segunda-feira, junho 19, 2006

Mais futebol

Eu nunca soube jogar futebol. Não praticava esportes na infância e era uma tortura psicológica ter que participar, no primário, de jogos de "newcomb", uma espécie de vôlei em que se pode segurar a bola. Era uma situação humilhante para mim, pois eu era obrigado a jogar embora meus colegas detestassem que eu estivesse ali e eu também.

Alguns anos mais tarde eu comecei a curtir o futebol nas aulas de Educação Física. Os dois times já sabiam que eu não iria fazer muita coisa, mesmo, então qualquer participação era lucro. Lembro de uma vez em que fui tentar tirar a bola de um jogador adversário e ele disse "sai, Emílio", como se eu fosse carta fora do baralho e não tivesse direito de intervir. Era assim mesmo que eu jogava, como uma arma secreta que, por um lado, deixava o time com um jogador a menos. Por outro, podia surgir de repente, na hora mais inesperada, e surpreender. E foi assim, na inusitada posição de "pescador", que consegui fazer três gols. Foram todos mais ou menos parecidos: a bola sobrou para mim, eu enfiei o pé e, sabe-se lá como, ela entrou. Em uma delas, a bola veio com efeito para o meu lado, foi só encostar o pé e ela encobriu o goleiro.

Longe de mim querer desmerecer os craques de nossa Seleção. Mas ontem, ao ver Fred empurrar a sobra de bola para o gol de forma meio desajeitada dois minutos depois de entrar em campo, lembrei do tempo em que eu gostava de estar em uma partida de futebol ("jogar" não seria o termo correto). Era assim que saíam os meus gols (todos os três, quero dizer).

Gostei do jogo. Aos "entendidos de futebol", sugiro deixar os Ronaldos em paz e ver o time como um todo. Fizemos 1 a 0 no primeiro e 2 a 0 no segundo. A dúvida agora é se o próximo será 3 a 0, indicando um incremento de um gol por partida, ou 4 a 0, significando o dobro a cada novo jogo. Não, dificilmente o time chegará a 8 ou 16 a zero.


P.S.: Agora lembrei de um dos grandes jogadores do Internacional dos anos 70: Carbone, meio-campista trazido de São Paulo pelo técnico Daltro Menezes. Chegou a jogar pela Seleção Brasileira. Mas tinha uma característica: não fazia gols. Quando por acaso marcou um tento num histórico jogo entre a Seleção Gaúcha e a Seleção Brasileira no Beira-Rio em 1972, um repórter da Guaíba perguntou a ele no intervalo se era aquele o seu primeiro gol como profissional. Ele respondeu que não, que tinha feito um em 1969 num jogo do interior (ele lembrava os detalhes, eu é que esqueci). Aquele jogo entre as Seleções terminou 3 a 3. Que eu saiba, Carbone nunca mais fez gols. Mas foi à Seleção. Moral da história: fiz mais gols no tempo de colégio do que um dos jogadores do Inter que jogou pela Seleção Brasileira.

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