segunda-feira, janeiro 18, 2010

Crenças e descrenças

Certa vez publiquei aqui no Blog uma crítica às pessoas céticas, que acham que qualquer afirmação que contrarie seus dogmas é mentira, mesmo com prova em contrário (postarei o link ao final – agora quero que continue lendo aqui). Mas isso não significa que eu seja um crédulo incorrigível, desses que acredita em tudo. Digamos apenas que minhas descrenças são bastante terrenas e pontuais. E, para demonstrar de forma clara, vou começar enumerando as coisas em que acredito.

Acredito em Deus, em Jesus Cristo, em vida após a morte e reencarnação, embora não me considere Espírita ou praticante de qualquer fé reencarnacionista. Acredito na força do pensamento positivo, em pessoas sensitivas, em astrologia, nas características dos signos do zodíaco e em premonições (ainda que as minhas raramente deem certo). Acredito até mesmo em coisas bem menos místicas ou esotéricas, como o amor verdadeiro e honestidade. Mais especificamente, em pessoas que nunca mentem, que encontram uma carteira e a devolvem com todo o dinheiro, em políticos sérios e em cidadãos que recusam suborno ou propina. Acredito em amizade entre homem e mulher, mesmo que ambos sejam heterossexuais e não parentes. Acredito até mesmo que haja homens que nunca falharam na cama.

Por outro lado, existem, sim, coisas em que não acredito. Bem bobas e triviais, mas existem. Por exemplo: não acredito em retorno de ligação. "Deixe o seu telefone que depois retornaremos." "Fulano não pode lhe atender agora, mas ligará para o senhor mais tarde." Pode esquecer. O telefonema não virá. Dê um tempo e ligue de novo. Se quiser dar uma chance, tenha à mão um exemplar de "E o Vento Levou" para ler enquanto espera.

Também não acredito mais em conserto. Só se for algo bem fácil e trivial. Aparelhos eletrônicos, nem perco meu tempo. Que oficina de fundo de quintal deterá o conhecimento técnico para mexer em componentes de alta precisão confeccionados nas mais avançadas fábricas do Primeiro Mundo? Às vezes chego a achar graça quando ouço alguém dizendo: "Manda consertar!" É uma visão ingênua que já perdi há muito tempo. No caso de computadores, ainda estou dando aos "técnicos" o benefício da dúvida. Em geral, muitos deles fazem a fama junto a usuários leigos, que se deixam impressionar com pequenos detalhes facílimos de configurar. Mas, quando aparece um problema de verdade, só o que os especialistas sabem fazer é "reinstalar".

Nessa mesma linha, também deixei de acreditar na seção de "solucionando problemas" (troubleshooting) de manuais. Ao menos, os problemas que eu tenho nunca se resolvem lá. Só o que se vê são dicas óbvias do tipo: "O monitor está sem imagem? Confira se ligou o botão. A caixa está sem som? Veja se aumentou o volume. O computador não liga? Verifique se o cabo de força está conectado à tomada." Entendo que essas orientação são úteis para evitar chamadas desnecessárias para a assistência técnica. E, por uma questão de justiça, devo dizer que, às vezes, as falhas que eu enfrento estão previstas no manual. Mas aí ele manda fazer o que eu já tentei e não deu certo. Se um programa é fechado na marra, não adianta enviar informações à Microsoft, como sugere a caixa de diálogo. É outra coisa em que não acredito.

Portanto, acredito em Deus, em Jesus Cristo, em honestidade, amor verdadeiro e tantas outras coisas a que os céticos resistem. Mas não acredito em retorno de ligação, em conserto e na orientação dos manuais para a solução de problemas.

Leia também:
O Ceticismo

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