segunda-feira, agosto 18, 2008

Interpretações precipitadas

Muitas vezes, ao ler comentários totalmente equivocados de leitores deste blog, fiquei imaginando o que a turma da grande imprensa deve enfrentar. As interpretações precipitadas. As reações impensadas. As pérolas. Afinal, se este bloguezinho de 300 visitas por dia já consegue atrair esse tipo de resposta, que dirá um veículo de ampla circulação.

Pois não foi muito longe. Hoje fui convidado para participar de uma comunidade do Orkut intitulada "Retratação já, David Coimbra". Ocorre que o colunista de Zero Hora publicou uma crônica no dia 30 de julho intitulada "Quero requintes de crueldade". Ali, desabafava sua raiva pelo fato de seu filho de 11 meses ter sido mordido por um "cachorro de madame". E, em sua fúria, dizia ter ganas de vingar-se do animal com um método cruel de tortura chinesa, o qual descrevia de forma explícita. Resultado: despertou a ira dos defensores de animais, que não captaram a ironia. Mexeu num vespeiro. Um grupo de ativistas chegou a organizar uma manifestação em sessão de autógrafos do jornalista.

Tudo bem, ele tem sua parcela de culpa. Pode ter havido até uma certa ingenuidade em fazer da sua raiva o assunto da crônica. E ainda expor sua fantasia vingativa de forma tão minuciosa. Depois deve ter-se acalmado, mas aí já era tarde. O mal estava feito. A multidão já estava fora de controle. E agora vai ser difícil contê-la.

Neste blog, o caso mais escabroso de reação fora de propósito foi do sujeito que levou a sério quando eu afirmei estar sendo plagiado por escritores famosos. Confesso que esta frase conseguiu me irritar: "É óbvio, cara, que quando você postou, achou que todos te dariam razão." A que ponto chega a, digamos, "limitação intelectual" de certas criaturas? Outro comentário inusitado foi o da moça que não entendeu a brincadeira que eu fiz com a agenda da banda Sunset Riders, que incluía festas fechadas, e partiu para a agressão. Por fim, tem o caso recente da paulista que interpretou meu texto sobre o termo "abigeatário" como uma vanglória para os gaúchos. Enfim, concluo que todas as pessoas que escrevem para outros lerem, do mais insignificante blogueiro ao mais notável jornalista, têm que estar preparadas para serem mal interpretadas. E ter sangue frio para suportar as reações.

Quanto ao texto da Zero Hora, entendi o que o cronista quis dizer. Também sou pai. Sobre cachorros, já emiti minha opinião aqui. Tenho o maior respeito por animais domésticos. Mas não machuquem meu filho. Aí eu viro David Coimbra.

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