quarta-feira, março 04, 2009

Desperdício

Já faz tempo que vejo um artista na Rua da Praia, em frente ao prédio da Caixa Econômica Federal, vendendo pinturas feitas sobre LPs. Geralmente são rostos de músicos famosos, como Jimi Hendrix, Bob Marley, John Lennon e Raul Seixas. Muitas vezes eu me perguntei que discos estariam sob aquela tinta e se não poderia haver ali alguma raridade. No fundo, eu queria acreditar que não. Afinal, quem se dispõe a homenagear grandes artistas haveria de saber o valor de um item de coleção e não o desperdiçaria.

Pois hoje eu dei uma passada na Caixa no final da tarde para pegar talão na máquina e avistei novamente as obras em "óleo sobre vinil" (com certeza a tinta era outra...). Só que, desta vez, um dos LPs ainda não tinha sido pintado. E qual não foi minha surpresa quando o identifiquei como sendo o raríssimo "Música Popular do RGS" lançado pela Riocell no final dos anos 70 (acho que em 1978) exclusivamente para distribuição dirigida:

Foi uma edição promocional com gravações feitas especialmente para o projeto. Muita gente boa está ali: Fernando Ribeiro, Raul Ellwanger, Status 4, Toneco, Geraldo Flach e Loma, entre outros. É claro que, para ter valor, o pacote teria que estar completo, com capa, encarte e os dois LPs, já que se tratava de um álbum-duplo. Mas não resisti. Quando o artista se aproximou, vendo o meu interesse, falei na hora:

- Este disco aqui é uma raridade! Não pode ser desperdiçado assim!
- Não é tão raro, não. Tem mais.
- Este não é o LP da Riocell? Ele vale muito mais sem a pintura por cima!

E saí dali, indignado. Agora mesmo é que eu gostaria de saber o que está sob a tinta das demais "obras de arte". Pensando bem, é melhor continuar no desconhecimento.

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