sexta-feira, junho 24, 2011

Domingo de Gre-Nal

Não assisti a "O Casamento de Romeu e Julieta" (2005), de Bruno Barreto, mas quando tomei conhecimento do enredo, meu primeiro pensamento foi: ideia velha, já foi usada antes. No caso, o filme de Barreto conta a história de uma Julieta palmeirense, de família palmeirense, que se casa com um Romeu corintiano, de família corintiana. Pois bem: troquem "palmeirense" por "gremista" e "corintiano" por "colorado" e terão exatamente a trama de "Domingo de Gre-Nal". Até os nomes Romeu e Julieta foram usados (por ser também uma óbvia paródia dos personagens de Shakespeare).

"Domingo de Gre-Nal" foi exibido em Porto Alegre em setembro de 1979, como verifiquei em minhas pesquisas. Mas não lembro do filme, na época. Sabem como eu o vi? Em rolos de 16mm que aluguei no começo dos anos 90 na saudosa Dipa Filmes, na Mauá (que fim levou o seu Camilo, ainda é vivo?), e eu mesmo projetei, no meu quarto, com meu próprio projetor. A cópia que eu trouxe para a minha casa deveria ser a última ainda em existência, pois tempos depois a RBS fez uma matéria a respeito lá mesmo, na Dipa Filmes.

O roteiro é de Sérgio Jockymann (o verdadeiro autor de "Os Votos", que muitos pensam ser de Victor Hugo) e o pai da Julieta não poderia ter sido melhor escolhido: é o notório gremista Paulo Sant'ana (verdadeiro autor de "Meus Secretos Amigos", que muitos pensam ser de Vinicius de Moraes). A trama em si não é muito rica e o filme enche tempo com cenas de rua, como entrevistas simuladas na Rua da Praia (aparece o Seu Brito, declamador que conheci no Grêmio Literário Castro Alves), e longas tomadas dos torcedores chegando ao Beira-Rio (para que todos possam "se ver" depois no cinema, presumo). Roberto Gigante faz o papel de um padre. Não se fica sabendo quem ganhou o Gre-Nal, mas Romeu e Julieta terminam juntos no fim. É um filme bobinho, mas que merecia ser resgatado pelas cenas de Porto Alegre do final dos anos 70 que conseguiu preservar, como o antigo Estádio Olímpico e as bancas de revistas esféricas do calçadão da Rua da Praia. Onde foi parar o acervo da Dipa Filmes?

5 Comments:

Anonymous Porto História said...

Excelente depoimento, Emilio, um verdadeiro resgate histórico.
Citamos essa tua postagem em nossa página do Facebook, Porto História - PH: https://www.facebook.com/PortoHistoria.PH

11:02 AM  
Anonymous Anônimo said...

Ola, sou o radialista Jota Pedroso, de Canoas, RS. Seu Camilo da DIPA filmes, meu compadre é falecido. Faleceu. O filho do seu Camilo da antiga DIPA Filmes: Dr. Jose Calvino de Avila Camillo Dermatologista. Abraço, radialista Jota Pedroso, Canoas, RS.

11:21 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Obrigado, Jota Pedroso, pela informação. Realmente é uma pena, mas acho que o seu Camilo já tinha certa idade. Eu lembro que ele dizia que o filho dele era médico. Abração!

11:39 AM  
Anonymous Vitor Camillo said...

Olá Emilio !!!

Realmente é muito emocionante ler coisas que lembram meu querido paizinho ("Seu Camillo")e saber que a vida dele cruzou por histórias tão belas quanto é a tua. Tu trazes a tona minha infância assistindo com toda nossa família este filme DOMINGO DE GRENAL.
Realmente tu conseguiste emocionar a mim mesmo e a toda minha família e amigos que leram este teu singelo retrato de nosso passado.
Meu pai faleceu em setembro de 2013.

Um grande abraço e que Deus o abençõe...

Vitor Camillo ( professor de música e empresário)

9:14 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Obrigado pelo comentário, Vitor. Teu pai faz falta, era um grande sujeito.

2:31 AM  

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