sexta-feira, março 04, 2011

Mais livros sobre David Bowie

Minha coleção de livros sobre David Bowie em inglês está praticamente completa. Um ou outro título menos expressivo até pode faltar, mas não deve ser difícil de conseguir.

"Never Get Old" são dois volumes publicados em 2004 pelo holandês Wim Hendrikse. Desde aquele ano eu pensava em encomendar esses livros, mas dois fatores me desestimulavam: o preço um tanto salgado e a escassez de opções de pontos de venda. No anúncio original, constava como se eles só pudessem ser comprados diretamente da editora, na Holanda. Em nenhum momento eu os vi nos sites da Amazon, por exemplo. Acabei conseguindo via Abebooks.

Já na chegada, o tamanho dos livros me decepcionou. Pelo valor que custaram, imaginei-os gigantescos. São grandes, sem dúvida, mas nada descomunal. Tenho volumes bem maiores em minhas prateleiras. Mas o conteúdo, para quem é fã "obstinado", é interessante. É uma cronologia da carreira de Bowie com ênfase nas gravações de shows e participações em programas que acabaram de alguma forma circulando em fita, CD-R ou "bootleg". No topo de cada página aparecem três títulos, como cabeçalhos de uma tabela. O primeiro deles é "Date/Event". Essa coluna informa onde e quando David se apresentou e informações adicionais (músicas, curiosidades), quando disponíveis. O título "Audio/Video" indica o formato em que o registro foi disponibilizado (CD, CD-R, fita, VCD, etc). Por fim, "Title" é o título do item em questão.

Mas não só isso. Quando há algum fato interessante sobre Bowie no ponto relevante da cronologia, o autor despreza as colunas e escreve por toda a extensão da linha para relatá-lo. O final do volume 2 traz uma extensa discografia, chegando ao exagero de reservar um capítulo para todas as gravações de músicas de outros autores não só gravadas por Bowie ("Amsterdam", "It Ain't Easy", "I Keep Forgettin'", etc.) mas também as que de alguma forma lhe tenham servido de inspiração. Ufa!

Mas claro que há algumas falhas. Um equívoco que me deixou bastante intrigado foi no verbete do show de 25 de setembro de 1990 no Olympia, em São Paulo. Ele consta exatamente assim: "Porto Allegre (Sao Paulo) Olympia". Escrever Porto Alegre com dois "ll" é um erro comum dos estrangeiros, mas... como e por que a cidade foi citada? Bowie nunca se apresentou aqui! Eu estive nesse show em São Paulo e tenho uma vaga lembrança de tê-lo comentado inúmeras vezes nos fóruns sobre David Bowie de que participei assiduamente na Internet entre 1996 e 2000, mais ou menos. E eu fazia questão de dizer que era de Porto Alegre. Então pode ser que o autor, em suas pesquisas na Internet, tenha misturado as coisas. De que outra forma a capital gaúcha entraria "de graça" no livro? Quem acompanhava minhas participações na época sabe que não é presunção nenhuma eu cogitar essa hipótese. Havia um grupo de fãs mais atuantes na divulgação de informações e curiosidades (em outras palavras, que não ficavam apenas dizendo que Bowie é sensacional, maravilhoso, "liiiiindo") e eu era um deles.

Visualmente, os livros não chamam muito a atenção e são pobres em ilustrações. Quase só aparecem capas de bootlegs e, mesmo assim, de forma esparsa. E com certeza, como leitura, são bem menos interessantes do que, por exemplo, "David Bowie, a Chronology", de Kevin Cann (que também é uma cronologia), "David Bowie, The Concert Tapes", do também holandês Pimm Jal de La Parra (que igualmente é uma relação de gravações de shows, só que bem mais rica em comentários) e a verdadeira bíblia que é "The Complete David Bowie", de Nicholas Pegg. Mas, para quem quer ter boas fontes de consulta sobre os shows e suas respectivas gravações, até podem ser indicados. Eu os comprei de uma livraria na Holanda via Abebooks. Mas já estão avisados de que o preço é desproporcional à mercadoria. Pode valer pela raridade, num futuro bem próximo.


Este, sim, é um trabalho precioso, uma obra de referência. Se você é fã de Bowie, só está dispensado de adquiri-lo em duas hipóteses: se não entender absolutamente nada de inglês (mas acho que, no mínimo, você sabe dizer "let's dance") ou se não tiver interesse pelo período abrangido da carreira dele, que é até 1974 inclusive. No meu caso, essa é exatamente a minha fase preferida.

