terça-feira, setembro 08, 2026

O sucesso brasileiro de Elton John

Em 1973, possivelmente em maio, eu estava circulando pela Galeria do Rosário, em Porto Alegre. Minha irmã morava no Edifício Oliveira Castro, praticamente ao lado, na Rua Vigário José Inácio, e eu ia bastante lá. Aproveitava para circular na galeria porque lá havia três lojas de discos: A Musical, mais próxima da saída (ou entrada) da Marechal Floriano, Kidiscos, mais ou menos no meio, e Discorama, perto da Vigário. Eu tinha 12 anos. 

Foi na Kidiscos que ouvi uma balada muito bonita que me cativou imediatamente. Entrei na loja e fui conferir o disco. Era um compacto duplo chamado 4 Top Hits From England, com artistas diversos. No caso, a música que me encantara era "Skyline Pigeon", com Elton John. Eu já conhecia Elton por "Rocket Man" e talvez, não tenho certeza, por "Crocodile Rock". Comprei o disco na hora. A contracapa trazia a letra, então "Skyline Pigeon" tornou-se a segunda música em inglês que memorizei em minha vida, mesmo sem entender nada. A primeira havia sido "Tell me once again", do grupo brasileiro Light Reflections, que encontrei em uma revistinha de letras. 
Mais para o final do ano, "Skyline Pigeon" estourou. Deve ter sido por sua inclusão no LP da trilha sonora internacional da novela "Carinhoso". Uma curiosidade é que, antes disso, ela tinha entrado no LP Sua Paz Mundial, da Rádio Mundial do Rio, um disco em que as faixas foram acrescidas de efeitos especiais. Como a gravadora era a mesma das novelas, a Som Livre, foi essa versão modificada que constou no álbum "Carinhoso". Eu e um amigo que também tinha comprado o compacto duplo "4 Top Hits From England" mais ou menos na mesma época nos vangloriávamos de já conhecer a canção muito antes de estourar. Talvez em Porto Alegre tenha havido um atraso nesse sucesso, já que as novelas, naquele tempo, vinham para cá com defasagem de alguns meses. 
Em 1975, o primeiro LP de Elton John, Empty Sky, de 1969, finalmente foi lançado nos Estados Unidos e no Brasil (aqui com uma capa diferente das edições inglesa e americana). E aí os brasileiros tiveram a surpresa de saber que "Skyline Pigeon" tinha sido gravada anteriormente com cravo e órgão. As notas finais mostram clara influência de Bach. Mas, investigando-se mais a fundo, descobre-se que, ainda antes de Elton, Guy Darrel havia lançado a música em single pela Pye Records e Roger Cook pela Columbia Records, ambos em 1968.
"Skyline Pigeon" só fez sucesso no Brasil e esse fato é registrado nesta página aqui do site oficial de Elton John. Originalmente, a versão com piano era o lado B do single "Daniel", gravada nas mesmas sessões do LP Don't Shoot Me, I'm Only the Piano Player, de 1973, mas deixada de fora do álbum. Aparece como faixa-bônus em alguns relançamentos em CD. Para não dizer que nunca constou em nenhuma coletânea, ela abre o terceiro CD da versão "Deluxe" da compilação Diamonds. Elton sabe dessa predileção do público brasileiro pela música e sempre a apresenta em seus shows no Brasil. Como fez ontem à noite no Rock in Rio, após anunciar: "A próxima é a primeira boa canção que compus com Bernie [Taupin] e o Brasil é o único lugar em que ela se tornou popular". Obrigado, Elton!

segunda-feira, setembro 07, 2026

Volta do CD? Não aqui.

Começaram a surgir postagens no Facebook falando em "volta do CD". Meu primeiro pensamento foi: onde? No Brasil, com certeza, não. Mas logo uma lida rápida no começo das matérias respectivas confirmou: de fato, houve um aumento de vendas nos Estados Unidos. Aí, nenhuma surpresa. Basta verificar o site da Amazon americana para ver que, lá, os CDs continuam sendo lançados e vendidos normalmente. E também formatos físicos de vídeo, como DVD, Blu-ray e uma mídia ainda mais sofisticada que os brasileiros nem sabem que existe, o disco de 4K.

Mas aqui a realidade é outra. A pandemia acelerou um processo que provavelmente era inevitável, que foi o fim da fabricação de mídias físicas em larga escala. Ainda se encontram alguns lançamentos isolados em CD, como MPB-4, projeto Casa Ramil e os trabalhos individuais da família, como de Vitor, Ian e Thiago Ramil. Houve ainda um produto criado com tanto carinho que até chegou a lembrar os bons tempos da indústria do disco: "Tesouros MPB", pelo selo do SESC, uma caixinha de quatro CDs e um livreto de capa dura de 116 páginas com letras e textos explicativos. Resgata gravações ao vivo de 1975 que estiveram guardadas por 50 anos no acervo do músico Guttemberg Guarabyra. Os artistas são Sérgio Ricardo, Jackson do Pandeiro, Maurício Tapajós, Lucinha Lins, Fafá de Belém, Sidney Miller, Ivan Lins, César Costa Filho,  Sérgio Sampaio, Walter Queiroz e Sá & Guarabyra. Em Porto Alegre, encontrei essa relíquia na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, uma das raras lojas da capital gaúcha a oferecer lançamentos brasileiros de CDs e DVDs.

