segunda-feira, abril 18, 2016

País do impeachment

Como não uso "tags", não teria como incluir num único link todos os textos deste Blog em que falei sobre eleições. Mas, clicando aqui, vocês encontrarão todas as postagens (ou talvez quase todas) em que a palavra "eleição" foi citada. A maioria se refere aos eventos do calendário político.

Se vocês se derem ao trabalho de ler o que escrevi, perceberão o meu entusiasmo pelo tema. Em especial neste comentário rápido aqui, de outubro de 2010. Eu estava comemorando a democracia, a cidadania, a igual chance que é dada a todos nós de escolher nossos governantes. Campanha eleitoral sempre me empolgou. Até o horário político eu via de vez em quando (cliquem aqui para ler os meus textos onde aparece a expressão "horário político"). Os debates. As polêmicas. As notícias.

Pois é. Mas, nos últimos tempos, isso perdeu a graça para mim. Tudo porque a oposição inconformada resolveu furar o esquema e inventar um protesto contra a Presidente legitimamente eleita. Fez uso da liberdade de expressão que só uma verdadeira democracia pode proporcionar para dar um tiro no pé da própria democracia. Como se fosse um jogo e um dos lados, depois de perder quatro vezes seguidas, fizesse beicinho, virasse as costas e dissesse: "não brinco mais!" Infelizmente, "a união faz a força" também para envenenar o sistema.

Num segundo momento, um parlamentar de reputação extremamente questionável acolheu o pedido de impeachment. Por fim, os deputados o aprovaram por motivos meramente políticos, sem atentar para os pré-requisitos que o respaldariam. E assim, num golpe em três atos, descobriu-se uma brecha para que as pessoas influentes conseguissem burlar o processo eleitoral. O lado bonito da democracia - que é o povo, não as elites ou a imprensa, escolhendo seu governante - deixou de existir.

Há alguns dias encontrei na rua um antigo colega. Já está aposentado. Depois de conversarmos outros assuntos, lembrei a ele de algo que lhe falei no tempo do governo Fernando Henrique. De que, embora eu não tivesse votado no então Presidente, eu não me alinhava aos gritos de "fora FHC" que se ouviam de tempos em tempos. Afinal, se ele foi o escolhido, devia ir até o fim. Meu amigo disse que não se recordava desse fato, mas que concordava comigo.

Se o afastamento do Collor já foi suficiente para difundir a ideia de que é fácil tirar Presidentes que não nos agradam, depois de ontem, infelizmente, o Brasil passa a ser o país do impeachment. Um instituto ao qual só se deveria recorrer em último caso, mas que agora se torna oficialmente o "terceiro turno". E por voto indireto, ainda por cima.

Repito: eleição, para mim, perdeu a graça. Espero continuar votando, claro. Mas, por algum tempo - talvez um longo tempo - não terei o entusiasmo de outrora. Quando estiver registrando meu voto na urna, sempre ficará aquela pontinha de dúvida: vão respeitar o resultado? Ou irão inventar um novo impeachment? Por fim, digo que as atitudes de algumas pessoas me decepcionaram bastante. Não me refiro somente aos políticos, embora eles sejam os personagens principais. Um deputado em especial perdeu minha admiração. E eu votei nele. Com tantos rostos verdadeiros aparecendo, serão muitas máscaras para recolher do chão ao final de tudo.

1 Comments:

Blogger José Elesbán said...

É. Triste tudo isso.
Eu tenho comentado o assunto no meu blog. E olha que eu não gosto de escrever sobre política, justamente pelas paixões que gera.
Mas, enfim, triste mesmo. Estou com esse mesmo sentimento. Vai valer votar? Se é tão simples gerar um impedimento do governante eleito?

11:56 PM  

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