quinta-feira, janeiro 25, 2007

Efeito retardado

Um dos aspectos bacanas de se fazer um blog é que os textos nele publicados ficam permanentemente disponíveis para consulta na Internet. Não é como um jornal ou um e-mail, que geralmente são descartados. Então um comentário que eu poste aqui pode não ter repercussão imediata. Mas um dia, quando menos espero, alguém me envia um e-mail dizendo que pesquisou determinada palavra no Google e achou meu blog. Vou ver, é algo que posso ter escrito em 2004 ou 2005. Pior é quando colocam algum comentário lá atrás. Em princípio, não há problema, pois o site do Haloscan exibe as mensagens em ordem cronológica inversa de postagem. O problema é que às vezes escrevem coisas como "Legal!", "Concordo!" ou alguma observação bem monossilábica. Aí fica difícil saber a que tópico se refere.

Um texto que já rendeu três e-mails e uma citação em outro site é "
O Mistério de Vincent Bell". Mais gente, assim como eu, procurava informações sobre o músico que fez sucesso em 1970 com um belo arranjo para o tema do filme "Aeroporto". Aparentemente ele tinha lançado somente o LP "Airport Love Theme" e mais nada. Descobri que ele também é conhecido como "Vinnie Bell" e tem um site próprio no endereço http://www.vinniebell.com/. Não só lançou mais discos como também participou como músico de estúdio de diversas gravações de outros artistas, entre eles Roberto Carlos. Inclusive, aqui ele aparece com o baixista Paulo César Barros, também conhecido por seu trabalho com Renato e Seus Blue Caps (ele é irmão de Renato). A foto é de 1981, do dia em que gravaram "Ele Está Pra Chegar" para o LP de Roberto. Aproveitei para acrescentar essa informação agora, mas muitas outras eu já havia colocado no texto citado. Volta e meia alguém procura "Vincent Bell" numa ferramenta de busca e acha este blog.

No mesmo texto, fiz uma referência também a outro mistério: Arno Flor e o Coral Santa Helena, que nos anos 70 lançaram o excelente disco "Sehnsucht Nach Der Heimat" com músicas em alemão apresentadas num estilo que lembra Ray Conniff. Esse disco, hoje disponível em CD, é um "must" na colônia alemã do sul do Brasil. (Abro parênteses para informar a todos que meu sobrenome do meio é "Dreyer". Minha mãe era germânica. Visualmente, sou Pacheco puro, não tenho nada de alemão, mas o "Dreyer" é uma arma secreta para os momentos convenientes.) E o que todos os que têm esse disco se perguntam é: quem é Arno Flor? Que coral é esse que o acompanha? Por que não lançaram mais discos? Citei novamente Arno Flor em
uma nota sobre uma caixa de sete CDs contendo nada menos do que 193 versões da música "Lili Marleen". Já duas pessoas encontraram essas referências e me escreveram perguntando o que mais sei sobre esses músicos. Infelizmente, nada tenho a informar além do que já publiquei. Mas também quero saber mais sobre eles.

Outro assunto do blog que tem repercussão esporádica é "
As Geminianas". De vez em quando alguma geminiana descobre o texto e me escreve para fazer comentários. Mas até agora não houve uma só contestação. Pelo contrário, todas dizem "é isso mesmo, fui descrita", "eu sou exatamente assim", atestando o êxito de meu método empírico de análise astrológica. Mas nem sempre as respostas tardias ao blog vêm em bom tom. Um dia, encontrei a mesma mensagem postada três vezes, com diferença mínima na redação. A remetente queria ter certeza de que eu a leria, então postou-a sob textos diferentes, do original ao mais recente. Ela tinha lido uma brincadeira minha com uma agenda do grupo Sunset Riders que incluía festas fechadas e entendeu tudo errado. Achou que eu não tivesse compreendido a intenção – na verdade ela é que não entendeu a minha – e redigiu uma crítica furiosa: "Deixa de ser babaca!!!!!!!!! Que coisa ridícula que escreveste sobre a Sunset Riders (abril 2005). Isso são shows, festas em que eles estão tocando... Grande jornalista esse que não conseguiu ver isso. E vê se te informa e te 'localiza' antes de abrir esta boca pra falar dos, além de maravilhosos, muito amigos meus, Sunset Riders." Detalhe: eu já tinha até feito uma matéria sobre a Sunset para o International Magazine, que foi lida em todos os estados em que o jornal é distribuído. Também sou amigo dos músicos, embora não os tenha destacado por camaradagem e sim porque eles são bons e merecem. Isso é que dá a pessoa escrever sem me conhecer e sem entender a intenção do texto. Mas, como se sabe, quando um texto é mal compreendido, a culpa é sempre do redator. Longe de mim questionar o intelecto dessa moça!

Um artigo que, para meu orgulho, tornou-se referência na Internet é "
Os falsos Quintanas". Mas é por uma boa causa e, na verdade, o mérito não é meu. Tudo começou no Orkut. Indignava-me o verdadeiro caos que imperava nas comunidades supostamente dedicadas a Mario Quintana. Havia uma enxurrada de textos falsos e os moderadores eram omissos. O maior dos fóruns estava sob o comando de um ladrão de comunidades que nem lia as mensagens. Aos poucos, os admiradores de Quintana começaram a amadurecer a idéia de criar uma nova comunidade, onde os apócrifos não fossem tolerados. Assim, nasceu "O verdadeiro Mario Quintana". Fui escolhido moderador por ter alguma experiência, mas o espaço é de todos. Porém, a limitação do tamanho de texto tanto dos tópicos quanto da apresentação impedia que se fizesse uma enumeração mais minuciosa dos textos falsamente atribuídos a Quintana. Foi então que tive a idéia de usar o blog para prestar esse esclarecimento. E, por conta disso, já fui até citado como "estudioso da obra de Quintana". Pensando bem, está certo: ainda estou estudando a obra dele. Mas dei o devido crédito à autora da listagem que publiquei, que foi Lúcia Kerr Jóia, da comunidade "Afinal, Quem é o Autor?" Eu poderia escrever um comentário semelhante sobre Luis Fernando Verissimo, mas não precisa: a maior comunidade dedicada a ele no Orkut já inclui todas as informações sobre as autorias incorretas, sob o pulso firme de Elson Barbosa. E do Jabor, não conheço nada.

Às vezes fico decepcionado ao ver que alguns textos que eu imaginava que suscitariam respostas passam aparentemente despercebidos. Há um ano, quando publiquei
fotos do Jardim de Infância, em 1967, na Escola Anexa ao Instituto de Educação, imaginei que vários ex-colegas iriam se reconhecer e me escrever, até porque diversos nomes foram citados. Até agora, só uma moça que conhecia os outros se manifestou. Cadê a turma? Será que estão com vergonha de se apresentar? Também achei que minha pesquisa fundamentada sobre a polêmica de que o Kiss teria copiado a maquiagem dos Secos e Molhados poderia provocar as mesmas reações iradas que tive no Orkut, mas até agora, nada. Talvez seja melhor assim. Um dia, com calma, os fatos serão esclarecidos. Afinal, até a Igreja Católica já reconheceu, antes tarde do que nunca, que Galileu estava certo e a terra gira mesmo em torno do sol.

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