sábado, janeiro 13, 2007

Supermercado

Não consigo entender: como pode a cidade estar vazia e o supermercado estar cheio? Não é a primeira vez que acontece. Saio na rua com meu filho, não enxergo viv'alma e penso: que bom, o supermercado vai estar tranqüilo. Chego lá e vejo que está bem movimentado, com filas e tudo. Aí as pessoas saem com as compras e desaparecem de novo. Sei lá, deve ser mágica.

Sempre sou bem atendido nos supermercados que freqüento. Mas alguns procedimentos deveriam ser revistos. Entendo que a comida pronta não deva estar ao alcance dos clientes, mas é uma agonia ficar explicando para a atendente qual o pedaço de carne que eu quero. "Este?" Não, o do lado. "Este?" Não, o do outro lado. "Este?" Não em cima deste. "Este?" Não, aquele. "Este?"Às vezes penso em comprar uma caneta de raio laser só para apontar para a carne escolhida no supermercado.

Há também uma prática que eu considero uma tremenda falta de respeito, mas está se tornando cada vez mais comum: o cliente trancar uma fila no caixa para ir buscar um produto que esqueceu. Em geral ele acha que volta a tempo, antes de as demais compras terem sido registradas. Mas raramente acontece. O normal é ficar tudo parado esperando o esquecido voltar com seu pote de manteiga, sua caixa de fósforos ou o que for. Cansei de entrar num caixa aparentemente vazio só para ouvir a moça dizer: "Aqui vai demorar, o cliente foi buscar tal coisa." Esta é uma cultura que o brasileiro ainda não assimilou: que não é indelicadeza ser firme com as normas. O certo seria a caixa dizer: "Sinto muito, senhor, não posso trancar a fila." Mas ela corre o risco de ser denunciada por mau atendimento, além de afugentar o cliente, que pode até desistir das compras.

Mas no final, como sempre, tudo dá certo. E pensando bem, o supermercado nem estava tão cheio assim.

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