quinta-feira, março 09, 2006

Duas carteiras

Mexendo em meus guardados, achei duas carteiras minhas que considero preciosidades. A primeira delas é a de sócio do Internacional, a "Jovem Guarda Colorada" que o clube promoveu em 1969. A despeito de minha memória, que todos dizem ser boa, eu não lembro por que fiz essa carteira. Acho que minha mãe viu um anúncio no jornal e me mostrou. Recordo que o Inter tinha uma loja na Borges de Medeiros quase esquina Salgado Filho, perto de onde hoje fica um laboratório de revelação fotográfica (e onde nos anos 70 houve uma filial da Yes Discos – disso eu não iria esquecer), e foi lá que eu me inscrevi. Estranho, pois naquele tempo eu nem gostava de futebol. Também não lembro se eu teria direito a alguma coisa com essa associação. Não me consta que tenha havido pagamento de mensalidade. Talvez eu tivesse desconto se fosse aos jogos, mas comecei a ir em 1970 e não me preocupei em saber se a carteira servia para alguma coisa. Acho que era só um brinquedinho, mesmo, para mostrar para os amigos, tipo carteirinha de fã-clube. Para mim, pelo menos, acabou sendo. O presidente que a assinou foi Carlos Stechmann. Quanto ao álbum que é anunciado no verso, cheguei a comprá-lo e colecionar as figurinhas, mas não o completei, infelizmente. E a frase "Vamos começar a plantar hoje a semente do COLORADO de amanhã" me deveria deixar orgulhoso, pois nos anos seguintes o Inter viveu a melhor fase de sua história.
A outra carteira é do Grêmio Literário Castro Alves, que existe até hoje. Em 1976 eu tinha 15 anos e me tornei o sócio "efetivo-literário" mais jovem da agremiação. Meu padrinho foi o poeta Nélson Fachinelli, que levava meus poemas para publicação no Correio do Povo e assina a carteira como Presidente. Ele ainda escreve e recentemente lançou um CD de letras musicadas e cantadas por intérpretes diversos, como já fez duas vezes o hoje Prefeito José Fogaça. O Grêmio ainda não tinha sede própria, então realizava suas reuniões em uma sala no 1º andar do Edifício Ouvidor, onde hoje fica um restaurante. O local na época era cedido pelo Clube dos Orquidófilos de Porto Alegre. Fui sócio por um ano, mais ou menos, e cheguei a participar da primeira coletânea de poemas editada pelo grupo. Um dia crio coragem de mostrar aqui o que eu escrevia na época. Como disse sutilmente um amigo a quem mostrei os meus versos de adolescência, "teu estilo hoje é muito melhor, não tem nem comparação". Tempos depois ele me confessou que não gostou mas "não quis me dizer". Engraçado como as pessoas pensam que escondem suas opiniões e sentimentos.

Só agora me dei conta que tenho uma carteira do Inter e outra do Grêmio. Mas não "aquele" Grêmio. O Castro Alves, que eu saiba, nunca caiu para a Segunda Divisão.

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