domingo, dezembro 18, 2016

Fleetwood Mac em 1982

Em 1982, três dos cinco integrantes da formação de maior êxito do Fleetwood Mac vinham de projetos solo. Stevie Nicks havia inclusive excursionado para promover seu álbum Bella Donna. O baterista Mick Fleetwood tinha lançado The Visitor, disco creditado a ele, com a participação de músicos diversos e vocal de George Hawkins no sucesso "You Weren't in Love". Por fim, o guitarrista e vocalista Lindsay Buckingham emplacou com o irresistível hit "Trouble", de seu LP Law and Order.

Mas agora era o momento de reunir a banda - os três membros citados, mais o baixista John McVie e a pianista e ótima cantora Christine McVie. O último trabalho de estúdio do grupo havia sido o polêmico Tusk, de 1979, álbum duplo considerado ousado demais e pouco comercial. Então era de se esperar que os músicos tentassem voltar a uma fórmula mais acessível, com canções de apelo imediato. E, embora o resultado divida opiniões, Mirage foi disco que me tornou fã do Fleetwood Mac. Continua sendo meu preferido.

Como já havia acontecido com Rumours e Tusk, chegou a vez de Mirage ganhar sua edição de luxo. O pacote inclui o disco em vinil, três CDs e um DVD somente com áudio, no caso, as gravações originais remixadas em 5.1 (surround). Isso está sendo motivo de reclamação mais do que justificada dos fãs. Havia clips e até um show da Mirage Tour originalmente lançado em VHS que poderiam ter entrado. Estranhamente, um dos CDs traz essa apresentação. Mas por que não também em DVD? Uma pena.

Mas não se enganem: vale a pena ouvir a versão 5.1 do álbum. Não é apenas o áudio original redistribuído em cinco canais: a remixagem resgatou detalhes que haviam sido podados do LP de 1982. Os puristas podem chiar mas, enquanto tivermos a opção de escutar o som estéreo original, que está em um dos CDs, não há por que rejeitar essas pequenas mudanças em surround. Em "Love in Store", por exemplo, Christine McVie recomeça a cantar depois do solo a partir de "I can't fight it anymore, etc." e não somente mais adiante, no refrão. Ouve-se também a voz de Lindsay Buckingham cantando "oh oh oh" em outras faixas, durante execuções instrumentais. Não acho que tenha sido um erro cortar esses vocais na mixagem original. Mas que bom poder ouvi-los agora.

Por fim, a edição contém um interessantíssimo CD de versões embrionárias ou alternativas das músicas. "Hold Me" aparece numa gravação com vocal solo de Christine McVie e um refrão mais longo. A marcação de ritmo também está crua, lembrando o tradicional som de baixo e bateria de canções anteriores do grupo, como "Dreams" e "You Make Loving Fun". Percebe-se claramente a transformação que a composição sofreu nas mãos de Lindsay Buckingham, que acrescentou seu contracanto e deu à parte instrumental um clima mais próximo do seu hit solo "Trouble". Já "Wish You Were Here" arrisco dizer que ficou melhor do que a versão lançada em 1982. As vozes adicionais cantando o nome da música nos refrões são dispensáveis, mas as cordas deram um belo realce a esta balada de amor e saudade de Christine McVie. 

A lamentar ainda a "venda casada" que nos obriga a comprar um disco de vinil para ter todas essas maravilhas digitais em CD e DVD. O LP poderia ter sido relançado separadamente, para os fãs do som analógico. Ao menos, revive-se a emoção de pegar nas mãos uma capa de 12 polegadas, como a do disco que comprei em 1982, aos 21 anos.

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