Kevin Cann é um notório especialista em Bowie, autor do já citado "David Bowie, a Chronology" e ex-colaborador do saudoso fanzine "Starzone", talvez o único fora do triunvirato Elvis-Beatles-Stones a ser publicado por uma grande editora (seus últimos números saíram pela Omnibus Press). "David Bowie, Any Day Now, The London Years: 1947-1974" também é uma cronologia, mas valorizada por farto material de arquivo e um esmerado trabalho de diagramação. Fotografei algumas páginas para que vocês tenham uma ideia (desculpem, mas eu jamais iria prensar meu livro novinho na tampa de um scanner!).

O interesse do jovem inglês David Jones por futebol americano é notícia no Bromley & Kentish Times de 11 de novembro de 1960. David tinha 13 anos.

Aqui, outra curiosidade. Embora o livro não faça qualquer referência, aquela foto menor em que Bowie está cantando foi tirada pelo brasileiro Alécio de Andrade quando era correspondente da Editora Bloch na Europa. Eu a descobri por acaso em uma revista de 1970, na sala de espera de meu dentista, e acabei arrancando as páginas. Bowie nem mesmo era citado, pois ninguém o conhecia no Brasil, na época. Em abril de 2000 eu mandei a imagem para o site Teenage Wildlife, que a publicou como uma raridade. Depois o próprio Bowie se manifestou em um chat, dizendo que a foto "do Emílio" era "hilária" e complementando: "É Peter Frampton? Nããããão..." O negativo, se ainda existir, deve estar nos conturbados arquivos da Bloch. A revista não é fácil de achar, até porque não lembro exatamente o título (Fatos e Fotos, talvez). Então presumo que o autor copiou a própria imagem publicada no site e a "consertou" com Photoshop ou similar.
Ah, sim: sobre esse show na Roundhouse, o livro cita o encontro de Bowie com o baiano Caetano Veloso. E não é pra menos: um dos consultados foi o produtor Ralph Mace, o mesmo que Marcelo Fróes e eu entrevistamos por e-mail no ano retrasado. Foi ele quem apresentou os dois músicos naquela noite.
Cada álbum lançado por Bowie nesse período ganha uma reportagem à parte, esmiuçando todos os detalhes e curiosidades. Aparecem, por exemplo, fotos não usadas (outtakes) das sessões para as capas. Fica-se sabendo, entre outras coisas, o que é o "K.West" da capa de Ziggy Stardust. Além dos discos, o livro reserva páginas especiais também para os personagens de destaque nessa época, como a primeira esposa Angela Barnett e o empresário Tony Defries. Em suma, este, sim, é um livro obrigatório. Ainda mais para quem, como eu, prefere essa fase da carreira de Bowie. Alguns estão torcendo por uma continuação. Eu desconfio que Kevin Cann escolheu esse período por também preferi-lo e não irá adiante. Mas quem sabe?
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3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Olá Emilio, db está sendo homenageado com placa em Londres, passo o link para vc ver a reportagem.
Descobri uma matéria sobre a turne aki no Brasil, pergunto se vc sabe que revista é essa (mando as fotos), isso está num site alemão (fã clube), se vc souber qual é a revista, quem sabe dá pra procurar nos sebos ou na editora, sei lá, só uma vontade que me deu de ler a reportagem inteira. Valeu, abraços.

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2112047/Here-landed-Starman-Plaque-mark-London-street-David-Bowies-Ziggy-Stardust-touched-down.html
Tentarei enviar as fotos da revista por email. Helena.

2:02 PM  
Anonymous Anônimo said...

Ola Emilio, sobre a revista brasileira, a reportagem com Bowie e Iman, aki está i link, role até o final, a matéria está lá. Se puder fazer o favor de me dizer se sabe que revista é essa... obrigada. Helena.

http://www.rkc.de/db/modules.php?name=Forums&file=viewtopic&t=2086&start=0&postdays=0&postorder=asc&highlight=

2:20 PM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Oi, Helena, tenho quase certeza que é a Bizz. Bacana essa homenagem a ele na Heddon Street, ainda quero conhecer essa rua um dia.

2:54 AM  

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