sexta-feira, maio 19, 2006

Amor de infância

Nesta semana comprei uma edição em CD da trilha sonora do filme "Melody", de 1971, lançado no Brasil com o título de "Quando Brota o Amor". Vi-o no saudoso cinema Imperial em 1972. O vinil é antigo e está fora de catálogo, mas o CD só saiu no Japão e na Argentina. A trilha inclui várias músicas dos Bee Gees, embora nenhuma inédita. Foi a edição argentina que achei em uma loja de discos raros de Porto Alegre, lançada com apoio do fã clube dos Bee Gees naquele país. Mais uma façanha dos fãs argentinos, que conseguiram também a vinda do próprio grupo em 1997 na turnê "One Night Only".

Enquanto ouvia as músicas, entre elas belíssimas execuções da orquestra de Richard Hewson, lembrava do filme. Na época em que o vi pela primeira vez, eu era muito imaturo para captar uma nuance bastante original do enredo, que era a perspectiva infantil. Os personagens principais são vividos por Mark Lester e Tracy Hyde, um casal de crianças de dez anos que, mais do que namorar, decidem casar. Não no futuro: imediatamente!

Embora o site All Movie não o inclua em sua lista de "similar movies", vejo semelhanças entre "Melody" e "Um Pequeno Romance", de 1979. Ali, os namoradinhos (Thelonious Bernard e Diane Lane) têm cerca de 13 anos, grandinhos o bastante para saber dos mistérios do amor adulto, mas ainda jovens demais para desvendá-los (ao menos nos anos 70). Isso fica evidente em uma cena em que, levados por um amigo comum, assistem a um filme pornô que deixa a menina chocada. O garoto depois comenta: "Aquilo não é amor." Mas um aspecto diferencia claramente os dois filmes. "Um Pequeno Romance", com todas as suas aventuras e peripécias, termina num toque de realismo quando a garota se muda da cidade. Um desfecho pouco original, se lembrarmos de "Susan e Jeremy, o Primeiro Amor", esse já focalizando dois adolescentes no despertar de sua sexualidade. Já o final de "Melody" é puro conto de fadas. Totalmente implausível, mas bonito: as crianças fogem para casar. E assim o filme termina, sem que ninguém questione para onde foram aqueles infantes de apenas dez anos, o que fizeram e como sobreviveram. Ou se decidiram voltar na metade do caminho, como os amigos rebeldes de "Marcelo Zona Sul".

"Melody" resume a fantasia do amor infantil. Você teve uma paixão de infância? Que idade você tinha quando "gostou" ou "esteve a fim" de alguém pela primeira vez? Existe amor de verdade aos dez, onze ou 12 anos? O filme não pondera sobre isso, apenas conta uma história que poderia estar nos sonhos de qualquer criança enamorada. O que não deixa de ser um ponto em comum com "Um Pequeno Romance", que mostra uma visão tão mais amadurecida quanto os próprios personagens. Sim, existe amor na infância. Ou na pré-adolescência. "Um Pequeno Romance" está disponível em DVD, mas "Melody" ainda não foi lançado nesse formato nem mesmo no exterior. Um dia deve sair, para que as novas gerações conheçam uma bela obra cinematográfica sobre a inocência de um namoro aos dez anos. E com final feliz e tudo. Ou vocês duvidam que os personagens tenham vivido felizes para sempre?

2 Comments:

Blogger Rodrigo said...

Cara, procurei o filme, achei legendado e amei-o.
Mark Lester é um ótimo ator. Da mesma linha de Macaulay Culkin.

11:25 PM  
Anonymous Anônimo said...

Melody e Um pequeno romance, são meus filmes de cabeceira.
Quando não tenho nada pra ver, coloco um deles, e é difícil escolher.
Tudo que foi dito tem uma relevância extraordinária, as vezes esquecemos de nossas próprias histórias e rezamos pra que sejam como nos filmes.
Procurei por Melody a minha vida toda, mas somente com 35 anos e a ajuda do adventury da internet, finalmente encontrei.
Ver o filme de novo, foi sentir os anos 70 bem mais perto.
Hoje as cenas não durão mas que míseros 3 segundos, e é difícil se surpreender com esses títulos, mas as vezes acontece.
Parabéns pelo Blog.
Atenciosamente... Holderlin.
PS: Coincidentemente meu nome é citado em Um Pequeno Romance.

10:44 PM  

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