segunda-feira, junho 12, 2006

Copa do Mundo

Minha lembrança mais longínqua de Copa do Mundo é de 1966. Eu nem sabia que estava havendo uma Copa, mas lembro do "Canarinho do Tri", um canarinho de plástico que era vendido como parte do marketing. Claro que eu quis um e ganhei. Lembro minha irmã me levando na casa de minha vó. Quando ela atendeu, minha irmã disse: "Hoje viemos ouvir o jogo de Canarinho do Tri."

Já da Copa de 70, lembro de um jingle que terminava assim: "Sem pagar um tostão, pra ver as feras do João". Isso, claro, antes de João Saldanha ser substituído por Zagalo. No dia do primeiro jogo, meus colegas estavam entusiasmados: "Hoje tem Brasil e Tchecoeslováquiaaaaa!" Só assim eu fiquei sabendo quem era o adversário. Havia também boatos de que sairíamos mais cedo por causa da partida, mas uma colega ouviu uma funcionária do colégio dizer que "aqui não é uma repartição". E eu não entendi o que significava "repartição" naquele contexto.

Não acompanhei aquela Copa toda. Eu não gostava de futebol. Quando a Tchecoeslováquia inaugurou o placar, minha mãe comentou que quem faz o primeiro gol perde e que isso iria acontecer com ela. Dito e feito. Em outras partidas, eu queria brincar e a gritaria a cada gol do Brasil me incomodava. Minha mãe me dizia: "Não fica contra, essa Copa é importante." Até que veio a semifinal contra o Uruguai. Com o jogo já começado, minha mãe me chamou para assistir. "Vem, ajuda a torcer. O Brasil já ganhou duas Copas. Se ganhar mais esta, fica com a taça Jules Rimet em definitivo." E assim comecei a olhar a partida. Meu desconhecimento de futebol era tanto que, no segundo tempo, comentei:

- Eles trocaram as câmeras!

Meu então cunhado me explicou:

- Os times trocam de lado!

- Ah, bom.

O resto da história todos sabem. Mas, ao me convidar para ver o que restava da Copa, minha mãe deu início a uma transformação radical em mim. Eu virei fanático por futebol. Entre o segundo semestre de 1970 (eu tinha nove anos) até o final de 1971, eu não conseguia ficar meia-hora sem tocar no assunto. Meu lado colorado se despertou. Eu vivia e respirava o Internacional. Eu não saberia precisar até quando exatamente durou o meu fanatismo. Ele foi diminuindo devagar e sempre a partir de 1972, à medida que crescia o meu interesse por música. Quando o Inter foi Campeão Nacional em 1975, vibrei bastante, mas minha paixão já não era a mesma. Fui ao Beira-Rio pela última vez em 1979, para ver Inter e Palmeiras pela semifinal do Brasileirão.

Depois da despedida de Pelé, ganhar uma nova Copa era uma questão de honra para a Seleção Brasileira. Era preciso mostrar que, mesmo sem nosso craque maior, continuávamos sendo uma potência nesse esporte. Além disso, havia o risco de que outros países conseguissem chegar ao tetra antes do Brasil. Por isso, quando houve a vitória na Copa de 94, cheguei até a chorar. Como disse um amigo, "você chorou porque lembrou de 1970". Deve ser. O capitão do tri, Carlos Alberto, "desmoronou" em frente às câmeras do SBT. Era uma emoção aguardada por 24 anos.

Hoje é diferente. Não só o Brasil foi tetra como também penta. Está com dois títulos de vantagem sobre os demais tris. Não existe a ansiedade nem a cobrança dos outros tempos. Mas existe, isto sim, um grande time. Talvez no sangue doce o Brasil vença. É preciso observar também que as "forças ocultas" vão tentar impedir de qualquer maneira que isso aconteça. Mais um desafio para o jogo ter graça. Agora, se a vitória realmente vier, corremos o risco de virar o Clóvis Bornay da competição.

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