terça-feira, dezembro 30, 2025

Com os dois pés

Uma amiga de Facebook que é escritora em São Paulo e é uma das pessoas mais sensatas e ponderadas que já encontrei nas redes sociais entende que o comercial das Havaianas "não era contra a direita, mas contra a polarização", pregando "união, todo mundo junto". Afinal, ele diz que devemos entrar o ano novo "com os dois pés". Com o devido respeito, acho que não foi essa a intenção, mas esta postagem não é para contestar essa ou aquela interpretação. Digamos que ela tocou num assunto que eu abordo de vez em quando aqui no Blog: o meu sonho de que possamos voltar a ser eleitores civilizados, votando, respeitando o resultado da eleição e seguindo todos em paz. 

Ao menos entre as pessoas com quem convivo, já foi assim. Hoje revejo fotos de encontros de amigos realizados antes de 2013 e lamento que os grupos estejam desfeitos. Naquele tempo, não conversávamos sobre política. Evitávamos o assunto não por autocensura, presumo, mas por respeito. O voto de cada um era algo muito pessoal. O problema foi quando o "vem pra rua" resolveu levar para as praças o que já estava decidido nas urnas. E aquilo foi só o começo. O Facebook fomentou as animosidades, seguiram-se acontecimentos questionáveis que alguns comemoraram, outros lamentaram, e o resultado é que o povo está dividido. 

Para complicar as coisas, 2026 será um ano de eleição presidencial. Eu lembro que me entusiasmava com a perspectiva de votar e agora fico apreensivo. Acompanhei a luta pela volta das eleições diretas e hoje vejo que nem todos sabem aceitar a democracia. Talvez a direita argumente que o primeiro passo para um "tratado de paz" entre os dois lados seria anistiar os arruaceiros de 8 de janeiro de 2023. Não acho uma boa saída. O Brasil precisa acabar de uma vez por todas com sua tradição golpista e isso não se conseguirá com impunidade. Quanto à revisão das penas, é tarefa para os advogados de defesa. 

Por fim, convido os leitores do Blog a reler (ou ler pela primeira vez, conforme o caso) o que publiquei aqui em 3 de outubro de 2023. Naquele texto, citei um trecho do livro "Democracia em Crise no Brasil", de Cláudio Pereira de Souza Neto, que foi escrito bem antes do episódio de 8 de janeiro. Em vez de transcrever novamente, darei o link ao final. 

Sei que é difícil, mas seria ótimo se pudéssemos ao menos terminar o ano de 2026 com os dois pés. Feliz Ano Novo!

Aqui, o link: Democracia em crise

segunda-feira, dezembro 22, 2025

Havaianas

Toda esta polêmica em torno do comercial das Sandálias Havaianas, popularmente chamadas de "chinelo de dedo", me motivou a resgatar essas duas fotos tiradas em 28 de dezembro de 2006 em Capão da Canoa. Eu achei tão genial essa série "Cartunistas" que comprei vários pares com desenhos diferentes. E levei alguns para o meu filho, também. Eu sempre fiz questão de usar Havaianas e não outra marca concorrente. São insubstituíveis, desde a minha infância.

segunda-feira, dezembro 15, 2025

Sessão de autógrafos na Bamboletras

Talvez o temporal com direito a vendaval que assolou Porto Alegre e arredores às 16 horas tenha atrapalhado. Mesmo assim, cerca de 15 pessoas vieram prestigiar a sessão de autógrafos de "1985, o Ano que Repaginou a Música Brasileira" na Livraria Bamboletras. E não tiveram quaisquer problemas, pois o tempo já começou a se estabilizar às 17 horas e, em seguida, nem chuva havia mais. Pouco depois das 18, chegaram os primeiros compradores. Não estava planejado, mas acabou rolando um papo entre os autores presentes. Nas fotos, da esquerda para a direita: Juarez Fonseca, que escreveu sobre a trilha sonora da série "O Tempo e o Vento", Zeca Azevedo, que resenhou o LP de Roberto Carlos, Célio Albuquerque, organizador do livro que veio do Rio especialmente para o evento, eu, que comentei o primeiro LP do RPM, Revoluções por Minuto, e Márcio Pinheiro, que abordou O Melhor dos Iguais, do Premeditando o Breque. Conversamos sobre esse artistas e outros, também. Obrigado a meus amigos Luiz Carlos Lasek e Otávio Diegues pela presença. Lasek tirou a foto abaixo. A de cima, copiei do Facebook de Célio Albuquerque.

