domingo, julho 26, 2026

Até breve, Rafael

Tenho andado bem ocupado, mas não posso deixar de registrar uma notícia triste da semana que passou: o falecimento de meu sobrinho Rafael, filho número dois da minha irmã. Foi na quinta-feira, dia 23. Ele tinha 49 anos.

Lembro bem quando ele nasceu. Eu tinha 15 anos. Minha irmã queria muito ter um segundo filho - o primeiro, Rodrigo, tinha nascido seis anos antes - e finalmente conseguiu. Encontrei num sebo um "Livro do Bebê" de Mansueto Bernardi para dar de presente a ele. Eu deveria ter sido padrinho de crisma dele. Inclusive, houve um tempo, na infância, em que ele me chamava de Dindo. Mas ele nunca se crismou. E um detalhe que ninguém da família se deu conta, na época, é que, não sendo Católico, eu jamais poderia ter cumprido essa função. 
Rafael tinha duas coisas em comum comigo. Primeira: ele era quieto. O irmão dele que nasceu depois, o Ricardo, desde pequeno falava pelos cotovelos, era "vacinado com agulha de vitrola", como se dizia. Puxou à mãe. Já o Rafael puxou ao pai, caladão como ele. Mas fazia o tipo "quieto simpático". Conquistava a todos com seu carisma.
A outra característica que tínhamos em comum era o romantismo. Ele, como eu, se apaixonava e sofria por amor. Mas, nos últimos anos, estava feliz com sua companheira. Tiveram uma filha que deve estar agora com 8 anos. 
Uma característica dele que definitivamente eu não tenho é o dom artístico. Minha mãe tinha. Passou para minha irmã, que passou para ele. Achei legal quando ele fez a arte da capa de um caderno da Gang, depois repetiu o desenho na primeira página com dedicatória para a irmã dele, a Renata. Em 2003 ele foi responsável pelas ilustrações do livro "Bem Feito! Quem Mandou Organizar Eventos", de Josemar Basso, padrinho dele. 
Rafael formou-se em Publicidade e Propaganda pela mesma Faculdade onde cursei Jornalismo, a Famecos. E atuou na profissão. Em 2014 ele fez duas participações no programa Teledomingo, da RBS, mostrando lugares onde comer bem e barato na noite de Porto Alegre.  Até pouco depois de adoecer, ele tinha sua própria empresa, a Hélice. Como ele me explicou por Whatsapp em 2020: "A gente trabalha com cultura organizacional. Muitas das estratégias nas empresas não acontecem em função da cultura. Então a gente foca na transformação através de diálogos entre os colaboradores e construção de sentido do que é proposto". Ele havia feito um pós em Psicologia e estava colocando em prática seus novos conhecimentos.
Em dezembro, no aniversário da minha irmã, estranhei que ele estava falando com dificuldade. Então ele me contou que havia sido diagnosticado com a doença do neurônio motor. É uma condição degenerativa. Mas ele parecia disposto a lutar, a não se entregar. Chegou a criar um perfil no Instagram, "O Andarilho do Labirinto", para compartilhar as suas experiências em sua nova realidade. Mas o desfecho acabou sendo mais rápido do que todos poderiam imaginar. Ele teve uma pneumonia e, talvez em razão das defesas mais baixas, não resistiu. Mesmo assim, chegou a postar uma última mensagem, sem saber que seria uma despedida: 
Quinta passada participei de um grupo de discussão do livro "O Cavaleiro Preso na Armadura". Depois de entrar no caminho da verdade, o Cavaleiro deve encarar o Castelo do Silêncio. Na sexta eu entrei no Castelo do Silêncio.
Quadro de pneumonia e baixa saturação de oxigênio. Fui sedado e entubado. Só me acordaram no domingo na UTI do Clínicas. Hoje faz uma semana que estou aqui. Nada de heroísmo, força ou resiliência. Muita solidão, medo e fragilidade.
Sou privilegiado, sou cercado de muitas pessoas que me amam. Só que quando chega a noite, só sobra eu comigo mesmo. Cabeça, alma e coração em conversas que muito não me agradam.
É fácil viver, mas Deus usa roupas diferentes para cada ocasião. A vida no Castelo do Silêncio tem segundos, minutos e horas mais demoradas. E não é fácil. Eu tô cansado e fazendo pessoas sofrerem. Não tô desistindo de nada, mas não vejo beleza na luta.
Sonhei com essa música nas primeiras noites. Não é uma canção que eu escutava. Mas agora choro quando escuto.
A música, no caso, era "Bandolins", de Oswaldo Montenegro, que se ouve na postagem. Depois de ler tudo isso, lembrei que, quando ele nasceu, por sugestão de minha irmã, eu fiz um acróstico para ele. Mas nunca tinha chegado a mostrar nem para ele, nem para minha irmã, só para minha mãe. Talvez não o tenha considerado bom o suficiente. Mas achei que agora era hora de mostrar. E escrevi:
Rapaz, a vida é longa
Abraça-a sem temor
Felizes os que encontram
Ainda nela amor
E tu nos encontraste
Lembrou-te o Criador 
Esse acróstico eu fiz quando tu nasceste, por sugestão da tua mãe, mas acabei não mostrando nem pra ela. Mas a mensagem dele, escrita com a singeleza do tio de 15 anos que eu era, continua pertinente. Ainda encontras o amor das pessoas que te querem bem e o Criador, tenho certeza, continua lembrando de ti.
E ele curtiu a mensagem! Pode ter sido a sua última manifestação antes de perder a consciência. Agora, olho pra trás e vejo que foi tudo muito rápido. Quem esteve ao lado dele o tempo todo na hospitalização foi o irmão Ricardo, o tagarela. Segurava a mão dele no momento da partida.
Até breve, Rafael, sobrinho querido!

