terça-feira, setembro 14, 2010

Coleção do Chico

É impossível não cobrir de elogios a iniciativa da Editora Abril de lançar a coleção de Chico Buarque para venda nas bancas. Não só pela chance de ir comprando os CDs um por um a apenas 14,90 (o primeiro da série ainda teve um desconto: saiu por 7,90) mas também porque, finalmente, estes relançamentos introduzem no mercado brasileiro o que eu chamo de "CD para ler" - e já não era sem tempo! Refiro-me aos CDs com encartes de várias páginas, praticamente uma revista em termos de conteúdo. Cada álbum do Chico vem em formato de livreto com 46 páginas a cores. Descontado o expediente, a cronologia (repetida em todos) e as letras, são cerca de 30 páginas repletas de fotos e informações. Como serão 20 volumes no total, teremos 600 páginas (em tamanho de CD, claro) contando toda a história do compositor. Tomara que a moda pegue, pois ninguém mais aguenta os encartes "pelados" das reedições brasileiras.

Os discos não estão saindo na ordem cronológica original. O primeiro a ser relançado foi o de 1978, aquele do "Cálice" e "Apesar de Você". O segundo foi "Construção" e o terceiro, já nas bancas, é o antológico "Meus Caros Amigos", que tanto furor causou em 1976. Também é gratificante ver que o interesse por Chico Buarque não diminuiu com a abertura política. Quando os bons ventos da democracia começaram a soprar no Brasil dos anos 80, houve quem apostasse que Chico iria desaparecer, que ele só sabia fazer "música de protesto" e não resistiria ao tempo. Pois os reacionários anti-Chico tiveram que continuar engolindo sua obra. Afinal, o talento e a boa poesia são atemporais. (Conheço uma pessoa que acha que Chico não perdeu sua popularidade por causa dos "olhos de ardósia verde". Mas isso é problema dela.)

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