sábado, março 10, 2012

Lizzie Bravo em Porto Alegre

Lizzie Bravo se mostrou carismática e simpaticíssima em sua palestra ontem à noite na FNAC, em Porto Alegre. Esta foi a segunda vez que ela veio à capital gaúcha. A primeira foi para uma exibição de vídeos dos Beatles organizada por seu fã clube Hello Goodbye em 1982 (numa época em que só milionários sequer sabiam da existência de videocassete, um evento desses era precioso). Desta vez ela foi convidada para abrilhantar o "Beatles Day". Entre outras coisas, a carioca narrou sua experiência em Londres, em que acabou gravando com os Beatles. Ela começou dizendo que pouca gente no Brasil sabe desse fato. "Sou mais conhecida no exterior do que aqui", observou. Eu, no caso, tomei conhecimento da existência dela por um pôster especial que veio encartado em um número da revista Pop em 1975.

Foi em 1967, em seu aniversário de 15 anos, que Lizzie pediu de presente a seus pais uma viagem a Londres. Ela só não contou quanto tempo pretendia ficar. Seu objetivo era apenas um: conhecer John Lennon, por quem era apaixonada. E isso acabou acontecendo no próprio dia da chegada, graças às dicas de uma amiga brasileira que já estava lá. A beatlemaníaca pôs os olhos sobre seu ídolo e hoje diz que ficou tão emocionada que não consegue se lembrar de nada do que aconteceu nos instantes seguintes. Depois surgiram os outros três Beatles. Para George Harrison, Lizzie entregou um colar que lhe havia sido enviado pela amiga Regina, fã incondicional do guitarrista. O Beatle aparece com seu presente ao redor do pescoço em uma das cenas do filme "Magical Mystery Tour".

E assim ela e outras fãs, o grupo que George viria a homenagear em sua música "Apple Scruffs", passariam a fazer plantão nas ruas de Londres para encontrar seus amados Beatles. Às vezes elas se dividiam e cada uma se dirigia a um local onde eles poderiam estar. Depois se reuniam em local combinado para compartilhar as informações. "Sinceramente, não sei como sobrevivíamos, pois passávamos as noites acordadas sem comer, vivendo só de Coca-Cola e batatinha de saquinho", ela recorda, acrescentando que não iam nem ao banheiro para não correr o risco de perder a passagem rápida de seus ídolos.


Todos esses fatos Lizzie ia anotando em seu diário, que servirá como base para o livro que ela vem prometendo há décadas, mas que deve ir para a gráfica em abril. Seu nome será "From Rio to Abbey Road" e não mais "Sleepless Night", como chegou a ser anunciado certa vez (a saudosa revista Revolution, no tempo em que era datilografada e copiada em xerox, publicou trechos de um primeiro esboço nos anos 80). Além de anotações da época, incluindo trechos da correspondência que ela enviava para a mãe ("hoje releio as cartas e vejo que eu só falava no John"), o livro terá fotos exclusivíssimas que ela tirou dos quatro Beatles.

Em uma das muitas noites em que as fãs faziam plantão do lado de fora do prédio onde os Beatles estavam gravando, Paul apareceu e perguntou quem das garotas seria capaz de sustentar uma nota aguda. Lizzie cantava em coral desde a infância e se ofereceu. O baixista disse que voltaria para buscá-la. Invejosas, as demais tietes protestaram, alegando que ela não poderia participar por não ser inglesa. Mas ela e sua amiga Gayleen Pease acabaram fazendo backing vocal na versão de "Across the Universe" que entraria no LP beneficente "Our World" e depois seria incluída nas coletâneas "Rarities" e "Past Masters". "Hoje as pessoas me perguntam detalhes técnicos da gravação, mas eu só consigo me lembrar das pintinhas no pescoço do John que eu ficava contando, o fio de cabelo vermelho dele..." Lizzie viria a se tornar vocalista profissional, cantando com diversos medalhões da MPB (a começar por Zé Rodrix, de quem foi primeira esposa e musa inspiradora da "esperança de óculos" citada em "Casa no Campo"), então hoje se orgulha de dizer que sua primeira experiência de estúdio foi com... os Beatles!

Ela conta ainda que adora o U2 e que perdeu uma amiga que também admirava a banda irlandesa. Ao ver o precioso acervo deixado pela fã e que a família provavelmente não saberá avaliar, Lizzie percebeu que seria mais sensato ir se desfazendo de seu material em vida. E assim ela já vendeu e até doou muita coisa. O leilão que ela fez de LPs autografados dos Beatles foi bastante comentado em fóruns na Internet. Ao final, Lizzie fez questão de enfatizar seu respeito por Yoko Ono, por ter sido o grande amor de John Lennon e por tudo o que representou para o seu ídolo. Disse que já deixou de falar com muita gente por causa desse assunto.

1 Comments:

Blogger Teo said...

Pena eu não estar em Porto Alegre por estes dias, gostaria de ter estado nessa palestra da Lizzie Bravo, como bom Beatlemaníaco que sou. ;-)

2:21 PM  

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