sexta-feira, julho 17, 2026

Veranico de julho

Hoje tivemos o "veranico de julho" em Porto Alegre. No ano passado ele foi adiado para o dia 1º de agosto. Só que, desta vez, pelo que alerta a Defesa Civil, virá uma tempestade bem feia a seguir. Esperemos que os estragos não sejam muito grandes. 

segunda-feira, julho 13, 2026

Wilson Ney (1946 - 2026)

Wilson Ney era um nome do qual eu apenas tinha ouvido falar vagamente, até que minha amiga Nereidy Alves me convidou para participar de um projeto sobre ele. Mergulhei na pesquisa e fiquei fascinado com a história deste compositor de Porto Alegre que queria fazer canções românticas, até que foi convidado a criar músicas para Escolas de Samba de Porto Alegre. Virou uma lenda, tendo composições gravadas por Neguinho da Beija-Flor (que o cita entre seus compositores preferidos), Leci Brandão, além de intérpretes gaúchos como Antônio Lemos e Maria Helena Montier. Entre suas obras de maior destaque estão "Fogo de palha", "Dou a fantasia", "Convite ao povo" (mais conhecida pelo verso "povo meu, povo meu") e "Recomeçar", esta gravada por Neguinho da Beija-Flor em dueto com Roberto Ribeiro. Hoje levantei cedo para ir para mais uma sessão de pesquisas sobre ele no Museu de Comunicação e fui surpreendido pela notícia da filha dele, Veridiana, de que ele faleceu.  Ele havia tido um AVC em novembro de 2020 e estava com a saúde debilitada. Se depender da equipe que está envolvida neste projeto, sua memória será preservada com o maior carinho.

domingo, julho 05, 2026

Comentário rápido

Nunca fui profundo entendedor de futebol nem nos meus velhos tempos de colorado fanático. Apenas torcia. Mas, com a desclassificação da Seleção Brasileira contra a Noruega, eu lembro do que pensei quando soube da contratação de Carlo Ancelotti: por que um italiano? O Brasil exporta técnicos, pô! E como geralmente o treinador é o bode expiatório de qualquer campanha frustrada, eu me pergunto se não encontrarão uma brecha para rescindir o contrato dele antecipadamente. 

segunda-feira, junho 15, 2026

Mais obsolescência forçada

Chegou para mim hoje um livro Kindle do qual eu já tinha feito a compra antecipada. Quando fui tentar abri-lo com o Kindle for PC, fui informado de que deveria atualizar o software para conseguir lê-lo. Baixei a atualização e, quando tentei instalá-la, recebi a mensagem de que meu sistema operacional era incompatível com a nova versão. É como eu sempre digo: atualizar, atualizar, atualizar... pra continuar fazendo a mesma coisa! Benefício agregado? Zero. E se houver, terá sido uma "melhora não solicitada". Hoje eu faço no Word o mesmo que já fazia em 1996, quando comprei meu primeiro computador. Apenas tive que me sujeitar a mil atualizações de hardware e software para poder abrir e editar arquivos de extensão docx. No caso do Kindle, se eu quiser ler meu livro novo no computador, posso fazê-lo diretamente no site da Amazon. E consigo abri-lo normalmente no smartphone. Mas não na minha versão atual do Kindle for PC. E a nova é incompatível com meu sistema operacional. É praticamente uma chantagem para que atualizemos tudo... e continuemos fazendo as mesmas coisas!

