domingo, maio 22, 2016

Aula de Bach

Quando decidi escutar as 32 aulas do curso de "Bach e o Alto-Barroco" do professor Robert Greenberg, estava ciente de que eu não pertencia ao público-alvo do material. Não sou músico, não sei ler música e minha cultura de compositores eruditos é quase nenhuma. Tenho CDs das peças clássicas mais manjadas, aquelas que todos conhecem. Mesmo assim, achei que seria interessante ouvir explicações em inglês das obras de Bach e, o melhor de tudo, incluindo trechos das composições. Como eu imaginava, a linguagem usada não é tão difícil de entender. Além de Bach, o palestrante roda trechos de trabalhos de outros autores, como Vivaldi, para efeito de comparação.

Uma surpresa foi saber que muitas das composições de Bach foram perdidas. Fico imaginando se haveria entre elas peças tão especiais e agradáveis quanto as que ouvimos até hoje. Também foi novidade para mim o fato de que o compositor alemão só obteve reconhecimento e prestígio muito tempo depois de sua morte. Quando o professor Greenberg tocou um trecho da "Paixão Segundo São Mateus" ao piano, eu imediatamente reconheci a melodia de "American Tune", de Paul Simon. Depois pesquisei e descobri que a adaptação de Bach pelo músico americano foi creditada na época do lançamento do disco respectivo (o álbum There Goes Rhymin' Simon, de 1973). No CD que tenho comigo, não há qualquer referência a isso.

Foram 25 horas de gravação que digeri aos poucos, em minhas caminhadas. Tive a sensação de estar do lado de fora de uma sala de aula à qual eu não pertencia, ouvindo e apreciando os ensinamentos do professor. Os títulos da série "The Great Courses" incluem um arquivo em PDF com uma transcrição razoavelmente fiel das palestras. No caso deste, aparecem também trechos de partituras, os quais nem me preocupei em examinar. Gostei da experiência, mas não pretendo repeti-la com outros cursos sobre compositores eruditos. Já sei como são essas aulas, então tive minha curiosidade satisfeita. Agora vou começar a ouvir a nova biografia de Paul McCartney escrita por Philip Norman. Este, sim, é o meu chão.

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