domingo, março 05, 2017

Poupando luz

A fatura de energia elétrica que recebemos todos os meses chama-se popularmente de "conta da luz". E isso, de certa forma, nos sugestiona. Se a "conta da luz" vem muito alta, o impulso de muitos é tentar poupar... luz! Começam a desligar lâmpadas e iluminar estritamente o necessário em suas residências. Sei de gente que vê televisão no escuro.

Aos 17 anos, no cursinho pré-vestibular, ouvi um professor fazer uma observação interessante. "Esse negócio de ficar apagando luz e chamando quem deixa tudo aceso de 'sócio da energia' é bobagem. O consumo de uma lâmpada é mínimo. O que pesa na conta mesmo é chuveiro e tudo o que tiver resistência." E o mestre em questão era judeu. Os israelitas são notórios por sua capacidade inata de otimizar gastos e detectar desperdícios.

Na época, eu ainda morava com meus pais. Mas, no momento em que tive minha própria residência, passei a não me preocupar mais com lâmpadas acesas. Até hoje deixo a luz da cozinha sempre ligada durante a noite. E, às vezes, até na madrugada, para que o apartamento não fique completamente às escuras. Em especial nas noites em que meu filho dorme comigo. O consumo de energia elétrica só aumenta significativamente nos meses de verão, em que ligo o ar condicionado.

Antes de prosseguir, uma ressalva. Imagino que haja famílias com orçamento tão apertado que qualquer economia no gasto de energia, por menor que seja, faça diferença no final do mês. Mas não me parece ser o caso de quem citarei a seguir.

Quando me mudei para o atual endereço, achei uma garagem próxima para colocar meu carro. No caso, é um posto de gasolina. Uma vizinha que também deixa seu automóvel lá logo me aconselhou a comprar uma lanterna. É que a luz da área de estacionamento é acionada pela abertura do portão e apaga depois de um certo tempo. Nunca cronometrei, mas parece ser apenas o suficiente para estacionar o carro e sair. Se eu demorar muito manobrando ou ainda tiver algo a fazer dentro do veículo, acabo ficando no escuro. Isso é um incômodo tremendo.

Será mesmo que a restrição do tempo de luz representa uma grande economia? Suponho que, num posto de gasolina, o consumo maior venha de bombas e elevadores da oficina. Mas, num momento de cortar gastos, o proprietário deve ter tido a brilhante ideia de instalar um temporizador na iluminação do estacionamento. Talvez não tenha feito muita diferença. Só que, quando alguém está predisposto a acreditar numa premissa, até mesmo prova em contrário acaba sendo interpretada como uma confirmação. Fico pensando como teria sido a reação dele ao receber a primeira conta no novo sistema:

- O quê? Mesmo com temporizador a conta deu tudo isso? Imagina se não tivéssemos colocado!

Pois agora a instalação está começando a falhar. Primeiro, a luz ficava acesa por um tempo irrisório. Antes mesmo de desligar o carro, eu já ficava no escuro. Nesta semana, ela passou a nem acender. Acho que todos sairiam ganhando se a iluminação fosse permanente, como era no meu estacionamento anterior. Até pneu troquei lá dentro mais de uma vez. Ou então usar sensor de presença. Mas meu voto ainda é pela luz fixa. Chega de economias bobas. O cliente merece um mínimo de comodidade e segurança pelo preço que paga.

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