sexta-feira, setembro 07, 2018

Belo documentário sobre o Joelho de Porco

Só estavámos eu e um casal assistindo a "Meu Tio e o Joelho de Porco" hoje na sala 8 do Barrashopping Sul, em Porto Alegre. O documentário sobre a lendária e genial banda paulistana está sendo exibido exclusivamente no horário das 19 horas, somente nesse cinema. É uma bela produção dirigida por Rafael Terpins, sobrinho de Tico Terpins, guitarrista fundador da banda que veio a falecer em 1998. 

Não tem como contar a história do Joelho em apenas uma hora e meia, mas a edição fez um apanhado bem abrangente de depoimentos e imagens de arquivo. O grupo surgiu nos anos 70, teve várias formações, flertou com gêneros diversos, mas sempre pautado pela irreverência. O vocalista Próspero Albanese contribui com um relato bastante sincero, inclusive admitindo que o show com Aracy de Almeida e a fase final com Zé Rodrix não eram bem o estilo dele. Ricardo Petraglia, creditado como "Dick Petra", também dá um testemunho divertidíssimo de sua passagem pela banda. 

É uma pena que Billy Bond não tenha aceitado dar entrevista nem autorizar o uso de sua imagem. Sempre que a formação com o vocalista argentino aparece em algum registro, seu rosto é ocultado eletronicamente. É o caso da apresentação de "São Paulo by Day" (o rock dos trombadinhas), que, curiosamente, se ouve no filme com dublagem da primeira versão, com vocal de Próspero. Billy é um veradeiro "herói de dois mundos", com uma história na Argentina e outra no Brasil, então é uma lástima que a contribuição dele ao documentário se resuma à leitura de um e-mail que ele escreveu em resposta a um contato.

Por fim, o próprio Tico Terpins acaba fazendo uma participação simbólica na forma de uma animação miniaturizada. Essa aparece diversas vezes ao longo do filme, sempre dando um toque bem humorado. Suas duas esposas são ouvidas, assim como outros músicos envolvidos com o grupo, inclusive o baterista Netinho dos Incríveis. Quem se interessa por rock brasileiro tem que assistir a este filme. E não saiam antes do final dos créditos, ou perderão o recado de despedida de Tico!

P.S.: O Joelho de Porco merece um livro. Billy Bond também - esse, de preferência, escrito a quatro mãos por um jornalista brasileiro (paulistano, se possível) e um argentino, com edições em português e espanhol. 

P.S. 2: Esqueci de agitar uma antiga bandeira minha: bons tempos em que a língua oficial do rock brasileiro era o português!

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

No dia em que eu fui, quarta-feira, só tinha eu e mais um cidadão. Imaginei que o filme não iria emplacar a segunda semana. Surpreendente, meu caro Emilio Pacheco! E quanto ao Billy Bond, de fato, é uma pena, ele não ter autorizado sua imagem e também não ter concedido depoimento ao documentário, assim como foi como foi com a Rita Lee no documentário "Loki", sobre a vida do Arnaldo Baptista - Mutantes. Abs, Cassiano

10:01 PM  

Postar um comentário

<< Home