sexta-feira, dezembro 23, 2011

O Natal e a fé


Amigos, hoje vou fazer algo que não lembro de ter feito antes aqui no Blog: vou repetir a publicação de um texto. Eu poderia simplesmente indicar o link, mas prefiro que a mensagem seja replicada tal e qual, pois entendo que é pertinente. O que eu escrevi no Natal de 2004, o primeiro ano do Blog, continua válido. E diz exatamente o que eu gostaria de dizer agora.

Um dia desses eu estava conversando com um amigo e surgiu o assunto religião. Ele me confessou que é ateu, mas que nos últimos tempos algo parecia conduzi-lo à busca de uma referência mística. É curioso que a maioria dos agnósticos que eu conheço são pessoas extremamente inteligentes, indivíduos acostumados a procurar por si mesmos as respostas e a só acreditar no que conseguem entender por inteiro. Mas se uma pessoa inteligente tiver sensibilidade, se for alguém com um lado afetivo acentuado, acabará entendendo Deus de outras formas que não puramente intelectiva. E isso parecia estar começando a acontecer com meu amigo.

Eu não me considero a pessoa certa para converter ninguém. Não saberia explicar como eu sinto Deus, assim como também tenho dificuldade de verbalizar meu conceito de amor e outros sentimentos. Para convencer um ateu eu teria que apresentar uma prova e isso eu não tenho. Pelo menos não do tipo que ele quereria. Acredito que as pessoas que se convertem não o fazem porque lhes foram apresentadas evidências ou argumentos, mas por uma transformação interior. Claro que induzida por estímulos externos, mas a mudança tem que partir de dentro.

O Natal pode ter seu lado comercial, mas isso não pode ser usado como pretexto para que não o festejemos de coração, como o aniversário de Cristo. Os Natais da minha infância foram todos ótimos. Só na adolescência vim a saber que meu pai não gostava de Natal. Ele tinha um trauma que nunca explicou ou assumiu, talvez porque sua família passou dificuldades e ele nunca pôde ganhar presentes como os que ele mesmo e a minha mãe me davam. Mas nem por isso eu deixei de ter os meus Natais, o meu Papai Noel e a minha fé cristã. Meus pais me passaram isso. Me explicavam Deus como o Velhinho lá em cima que tudo podia fazer, se quisesse. Hoje a minha percepção de Deus é mais profunda, mas até isso tenho certeza que minha família me passou com o afeto. Não só os meus pais, mas também a minha irmã, que cuidou de mim e me ensinou minha primeira oração: "Anjinho me guarda, anjinho me guia, toda esta noite e amanhã todo o dia."

E o meu anjinho está me guardando até hoje. O mundo é complicado, a gente às vezes fica sabendo de coisas que parecem tentar abalar a nossa fé. Mas não temos o direito de esperar que Deus resolva tudo num passe de mágica. Temos que fazer a nossa parte. Eu sou pequeno demais para tentar convencer alguém da existência de Deus. O máximo que posso fazer é rezar e tentar transmitir a minha fé nas minhas ações, nos meus exemplos. Tentar ser correto. Perdoar... ah, como é difícil perdoar! Perdoar de verdade, como se a mágoa nunca tivesse acontecido. Amar os inimigos... Será possível isso? Mas a gente tem que tentar.


A todos os visitantes do meu blog, um Feliz Natal!

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