terça-feira, fevereiro 14, 2012

Os "rock testes" da Folha da Tarde

(Cliquem nas imagens para ampliá-las.)

Fazia tempo que eu estava planejando resgatar este material da Folha da Tarde e hoje foi o dia. Pensei que o Museu de Comunicação iria estar vazio, por ser fevereiro, mas que nada! Por pouco não achei onde sentar. Os jornalistas e pesquisadores não param nunca.

Em 1979 o jornalista Renato Rossi, que hoje escreve sobre carros e motos, fazia a coluna "Gente Jovem" da Folha da Tarde. Para distribuir os LPs que recebia para divulgação, ele teve a ideia de criar o "rock teste". Era uma promoção em que os leitores tinham que acertar perguntas sobre rock para ganhar os discos. Fui premiado algumas vezes. Para entregar os álbuns-duplos do Aerosmith, Live Bootleg, Renato marcou encontro com os ganhadores na tarde do dia 28 de julho, um sábado, na Praça da Matriz. E na Folha do dia 30 a coluna publicou fotos desse momento. Dificilmente alguém me achará na foto bem de cima, mas mais adiante eu me "localizarei".


A promoção seguinte teve a entrega dos discos na própria redação da Folha, na tarde do dia 6 de setembro de 1979, uma quinta-feira. A coluna acima foi publicada no dia 10. Renato começou avisando que o material disponível para distribuição "não vai fazer a cabeça de vocês", sugerindo que aguardássemos um novo lote de discos ao vivo do Cheap Trick. Mesmo assim, ele espalhou os LPs sobre uma mesa e chamou o pessoal para dar uma escolhida. Eu acabei pegando dois: The Message is Love de Barry White (provavelmente o disco que foi citado de forma irônica na matéria de cima, na referência às fotos menores) e Coro dos Perdidos de Fernando Ribeiro. As legendas dão a entender que houve um sorteio, mas não foi nada disso. Os que foram "premiados duplamente", como foi o meu caso, foram os que tomaram a iniciativa de levar mais de um disco. Apenas isso.

Não me acharam? Bem, aquela morena na foto acima é a Rosema, que tinha sido minha colega no Anexo ao Instituto de Educação. Mas, graças à minha absurda timidez, não troquei uma só palavra com ela. Eu apareço atrás dela, talvez me escondendo. Vejam abaixo como eu era aos 18 anos, a idade que o meu filho tem hoje:

No encontro na Praça da Matriz, Renato Rossi tinha sugerido que os ganhadores comparecessem com um "visual muito louco", chegando a convocar o pessoal do fã-clube do Kiss a aparecer usando a maquiagem do grupo. Isso não aconteceu, mas eu resolvi acrescentar um toque pessoal usando óculos escuros e gorro de Daniel Boone. Mas só coloquei na hora da foto, bem discretamente.

A coluna do Renato Rossi era muito legal, mas seu estilo de redação lembrava o da saudosa revista Pop num aspecto: ele exagerava um pouco na linguagem "jovem". Certa vez ele compareceu ao nosso encontro gratuito de conversação no Cultural Americano, o "Getting Together", e entrevistou pessoas que já tivessem passado uma temporada nos Estados Unidos em intercâmbio. Quando a matéria saiu, vários comentaram sobre as gírias que acabaram sendo colocadas na edição, sem que tivessem sido realmente ditas. Tempos depois conversei com um ex-colega meu do Cultural que tinha dado um depoimento a Rossi também sobre esse tema - intercâmbio nos Estados Unidos - e ouvi a mesma reclamação. "Eu juro que não falei a metade das gírias foram publicadas", ele enfatizou.

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