domingo, junho 07, 2026

O insubstituível iPod Shuffle

Descobri o que eu costumo chamar de "mundo maravilhoso dos audiobooks" em 2011. Achei bem prático o sistema da Audible de vendê-los pelo site, para download. O formato específico era próprio para uso com dispositivos da linha Apple. Foi então que adquiri o meu primeiro iPod Shuffle de 4ª geração, um aparelho pequeno, do tamanho de um biscoitinho de queijo, com 2GB de memória. Levei algum tempo para entender como funcionava o esquema das playlists, montadas a partir do iTunes (para o caso de música).

Depois que peguei a manha, o iPod tornou-se meu companheiro inseparável. E, com ele, os audiobooks. Ganhei um incentivo a mais para minhas caminhadas, além de um meio de tornar prazerosas outras atividades solitárias, como refeições (quando desacompanhado), tarefas caseiras que não exijam atenção e deslocamentos em geral, inclusive de carro. Via iPod, os audiobooks entraram em minha vida e não saíram mais.

Em 2017, a Apple parou de fabricar o iPod. Mas não notei isso imediatamente. Percebi quando quis comprar um aparelho novo e não encontrei mais nas lojas. Recorri ao Mercado Livre e até consegui um ainda lacrado. Mas minhas compras posteriores - motivadas, reconheço vergonhosamente, por ter perdido o biscoitinho de metal, na maioria dos casos - já exigiram um garimpo maior. Atualmente, fico de olho nos usados que aparecem de vez em quando. Se surge um a preço módico que pareça estar em bom estado, eu encomendo.

Por que o iPod foi descontinuado? Com certeza, porque hoje é possível ouvir audiobooks pelos smartphones. E diretamente nos sites dos provedores. A Audible ainda oferece uma vantagem para quem se cadastra nos "planos" que ela disponibiliza, que é a chance de ouvir vários audiobooks do catálogo (não todos) sem precisar "comprá-los". Nesse caso, funciona como um serviço de streaming semelhante a Spotify e outros. A Audible americana tinha um sistema de créditos que permitia realmente a compra de um ou dois títulos por mês, conforme o plano, pelo preço fixo da mensalidade. Aliás, ainda tem, mas não está mais disponível para brasileiros. Já na Audible brasileira, os únicos benefícios aos usuários mensalistas é desconto de 30% no preço de compra dos títulos e acesso gratuito aos audiobooks incluídos na mensalidade.  

Então, por que insisto com o velho e bom iPod Shuffle? Porque não gosto de ouvir audiobooks no smartphone. É um trambolho difícil de carregar e manusear durante uma caminhada. Se eu quiser executar qualquer comando, tenho que olhar para a tela e mirar nos botões certos. O iPod, além de pequeno, leve e fácil de prender na roupa, ainda pode ser operado pelo tato. Só de passar os dedos nele, eu já acho onde clicar para levantar ou baixar o volume, recuar ou avançar na minha audição ou pular capítulo. Talvez um smartphone flip fosse pequeno o suficiente para não se tornar um trambolho, mas custa milhares de reais, é maior que um iPod e também exige visualização da tela. Não adianta: pra mim, o iPod Shuffle é insubstituível.

Por isso, a inscrição no plano da Audible brasileira só seria vantajosa para mim se eu comprasse uma quantidade tal de audiobooks por mês que, pelo desconto de 30%, compensasse a mensalidade. Porque eu não teria a chance de baixar os títulos disponibilizados gratuitamente para colocá-los no iPod. Eu até me inscrevi no "mês grátis de teste". Tentei ouvir alguns livros pelo site, no computador e no smartphone, e não gostei. Tenho que poder escutá-los "por aí", livremente, sem depender de celular. Então aproveitei para comprar vários audiobooks por bom preço, inclusive diversos em pré-venda, garantindo o valor menor, mas não sei se confirmarei minha inscrição ao final dos trinta dias.

Por fim, vejo no Mercado Livre que, de uma hora para outra, surgiu uma enxurrada de iPods novos importados da China. Devem ser "similares", não os oficiais da Apple. Se funcionarem bem, já resolvem o meu problema. Mas vou dando preferência aos usados, por enquanto, pois esses chineses ainda têm o valor da taxa de importação para encarecer a compra. Seria um investimento de risco. Mas, se precisar, darei uma chance a essa nova geração de "genéricos".

