segunda-feira, outubro 26, 2026
E a virada aconteceu!
E a virada aconteceu! Lula está eleito! Eu confesso que estava receoso do resultado da eleição. Por um lado, eu tentava me contagiar pelo otimismo de André Janones, que criou o "Exército do Lula" e chegou a anunciar uma semana antes que "a vitória já está garantida, é só não desmobilizar". E em momento algum mudou o discurso. Por outro lado, eu enxergava falhas na campanha.
No primeiro turno, mesmo ficando em segundo lugar, Lula teve 53.879.538 votos. Eleitores em número mais do que suficiente para lotar ruas nas principais capitais do Brasil. Ou para fazer os apoiadores do canal do Janones chegarem a 10 milhões, embora eu admita que foi uma façanha impressionante. Mas... nenhum desses iria mudar o fiel da balança no segundo turno. Na minha visão, o foco todo da campanha deveria ser para fora da bolha, visando a quem não votou no primeiro turno. Pois agora sou obrigado a reconhecer que Janones estava certo quando dizia que sabia o que estava fazendo. Ele pediu que cada um dos 10 milhões conquistasse mais um eleitor para Lula. Mesmo que nem todos conseguissem, o resultado ainda assim deveria ser significativo.
Nas redes sociais, observei uma tendência a tentar dissociar "direita" de "Bolsonarismo". Procurar mostrar que a verdadeira direita é uma oposição respeitosa à esquerda enquanto o Bolsonarismo é o que existe de mais sórdido na política brasileira. E que, por isso, mesmo os eleitores de direita deveriam votar em Lula para evitar um mal maior. Acredito que alguns tenham se convencido disso. Acho que todos nós, daqui para frente, devemos ser mais cautelosos para não usar o termo "direita" de forma genérica para se referir aos golpistas e maus perdedores. Mesmo sabendo – não sou tão ingênuo assim! – que muitos direitistas aderiram ao Bolsonarismo por pura rejeição ao PT.
Ontem saí cedo para votar. Aproveitei que a chuva tinha dado uma trégua e fui a pé até o centro de Porto Alegre. Não puxei muito, porque estava com meus "tênis de chuva", como eu chamo, que não deslizam em piso molhado, mas não são muito confortáveis. Sempre que eu encontrava alguém no caminho com camiseta ou adesivo do PT, eu dizia: "Vamos virar esta eleição!" E eles respondiam com entusiasmo.
Cheguei ao Colégio das Dores às 8 e 45. As seções eleitorais estavam vazias, sem fila. A presidente de mesa me deu bom dia e perguntou: "Tudo certo?" Respondi: "Veremos no final do dia!" As mesárias, todas mulheres, riram muito.
Na parada de ônibus, para voltar ao Menino Deus, encontrei um casal jovem. Como ela vestia uma camiseta vermelha, perguntei se era para o Lula. Senti que ela confirmou meio sem jeito, talvez achando que eu fosse Bolsonarista. Quando eu falei que também tinha votado 13, eles se sentiram à vontade.
Dentro do coletivo, havia um casal idoso e a senhora acabou conversando com os jovens. Ela disse que aquela era a última eleição dela, "graças a Deus". E completou: "Vou fazer 70 anos!" Os idosos desceram primeiro. Quando chegou a minha vez de desembarcar, eu comentei com o casal jovem: "Nós tentando trazer eleitores de mais de 70 anos para votar no Lula e ela feliz porque não vai mais precisar votar!" Aqui, aproveito para lembrar: foi comovente ver fotos e vídeos de vovós e vovôs na faixa dos 70, 80, 90, até 100 anos indo votar para fazer a diferença.
Antes de ir para casa, passei numa fruteira/mercadinho que fica no caminho e comprei algumas coisas. Enquanto eu pagava, chegou um senhor mais velho com adesivo do PT. Conversamos um pouco. Vi também várias bandeiras do PT em janelas, no trajeto do ônibus. A verdade é que, em Porto Alegre, Lula já tinha vencido no primeiro turno. Presumo que tenha ganhado ainda mais votos no segundo.
Só lamento que, mais uma vez, o outro lado não esteja reconhecendo a derrota, como em 2022. E procurando subterfúgios para revertê-la. Bolsonaristas sendo Bolsonaristas. Mas eu quero acreditar que nem todos os que votaram 22 se identifiquem com a mentalidade maldosa e insensível do Bolsonarismo. Que tenham feito sua escolha de forma impensada, apenas por serem antipetistas. E que um dia possam olhar pra trás, refletir e concluir: "É... eu estava errado(a). Ainda bem que fui voto vencido". Como cantava John Lennon, "você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou o único".
