sábado, outubro 31, 2009

Livros a mancheia

Ontem inaugurou a Feira do Livro em Porto Alegre. Neste feriadão estou com meu filho, então só vou aparecer por lá na semana que vem. Se bem que, desde que a Internet entrou na minha vida, "Feira do Livro" pra mim é praticamente o ano todo na Amazon (americana ou inglesa), Abebooks e Estante Virtual. Lembro de dois finais de ano seguidos, acho que 1997 e 1998, em que ganhei copos térmicos de brinde da Amazon americana, de tanto que gastei lá. Como eu já disse aqui diversas vezes, as compras via Internet me libertaram dos atravessadores desinformados, a turma do "podemos encomendar/não tinha em São Paulo". Agora eu acho o livro que quiser, onde estiver, e ele vem diretamente para mim. Ainda assim, a Feira do Livro não perdeu seu encanto, com as barracas lado a lado oferecendo títulos que eu nem sabia que existiam. Sempre acabo descobrindo alguma coisa para comprar. Muitas coisas, geralmente.

Com a facilidade de conseguir livros, nunca mais li obras traduzidas quando o original é em inglês. É uma forma de manter as baterias do idioma devidamente carregadas, ainda mais considerando que não tenho praticado conversação. Mas se o livro é em português, é óbvio que leio no idioma pátrio. Vai daí que, há alguns meses, comecei a ler a autobiografia de Pelé. Quem tem vivência de dois idiomas logo percebe se um texto é tradução. Não por falha do tradutor, necessariamente, mas porque nunca uma tradução sai perfeita e natural, por melhor que seja. À medida que fui ganhando fluência, comecei a identificar até mesmo os cacoetes tradutórios dos gibis que eu lia na infância. Eram comuns frases do tipo "tudo está bem quando acaba bem" (que vim a saber ser o título de uma peça de Shakespeare, "All's Well That Ends Well") e "se não se pode com eles, junte-se a eles" ("if you can't beat them, join them").

Pois bem: não foi preciso terminar o primeiro capítulo para notar que o livro de Pelé foi escrito originalmente em inglês. O texto é assinado por Orlando Duarte e Alex Bellos, que devem ter trabalhado de forma sinérgica, mas o ponto de partida foi a língua inglesa. Outro indício é o agradecimento de Pelé à editora britânica Simon & Schuster na introdução. Uma vez constatado esse fato, não tive dúvidas: encomendei a edição em inglês. E é essa que estou lendo. Mas mantenho o livro em português por perto, para eventuais consultas. Não com o objetivo de glosar a tradução, que já verifiquei ser ótima, mas para aprender mais sobre expressões do futebol nos dois idiomas.

Demorou, mas terminei de ler o livro "An American Band, The America Story", de Dan Peek. É a história do grupo America contada pelo ex-integrante que saiu em 1977 para dedicar-se ao Cristianismo. Seus discos da carreira solo são todos de cunho religioso. Apesar de alguns desentendimentos, ele aparentemente mantém um bom relacionamento com seus ex-colegas Gerry Beckley, a quem define como um egocêntrico, e Dewey Bunnel, com quem parecia se acertar melhor. Ele conta muitas histórias curiosas. Por exemplo: nos anos 70 ele recebeu Rod Stewart e sua então esposa Britt Ekland em sua casa e mostrou ao cantor sua nova composição "Today's The Day", que entraria no álbum "Hideaway", do America, em 1976. Rod disse que a música lhe deu uma ideia. Pouco depois, o ex-vocalista dos Faces estourou com "Tonight's The Night".

Não esperei a Feira do Livro para acrescentar à minha biblioteca dois itens obrigatórios: "Nem Vem Que Não Tem – A Vida e o Veneno de Wilson Simonal", de Ricardo Alexandre, e "Minha Fama de Mau", de Erasmo Carlos. A autobiografia do Tremendão provavelmente vai ser minha próxima leitura. Como já disse uma vez aqui no Blog, a verdadeira lei de incentivo à cultura seria aquela que desse aposentadoria antecipada às pessoas que gostam de ler.

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