O debate que não houve
Acho que a Globo não deveria ter sido proibida de exibir uma cadeira vazia no debate. Foi uma restrição excessiva. Mas, principalmente, porque essa prática não prejudicaria o Lula em nada. A emissora fez exatamente isso em 2006, em que Lula também não compareceu, e o resultado foi um circo patético. A câmera ficava mostrando a cadeira vazia, como se esperasse uma resposta dela. Ou como se desse a Lula a chance de aparecer ali num passe de mágica.
No fim, a Globo cancelou o debate, alegando "insegurança jurídica". A meu ver, não foi só esse o motivo. A gota d'água foi a desistência de Flávio Bolsonaro faltando apenas duas horas para o início. Que audiência teria um programa só com os candidatos sem chance de ir para o segundo turno? E uma curiosidade é que, se não tivesse havido a proibição, teriam que ser feitas perguntas também à cadeira vazia do Bolsonarinho.
Quando Jair Bolsonaro deixou de participar de um debate, eu argumentei, no Facebook, que era um direito dele, lembrando que Lula e outros já haviam feito o mesmo. Campanha eleitoral não é como processo judicial. Os candidatos não são "réus" que precisem comparecer às "audiências" e responder às "acusações" sob pena de revelia ou confissão. Eles podem se omitir e isso não os impede de ganhar votos. O eleitor é quem decide.
Então vamos decidir. É no domingo. Torço pelos meus candidatos, mas é inútil tentar "abrir os olhos" de quem pretende votar diferente de mim. Se conseguirmos continuar escolhendo nossos governantes e representantes e, principalmente, respeitando o resultado da eleição, já estaremos no lucro.










