segunda-feira, outubro 14, 2013

DVDs e Blu-rays para ouvir

Já faz tempo que venho amadurecendo a ideia de comprar um aparelho de Blu-ray com 3D. O investimento todo incluiria um televisor novo e, no mínimo, as caixas de som. Até que consegui tudo por condições razoáveis. A TV é de 32 polegadas (na minha sala, não é preciso mais do que isso e talvez nem coubesse na estante) e o Blu-ray player Sony já vem com as seis caixas. Só quando já tinha montado tudo e testado a belíssima imagem do novo formato, que consegue ser melhor do que o DVD (e me chamavam de chato por reclamar da qualidade das cópias piratas em VHS...), é que fui me dar conta: eu estava realizando um sonho bem mais antigo do que o próprio Blu-ray. Eu havia adquirido, finalmente, um home theater.

O que me impediu de colocar meu plano em prática antes era o tamanho exíguo do meu apartamento anterior. Eu pensava em, talvez, apostar em algum formato de áudio de alta resolução, como SACD ou DVD-Audio. Se chegasse a fazer, não seria a primeira vez que eu aderiria a um tipo de aparelho pouco conhecido e com público limitado: eu cheguei a ter laserdisc (videodisco), como já comentei diversas vezes. O grande atrativo dessas duas novidades era o som surround 5.1 sem compressão. Vários álbuns de música estavam sendo remixados para lançamento com esse recurso. 

Com o tempo, as gravadoras tiveram uma ideia bastante simples para facilitar a vida dos consumidores: passaram a incluir DVDs normais de vídeo em relançamentos especiais de música, porém aproveitando a trilha de áudio para conter o disco original em mixagem 5.1. Assim, os ouvintes poderiam desfrutar do surround perfeito usando o home theater de que já dispunham, sem necessidade de investir num player dedicado de uso restrito. É bem verdade que o som passa por compressão, mas nada que chegue a ser crítico para simples mortais que não sejam audiófilos.

Depois que já tinha assistido a vários Blu-rays, inclusive em 3D, lembrei-me de vasculhar minha coleção de CDs. Localizei vários DVDs contendo áudio de álbuns antológicos e fui correndo conferi-los. De David Bowie, tenho três relançados dessa forma. Ziggy Stardust decepciona um pouco, pois é a fórmula básica de rock de garagem, com guitarra, baixo, bateria e vocal. Não há muito o que espalhar entre os cinco canais, mais o subwoofer. O produtor original Ken Scott fez uma remixagem interessante, mas sem grandes surpresas. Por outro lado, vale a pena ouvir Young Americans e a forma como a colcha instrumental foi distribuída ao redor. Station to Station também chama a atenção, com o som de "locomotiva" do início da faixa-título viajando entre as quatro caixas principais. Da mesma forma, as três box sets dos álbuns de estúdio do Genesis incluem todos em DVD com áudio 5.1. Já ouvi alguns. 

Só mais tarde é que me vieram à memória as luxuosas caixas do Pink Floyd que comprei no ano passado. Fui conferir e duas delas - Dark Side of the Moon e Wish You Were Here - tinham um Blu-ray com o áudio de cada álbum, não só em remixagem 5.1, mas também reproduzindo o som dos raros LPs quadrifônicos que saíram na época! E com a vantagem da separação discreta de canais, bem mais fiel do que o complexo sistema "matrix" que era usado no vinil. A caixa registradora no começo de "Money" é perfeita para demonstração, com os sons se alternando nos quatro canais. 

Após uma audição que merecia ter sido mais demorada, percebi que, como o som do Blu-ray é sem compressão, talvez os formatos específicos de áudio de alta resolução, como SACD e DVD-Audio, estejam condenados. Ainda têm seus defensores, mas a vantagem mercadológica do Blu-ray é inegável, por ser também vídeo, sucedendo com vantagem o DVD. Neste momento, já estão em pré-venda no exterior edições em DVD e Blu-ray do álbum Close to the Edge, do Yes. Ou seja, já foi dada a partida para comercializar Blu-ray como um veículo para áudio somente.

Por fim, não esqueçamos que há vídeos com músicas que merecem ser conferidas. Quem quiser ouvir gravações originais dos Beatles em 5.1 pode assistir aos filmes "Yellow Submarine", "Help" e "Magical Mystery Tour". Os clips da caixa "McCartney Years" também parecem ter sido remixados especialmente para o relançamento. Ainda não consegui localizar o DVD "Best of Bowie" na mudança, mas qualquer hora ele aparece. Mas algumas coletâneas de clips mais antigas incluem as músicas somente em estéreo. É o caso de "Abba - The Definitive Collection".

Eu sei que muito do que eu escrevi acima não é novidade. Mas é para mim. Finalmente aderi ao universo do áudio 5.1. De lambuja, ingressei também no mundo do Blu-ray 3D. Aos 52 anos, acho que mereço "me dar" esse presente.

Leia também: Do estéreo ao 5.1

1 Comments:

Blogger Cléia Vargue said...

Sempre é bom nos auto presentear, independente da idade, e realizar sonhos é ótimo, acho que a diferença está que quando amadurecemos, damos mais valor as coisas, nosso olhar fica mais apurado!!!! PARABÉNS pela nova aquisição. Abraço!!!eurthdre 252

6:40 PM  

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