sexta-feira, maio 12, 2017

Debate versus interrogatório

Uma conhecida escritora fez uma observação interessante no Facebook. De que o interrogatório de Lula foi encarado por muitos como um debate. E que agora todos argumentam sobre quem "venceu" ou "perdeu". Essa visão, de certa forma, foi reforçada pelas capas de Veja e Isto É, que mostraram Lula e o Juiz Moro como antagonistas de uma luta. Isso suscitou comentários mais do que pertinentes de que Moro não poderia assumir um lado e sim julgar com isenção.

Voltando à escritora, ela encerra seu comentário dizendo: "Você não vai votar no seu preferido daqui a uns dias." Perfeito. Eventuais decisões estão todas nas mãos de Moro. Claro que as falas de Lula poderão ser usadas em futuras campanhas políticas. Dos dois lados. Mas o ex-Presidente falou como réu, não candidato. E Moro ouviu como Juiz, não como opositor.

Isso me faz lembrar de um aspecto que observo há bastante tempo, em meu interesse por marketing político: às vezes ocorre o contrário e os candidatos agem em campanha como se estivessem num julgamento. Sentem-se obrigados a responder a todas as acusações e acabam queimando seu filme. Mas a omissão em contestar não impede ninguém de ganhar votos. Alguns já perceberam isso e sabem se esquivar das respostas com maestria. Houve também o caso clássico (que registrei rapidamente aqui) do não comparecimento de Lula a um debate na Globo em 2006. A produção o tratou o tempo todo como "réu revel", fazendo perguntas ostensivamente a uma cadeira vazia. Mas ele foi reeleito mesmo assim.

Vamos aguardar o desenrolar dos fatos.

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