Alô, Apple, traga de volta o iPod Shuffle de 4º geração! Não deixe os velhos usuários de audiobooks à mercê do streaming!

quarta-feira, junho 03, 2026

Blog agora citado também em audiobook

Com o lançamento de "Nenhum de Nós: a Obra Inteira de uma Vida", de Marcelo Ferla, em audiobook (ou audiolivro), este Blog agora é também citado nesse formato. Conforme eu já tinha registrado aqui, o autor usou meu texto sobre o show de David Bowie no Olympia, em São Paulo, como fonte. Especificamente, o fato de Bowie ter dito "esta é uma música que vocês conhecem em português" antes de cantar "Starman" (referindo-se à versão "Astronauta de Mármore"). A narração é de Régis Santos.

quarta-feira, maio 27, 2026

Pesquisando no Museu

Frequento o Museu de Comunicação Hipólito da Costa desde 2007, quando fiz pesquisas sobre a Rádio Continental de Porto Alegre dos anos 70 para contribuir com o livro "Continental, a Rádio Rebelde de Roberto Marinho". O autor, Lucio Haeser, se encontrava em Brasília, então dei essa força pra ele. Naquela época eu ainda não estava aposentado, então aproveitava meu horário de almoço e também os sábados pela manhã para examinar os jornais. Por algumas semanas, cheguei a ir lá praticamente todos os dias.

Por isso, é impossível para mim não lamentar que hoje o Museu disponibilize o seu acervo apenas por hora marcada, com três dias disponíveis na semana. Para quem precisa pesquisar intensamente, ou mesmo para quem o faz apenas por prazer, é pouco. Claro que devemos agradecer a existência do Museu, prestando esse inestimável serviço gratuitamente. E o atendimento é ótimo. Mas se já funcionou em tempo integral antes, por que não agora? E não era em vão: a sala de pesquisas, que eu lembre, nunca estava vazia. E enchia bastante aos sábados de manhã, que era quando podiam ir os que trabalhavam durante a semana. Acho que vou iniciar uma campanha pela volta do antigo horário de atendimento ao público do Museu de Comunicação.

terça-feira, maio 19, 2026

Kindle: fim de um ciclo

 
A partir de amanhã, a Amazon americana não dará mais suporte ao aparelho Kindle que comprei em 2012. Estranhamente, não recebi nenhum aviso semelhante da Amazon brasileira. Eu tenho conta nas duas usando e-mails diferentes. E disponho de outro aparelho Kindle, de modelo diverso, para uso com a Amazon.br. Mas a maioria de meus títulos é da americana. E é a conta dela que uso no Kindle for PC e também no smartphone. Além disso, gosto mais do aparelho antigo, que funciona com e-ink, sem luz própria, e é comandado por botões externos e não pela própria tela. Acho mais prático.
Estava relendo as primeiras vezes em que mencionei Kindle aqui no Blog. É curioso como, a princípio, eu pensava em usar e-books em acréscimo, não em substituição, aos livros físicos. Mas acabei percebendo que, nos casos de livros realmente de texto e não de fotos, não havia por que mantê-los em duplicidade. E com a dificuldade que tive de transportar minha biblioteca na mudança, em janeiro de 2013, fiquei mais fã ainda do livro eletrônico. Recebe-se o livro na hora da compra e começa-se a lê-lo imediatamente, caso se deseje. 
Mas, a partir de amanhã, o meu e-reader original não aceitará mais livros novos. Poderei ler nele os que já baixei. Sabendo disso, decidi verificar que títulos estavam instalados, quais eu quereria manter, quais excluir e quais baixar do site enquanto ainda dava tempo.
Num primeiro momento, achei que estava tudo perdido. É normal o aparelho Kindle descarregar sozinho, sem uso. Mas conectei-o na tomada e, mesmo quando a luz verde indicou carga completa, continuei enxergando uma tela totalmente branca. Aí lembrei que isso já tinha acontecido antes e consegui resolver. Fui verificar num diálogo com uma amiga como tinha sido a solução. Basta pressionar o botão liga/desliga por um minuto ou mais e depois soltá-lo. Aí o dispositivo volta a funcionar.
Para aumentar o espaço de armazenamento, excluí dicionários (que só uso praticamente no computador) e títulos que eu tinha também em audiobook. Instalei o maior número possível de livros que não tivesse lido ainda. O total deu - pasmem - 393! A biblioteca Kindle inteira já está em 877! Não me perguntem se terei tempo de ler tudo ainda nesta vida. Isso nunca se pergunta para uma pessoa que gosta de livros. A gente compra pensando em ler. Todos. 
Citei o computador. Antes mesmo de ter o aparelho, eu já tinha instalado o Kindle for PC para fazer minhas leituras no desktop. Pode-se ler também na nuvem, no site da Amazon. Ou no smartphone. E escolher o tamanho da letra. Isso é maravilhoso. Eu já fui adepto daquele discurso de que "livro tem que ser em papel, para a gente folhear, sentir o cheiro, colocar na prateleira..." Agora, não mais. O importante é poder ler da melhor forma possível.
Uma questão delicada é: como deixar minha biblioteca Kindle de herança? A melhor forma é repassando minha conta e senha da Amazon. Espero que isso seja possível. O meu aparelho Kindle, a partir de amanhã, ficará engessado somente com os livros que já estão lá. Esse pode ser deixado a eventuais herdeiros. Ou talvez daqui a uns trinta anos apareça um anúncio no Mercado Livre: "Aparelho Kindle fora de linha com 393 livros instalados. Não aceita livros novos nem permite exportação dos que já estão nele". Se ainda funcionar. 
Por fim, no momento, não pretendo comprar outro Kindle para substituí-lo. Por enquanto, para e-books que eu adquirir daqui para a frente da Amazon americana, usarei o smartphone e o computador. Mais tarde, quem sabe? Mas é uma pena que não fabriquem mais modelos como o antigo, sem luz própria e operado por botões externos. Nos atuais, dá pra reduzir a luminosidade ao máximo, mas fica muito escuro.

