quinta-feira, maio 11, 2006

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Meia-hora no arquivo da Companhia Jornalística Caldas Júnior: R$ 5,00

Fotocópia de duas páginas da Folha da Tarde de 30 de dezembro de 1978 extraída na própria copiadora do arquivo: R$ 18,00

Convencer de uma vez por todas os teimosos de que o texto "Os votos", que circula pela Internet com o título de "Desejos", é mesmo de Sérgio Jockymann e não de Victor Hugo, Frejat ou quem quer que seja: não tem preço!


P.S.: Para que os internautas que normalmente procuram esse texto pelo Google consigam chegar aqui, vou citar os dois trechos mais conhecidos:

"Desejo primeiro que você ame e que, amando, seja também amado. (...)

E que quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda tenham amor para recomeçar.

E se só isso acontecer, não tenho mais nada para desejar."

Observem bem o texto da página e vejam que alguns trechos costumam circular pela Internet de forma modificada. Mas esse e somente esse é o texto original.

14 Comments:

Blogger Marliborges said...

Olá Emilio!!!
Vim conhecer seu cantinho e já puxei o banco para uma prosa.
É verdade, chega de teimosia, chega de injustiças, vamos dar crédito a quem os tem. Também não aguento essas coisas. Se é do Sérgio, pra que dizer que é do Victor?
Bjsssss

10:38 AM  
Blogger Betty Vidigal said...

Ave, Emilio! Sim, recebi de vc uma cópia destas imagens há alguns anos. Foi das melhores coisas q já me chegaram pela net! Como vc disse ali: "não tem preço"!

10:05 AM  
Blogger Simone Prado said...

Este comentário foi removido pelo autor.

4:20 PM  
Anonymous Anônimo said...

Demais Emilio, parabéns.

Não resisti e roubei para colocar no Face.

Abração, Grande 2013 !

Paulo Pruss

7:09 AM  
Blogger David da Silva said...

Beleza, Emilio. Parabéns pelo diligente resgate da verdade. O próprio Victor Hugo ficaria contente em reparar esta injustiça.

2:27 PM  
Anonymous Anônimo said...

Puxa, parabéns pelo resgate da autoria!! Excelente!

2:37 PM  
Blogger Graciete Silva said...

Olá Emílio...sempre imaginei ser de autoria de Victor Hugo.

Obrigada pelo esclarecimento!
Abraços

11:04 AM  
Anonymous Caroline Skaetta said...

Olá, Emílio!
Quando li esse texto - foi escrito em prosa, então não é poema como muitos insistem dizer - na íntegra, há alguns anos, logo desconfiei que não era de autoria do Victor Hugo. Isto porque as expressões simplesmente não condizem com a de um escritor francês nascido no Séc. XIX rsrs Contudo, à época, não procurei investigar a sua autoria. Fiz isso apenas hoje e eis que me deparo, para a minha felicidade, com a sua brilhante desmistificação. Parabéns!
Aliás, de acordo com as minhas pesquisas, creio que o espírito de porco que atribuiu esse texto ao Victor Hugo o fez porque, de fato, o escritor francês tem um poema homônimo "voeu" (desejo, votos), cujo conteúdo - nem precisaria comentar rs - não possui nenhuma correlação com o lindo texto escrito pelo Sérgio...

Estes são os links em que se pode encontrar a poesia de Victor Hugo, inclusive o sobredito poema “voeu”, o qual, provavelmente, ensejou essa celeuma:


http://poesie.webnet.fr/poemes/France/hugo/116.html

http://fr.wikisource.org/wiki/Les_Orientales

Perdoa-me pelo longo comentário rs

Abraços,

Carol Skaetta

2:50 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Carol, longos comentários são bem vindos! Pois é, às vezes existe um motivo para as falsas atribuições. Parece que Vinicius de Moraes escreveu um texto sobre amizade, mas não aquele de Paulo Sant'ana que atribuem a ele. E Luis Fernando Verissimo tem um texto chamado "Quase", mas não aquele de Sarah Westphal.

4:49 AM  
Blogger Ariane Marques said...

Uhhuh... Parabéns Emilio,

Eu sempre quis saber a história direitinho. Agora com essa imagem do jornal..então está tudo esclarecido.

Obrigada pelo seu trabalho.

Ariane Marques

11:15 AM  
Blogger Ricardo said...

Alguém aqui considerou a possibilidade de esse rapaz ( como é mesmo o nome dele?) ter plagiado Victor Hugo? O fato de ter sido publicado no jornal ( como é mesmo o nome do jornal?) não é suficiente para elucidar a questão. Que se compare a criatividade, estagnada, dele com a genialidade do autor francês. E que se lembre que um texto dessa magnitude tem potencial de projetar o autor, o que,parece, não aconteceu com o jornalista gaúcho.