De resto, acabaram as fartas coletâneas e também a torcida por relançamentos em CD. Álbuns de músicos gaúchos que eu aguardava ansiosamente em compact disc saíram somente nas plataformas digitais. Exemplos: Hallai, Saracura, Maria Rita (não a filha da Elis), Annie Perec, o primeiro de Bebeto Alves, Terceiro Sinal de Jerônimo Jardim e vários volumes de festivais nativistas. De artistas de outros estados, cito o de 1982 do Roupa Nova, Dança dos Signos de Oswaldo Montenegro, Cartas, Canções e Palavras de Sá & Guarabyra, Eterno como Areia, Sinal de Amor e Sentimento Meu de Diana Pequeno e muitos outros. É possível comprá-los via iTunes e até gravá-los em CD-R, mas sem a mesma qualidade de um CD original feito a partir das fitas matrizes. Sem falar a ausência de encartes, com todas aquelas informações que a gente gostava de ler. Também não se fabricam mais as tradicionais caixinhas de acrílico. E os players estão desaparecendo de carros e computadores.

Em termos de vendas, o que pode estar acontecendo no Brasil é um aquecimento na procura por usados e importados. Mas isso, me desculpem, não é "volta do CD". Eu ainda tenho pelo formato o mesmo fascínio de quando ele surgiu como novidade no início dos anos 1980. E é uma pena vê-lo tão desvalorizado no Brasil, enquanto retorna o interesse por LPs que, ou custam uma fortuna (no caso de novos), ou estão cheios de chiados, estalidos e pulos.

Tragam de volta os CDs! Mas de verdade. Façam tiragens menores, se for o caso, mas não deixem de lançá-los.

sábado, agosto 22, 2026

Biografia de Kleiton & Kledir à venda no Rio

Hoje tem show de Kleiton, Kledir e Vitor Ramil no Vivo Rio, no Rio de Janeiro. Minha amiga Beth Mariya acaba de me enviar esta foto para mostrar que a biografia de Kleiton & Kledir está sendo vendida por lá. Muito bem!

segunda-feira, agosto 10, 2026

Aniversário do Blog

Hoje o Blog completa 22 anos. Com bem menos postagens do que nos primeiros tempos, mas sendo mantido no ar como uma vitrine alternativa às redes sociais para minhas manifestações. Em especial, aquelas que eu desejo que fiquem disponíveis para consulta permanente. Mesmo que percam a atualidade, mas se tornarão registros de sua época respectiva. As futuras gerações não entenderão, por exemplo, qual a graça das saudosas "Googladas Incautas", pois a inteligência artificial transformou o Google exatamente naquilo que os incautos pensavam que ele já fosse desde o início: um site que responde a perguntas. 

Sigamos!

domingo, agosto 09, 2026

Dia dos Pais


Como os leitores do Blog já sabem, meu filho é autista não-verbal. Ele não fala, não escreve e não lê. Mas aprendeu a escrever o nome dele na escolinha. A pedido da mãe dele, ele "assinou" meu presente de Dia dos Pais na minha frente. Eu já o tinha visto escrever o nome dele, mas não pensei que fosse fazer assim tão tranquilo, por solicitação. Adorei!
Aqui ele hoje à tarde num almoço de Dia dos Pais para o qual fomos convidados. O olhar dele é para uma churrasqueira ali adiante. Oba! Vai ter churrasco! 

segunda-feira, agosto 03, 2026

Rafael no Teledomingo

Quando fiz a postagem em homenagem a meu sobrinho Rafael, falecido no dia 23 de julho, mencionei que ele havia feito duas participações no Teledomingo em 2014. Pois ambas ainda estão disponíveis no Globoplay. A primeira está aqui e a segunda, aqui. Na segunda, aparece também o irmão dele, Ricardo, com a turma que está comendo. 

quinta-feira, julho 30, 2026

O adeus do Boteco Imperial

No dia 9 de dezembro de 2021, em plena pandemia, reencontrei-me com amigos de adolescência no Boteco Imperial. Naquele tempo eu não frequentava restaurantes e achava uma irresponsabilidade que alguns o fizessem normalmente. A menos que fosse um local ao ar livre. Insisti com meus amigos que só iria se sentássemos do lado de fora. Para garantir isso, cheguei cedo e logo reservei uma mesa para nós. Enquanto esperava, sozinho, tirei esta foto. Porto Alegre tem uma luminosidade bem bonita ao cair da tarde.

Pois hoje fiquei sabendo que o Imperial vai fechar. Sábado é o último dia. Uma pena.