P.S.: Consegui baixar uma atualização do Kindle for PC que instalou sem problemas e resolveu o problema da incompatibilidade com os últimos títulos comprados. Baixei pelo próprio programa e não "por fora", como tinha feito antes. Ufa! Ganhei uma sobrevida no uso do Kindle pelo computador.

Livro sobre Charly Garcia no Brasil

No dia 30 de janeiro, fiz uma postagem que começava assim: "Hoje à tarde fui conversar com um jornalista de Brasília que está em Porto Alegre para fazer pesquisas para um futuro livro. Vou deixar que ele mesmo divulgue o projeto, quando chegar a hora". Pois a hora chegou!  Começou hoje o financiamento coletivo de "Pasajero em trance - Uma história de Charly Garcia no Brasil", de Diego Queijo. Ele me achou aqui pelo Blog e me entrevistou para saber detalhes das passagens do músico argentino pela capital gaúcha. Forneci a ele todas as informações que tinha, mandei também fotos que tirei de shows e indiquei outras pessoas que poderiam ser boas fontes. O lançamento é da Satolep Press. Senti-me honrado porque ele usou duas fotos tiradas por mim na imagem de divulgação acima. Para fazer a encomenda antecipada e ainda escolher entre várias opções com recompensas diversas, cliquem aqui.

sexta-feira, junho 12, 2026

Dia dos Namorados

Ainda lembro do meu primeiro Dia dos Namorados, que inclusive citei rapidamente em um texto anterior do Blog (aqui). Eu tinha 7 anos e namorava uma menina que voltava comigo do colégio na Kombi e morava no mesmo edifício que eu. No dia 12 de junho de 1968, nos encontramos no apartamento dela. Sob o olhar da mãe dela, ficamos de frente um para o outro e, num ritual que acho que deixou a nós dois um tanto encabulados, trocamos os presentes. Não lembro o que dei, nem o que recebi. Mas a cena não saiu da minha memória.

Depois disso, só vim a ter Dia dos Namorados aos 21 anos (lembrando que alguns de meus namoros duraram pouco e não se estenderam até 12 de junho). Aos 22, a data serviu para oficializar um relacionamento que ainda estava indefinido. Hoje diríamos que estávamos "ficando". Mas ambos compramos presentes um para o outro, sem combinar, e aí vimos que era namoro, mesmo. Os dois queriam. Aos 23 anos, conheci minha futura esposa. Aí o Dia dos Namorados passou a ser sempre com ela, enquanto o casamento durou.

Neste ano, estou sozinho, mas desejo um Feliz Dia dos Namorados a quem não está. Que continuem sempre juntos e felizes.

quinta-feira, junho 11, 2026

Ônibus grátis

Hoje fiz algo que já poderia ter feito desde dezembro, quando completei 65 anos: peguei meu cartão de isenção para ônibus e o Trensurb. O benefício óbvio que terei é a economia, mas tem uma vantagem secundária que, para mim, vem a ser tão importante quanto a principal: acabou o incômodo de ter que ficar procurando e separando troco. Desse eu até me livrei numa época em que podia comprar as saudosas fichas.

Eu andava bastante de ônibus, mesmo tendo carro, até que veio a pandemia. Depois, peguei o coletivo uma vez só e estranhei a falta do cobrador. Eu achava mais cômodo com ele. Mais uma vantagem do cartão de isenção: não terei que pagar ao motorista.

Se eu não andasse tão ocupado ultimamente, algo que tento ver como positivo (ter atividade na aposentadoria), acho que me aventuraria a fazer uns passeios por mera distração. Ir até Novo Hamburgo de Trensurb, por exemplo, dar uma caminhada por lá, examinar os arredores, depois voltar. Poderia fazer o mesmo de ônibus nos bairros de Porto Alegre. Mas teria que ser em horários de pouco movimento. Final da tarde, jamais.

Mas continuo gostando de percorrer distâncias a pé, quando os dois tempos permitem (o meteorológico e o do relógio). Por isso imagino combinar o ônibus com as caminhadas. E explorar novos locais. Com tantos compromissos limitando meus horários, fica difícil. Mas de vez em quando, acho que dá pra fazer.

P.S.: Já inaugurei o cartão. Confesso que fiquei um tanto desconcertado quando li no visor a palavra "IDOSO" bem grande, na hora de passar na roleta. Mas é a idade mesmo, não adianta. Que bom que deu tudo certo.