sábado, junho 20, 2009

O diploma de jornalista

Quando me formei em Jornalismo em janeiro de 1993, já sabia que minha atuação na área seria limitada. Eu não pretendia abrir mão de meu emprego de uma década para iniciar como jornalista novato aos 31 anos. Mas era um sonho realizado e eu fiz questão de me registrar. Ainda lembro do orgulho que senti quando vi o carimbo com anotação na minha Carteira de Trabalho: "Jornalista Profissional Diplomado". O diploma em si é ainda mais pomposo: "BACHAREL EM COMUNICAÇÃO SOCIAL – JORNALISMO IMPRESSO, RADIOFÔNICO, TELEVISIONADO E CINEMATOGRÁFICO". Em 1995, começaram a sair meus primeiros textos no International Magazine.

Muitos de meus contemporâneos de faculdade venceram na profissão. Nem todos se formaram comigo, mas foram meus colegas de aula em momentos diversos: Alexandre Praetzel, Fernando Parracho, Leonardo Meneghetti, Tatiana Nascimento, Cláudia Tisato, Carolina Bahia, Farid Germano Filho, Luiz Fernando Gross, Elton Primaz, Lisiane Wandscheer, Sandro Galarça, Renata Amaro, Ana Luiza Engel, André Machado, Felipe Vieira, Diego Casagrande... Deve ter muito mais gente bem colocada por aí. De forma alguma eu pretenderia apresentar uma lista completa.

Às vezes, em sala de aula, discutíamos a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Não iríamos argumentar contra nós mesmos, então o consenso era de que a exigência era correta. Sim, reconhecíamos que muitos dos melhores jornalistas que o Brasil já teve não eram diplomados. Mas entendíamos que a profissionalização era a evolução natural de todas as atividades especializadas e que isso passava pelo curso superior. Enquanto a formação específica já era exigida no Jornalismo desde 1969, outros ramos de atuação lutavam pela mesma conquista.

Por tudo isso, é impossível para mim não ver a queda da obrigatoriedade do diploma como um retrocesso. Um passo para trás. A perda de uma conquista. Reconheço que há pessoas que escrevem muito bem sem ter curso superior. Ou formadas em outras áreas. Mas jornalismo, perdoem-me, não é só boa redação. Isso, aliás, foi uma das maiores lições que tirei da faculdade. Nunca esqueço de um trabalho de aula, uma entrevista, em que o professor Marques Leonam anotou: "Seu texto está muito bom, o que já permite antever um grande redator. Mas o repórter ainda está em formação..." E apontou uma série de falhas e lacunas no perfil que apresentei sobre o entrevistado. E mesmo na minha forma de escrever, muitos vícios foram corrigidos.

Outro argumento que se ouve é de que há jornalistas ruins entre os formados. Talvez. Mas os nomes que citei acima mostram que existem bons profissionais em quantidade suficiente para abastecer o mercado. Mas vamos supor, apenas por hipótese, que as faculdades estejam graduando pessoas desqualificadas. A solução é acabar com a exigência do diploma? Parece-me uma saída, no mínimo, risível. Os profissionais estão decepcionando? Simples: chamem os amadores! É a velha mania de nunca atacar a causa real do problema.

Como já escrevi aqui em outra ocasião, meu pai foi jornalista nos anos 40. Meus dois irmãos atuaram em rádio e TV. Até minha mãe, que era dentista, chegou a colaborar com o obscuro Jornal do Dia, mais ou menos na época em que eu nasci. Nenhum deles era formado em Jornalismo. Mas os tempos eram outros. Desculpem-me, mas não posso ser a favor da dispensa do diploma. Ainda mais em se tratando da reversão de uma conquista obtida há 40 anos. Não fiquei feliz com a decisão. Nem um pouco. Além de enfraquecer a categoria, ainda prejudica indiretamente a luta de outros profissionais por uma regulamentação semelhante. E, de quebra, representa também uma desmoralização ao curso superior.

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