sexta-feira, janeiro 23, 2009

Viciados em sexo

Ontem assisti a uma reportagem na TV sobre viciados em sexo. Não foi a primeira vez que ouvi falar no assunto. Mas também não faz tanto tempo assim que tomei conhecimento a respeito. E é algo que me deixa intrigado. Em princípio, gostar de sexo é considerado perfeitamente normal. Mais do que isso: saudável. A falta de apetite sexual é que normalmente suscita preocupações. Então como alguém que não consegue ficar sem sexo pode ser visto como um viciado, como alguém que precisa de tratamento? Uma vida sexual ativa e intensa não deveria ser encarada de forma positiva? Não é o que todos querem? Qual o problema?

Não estou, de forma alguma, querendo afirmar que os médicos estão errados em seu diagnóstico. Se eles dizem que há viciados em sexo e que é uma condição que precisa ser tratada, acredito. Apenas é algo que eu, como leigo, tenho dificuldade de entender. Seria mais ou menos como se alguém me diagnosticasse como "viciado em livros". A leitura sempre é recomendada, da escola à Universidade. Quem lê costuma receber elogios por sua atitude. Quem não lê é que sofre críticas. O que pode existir de patológico em devorar biografias de meus ídolos? Mas aí começo a imaginar como seria se eu deixasse de dormir, de trabalhar, de dar atenção à minha esposa e ao meu filho para continuar lendo. Sabe lá se até já não criaram a figura dos "leitores anônimos compulsivos", algo assim. (Meu exemplo é hipotético. Nem leio tanto assim. Bem que gostaria.)

O filme espanhol "Entre as Pernas", de 1999, mostra um caso que reflete bem as minhas dúvidas sobre o tema. O enredo é relativamente complexo, mas tem como ponto de partida uma reunião terapêutica de viciados em sexo. Aí acontece o que qualquer um, como mero espectador, poderia imaginar: um casal se envolve. Um homem e uma mulher, ambos viciados em sexo, vivem um caso. Os especialistas que me desculpem, mas meu primeiro impulso é imaginar que este seja o relacionamento perfeito. Os dois querem a mesma coisa, na mesma intensidade, e ambos se saciam de forma plena.

Diz o clichê, com muita propriedade, que "tudo o que é demais faz mal". Mesmo assim, eu me pergunto se muitos dos "viciados em sexo" não seriam apenas pessoas que não encontraram um parceiro ou parceira compatível. Venho pensando nisso desde que assisti ao filme que citei. A rigor, os personagens não se "curaram". Mas, no momento em que ficaram juntos, o desejo insaciável deixou de ser um problema. Um casal que, de comum acordo, deixe de sair com amigos ou ir ao cinema para ficar em casa fazendo sexo pode ser considerado doente? Sim, eu sei que o suposto "vício em sexo" pode levar a traições ou situações constrangedoras. Mas isso também pode acontecer em outros casos.

Se existe uma doença a ser tratada, que o seja. Mas que não sirva como desculpa para infidelidade ou atitudes inconvenientes. Acima de tudo, é preciso ter respeito e caráter.

3 Comments:

Blogger David Leal Dos Santos said...

teu blog firme.. e o topico viciado em sexo e um tema ainda muito desconhecido pelas pessoas eu mesmo preucurei esse blog pra tirar umas duvidas...ainda nao conseguir tirar minhas duvidas totalmente, mais deu pra da uma clarida na mente melhor abração e sucesso ae!

davizinho_d@hotmail.com

1:07 AM  
Blogger Emilio Pacheco said...

Obrigado pela visita, David. Eu não sou expert no assunto, apenas expus minhas opiniões e dúvidas.

6:33 AM  
Anonymous Anônimo said...

Olá! Foi muito bom ter comentado sobre viciado em sexo, estou escrevendo um livro sobre uma mulher ninfomaníaca, posso te afirmar é uma vida difícil; Pois não é só com o marido que pessoas viciadas querem fazer sexo ou com namorado; A vida de uma pessoa assim é acordar pensando como vai ter mais prazer, onde estiverem, em qualquer lugar já imaginam que estão transando com qualquer pessoa.Meu livro tem fatos reais!

9:27 PM  

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