimi Hendrix ("Spanish Castle Magic"), Led Zeppelin ("Bring it on Home"), entre outros. Há também músicos célebres convidados. Sem dúvida a participação de mais destaque para os fãs é a de Paul Stanley, ex-colega de Ace no Kiss, cantando em "Fire and Water", do Free. Não por acaso, é a música de trabalho do CD, com direito a clip. Lita Ford divide os vocais em "Wild Thing", dos Troggs, e o baterista Scot Coogan canta em alguns trechos de "White Room" e "Bring it on Home". 

Uma sacada interessante de Ace foi incluir duas músicas de sua autoria do tempo do Kiss, mas que eram interpretadas originalmente por Gene Simmons. Nos primeiros álbuns do grupo, Ace compunha, mas não cantava. Então aqui estão, pela primeira vez, gravações de estúdio de "Parasite" e "Cold Gin" na voz do próprio autor. Uma surpresa é a releitura de "Rock and Roll Hell", de Gene Simmons, lançada em 1982 no álbum Creatures of the Night, do Kiss. Como se sabe, Ace aparece na capa daquele disco, mas não toca em nenhuma faixa. Já estava fora do grupo, embora não oficialmente. Então é curioso que tenha escolhido justamente essa para homenagear sua velha banda. 

Eu arriscaria dizer que algumas execuções ficaram até melhores do que os originais, mas sem citar nomes, para não incorrer na ira dos puristas. O que importa é que é um ótimo CD de hard rock. Ace optou por uma fórmula segura, que garante boas vendas junto aos velhos fãs, então todos ficarão satisfeitos.

quarta-feira, maio 04, 2016

Entrevista minha para a Rádio Showtime

Meu amigo virtual Marco Antônio Santos Freitas me entrevistou em seu programa "O Marco de Hoje", da Rádio Showtime, ontem ao final da tarde. Minha participação começa mais ou menos com meia-hora de gravação. Está disponível para ser ouvida aqui.

P.S.: Onde eu falo em Secos e Molhados "nos Estados Unidos", obviamente eu queria dizer no México. Ato falho.

segunda-feira, maio 02, 2016

Renato e Seus Blue Caps na Selva de Pedra

Minha admiração pela banda Renato e Seus Blue Caps não é segredo para ninguém. É uma paixão musical de infância que foi reacendida na pré-adolescência, quando comecei a ouvir música para valer aos 11 anos e não parei mais. Tive a honra de escrever a biografia deles para a revista Poeira Zine. Mas só recentemente fiquei sabendo de uma curiosidade: o grupo fez uma participação no último capítulo da "Selva de Pedra" original. Aqui em Porto Alegre os episódios eram exibidos com defasagem em relação ao Rio, mesmo assim foi em 1973 que estas cenas foram mostradas aqui. Eu teria ficado enlouquecido se alguém me falasse, na época, mas quem viu não deve ter reconhecido o conjunto. E foi bem no auge do meu interesse por eles. Eu estranhava que eles quase não apareciam na TV. Pois quem diria: eles estiveram em uma novela da Globo! Participaram tocando uma música estilo Santana em uma festa. Na foto acima, vemos o tecladista Scarambone e o guitarrista e líder Renato.
A única tomada em que Cid está visível, bem à direita. Os outros dois são o baixista Pedrinho (à esquerda) e o baterista Gélson (no centro).
Aqui Gélson mais de perto.
E Pedrinho de novo. Capturei essas imagens da edição em DVD da novela. Já faz tempo que foi lançada, então achei melhor comprar logo antes que saia de catálogo.

quarta-feira, abril 27, 2016

Sinal de vida

Estou ocupadíssimo, mas como vejo que os "de fé" continuam batendo o ponto aqui praticamente todos os dias, aqui vão alguns toques rápidos que poderei esmiuçar mais adiante.

Finalmente está saindo do forno o CD "Canções para Leitores", de Rogério Ratner. Eu já recebi o meu (lembrem-se, sou um dos letristas convidados, com muita honra) e dia 14 de maio, sábado, tem show de lançamento na Livraria Cultura, no Bourbon Shopping, com banda completa de apoio e participação de quase todos os cantores que estão no CD.

Terminei de ouvir a autobiografia da cantora Toni Tenille em audiobook, narrada pela própria. Lembram dela? Era da dupla Captain and Tenille, que tanto sucesso fez nos anos 70 com "Love Will Keep Us Together".

Maravilhosa a caixa de quatro CDs do cantor Zé Renato, a melhor voz do Boca Livre. Tem os dois primeiros álbuns-solo dele, mais duas coletâneas de raridades. Lançamento Discobertas.