sábado, maio 09, 2026

Tasso Bangel (1931-2026)

Faleceu hoje uma lenda da música do Rio Grande do Sul: Tasso Bangel, fundador do Conjunto Farroupilha. Ele fez trabalhos fora do conjunto, também, e acima estão alguns deles. A foto abaixo é do dia 24 de março de 2013: Tasso apresentando a sua Camerata Pampeana no Parcão, em Porto Alegre. Há tempos eu digo que o Conjunto Farroupilha merecia uma biografia e conheço várias pessoas com condições de escrevê-la. 

sexta-feira, maio 08, 2026

Luiz Sérgio Carlini (1952-2026)


Faleceu ontem o guitarrista Luiz Sérgio Carlini, do Tutti Frutti. A foto acima foi tirada há exatos 28 anos, no dia 8 de maio de 1998, também uma sexta-feira, no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, no show coletivo "Heróis do Rock". Da esquerda para a direita: Deborah do Made in Brazil, Fughetti do Bixo da Seda e Carlini. Com a partida deste, os três se reencontram no outro plano. 

domingo, maio 03, 2026

Buscando o empate

Faz tempo que não acompanho futebol, mas hoje eu estava com meu filho na casa dele enquanto a TV mostrava o clássico Flamengo e Vasco. O jogo estava 2 a 0 para o Flamengo quando, na segunda metade, faltando seis minutos para o fim do tempo regulamentar, o Vasco conseguiu descontar. Aí, me interessei pelo jogo. Resolvi torcer para que o time alvinegro fizesse mais um e empatasse a partida. Pois isso aconteceu, pasmem, no sétimo e último minuto da prorrogação. E com um gol de rara feitura: Hugo Moura cabeceou para baixo, a bola quicou no gramado e rumou para o fundo da rede. 

Não que isto seja surpresa, mas a postura das torcidas ao final confirmou o que eu sempre pensei, desde a infância, nos meus tempos de colorado fanático: num empate com gols, o time que consegue igualar o placar fica com sensação de vitória. Flamengo e Vasco fizeram o mesmo número de gols, não houve vencedor ou vencido, mas a torcida que comemorava efusivamente ao final, agitando suas bandeiras, era a do Vasco. 

Uma curiosidade é que, em 1974, foi o Vasco que cedeu o empate após estar vencendo por 2 a 0, justamente para o meu time, o Internacional. Para o Colorado, aquele jogo não valia nada, mas o Vasco sairia dali Campeão Brasileiro, se vencesse. E ainda assim, por amor à camiseta, o time rubro igualou o escore e adiou o título dos cariocas.