sexta-feira, agosto 03, 2018

E ainda mais David Bowie ao vivo

Welcome to the Blackout, de certa forma, é um lançamento "irmão" de Cracked Actor, feito no ano passado (como comentei aqui). Ambos saíram primeiro em vinil como parte do Record Store Day, até ganharem edição em CD duplo posteriormente. Ambos contêm antigos shows de David Bowie até então inéditos, mas conhecidos pelos colecionadores em discos não autorizados (os chamados "bootlegs"). Ambos pertencem a turnês que já tinham rendido lançamentos ao vivo de shows anteriores dos mesmos anos respectivos. Cracked Actor era de 1974 e tinha quase o mesmo repertório de David Live, lançado na época. Pois agora Welcome to the Blackout tem um set list quase idêntico ao de Stage, de 1978. E o que é melhor para nós: está sendo lançado no Brasil.

Embora tenha músicas a mais do que Stage - no caso, "Sound and Vision", tocada apenas no último show no Earls Court, em Londres (e já lançada em 1995 na coletânea de raridades Rarestonebowie) e "Rebel Rebel", o álbum perde no quesito qualidade de som. E nem teria como competir, já que o anterior havia sido especialmente gravado e mixado para lançamento ao vivo. Este vem de uma fita que existia com qualidade suficiente para edição oficial e assim foi aproveitada. Outra diferença é a execução um pouco mais lenta da instrumental "Speed of Life", aproximando-se do original de estúdio. Mas, considerando a disponibilidade e a diversidade do material, é um álbum mais do que recomendado. As fotos e vídeos da época disponíveis no YouTube mostram um Bowie bem mais saudável e tranquilo do que o de 1976, apenas dois anos antes, em que o cantor ainda estava em uso compulsivo de cocaína. 

Por fim, lamenta-se que até hoje não tenha sido lançado o filme que o diretor David Hemmings foi chamado para fazer desses últimos shows no Earls Court. Bowie não teria ficado satisfeito com o resultado. Mas, dado o valor histórico, seria o momento de procurar uma boa matriz e tratar de lançar o registro nos cinemas e, posteriormente, em Blu-ray. Torçamos por isso.

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