Parabéns Lula! Parabéns Brasil! A luta continua.
sábado, outubro 17, 2026
segunda-feira, outubro 12, 2026
Aos que não foram votar no primeiro turno

Esta mensagem é para você que não foi votar no primeiro turno, como o sujeito aí do desenho. Ou para quem anulou o voto.
Se você não se preocupou em votar, ou se não votou em nenhum, é óbvio que, para você, nenhum deles serve. Você não gosta de nenhum deles. Mas o fato é que um dos dois que foram para o segundo turno é o que vai chegar lá. Não existe outra opção.
Tudo bem, você não gosta do Lula. Se gostasse, teria votado nele. Mas, se você observar com calma, verá que o outro candidato é pior. Pode ser jovem e bem falante, mas é filho do irresponsável que homenageou um torturador ao votar a favor do impeachment da Dilma. Do que incentiva crianças a aprender a usar armas de fogo. Que debochou dos mortos da pandemia, dizendo "não sou coveiro". Que, antes de ser presidente, disse "não entendo nada de medicina, minha especialidade é matar", depois confirmou pela forma como lidou com o Covid-19. Tentou arquitetar um golpe, o que já está mais do que provado, inclusive pelo livro "Eu Disse Não – Uma Trincheira Antigolpista", escrito pelo tenente-brigadeiro do ar Carlos Baptista Junior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB).
O filho é igual. Está se candidatando como representante do pai.
No ano passado, em pleno 7 de setembro, os apoiadores de Bolsonaro exibiram uma enorme bandeira estadunidense na Avenida Paulista. Neste ano, foi um boneco de Donald Trump. Esses são os mesmos que se diziam "patriotas" e afirmavam que "a nossa bandeira jamais será vermelha".
Nossa soberania pode estar em risco.
Até o Estado de São Paulo, um jornal tradicionalmente conservador, encerrou assim o seu editorial de 23 de setembro:
Cada eleitor tem a
liberdade assegurada pela Constituição para dar seu voto a qualquer candidato
regularmente registrado na Justiça Eleitoral. Mas que todos estejam cientes de
que, dado o histórico, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro embute o
risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República.
Martha Medeiros, que não é petista e já votou contra Lula,
deu o alerta nas redes sociais:
Não tenho obsessão por nenhum politico ou
partido, cada eleição acontece durante um momento específico do país e sigo
minha intuição. O momento agora é de alerta máximo. Temos um candidato que
defende milicianos (polícia paralela que cria as próprias leis, ligada ao crime
organizado). Um sujeito que não é ninguém, nunca fez nada pelo país e chegou a
falar em “equipe de transição” articulada com os EUA. O pai já era um
desajustado: vamos entregar nosso destino ao Desajustado Junior?
Não são opiniões isoladas. Todas as pessoas sensatas reconhecem que Lula é, no mínimo, o "menos ruim" dos dois candidatos. E que há um risco enorme em deixar o Brasil nas mãos do outro.
Por isso, ouça este apelo. Só você, que não votou no primeiro turno ou anulou o voto, pode virar o resultado da eleição. Está nas suas mãos.
Então, faça a diferença! No dia 25, vá votar!E vote 13! Por um Brasil brasileiro! Pelos verdadeiros patriotas!segunda-feira, outubro 05, 2026
Lembranças e reflexões
Às vezes lembro do começo de minha amizade com o saudoso Paulo Brody. Nós nos conhecemos em um grupo de conversação em inglês do Cultural, o Getting Together. Se bem lembro, ele tinha 15 para 16 anos em 1980 e eu, 19. Apesar da diferença de idade (que hoje nem chamaria tanto a atenção, mas na época chamava), logo descobrimos interesses em comum. Um deles, obviamente, era o inglês. Ele tinha bom domínio do idioma e eu, modéstia à parte, não ficava atrás. Depois descobri que ele também era fissurado por música e histórias em quadrinhos. No dia 29 de novembro de 1980, um sábado, eu queria ver o show "Verde", com Nei Lisboa, Augustinho Licks e Boina. Tenho uma vaga lembrança de ter convidado outros amigos, mas nenhum aceitou. Eu tinha o telefone do Paulo e liguei pra ele: "Tá a fim de ir num show comigo?" Ainda lembro da voz dele respondendo: "Tô, cara!" E ali a parceria começou pra valer.
