segunda-feira, setembro 07, 2026

Volta do CD? Não aqui.

Começaram a surgir postagens no Facebook falando em "volta do CD". Meu primeiro pensamento foi: onde? No Brasil, com certeza, não. Mas logo uma lida rápida no começo das matérias respectivas confirmou: de fato, houve um aumento de vendas nos Estados Unidos. Aí, nenhuma surpresa. Basta verificar o site da Amazon americana para ver que, lá, os CDs continuam sendo lançados e vendidos normalmente. E também formatos físicos de vídeo, como DVD, Blu-ray e uma mídia ainda mais sofisticada que os brasileiros nem sabem que existe, o disco de 4K.

Mas aqui a realidade é outra. A pandemia acelerou um processo que provavelmente era inevitável, que foi o fim da fabricação de mídias físicas em larga escala. Ainda se encontram alguns lançamentos isolados em CD, como MPB-4, projeto Casa Ramil e os trabalhos individuais da família, como de Vitor, Ian e Thiago Ramil. Houve ainda um produto criado com tanto carinho que até chegou a lembrar os bons tempos da indústria do disco: "Tesouros MPB", pelo selo do SESC, uma caixinha de quatro CDs e um livreto de capa dura de 116 páginas com letras e textos explicativos. Resgata gravações ao vivo de 1975 que estiveram guardadas por 50 anos no acervo do músico Guttemberg Guarabyra. Os artistas são Sérgio Ricardo, Jackson do Pandeiro, Maurício Tapajós, Lucinha Lins, Fafá de Belém, Sidney Miller, Ivan Lins, César Costa Filho,  Sérgio Sampaio, Walter Queiroz e Sá & Guarabyra. Em Porto Alegre, encontrei essa relíquia na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, uma das raras lojas da capital gaúcha a oferecer lançamentos brasileiros de CDs e DVDs.

De resto, acabaram as fartas coletâneas e também a torcida por relançamentos em CD. Álbuns de músicos gaúchos que eu aguardava ansiosamente em compact disc saíram somente nas plataformas digitais. Exemplos: Hallai, Saracura, Maria Rita (não a filha da Elis), Annie Perec, o primeiro de Bebeto Alves, Terceiro Sinal de Jerônimo Jardim e vários volumes de festivais nativistas. De artistas de outros estados, cito o de 1982 do Roupa Nova, Dança dos Signos de Oswaldo Montenegro, Cartas, Canções e Palavras de Sá & Guarabyra, Eterno como Areia, Sinal de Amor e Sentimento Meu de Diana Pequeno e muitos outros. É possível comprá-los via iTunes e até gravá-los em CD-R, mas sem a mesma qualidade de um CD original feito a partir das fitas matrizes. Sem falar a ausência de encartes, com todas aquelas informações que a gente gostava de ler. Também não se fabricam mais as tradicionais caixinhas de acrílico. E os players estão desaparecendo de carros e computadores.

Em termos de vendas, o que pode estar acontecendo no Brasil é um aquecimento na procura por usados e importados. Mas isso, me desculpem, não é "volta do CD". Eu ainda tenho pelo formato o mesmo fascínio de quando ele surgiu como novidade no início dos anos 1980. E é uma pena vê-lo tão desvalorizado no Brasil, enquanto retorna o interesse por LPs que, ou custam uma fortuna (no caso de novos), ou estão cheios de chiados, estalidos e pulos.

Tragam de volta os CDs! Mas de verdade. Façam tiragens menores, se for o caso, mas não deixem de lançá-los.

sábado, agosto 22, 2026

Biografia de Kleiton & Kledir à venda no Rio

Hoje tem show de Kleiton, Kledir e Vitor Ramil no Vivo Rio, no Rio de Janeiro. Minha amiga Beth Mariya acaba de me enviar esta foto para mostrar que a biografia de Kleiton & Kledir está sendo vendida por lá. Muito bem!

segunda-feira, agosto 10, 2026

Aniversário do Blog

Hoje o Blog completa 22 anos. Com bem menos postagens do que nos primeiros tempos, mas sendo mantido no ar como uma vitrine alternativa às redes sociais para minhas manifestações. Em especial, aquelas que eu desejo que fiquem disponíveis para consulta permanente. Mesmo que percam a atualidade, mas se tornarão registros de sua época respectiva. As futuras gerações não entenderão, por exemplo, qual a graça das saudosas "Googladas Incautas", pois a inteligência artificial transformou o Google exatamente naquilo que os incautos pensavam que ele já fosse desde o início: um site que responde a perguntas. 