Já chegou em minha caixa postal e amanhã mesmo devo buscar os três CDs que a cantora Diana Pequeno lançou de uma tacada só. Uma ótima forma de compensar o longo jejum fonográfico. Torçamos para que ela venha fazer show em Porto Alegre.

Ontem, depois de anos adiando, finalmente levamos o Iuri para fazer sua primeira obturação. Como ele é um menino autista, teve que ser com anestesia geral. A segunda que ele fez na vida dele. Deu tudo certo, eu o preparei e fiquei com ele enquanto ele era anestesiado, depois a mãe dele ficou com ele na sala de recuperação após o procedimento. E ele já saiu de lá bem acordado e serelepe. Grande "gugui"!

Até a próxima postagem!

sexta-feira, abril 22, 2016

Prince

Prince era daqueles artistas com quem eu me sentia em dívida. Reconhecia o talento dele, mas ainda queria pesquisar mais sobre a vida e a obra. Tanto que o audiobook com a biografia dele está aqui, na fila de espera. Também estava na minha lista de pendências conseguir a discografia completa dele em CD. Breve ela deverá ser relançada, imagino.

O que eu achava curioso no Prince é que, em sua essência, as canções que ele compunha nada mais eram do que criações da velha e boa soul music, com inclinações eventuais para o funk (o legítimo gênero americano) e o rhythm'n'blues. Não muito diferente do que faz o lendário Stevie Wonder e até do que fazia Michael Jackson na fase adulta, em seus rompantes mais arrojados. E muitos outros bons compositores na mesma linha. No entanto, era nos detalhes que Prince se diferenciava. Pequenos ajustes nos arranjos davam a suas gravações um toque de rebeldia e originalidade. Por cima disso tudo, ele colocava uma imagem provocante e misteriosa. E assim ele conseguia combinar a musicalidade e o ritmo do soul com a postura agressiva do rock. Nesse mix de ingredientes, eu diria que ele foi único. 

Prince faleceu ontem, aos 57 anos. Ele era apenas dois anos mais velho que eu. Os tempos andam difíceis. 

segunda-feira, abril 18, 2016

País do impeachment

Como não uso "tags", não teria como incluir num único link todos os textos deste Blog em que falei sobre eleições. Mas, clicando aqui, vocês encontrarão todas as postagens (ou talvez quase todas) em que a palavra "eleição" foi citada. A maioria se refere aos eventos do calendário político.

Se vocês se derem ao trabalho de ler o que escrevi, perceberão o meu entusiasmo pelo tema. Em especial neste comentário rápido aqui, de outubro de 2010. Eu estava comemorando a democracia, a cidadania, a igual chance que é dada a todos nós de escolher nossos governantes. Campanha eleitoral sempre me empolgou. Até o horário político eu via de vez em quando (cliquem aqui para ler os meus textos onde aparece a expressão "horário político"). Os debates. As polêmicas. As notícias.

Pois é. Mas, nos últimos tempos, isso perdeu a graça para mim. Tudo porque a oposição inconformada resolveu furar o esquema e inventar um protesto contra a Presidente legitimamente eleita. Fez uso da liberdade de expressão que só uma verdadeira democracia pode proporcionar para dar um tiro no pé da própria democracia. Como se fosse um jogo e um dos lados, depois de perder quatro vezes seguidas, fizesse beicinho, virasse as costas e dissesse: "não brinco mais!" Infelizmente, "a união faz a força" também para envenenar o sistema.

Num segundo momento, um parlamentar de reputação extremamente questionável acolheu o pedido de impeachment. Por fim, os deputados o aprovaram por motivos meramente políticos, sem atentar para os pré-requisitos que o respaldariam. E assim, num golpe em três atos, descobriu-se uma brecha para que as pessoas influentes conseguissem burlar o processo eleitoral. O lado bonito da democracia - que é o povo, não as elites ou a imprensa, escolhendo seu governante - deixou de existir.

Há alguns dias encontrei na rua um antigo colega. Já está aposentado. Depois de conversarmos outros assuntos, lembrei a ele de algo que lhe falei no tempo do governo Fernando Henrique. De que, embora eu não tivesse votado no então Presidente, eu não me alinhava aos gritos de "fora FHC" que se ouviam de tempos em tempos. Afinal, se ele foi o escolhido, devia ir até o fim. Meu amigo disse que não se recordava desse fato, mas que concordava comigo.

Se o afastamento do Collor já foi suficiente para difundir a ideia de que é fácil tirar Presidentes que não nos agradam, depois de ontem, infelizmente, o Brasil passa a ser o país do impeachment. Um instituto ao qual só se deveria recorrer em último caso, mas que agora se torna oficialmente o "terceiro turno". E por voto indireto, ainda por cima.

