sábado, junho 11, 2011

Don Juan para os namorados

Normalmente, quando se pensa em filme para o Dia dos Namorados, lembra-se de dramalhões como "Love Story" ou "Romeu e Julieta", ou as tradicionais comédias românticas com final feliz. E é normal que as lojas aproveitem a proximidade da data para promover DVDs do gênero. Pois em uma livraria da qual sou assíduo frequentador, em meio a títulos previsíveis expostos em uma prateleira para os namorados, aparecia "Don Juan de Marco". Eu já o vi há muitos anos e gostei bastante, mas nunca me dei conta de que poderia ser enquadrado no marketing para 12 de junho. Não deixa de ser um filme sobre amor, ainda que com enfoque diferente e, por que não dizer, original.

Johnny Depp vive um rapaz perturbado que diz ser Don Juan. Não apenas se veste a caráter, como também fala inglês com sotaque espanhol. Após uma farisaica tentativa de suicídio, ele é internado para avaliação. Mas, em vez de provocar risos, sua caracterização é tão convincente que ele chega a se tornar carismático. O trecho em que um dos médicos reclama que ele "está tendo uma má influência sobre as enfermeiras" é impagável. Mais do que isso, ele começa a reacender o romantismo esquecido do psiquiatra que o acompanha, representado por Marlon Brando. Paralelamente ao tratamento, o personagem de Marlon passa a ter mais atenções com sua esposa (Faye Dunaway), além de se preocupar com sua própria aparência.

É claro que, em se tratando de um filme, não se pode esperar total coerência ou verossimilhança. Em alguns momentos, o interesse do médico pelas histórias fantasiosas de seu paciente chega a lembrar as populares (e politicamente incorretas) anedotas de manicômio. Mas o objetivo é justamente transpor o espectador para esse universo paralelo vivido pelo protagonista. Ao mesmo tempo, reforça-se o elemento de suspense: quem é realmente esse rapaz e qual a sua verdadeira história?

O que fica é uma lição de amor. De que, para ser romântico, é preciso quebrar os padrões de comportamento austero que o dia-a-dia nos impõe. Não ter medo de brincar, de ser infantil e até de viver fantasias. O final é um pouco forçado, mas para os padrões hollywoodianos, tá valendo. O médico conclui que o seu paciente "sofria de um romantismo que era totalmente incurável, e o que é pior, altamente contagioso".

Aos namorados e namoradas que visitam o Blog, feliz dia! Comemorem!

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