sexta-feira, março 23, 2018

Casa Ramil

A ideia de reunir todos os músicos da família Ramil em um show coletivo foi tão bem recebida que não só foram incluídas cadeiras adicionais na plateia do Theatro São Pedro mas também foi agendado um show extra para o domingo. A disposição dos integrantes no palco colocou os mais famosos estrategicamente nas extremidades, para que a nova geração ficasse no centro das atenções. E assim se viram, da esquerda para a direita, Kledir, Kleiton, João, Gutcha, Ian, Thiago e Vitor Ramil. Eu estive na estreia, quinta-feira, dia 22.
A primeira canção foi composta especialmente para o evento e diz duas vezes: "Bem-vindo à Casa Ramil". Parece aquelas introduções suaves que depois incendeiam, mas fiquei esperando uma segunda parte que não veio. É só uma abertura curtinha, mesmo. Com sete vozes no grupo, houve matéria-prima para ricos arranjos vocais e também solos alternados em diversas composições, como "Autorretrato", de Kleiton e Kledir. O estreante João, filho de Kledir, tem uma voz bem Ramil, lembrando o pai com toques do tio Vitor. Foi o sotaque carioca da noite. Ele também apoia na percussão e, em alguns números, toca baixo. Mas quem segura o ritmo mesmo é Gutcha, alternando-se com agilidade entre os tambores, além de tocar violino e rabeca e cantar.
O filho de Vitor, Ian, mostrou "Bichinho" (inédita, feita para sua filha), "Derivacivilização" (faixa-título de seu CD vencedor do Grammy latino) e "Artigo 5º", essa última com forte teor de protesto. Ao final, Gutcha falou: "Marielle presente!" De Vitor ouviram-se, entre outras, "Satolep", "Estrela Estrela", "Satolep Fields Forever" e "Ramilonga". Thiago cantou "Amora" e "Casca", do seu primeiro CD. Do repertório de Kleiton e Kledir, o mais conhecido do público, algumas tocadas foram a já citada "Autorretrato", "Paixão", "Noite de São João", "Vira Virou", "Lixo e Purpurina", Deu Pra Ti" e, no bis, "Almôndegas", a música que lançou o grupo homônimo em 1975.
Um espetáculo à parte foram as brincadeiras bem humoradas entre os Ramil. Vitor acusou o mano Kledir de ter roubado ideias suas, como "Noite de São João" (Vitor compôs uma canção com o mesmo nome) e o "ser feliz é tudo o que se quer" (a letra de "Satolep" diz "o que a gente quer é ser feliz"). Kleiton e Kledir disseram que, em mais de 40 anos de carreira, nunca ganharam um Grammy, e o quase estreante Ian levou um no segundo CD. Ao que o sobrinho respondeu: "Mas eu nunca consegui lotar o Gigantinho". Um momento bonito foi a homenagem a Dona Dalva, mãe de Kleiton, Kledir e Vitor Ramil e avó dos outros quatro, que estava no camarote central do teatro.
O show é pontuado por detalhes em áudio e vídeo alusivos à família Ramil: Dona Dalva cantando, o vidro trabalhado da casa de Pelotas e o trecho de "Mano a Mano" na voz do pai Kleber, do final de "Crooner do Cabaré", do primeiro LP de Kleiton e Kledir. A própria apresentação foi gravada, mas não para lançamento oficial em CD ou DVD. As câmeras que lá estavam captaram as imagens, em primeiro lugar, para registro próprio dos músicos. Isso logo se percebia, pois ocorreram alguns errinhos (a letra de "Paixão" e uma deixa perdida no rodízio de solos em "Autorretrato") e não houve necessidade de refazer nada, como no show para o DVD "Kleiton e Kledir ao Vivo" em 2006. Também não se viam câmeras circulando no palco, nem iluminação adicional. Kledir me disse ao final que talvez disponibilizem alguma coisa na Internet. 

Aqui, a música de abertura. Se o menu vertical do Blog estiver se sobrepondo ao vídeo, duas opções: cliquem no link do "horário" abaixo para acessar somente este tópico ou assistam ao vídeo diretamente no site do YouTube.

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