quinta-feira, abril 30, 2026
sábado, abril 11, 2026
Obsolescência forçada
Eu sou do tempo em que a gente adquiria um produto e, se quisesse, usava-o enquanto ele continuasse funcionando. Fiquei mais de 20 anos com o Gol 1989 que ganhei zero de minha mãe. E, pelo visto, o Uno 2014 que comprei também zero vai pelo mesmo caminho. Já está comigo há 12 anos. Os CDs que venho colecionando desde 1989 ainda tocam perfeitamente e continuam compatíveis com os players. Idem os DVDs que comecei a comprar no ano 2000. Blu-rays, desde 2013. Minha ex-esposa esteve em meu apartamento na pandemia, com nosso filho, e sugeriu que eu comprasse uma geladeira nova, porque a minha "está muito feia". Sim, está enferrujada. Mas funciona. Só precisei mandar consertar uma vez e foi simples. O modelo supersofisticado que minha ex tem em casa faz uns barulhos estranhos de tempos em tempos.
Infelizmente, estamos cada vez mais entrando em um mundo em
que não somos mais nós quem decidimos quando aposentar um produto. O fabricante
nos obriga a isso. Tive que tirar de uso um scanner em perfeito funcionamento
porque se tornou incompatível com o hardware e software do meu computador.
Tenho vários CD-ROMs aqui e nenhum roda no meu equipamento. Mas agora, a meu
ver, a situação está ficando abusiva.
Já comentei aqui de quando recebi um aviso da Microsoft me mandando providenciar um computador novo, pois eles não forneceriam mais atualizações de segurança para o Windows 10. O prazo era até outubro do ano passado. Ora, dos quatro desktops que eu já tive, este é o melhor de todos. Comprei-o em 2017. Não tenho problemas com travamentos ou falhas repentinas. Meu Dell anterior às vezes não queria ligar, eu tinha que insistir ou tentar repetidas vezes. Este é perfeito. O prazo que a Microsoft me deu já passou, mas eu seguirei usando o equipamento enquanto puder.
Há algum tempo, liguei o home theater Sony que tenho desde 2013 e fui surpreendido por um "aviso importante": "Todos os serviços de streaming e navegador de Internet serão encerrados a partir de 16 de setembro de 2025. Pedimos desculpas pela inconveniência". Eu sabia que o aparelho estava fora de linha havia tempos, mas pensei que o que já estivesse nele ficaria para sempre. Ele tinha vários serviços, mas o que eu mais usava era Netflix. Era uma beleza poder desfrutar do som 5.1 diretamente do player para as caixas. Muitas vezes, sintonizei também o YouTube. E, de repente, mais nada. Simplesmente tiraram tudo. Agora só serve para tocar CDs, DVDs, Blu-rays e pen drives, além de poder ser usado com o televisor. Tudo bem, essas foram as principais finalidades para as quais comprei o player. Mas e aqueles extras todos que eram anunciados? Foram-se.
Mas não acabou. Na semana passada, recebi um aviso de que os aparelhos Kindle lançados até 2012 inclusive não terão mais suporte. Conseguem-se ler os livros já baixados nesses dispositivos, mas, a partir de 20 de maio, não se poderão acrescentar mais títulos a eles. E, se desfizermos o registro do aparelho ou restaurarmos as configurações de fábrica, nunca mais poderemos reativá-los. A mensagem ainda termina oferecendo um desconto de 20% nos novos aparelhos Kindle. Ah, sim, muito obrigado! O modelo que comprei justamente em 2012 funciona com "e-ink", sem luz própria e totalmente operado por botões. Eu gosto assim. Tenho outro dispositivo que comprei mais tarde, mas suspeito que também pertença à geração que está sendo condenada à extinção. Pelo menos no smartphone e no computador os aplicativos não serão afetados, suponho. Já não sei mais.
Tomara que automóveis e residências jamais sejam de alguma forma integrados à Internet. Imaginem o carro parar no meio da estrada e aparecer num painel a mensagem: "Atualize o firmware!" Ou você ser obrigado a trocar de veículo porque "o provedor não dará mais suporte a tais e tais modelos". Ou receber um e-mail mandando substituir todos os aparelhos da sua casa – geladeira, fogão, freezer – porque "não serão compatíveis com o novo sistema operacional". É melhor nem dar a ideia!
sexta-feira, março 27, 2026
Discografia comentada dos Doobie Brothers
Os livros da série "Every album, every song – on track" são maravilhosos para colecionadores e pesquisadores porque apresentam discografias comentadas de artistas diversos. Enquanto biografias tradicionais passam batido por discos considerados menos importantes, obras como estas perpassam a trajetória de cantores e bandas sob o ponto de vista dos álbuns, dando destaque mais ou menos idêntico a todos. Então é a chance de se saber mais sobre fases obscuras de certos trabalhos. O Asia, por exemplo, teve diversas formações e acabou se desdobrando em mais de um. Os Zombies, lembrados como uma banda do final dos anos 1960, voltaram no Século XXI com os dois integrantes principais - o tecladista Rod Argent e o cantor Colin Blustone - e já lançaram quatro CDs de estúdio com músicas inéditas, fora um álbum como dupla. Todos esses detalhes estão esmiuçados nos volumes dedicados aos grupos respectivos.
Pois exatamente hoje, dia 27 de março de 2026, foi disponibilizada a versão e-book (Kindle) do tomo focalizando os Doobie Brothers, escrito por Andrew Wilde. Eu ouvia no rádio alguns sucessos deles na adolescência, como "Listen to the music", "Long train runnin'" e "What a fool believes", mas só na vida adulta vim a compreender a grandiosidade desse grupo americano. Eles começaram com um rock típico de "poeira da estrada", com o guitarrista Tom Johnstone, depois migraram para uma sonoridade totalmente diversa, refinada, com nuances de soul music, na fase com o tecladista Michael McDonald, branco de voz negra. Tiveram êxito nos dois períodos. Separaram-se em 1982, voltaram com Tom Johnstone em 1987 até que, entre idas e vindas, Michael McDonald retornou em 2021, criando uma formação que procura conciliar os dois estilos clássicos dos Doobie Brothers da primeira e da segunda metade da década de 1970. É o que se ouve no álbum mais recente, Walk this Road, de 2025, que é o último a ser resenhado neste livro.
Como o e-book chegou hoje, é claro que só tive chance de dar uma espiada rápida em suas páginas. Mas eu estava contando os dias para o lançamento e breve mergulharei no texto.
domingo, março 22, 2026
De novo os três Ramil no palco
Novamente, a biografia de Kleiton e Kledir estava disponível no balcão de vendas.Foi também a chance de conhecer pessoalmente o amigo virtual Sidarta Martins, que veio de Sorocaba-SP para prestigiar o show. Tiramos essa foto com movimento, da qual capturei as duas imagens acima para registrar a casualidade: enquanto posávamos, um exemplar da biografia foi vendido. A vendedora pegou o próximo da pilha e o colocou em destaque.No final, como sempre, a visita ao camarim. Mesmo antes de escrever a biografia de Kleiton e Kledir eu já tinha a honra de pertencer ao seleto grupo que eles recebem depois do show.
