segunda-feira, dezembro 08, 2025

Evento com direito a livro

Antes tarde do que nunca, registro aqui a minha participação no evento de posse da nova diretoria da Sociedade Brasileira de Urologia do Rio Grande do Sul, na quinta-feira à noite, dia 4, na sede da AMRIGS, em Porto Alegre. Ao transmitir a presidência a seu sucessor, o Dr. Márcio Averbeck, o Presidente da gestão 2024/2025, Dr. Ernani Rhoden, anunciou que deixaria a todos um documento contando a História da Urologia no Rio Grande do Sul. E distribuiu o livro que eu tive a honra de escrever. Eu já tinha visto o arquivo PDF, mas fiquei positivamente impressionado com a edição em capa dura, com fotos a cores e um belo trabalho de diagramação de Larissa Martins. Obrigado a Paulo Palombo Pruss, da Editora Escuna, por ter me indicado para essa tarefa. E um agradecimento especial também a todos os médicos e pesquisadores que colaboraram.

De novo o detalhe

Todo este endeusamento em torno do técnico Abel Braga por ter evitado o rebaixamento do Internacional me lembra um antigo texto do Blog: "O detalhe no futebol". Publiquei em 2006, por ocasião da morte de Telê Santana. Leiam. 

domingo, novembro 30, 2025

Para fechar o mês

No fim, novembro está terminando e não fiz qualquer comentário sobre o fato mais marcante do mês: a prisão de Bolsonaro. Mantenho o que já disse antes: quero justiça, não uma vingança doentia. Que ele tenha na prisão um tratamento digno como merece qualquer cidadão. Mas sem anistia ou impunidade.

quinta-feira, novembro 27, 2025

Meu segundo livro

 

A editora já está divulgando nas redes sociais, então aproveito para postar aqui, também. Aí está, finalmente, o meu segundo livro. Foi escrito sob encomenda. Fiquei pouco mais de um ano entrevistando médicos e pesquisando em documentos, publicações e sites da Internet. É gratificante constatar que também consigo escrever sobre outros assuntos que não apenas música ou temas do meu interesse. Aliás, agora já estou motivado e pretendo continuar atento a livros sobre hospitais de Porto Alegre. Tudo é História. 

terça-feira, novembro 25, 2025

O documentário sobre os Secos e Molhados

 Na última sexta-feira, o Canal Brasil exibiu o quarto e derradeiro episódio do documentário "Primavera nos Dentes", sobre os Secos e Molhados. A direção e o roteiro foram do jornalista Miguel de Almeida, autor da biografia do grupo, já comentada aqui. A produção começa prejudicada pelo fato de que o líder e principal compositor da banda, João Ricardo, não autorizou o uso de suas músicas. Ele nunca colabora com reportagens ou similares porque não concorda com as versões que normalmente se apresentam. A solução encontrada pelos músicos participantes foi fazer do limão uma limonada e criar temas instrumentais inéditos inspirados no estilo do conjunto. O baixista Willy Verdaguer compôs "Outono", "O Passeio", "Solaris" e "Cósmica". O tecladista Emílio Carrera assinou "Galope" e "Aurora". Ambos eram músicos de apoio dos Secos e Molhados na fase clássica (1973-74). 

A grande surpresa, guardada para o último episódio, foi a gravação da composição inédita "Ouvindo o Silêncio", com música de Gérson Conrad e letra de Paulinho Mendonça. Ambos já tiveram diversas parcerias, entre elas "Delírio", do segundo LP dos Secos e Molhados. Paulinho também é coautor de "Sangue Latino", do primeiro disco, com João Ricardo. A ideia era apresentar o que poderia ser uma nova música do grupo, com Ney Matogrosso no vocal, Gérson na segunda voz, Emílio nos teclados, Willy no baixo - até aqui, todos participantes dos dois primeiros LPs dos Secos e Molhados -, mais André Perine nas guitarra e violas e Gabriel Martini na bateria. O resultado ficou interessante, mas não necessariamente resgatou a sonoridade clássica que se esperaria.