Sigamos!

domingo, agosto 09, 2026

Dia dos Pais


Como os leitores do Blog já sabem, meu filho é autista não-verbal. Ele não fala, não escreve e não lê. Mas aprendeu a escrever o nome dele na escolinha. A pedido da mãe dele, ele "assinou" meu presente de Dia dos Pais na minha frente. Eu já o tinha visto escrever o nome dele, mas não pensei que fosse fazer assim tão tranquilo, por solicitação. Adorei!
Aqui ele hoje à tarde num almoço de Dia dos Pais para o qual fomos convidados. O olhar dele é para uma churrasqueira ali adiante. Oba! Vai ter churrasco! 

segunda-feira, agosto 03, 2026

Rafael no Teledomingo

Quando fiz a postagem em homenagem a meu sobrinho Rafael, falecido no dia 23 de julho, mencionei que ele havia feito duas participações no Teledomingo em 2014. Pois ambas ainda estão disponíveis no Globoplay. A primeira está aqui e a segunda, aqui. Na segunda, aparece também o irmão dele, Ricardo, com a turma que está comendo. 

quinta-feira, julho 30, 2026

O adeus do Boteco Imperial

No dia 9 de dezembro de 2021, em plena pandemia, reencontrei-me com amigos de adolescência no Boteco Imperial. Naquele tempo eu não frequentava restaurantes e achava uma irresponsabilidade que alguns o fizessem normalmente. A menos que fosse um local ao ar livre. Insisti com meus amigos que só iria se sentássemos do lado de fora. Para garantir isso, cheguei cedo e logo reservei uma mesa para nós. Enquanto esperava, sozinho, tirei esta foto. Porto Alegre tem uma luminosidade bem bonita ao cair da tarde.

Pois hoje fiquei sabendo que o Imperial vai fechar. Sábado é o último dia. Uma pena.

domingo, julho 26, 2026

Até breve, Rafael

Tenho andado bem ocupado, mas não posso deixar de registrar uma notícia triste da semana que passou: o falecimento de meu sobrinho Rafael, filho número dois da minha irmã. Foi na quinta-feira, dia 23. Ele tinha 49 anos.