Repito: eleição, para mim, perdeu a graça. Espero continuar votando, claro. Mas, por algum tempo - talvez um longo tempo - não terei o entusiasmo de outrora. Quando estiver registrando meu voto na urna, sempre ficará aquela pontinha de dúvida: vão respeitar o resultado? Ou irão inventar um novo impeachment? Por fim, digo que as atitudes de algumas pessoas me decepcionaram bastante. Não me refiro somente aos políticos, embora eles sejam os personagens principais. Um deputado em especial perdeu minha admiração. E eu votei nele. Com tantos rostos verdadeiros aparecendo, serão muitas máscaras para recolher do chão ao final de tudo.

sexta-feira, abril 15, 2016

Filmes de David Bowie em Porto Alegre

A partir de amanhã, a sala P. F. Gastal, da Usina do Gasômetro, apresenta um ciclo de filmes de David Bowie. Infelizmente, somente "Apenas um Gigolô" e "Um Romance Muito Perigoso" serão exibidos em cópia digital própria para cinema. Todos os demais serão em DVD. Saibam os detalhes clicando aqui.

Não prometo nada, mas meu grande amigo Zeca Azevedo, que já participou de outros debates naquele local, me indicou para ser um dos palestrantes nessa mostra. Se rolar mesmo, eu aviso antes. A verdade é que, em primeiro lugar, não sou nem nunca pretendi ser expert em cinema. Meu gosto para filmes é bem hollywoodiano e comercial. Em segundo, sou fã do Bowie músico, não necessariamente do ator. Tanto quanto eu possa avaliar, ele é bom no ofício, o que é confirmado pela maioria dos críticos. Mas nem mesmo vi todos os trabalhos em que ele atuou.

Descontados projetos menores (como o curta metragem "The Image"), "O Homem que Caiu na Terra", de 1976, é considerado o primeiro filme de David Bowie. Por isso mesmo, despertou minha curiosidade, na época. Eu o vi pela primeira vez em 1977 no saudoso Cine Vogue, na Independência. Era uma versão bem mais curta do que a lançada em DVD, mas não por culpa da censura brasileira (embora ela tenha feito alguns cortes, também). A edição para o mercado inglês foi considerada longa e pesada demais para as plateias dos Estados Unidos.

Assim, os cinemas americanos receberam uma película com tempo bastante reduzido, notadamente excluindo uma impactante cena de nudez com Bowie e Candy Clarke disparando balas de festim. Foi essa edição que chegou às salas brasileiras em 1977 e ao primeiro lançamento em VHS nos anos 80 (pirateado e mal legendado no Brasil para as locadoras). Depois acabou saindo na íntegra em formatos diversos de vídeo. O laserdisc da Criterion Collection é simplesmente maravilhoso, incluindo comentários de Bowie, do ator Buck Henry e do diretor Nicholas Roeg (depois reproduzidos na edição em DVD da Criterion).

Bowie também deu um valor imenso a esse filme. Prova disso é que usou fotos dele na capa de dois LPs consecutivos: Station to Station (1976) e Low (1977). Em uma das cenas finais, numa loja de discos, lá no fundo enxergam-se diversos exemplares do seu mais novo LP na época das filmagens, Young Americans. Outra curiosidade é que o músico pensou que seria responsável pela trilha sonora e chegou a compor alguns temas com esse objetivo. Segundo ele, as músicas acabaram entrando nos dois álbuns citados, mas não se sabe exatamente quais. No caso de Low, vários dos temas instrumentais ou semi-instrumentais poderiam ter sido criados com o filme em mente. Mas onde as músicas de Station to Station encaixariam no roteiro?

Arrisco alguns palpites. "Stay" pode ter sido inspirada no ponto da trama em que Mary Lou (a atriz Candy Clarke) manifesta seu desejo de que Thomas Jerome Newton (Bowie) não volte para o seu planeta. "TVC 15" ficaria perfeita naquela cena em que Bowie está diante de diversos televisores ligados. Por fim, há um momento em que Newton diz que quer ouvir "pessoas cantando" e Mary Lou põe para tocar (num curioso aparelho futurístico que funciona com uma esfera) "Blue Bayou", com Roy Orbison. Quem sabe a intenção de Bowie não seria a de que, em vez dessa, se ouvisse a sua cover de "Wild is the Wind"?

David Bowie afirmou por diversas vezes, na época, que seu real objetivo era se tornar diretor de cinema. Estava começando como ator para aprender. No fim, acabou desistindo desse sonho, mas realizou-se no filho Duncan.