Com isso, as cenas de arquivo dos Secos e Molhados perdem muito de seu valor por não poderem ser mostradas com o áudio original, no caso de execução de músicas. Ouvem-se apenas as duas composições que não tiveram participação de João Ricardo, no caso, "Rosa de Hiroshima", de Gérson sobre poema de Vinicius de Moraes, e a já citada "Delírio". Esta abre o primeiro capítulo em versão instrumental (a base sem os vocais) enquanto se vê o grupo no camarim, aplicando a maquiagem tradicional. 

Uma crítica pertinente que muitos já fizeram à edição é inclusão de imagens de arquivo não diretamente vinculadas à história do grupo. Aparecem cenas do tempo da ditadura nos anos 1970, com som distorcido e movimento reverso para dar uma conotação negativa. Também entram vários trechos da peça "O Rei da Vela", de Oswald de Andrade, numa tentativa de associar a maquiagem do ator Renato Borghi à adotada pelo grupo. São elementos visuais interessantes, mas supérfluos. Também é questionável o depoimento de artistas que não eram nem nascidos na época dos Secos e Molhados ou de músicos que acompanharam o grupo apenas à distância, como observadores e fãs.*

O ponto forte do documentário, como seria de se esperar, são os testemunhos dos protagonistas. Ney Matogrosso e Gérson Conrad contam várias passagens da história do grupo, muitas vezes juntos no mesmo ambiente, de forma que um pode corroborar ou complementar a versão do outro. Paulinho Mendonça também tem diversas falas, bem como o fotógrafo Antônio Carlos Rodrigues, que fez a capa do primeiro LP, o empresário Moracy do Val e seu sucessor Henrique Suster, que pegou o grupo na reta final, já em vias de se separar. 

Um erro que não deve ter escapado aos fãs mais atentos é que Totô Braxil, cantor dos Secos e Molhados em 1988 (LP A Volta do Gato Preto), foi mostrado como se fosse Lili Rodrigues, da formação de 1978 (do sucesso "Quem fim levaram todas as flores"). Já a lenda de que o Kiss copiou a maquiagem dos Secos e Molhados não pode ser ignorada, pois já se tornou parte do folclore em torno do grupo. Mas é curioso que ela ainda persista, pois foi desmentida de forma definitiva pela biografia de Ney, escrita por Julio Maria (e por este Blog também, mas é claro que o livro sempre terá mais credibilidade). Até mesmo Gérson a endossou, embora tivesse admitido que não passa de um equívoco em vídeo recente do YouTube. E, no documentário, ainda mencionou ter visto o Kiss na capa de uma revista "Rolling Stones" (sic) em 1974. Com certeza um engano, pois o quarteto americano só adornou a fachada da Rolling Stone pela primeira vez em 2014. O boicote à banda de Gene Simmons e Paul Stanley era quase uma questão de honra para o editor Jann Wenner. 

Nenhuma surpresa que tenham sobrado algumas críticas à postura de João Ricardo. A recusa do criador dos Secos e Molhados em colaborar com a produção propicia e até incentiva esses comentários. Mas, sem ele, ouve-se apenas um lado da história. Recomenda-se assistir à série de vídeos "Ouvido Nu", que o compositor postou no YouTube, para saber a versão dele. Também seria interessante que a produção da Interface Filmes lançada em 2021 no festival In-Edit Brasil fosse disponibilizada em streaming, pois ali temos um longo depoimento de João Ricardo contando a história do grupo. 

Enfim, "Primavera nos Dentes" é um ótimo documentário, mas merecia uma edição mais enxuta, focando apenas nos testemunhos relevantes. 

*Aqui, talvez alguns lembrem que, em 2018, eu apareci no Canal Brasil falando sobre os Secos e Molhados e apontem um "telhado de vidro". Mas ali o objetivo era outro. A série "MPB 73 - o Ano da Reinvenção" teve como ponto de partida o livro "1973, o Ano que Reinventou a MPB". A ideia era de que todos os autores que haviam participado da obra dessem seus depoimentos. Como eu escrevi sobre o primeiro LP dos Secos e Molhados, fui escalado para falar sobre eles.