Lembro bem quando ele nasceu. Eu tinha 15 anos. Minha irmã queria muito ter um segundo filho - o primeiro, Rodrigo, tinha nascido seis anos antes - e finalmente conseguiu. Encontrei num sebo um "Livro do Bebê" de Mansueto Bernardi para dar de presente a ele. Eu deveria ter sido padrinho de crisma dele. Inclusive, houve um tempo, na infância, em que ele me chamava de Dindo. Mas ele nunca se crismou. E um detalhe que ninguém da família se deu conta, na época, é que, não sendo Católico, eu jamais poderia ter cumprido essa função. 
Rafael tinha duas coisas em comum comigo. Primeira: ele era quieto. O irmão dele que nasceu depois, o Ricardo, desde pequeno falava pelos cotovelos, era "vacinado com agulha de vitrola", como se dizia. Puxou à mãe. Já o Rafael puxou ao pai, caladão como ele. Mas fazia o tipo "quieto simpático". Conquistava a todos com seu carisma.
A outra característica que tínhamos em comum era o romantismo. Ele, como eu, se apaixonava e sofria por amor. Mas, nos últimos anos, estava feliz com sua companheira. Tiveram uma filha que deve estar agora com 8 anos. 
Uma característica dele que definitivamente eu não tenho é o dom artístico. Minha mãe tinha. Passou para minha irmã, que passou para ele. Achei legal quando ele fez a arte da capa de um caderno da Gang, depois repetiu o desenho na primeira página com dedicatória para a irmã dele, a Renata. Em 2003 ele foi responsável pelas ilustrações do livro "Bem Feito! Quem Mandou Organizar Eventos", de Josemar Basso, padrinho dele. 
Rafael formou-se em Publicidade e Propaganda pela mesma Faculdade onde cursei Jornalismo, a Famecos. E atuou na profissão. Em 2014 ele fez duas participações no programa Teledomingo, da RBS, mostrando lugares onde comer bem e barato na noite de Porto Alegre.  Até pouco depois de adoecer, ele tinha sua própria empresa, a Hélice. Como ele me explicou por Whatsapp em 2020: "A gente trabalha com cultura organizacional. Muitas das estratégias nas empresas não acontecem em função da cultura. Então a gente foca na transformação através de diálogos entre os colaboradores e construção de sentido do que é proposto". Ele havia feito um pós em Psicologia e estava colocando em prática seus novos conhecimentos.
Em dezembro, no aniversário da minha irmã, estranhei que ele estava falando com dificuldade. Então ele me contou que havia sido diagnosticado com a doença do neurônio motor. É uma condição degenerativa. Mas ele parecia disposto a lutar, a não se entregar. Chegou a criar um perfil no Instagram, "O Andarilho do Labirinto", para compartilhar as suas experiências em sua nova realidade. Mas o desfecho acabou sendo mais rápido do que todos poderiam imaginar. Ele teve uma pneumonia e, talvez em razão das defesas mais baixas, não resistiu. Mesmo assim, chegou a postar uma última mensagem, sem saber que seria uma despedida: 
Quinta passada participei de um grupo de discussão do livro "O Cavaleiro Preso na Armadura". Depois de entrar no caminho da verdade, o Cavaleiro deve encarar o Castelo do Silêncio. Na sexta eu entrei no Castelo do Silêncio.
Quadro de pneumonia e baixa saturação de oxigênio. Fui sedado e entubado. Só me acordaram no domingo na UTI do Clínicas. Hoje faz uma semana que estou aqui. Nada de heroísmo, força ou resiliência. Muita solidão, medo e fragilidade.
Sou privilegiado, sou cercado de muitas pessoas que me amam. Só que quando chega a noite, só sobra eu comigo mesmo. Cabeça, alma e coração em conversas que muito não me agradam.
É fácil viver, mas Deus usa roupas diferentes para cada ocasião. A vida no Castelo do Silêncio tem segundos, minutos e horas mais demoradas. E não é fácil. Eu tô cansado e fazendo pessoas sofrerem. Não tô desistindo de nada, mas não vejo beleza na luta.
Sonhei com essa música nas primeiras noites. Não é uma canção que eu escutava. Mas agora choro quando escuto.
A música, no caso, era "Bandolins", de Oswaldo Montenegro, que se ouve na postagem. Depois de ler tudo isso, lembrei que, quando ele nasceu, por sugestão de minha irmã, eu fiz um acróstico para ele. Mas nunca tinha chegado a mostrar nem para ele, nem para minha irmã, só para minha mãe. Talvez não o tenha considerado bom o suficiente. Mas achei que agora era hora de mostrar. E escrevi:
Rapaz, a vida é longa
Abraça-a sem temor
Felizes os que encontram
Ainda nela amor
E tu nos encontraste
Lembrou-te o Criador 
Esse acróstico eu fiz quando tu nasceste, por sugestão da tua mãe, mas acabei não mostrando nem pra ela. Mas a mensagem dele, escrita com a singeleza do tio de 15 anos que eu era, continua pertinente. Ainda encontras o amor das pessoas que te querem bem e o Criador, tenho certeza, continua lembrando de ti.
E ele curtiu a mensagem! Pode ter sido a sua última manifestação antes de perder a consciência. Agora, olho pra trás e vejo que foi tudo muito rápido. Quem esteve ao lado dele o tempo todo na hospitalização foi o irmão Ricardo, o tagarela. Segurava a mão dele no momento da partida.
Até breve, Rafael, sobrinho querido!