Antes tarde do que nunca, aqui vai a primeira postagem de
2026 no Blog. Comecei o ano realizando um sonho antigo: me dei de presente um
toca-discos Audio-Technica para fazer digitalizações de vinil. Há muitos anos
eu digitalizei alguns LPs e compactos usando meu toca-discos Aiwa e o gravador
de DVD com HD interno Pioneer. Gravava as músicas em DVD-R, trazia o disquinho
para o computador, extraía o áudio (já que, tecnicamente, era um vídeo, ainda
que sem imagem) e fazia eventuais conversões. Até que não ficava tão ruim. Mas
precisei trocar a agulha do toca-discos e não consegui substituí-la, a nova que
comprei não encaixou. Pra piorar, meu gravador de DVD começou a falhar. Ele era
perfeito para digitalizar fitas VHS e subir o conteúdo para o YouTube na
proporção correta de 4:3, o padrão dos televisores antigos. Hoje uso um
conversor RCA-HDMI e alimento a imagem do videocassete diretamente na placa
Avermedia. O resultado são arquivos em mp4, mas todos em
"widescreen". Para ver na TV na proporção certa, basta configurar o
"Ratio" no controle remoto. Mas, para o YouTube, vai a imagem
deformada, mesmo.
No ano passado, aprendi a fazer digitalizações diretamente
no computador. Comecei com fitas cassete. Um amigo me deu a dica do cabo Y que
eu teria que usar para efetuar a conexão. Consegui converter os áudios para
arquivos WAV sem problemas, posicionando o tape deck provisioriamente ao lado
do PC (meu modelo é um Dell desktop, não consigo me contentar com notebook).
Acho que funciona com o Audacity, mas como já tinha comprado o WavePad há anos,
optei por esse programa para as gravações. Foi o estímulo que faltava para
finalmente investir no toca-discos.
Comprei o modelo mais simples e barato da Audio-Technica, o AT-LP60X-BK-C.
Não tem Bluetooth nem conexão USB, mas não precisa. Curiosamente, ele vem com um
cabo Y semelhante ao que eu comprei no ano passado para fazer digitalizações do
tape deck, mas para ser usado de forma inversa: a conexão P2 na saída de áudio
e as conexões RCA para entrada em algum amplificador ou mini-system. Esse eu estou
dispensando: utilizo um conector P2-P2 para alimentar o som diretamente na
entrada de áudio (azul) do computador. E gravo com o WavePad. A exemplo do que
fiz com o tape deck, coloco o toca-discos provisoriamente ao lado do computador
para essa tarefa. Um contratempo é que, com a placa de som do meu PC, não
consigo ouvir em tempo real o que estou digitalizando. No caso do tape deck, eu
resolvia conectando a saída dos fones em um som portátil que tenho aqui. Para
vinil, o jeito é ficar cuidando para ver quando o disco termina e encerrar a
gravação. Depois, é fácil de tirar os excessos do começo e do final no próprio
programa.
Estou curtindo demais o meu brinquedo novo. Pensem numa
compra boa, daquelas que a gente aproveita bastante e não se arrepende do
gasto. Já separei vários LPs e compactos nunca lançados em CD para digitalizar.
Quase todos são de música brasileira, mas me permiti escolher alguns de
artistas estrangeiros. Também tenho compactos raros que comprei recentemente e
nunca tinha ouvido. Uma decepção é constatar que alguns discos não estão tão
bem conservados quanto eu esperava. Sempre me orgulhei de cuidar bem de meus
vinis, mas às vezes aparecem estalidos e até "pulos" (geralmente
resultando em um traço vertical de cima a baixo na onda sonora mostrada pelo
WavePad). Há casos em que é apenas um grão de poeira que se alojou no sulco e é
relativamente fácil de remover. Aí, repito a digitalização. Mas vou
providenciar um acessório para limpeza de discos. Nos velhos tempos, eu tinha
um e gostava dele.
Enfim, arranjei uma nova "cachaça". E assim me
reencontro prazerosamente com meus discos de vinil, aqueles que ainda não vendi
por não terem CDs que os substituam. Breve devo subir algumas dessas
preciosidades para o YouTube. Uma delas já está lá: o tango "Passo Fundo", de 1973, parceria de Donato Racciatti com o então prefeito da
cidade, Edu Vila Azambuja. Mas não posso negar que esses estalidos e
"pulos" que venho encontrando nas digitalizações me fazem lembrar por
que prefiro o CD e abracei o novo formato com entusiasmo, quando surgiu. E é uma
pena que, ao menos no Brasil, o compact disc esteja desaparecendo, enquanto as
gravadoras voltam a lançar LPs, só que a preço de item de luxo. Por favor, não
deixem morrer o CD!