terça-feira, janeiro 15, 2019

Destino agendado

Em 1990, eu já tinha feito minha matrícula para o primeiro semestre na Faculdade de Jornalismo quando recebi uma notícia inesperada: eu e mais alguns colegas da empresa em que eu trabalhava seríamos destacados para uma tarefa em Brasília. Não havia previsão para o tempo de permanência. Outra alternativa não me restou senão trancar a matrícula. Mais adiante, minha (hoje ex) esposa pediu licença no trabalho dela e foi para lá comigo. Assim, fizemos do limão uma limonada e acabamos explorando a Capital Federal juntos. 

Ironicamente, se eu tivesse uma bola de cristal, poderia ter voltado a cursar a faculdade já no segundo semestre. Primeiro, porque o plano de trabalho ao qual tínhamos sido alocados foi cancelado e acabamos retornando a Porto Alegre bem mais cedo do que prevíamos. Segundo, porque uma greve de alunos na PUC-RS para tentar reduzir a mensalidade acabou atrasando em vários meses o começo das aulas que deveriam ter iniciado em agosto. Mas tudo bem, fizemos a viagem aos Estados Unidos que tínhamos planejado, voltamos a tempo de ver o show do David Bowie em São Paulo (como registrei aqui) e ainda pegamos o show de 15 anos dos Almôndegas (vejam aqui).

Enfim, ficou uma lembrança bonita daquele ano. Exceto, talvez, por um instante de melancolia no dia 12 de dezembro, porque eu estava completando 30 anos. Na minha cabeça, eu estava deixando de ser jovem.

Mas, em meio à turbulência toda, folheando minha agenda para anotar e conferir os compromissos, chamou-me a atenção uma foto do Congresso Nacional. E, por ser uma publicação das Paulinas, logo abaixo, havia uma citação da Bíblia que começava assim: "Eu te chamei para o serviço..." (Isaías 42:6, embora nem todas as traduções sejam exatamente iguais).

Ora! Minha viagem à Brasília não estava escrita nas estrelas, era na agenda, mesmo! Desde então, passei a prestar atenção em qualquer frase contida nas agendas que comprava. Em anos anteriores, as edições das Paulinas não continham fotos nem dizeres, mas a de 2019 tem. Por exemplo:

Todo o amor semeado, cedo ou tarde, há de florir. (Follereau)

O amor é como uma flor. Pode nascer em lugares e momentos inusitados. (Laureane Antunes)

Que lindo, não? Duas frases em páginas diferentes, mas tudo a ver uma com a outra. Vou continuar semeando. Quem sabe não terei um jardim de amor em 2019?

Outra:

Por trás das conquistas obtidas, há horas de muito trabalho e empenho. (Ana Carolina)

Com certeza! E isso remete à frase abaixo, que está em outra página:

Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir. (Amyr Klink)

O sentido de "partir", aqui, está muito claro. É hora de ir atrás dos sonhos, de colocá-los em prática. O que não significa, necessariamente, atravessar o oceano a remo, como fez Amyr. Mas, quanto mais cedo se começar a remar, mais rápido se chegará ao outro lado. 

Mãos à obra!