Mas o Paulo tinha outro interesse do qual, na época, eu não partilhava: política. Apesar da pouca idade, ele possuía uma cultura imensa e gostava de conversar sobre fatos atuais e História do Brasil recente. E insistia em tocar no assunto. Eu tentava dizer pra ele que o tema não me agradava, que eu não queria saber nada daquilo, mas ele não parecia entender. Acho que era mais forte do que ele, ele precisava falar de política. Então ficava discorrendo longamente e eu ouvia sem muita atenção. Ele bem poderia estar falando com a parede.
Na juventude, eu tinha o dom de aproximar amigos meus que não se conheciam entre si e acabavam formando uma turma. Logo o Paulo se agregou a um grupo nosso e saíamos à noite. Certa vez, fomos a um bar ele estava profundamente deprimido. O motivo: o Presidente Figueiredo havia instituído o voto vinculado, obrigando o eleitor a votar em candidatos do mesmo partido. Depois, eu e outro amigo comum comentamos: que bobagem o Paulo ficar na fossa por causa de política! Imagina! Eu só fico na fossa por fim de namoro ou algo bem pessoal. Capaz que vou ficar na fossa por política!
Mas, como eu sempre digo, o mundo deu voltas. Minha primeira eleição foi em 1982 e ali eu já votei em Pedro Simon, do PMDB. Cheguei a cogitar a opção por Olívio Dutra. Não pelo PT, mas pelo Olívio, mesmo, que havia conquistado minha admiração. Mas, como a apuração era em um só turno, achei melhor escolher um candidato com mais chances. Eu disse "já" porque, se eu pudesse votar em 1978, com certeza teria apoiado alguém da Arena, o partido da situação. Eu me considerava de direita na adolescência. Mas esses quatro anos entre um e outro pleito foram suficientes para mudar minha posição. A propósito, o vencedor foi Jair Soares, do PDS. Meu voto não adiantou.
A minha transformação, mesmo, aconteceu com o retorno gradual da democracia plena, ao longo da década de 1980. No segundo semestre de 1987, já casado, comecei a comprar livros de História do Brasil para recuperar o tempo perdido. O primeiro deles, casualmente, eu encontrei na saudosa Livraria Papyrus e era em inglês: "The Political System of Brazil", de Ronald M. Schneider, publicado em 1971. Depois fui descobrindo outros. "Guerra das Estrelas", de Carlos Chagas. "Brasil, de Getúlio a Castelo", de Thomas Skidmore. 'Vida e Morte da Ditadura", de Nélson Werneck Sodré. "Linha Dura no Brasil – O Governo Médici", de Daniel Drosdoff. "História Sincera da República", em quatro volumes, de Leôncio Basbaum. A coleção "Nosso Século", que era de minha mãe e ela me deu.
Outro fator importante foi ter ingressado na Faculdade de Jornalismo no mesmo ano, 1987. E lá tive aulas de História do Brasil (sob o pomposo nome de "Realidade Socioeconômica e Política Brasileira") com o ótimo professor Arnoldo Doberstein. Aqui, por uma questão de justiça, preciso fazer uma ressalva: tive excelentes professoras de História no colégio. Eu é que não estava num momento propício para a matéria. O Arnoldo me pegou com sede de aprendizado e isso ajudou bastante. Eu adorava as aulas dele. Em especial, eu gostava das "correções comentadas" que ele fazia nas provas, escrevendo bastante, orientando o aluno e demonstrando atenção e interesse pelas respostas. Que diferença dos professores que apenas assinalavam um "C" de certo, um "X" de errado e às vezes colocavam um ponto de interrogação sobre o que foi escrito. Ele deve morar perto de mim, pois seguidamente o encontro no supermercado.
Depois do voto em Pedro Simon em 1982, minha posição política passou por um período de indefinição. Eu só sabia que jamais votaria no PDS ou qualquer partido sucedâneo da antiga Arena. Nas eleições presidenciais de 1989 e 1994 eu escolhi Brizola no primeiro turno e Lula no segundo. Quando Brizola saiu do páreo, Lula ganhou meu voto cativo. Por algum tempo eu ainda tive o PMDB como segunda opção para outros cargos, até me definir pelo PT.