7:54 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

"Esse rapaz" já faleceu, foi uma lenda do jornalismo e da dramaturgia brasileira, autor de várias novelas da extinta Rede Tupi. A Folha da Tarde também já foi uma potência no jornalismo gaúcho, já foi escrito até um livro contando sua história. Sérgio Jockymann já era um autor mais do que consagrado quando escreveu esse texto. Em todo o caso, está lançado o desafio: se esse texto é mesmo de Victor Hugo, encontre a fonte e divulgue. Mas acho que você ocupará seu tempo de forma bem mais produtiva se for pesquisar sobre Sérgio Jockymann. Pode começar por este tópico aqui:

http://emiliopacheco.blogspot.com.br/2011/02/sergio-jockymann-1930-2011.html

8:15 AM  
Anonymous Rosangela Aliberti said...

Olá gostaria de deixar por aqui "Voeu" ("Desejos" de Victor Hugo / traduzido para o português)que como todos poderão verificar NADA tem a ver com o poema de Sergio Jockymann:

Voeu – VICTOR HUGO
Desejo, votos...

Si j'étais la feuille que roule
se eu fosse a folha que gira

L'aile tournoyante du vent,
a asa girando do vento,

Qui flotte sur l'eau qui s'écoule,
Que flutua na água que escorre,

Et qu'on suit de l'oeil en rêvant;
sonhando e seguindo com olhar;

Je me livrerais, fraîche encore,
Eu me libertaria ainda pura,

De la branche me détachant,
me soltando do ramo da planície,

Au zéphyr qui souffle à l'aurore,
O zéfiro que sopra na aurora

Au ruisseau qui vient du couchant.
O riacho que vem do poente

Plus loin que le fleuve, qui gronde,
mais distante do rio que ribomba,

Plus loin que les vastes forêts,
É mais distante do que as mais vastas florestas,

Plus loin que la gorge profonde,
É mais distante que a garganta profunda,

Je fuirais, je courrais, j'irais !
Eu fugirei, eu correrei, eu irei

Plus loin que l'antre de la louve,
Mais distante que o antro da loba

Plus loin que le bois des ramiers,
Mais longe que o bosque dos ramos secos

Plus loin que la plaine où l'on trouve
Mais distante da planície onde acho...

Une fontaine et trois palmiers;
Uma fonte e três palmeiras;

Par delà ces rocs qui répandent
além das rochas que se espalham

L'orage en torrent dans les blés,
A tempestade em torrente no campo de trigo,

Par delà ce lac morne, où pendent
Além deste lago morno ou pendente

Tant de buissons échevelés ;
Tanto as moitas descabeladas;

Plus loin que les terres arides
Distante das terras áridas…

Du chef maure au large ataghan,
Do chefe dos mouros do amplo ataghan

Dont le front pâle a plus de rides
cuja pálida testa tem rugas

Que la mer un jour d'ouragan.
Do mar num dia de furacão

Je franchirais comme la fleche
Eu alcançarei como uma flecha

L'étang d'Arta, mouvant miroir,
O açude d´Arta movimentando o espelho,

Et le mont dont la cime empêche
E o monte cujo o cume impede

Corinthe et Mykos de se voir.
Corintio e Mykos de se olhar.

Comme par un charme attirée,
como por um encanto atraído

Je m'arrêterais au matin
eu pararei de manhã

Sur Mykos, la ville carrée,
Sobre Mykos a vila quadrada

La ville aux coupoles d'étain.
A cidade com cúpulas de estanho

J'irais chez la fille du prêtre,
Eu irei na casa da filha do padre,

Chez la blanche fille à l'oeil noir,
e branca filha de olhos pretos

Qui le jour chante à sa fenêtre,
Que de dia canta na sua janela,

Et joue à sa porte le soir.
E brinca a sua porta a noite.

Enfin, pauvre feuille envolée,
Enfim pobre folha esvoaçada,

Je viendrais, au gré de mes voeux,
Eu voltarei aos desejos de meus votos,

Me poser sur son front, mêlée
Me colocar sobre sua fronte mesclada

Aux boucles de ses blonds cheveux;
Aos cachos de seus cabelos;

Comme une perruche au pied leste
Como um periquito fêmea com o pé ágil

Dans le blé jaune, ou bien encor
Dentro do trigo amarelo ou ainda

Comme, dans un jardin céleste,
Como dentro de um jardim celeste

Un fruit vert sur un arbre d'or.
Uma fruta verde sobre a árvore de ouro

Et là, sur sa tête qui penche,
E ai sobre a cabeça que se debruça

Je serais, fût-ce peu d'instants,
Eu serei por poucos instantes,

Plus fière que l'aigrette blanche
Mais soberbo que um penacho branco

Au front étoilé des sultans.
Na testa estrelada dos sultões.


Trad: Françoise Palmucci Regdasinski
(nativa de França)

Confira a poesia de Victor Hugo neste site, por favor:

http://poesie.webnet.fr/poemes/France/hugo/116.html

http://fr.wikisource.org/wiki/Les_Orientales


7:21 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Obrigado, Rosângela!

7:27 PM  

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