domingo, maio 04, 2008

Ronaldo no Fantástico

Ronaldo Nazário fez bem em conceder entrevista para o Fantástico. Não lhe restavam muitas alternativas. Melhor dar logo a cara a tapa e fazer um mea culpa em horário nobre antes que a bola de neve da especulação ganhasse proporções incontroláveis. E, para isso, o Fantástico é perfeito. Eu sempre digo que seria o programa ideal para acabar com o mito dos textos que circulam pela Internet com autoria falsamente atribuída a Quintana, Verissimo, Jabor e outros. Pois assim como o Fantástico, por sua larga abrangência de público, é eficaz para divulgar informações, é também um poderoso formador de opinião. Lembram do Ricupero na parabólica em 1994? Enquanto os concorrentes reapresentavam todos os comentários indiscretos do Ministro da Fazenda ao repórter Carlos Monforte, o Fantástico mostrava a renúncia quase na íntegra, com todos os seus detalhes melodramáticos, as pausas tensas, o choro incontido. Os simpatizantes de Ricupero com certeza sentiram vontade de pegá-lo no colo naquele momento.

A Globo pode ser parcial e tendenciosa em alguns momentos, mas ainda acho-a mais correta do que a Veja. A revista da Editora Abril tem o péssimo hábito de prejulgar a tudo e a todos, geralmente estampando o veredito na capa. O caso da menina Isabella mal chegou à mídia e a revista já sentenciou: "FORAM ELES". Em 1996, a capa de Veja comunicou aos leitores a conclusão sobre a morte de PC Farias: "Caso Encerrado". Pois Ronaldo Nazário foi execrado no último número da publicação.

Ronaldo não é nenhum Pelé, mas sempre me despertou mais simpatia do que o Romário, por exemplo. Nas poucas entrevistas dele a que assisti, sempre transmitiu aquele jeito de menino: imaturo, reticente, falando devagar e dizendo pouco. Parecia uma criança que fica nervosa ao falar para uma câmera. Ele deu chance para o azar e dificilmente irá amadurecer. Mas espero, sinceramente, que dê a volta por cima. Ele já nos deu muitas alegrias e conquistou o recorde do maior número de gols em copas. Essa entrevista para o Fantástico foi o caso típico em que os dois lados foram favorecidos. Agora, bola pra frente.

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