Meu amigo Paulo Brody faleceu em 2017, se não me engano por um problema no intestino. Mas chegamos a ter longas conversas sobre política depois da minha, digamos, "conversão". E às vezes lembro dele naquela noite no começo dos anos 1980, na fossa pela instituição do voto vinculado por Figueiredo. E de como eu achei absurdo alguém se deprimir por causa disso. Porque o que eu senti no domingo, depois do resultado da eleição, deve ter sido bem pior do que o Paulo sentiu naquela ocasião. Foi, sim, uma fossa tremenda. E fico tentando imaginar o que leva o nosso povo a preferir um candidato cujo principal plano de "governo" é anistiar criminosos (incluindo o pai dele) e estabelecer uma administração conjunta com Donald Trump. Os eleitores de direita, depois de anos se anunciando como "patriotas" e dizendo que "a nossa bandeira jamais será vermelha", adotaram como ícones a bandeira americana e a imagem do atual Presidente dos Estados Unidos. E é desolador constatar que, entre eles, há pessoas que eu quero bem. Que eu amo.
Como consolo, minha candidata Maria do Rosário se elegeu para Deputada Federal. E, em Porto Alegre, Lula, Juliana Brizola e Manuela D'Ávila tiveram maioria de votos para Presidente, Governadora e Senadora, respectivamente. Lula venceu também em Pelotas e Rio Grande.
A eleição ainda não está perdida, mas viradas de segundo turno são raríssimas. Mesmo assim, Lula e seus apoiadores têm o dever moral de encarar o segundo turno de cabeça erguida, lutando até o fim. Depois, se a derrota se confirmar, a atitude correta é: respeitar o resultado e preparar a próxima campanha para daqui a quatro anos. No domingo à noite eu conversei por Whatsapp com uma amiga e ela acha que a única forma de conter o avanço do Bolsonarismo é surgir uma terceira via de centro. Pode ser. Qualquer coisa é melhor do que um governo nas mãos de um clã entreguista e irresponsável.
Paulo, onde estiveres, um abraço. Queria que estivesses aqui para conversarmos bastante sobre política. Meu sobrinho Rafael também fez falta para dar seu voto e seu apoio.
sexta-feira, outubro 02, 2026
O debate que não houve
Acho que a Globo não deveria ter sido proibida de exibir uma cadeira vazia no debate. Foi uma restrição excessiva. Mas, principalmente, porque essa prática não prejudicaria o Lula em nada. A emissora fez exatamente isso em 2006, em que Lula também não compareceu, e o resultado foi um circo patético. A câmera ficava mostrando a cadeira vazia, como se esperasse uma resposta dela. Ou como se desse a Lula a chance de aparecer ali num passe de mágica.
No fim, a Globo cancelou o debate, alegando "insegurança jurídica". A meu ver, não foi só esse o motivo. A gota d'água foi a desistência de Flávio Bolsonaro faltando apenas duas horas para o início. Que audiência teria um programa só com os candidatos sem chance de ir para o segundo turno? E uma curiosidade é que, se não tivesse havido a proibição, teriam que ser feitas perguntas também à cadeira vazia do Bolsonarinho.
Quando Jair Bolsonaro deixou de participar de um debate, eu argumentei, no Facebook, que era um direito dele, lembrando que Lula e outros já haviam feito o mesmo. Campanha eleitoral não é como processo judicial. Os candidatos não são "réus" que precisem comparecer às "audiências" e responder às "acusações" sob pena de revelia ou confissão. Eles podem se omitir e isso não os impede de ganhar votos. O eleitor é quem decide.
Então vamos decidir. É no domingo. Torço pelos meus candidatos, mas é inútil tentar "abrir os olhos" de quem pretende votar diferente de mim. Se conseguirmos continuar escolhendo nossos governantes e representantes e, principalmente, respeitando o resultado da eleição, já estaremos no lucro.
sexta-feira, setembro 25, 2026
Homenagem a Wilson Ney
quarta-feira, setembro 23, 2026
O Peter dos sebos
No dia 2 de novembro de 2004, quando este Blog ainda não tinha três meses completos, eu abri uma postagem com o seguinte parágrafo:
O ator Paulo Betti está sendo entrevistado no Jô. Quando Jô lhe perguntou sobre os melhores sebos do Brasil, fiquei aqui torcendo: "Porto Alegre... Porto Alegre..." Ele respondeu: "É difícil citar algum para não cometer injustiça, mas eu gosto muito do sebo do Peter, em Porto Alegre". Ahá! Não tem pra ninguém, Porto Alegre é a capital dos sebos de livros e de discos também!
Mais adiante eu confessava meu desconhecimento. Qual é o sebo do Peter? É Peter ou Pitter? Pois logo eu descobriria: era o Beco dos Livros. Há mais de uma livraria com esse nome, todas do mesmo proprietário. Quanto à grafia, costuma-se escrever Peter, mesmo, mas ele se chamava na verdade João Pedro Dullius.
Sim, se "chamava". Faleceu hoje.









