quarta-feira, março 04, 2009

Suporte a pirataria

Eu sei que a pirataria de software é amplamente disseminada, que software original é caro e que é relativamente fácil obter cópias ilegais. Mas alguns nativos da Terra Brasilis parecem não entender as implicações dessa prática e a extensão de suas consequências. Quem compra software pirata, além de ser conivente com o crime, não tem direito a qualquer espécie de assistência em relação ao produto. Nem suporte, nem atualizações, nada. O usuário de pirataria não tem amparo nenhum, nem mesmo da própria lei. Isso deveria ser óbvio para todos. Mas para alguns, aparentemente, não é.

Recebi hoje um arquivo em MP3 que é engraçadíssimo. Uma usuária de sistema operacional pirata aceitou instalar uma atualização que recebeu pela Internet. No momento da instalação, o software identificou que o computador rodava com uma cópia ilegal do sistema e efetuou uma espécie de bloqueio, sinalizado por uma estrela azul no canto inferior direito da tela. Apareceu ainda a informação de que ela foi "vítima de um software falsificado". Imediatamente, ela ligou para o suporte da Microsoft, como se tivesse direito a tal serviço. Recusou-se a fornecer os dados para cadastro e ainda encheu o pobre rapaz de palavrões. O moço não perdeu a linha em um só momento. Falou primeiro com a filha, depois com a mãe. A filha reclamou: "Eu não quero fazer cadastro, eu só quero tirar essa estrela azul que está me incomodando! Disseram que era uma atualização, não me avisaram que era um software!" O atendente, com calma, explicou: "Atualização também é um software." Já a mãe realmente baixou o nível. E lá pelas tantas soltou esta pérola: "Eu não fui vítima coisa nenhuma, eu pus um software falsificado e sabia disso!" Ah, sim, isso muda completamente a situação!

Há quem pense que o rapaz da Microsoft não deveria ter se mantido tão calmo. Já eu acho que ele agiu da forma correta, já prevendo que a ligação iria circular bastante, como realmente está acontecendo. Não havia necessidade de responder no mesmo tom. A usuária já estava se expondo ao ridículo sozinha. Depois de ouvi-la mandá-lo tomar naquele lugar várias vezes ele ainda perguntou: "Mais alguma informação?"

Certa vez eu quase cedi à tentação da pirataria. Queria comprar um software de edição de vídeo, mas todos me diziam para que não fosse trouxa, que nos camelôs eu iria pagar uma bagatela, coisa e tal. Decidi encarar. Cheguei na Praça XV (antes da operação Camelódromo) e perguntei para um ambulante se ele tinha software de edição de vídeo. "Sófti? O Fulano tem." E me indicou para o Fulano. "Sófti de vídeo? O Beltrano tem." E assim passei pelo Cicrano, pelo quarto, pelo quinto, e fui indo até que me levaram de volta para o Beltrano. No final do calvário eu estava rindo... de mim mesmo. Queria um produto importado, altamente sofisticado, e achava que iria encontrá-lo no meio daquele povo. Acabei comprando pela Internet, licenciado, e não me arrependi.

A história desse telefonema para a Microsoft lembra aquela piada do motorista que foi abordado por um guarda de trânsito. "Por que estava correndo tanto?" "É que atropelei um pedestre e tive que fugir para não ser identificado." "Cadê o cinto?" "Está no porta-malas segurando o botijão de gás que estou usando em vez da gasolina." E assim, a cada pergunta, um novo ilícito era ingenuamente confessado. Fazer o quê? Ela não foi vítima coisa nenhuma, instalou a pirataria porque quis. E, por isso, acha que tem direito a assistência técnica.

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