terça-feira, abril 04, 2006

Notícia mesmo

Esses celulares que estão explodindo podem servir de lição para os internautas menos antenados, que acreditam piamente em qualquer informação recebida por e-mail. Porque, cá entre nós, parece notícia falsa, não parece? Daquelas que a gente recebe num tom quase sigiloso, como quem transmite uma informação obtida de fonte privilegiada. Geralmente vem acompanhada de recomendações tipo "avise a todos os seus amigos" e "isso é sério, aconteceu em São José do Rio Preto". Depois de dar a entender que há interesses comerciais ocultando os fatos, o relato prosseguiria: "A dona-de-casa Tutako Furukava de Almeida, 69 anos, havia colocado o seu celular Motorola para carregar quando o mesmo explodiu". E a suposta notícia poderia citar a delegacia onde foi dada queixa ou hospital onde a vítima foi atendida, conforme o caso.

Agora pensem: se acontecesse um incidente desses com vocês ou alguém da família, o que vocês fariam? Dariam parte na polícia ou elaborariam um e-mail para ser repassado por debaixo dos panos virtuais? Até, talvez, as duas coisas. Mas um fato como esse não escaparia à imprensa. E não escapou. O episódio citado no parágrafo anterior está na capa de "O Sul". A notícia aparece na página 15, com foto da dona-de-casa e do estrago que o celular causou no colchão.

Perceberam a diferença? Notícia legítima sai no jornal, não é repassada por e-mail sem foto ou citação de uma fonte fidedigna, como quem descobre um segredo de estado e espalha para os amigos. Eu também achei estranho quando ouvi falar nos celulares explosivos. Mas aconteceu mesmo porque está no jornal, sob responsabilidade do editor. E podem ter certeza que a imprensa jamais irá publicar algo como "recebemos por e-mail, não sabemos se é verdade mas, por via das dúvidas, estamos divulgando".

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