segunda-feira, novembro 28, 2016

Mais audiobooks

Eu pretendia resenhar os quatro audiobooks que citarei a seguir em tópicos individuais, mas vou me contentar com um comentário mais resumido, mesmo. 

"Not Dead Yet", de Phil Collins, é uma autobiografia muito bem narrada pelo próprio autor. Sempre considerei Phil Collins um vencedor. Além de conseguir o que parecia impossível - assumir o vocal solo do Genesis em 1975 após a saída de Peter Gabriel - o baterista ainda inventou uma carreira solo de sucesso. Só que, no momento em que suas mãos e a audição começaram a falhar, Phil se aposentou e começou a beber. Tudo é muito recente, mas espera-se que a sobriedade que ele anuncia nos capítulos finais não seja abalada por uma eventual recaída. Força, Phil! 

Em geral, músicos que narram seus próprios livros costumam fazê-lo com notável entusiasmo (mesmo que, como se sabe, a redação final não tenha sido deles). A lembrança dos momentos marcantes de suas vidas parece lhes dar ânimo e eles contam tudo com ênfase na voz. Pois não é o caso de Mike Love, cantor dos Beach Boys, em "Good Vibrations - My Life as a Beach Boy". Sua dicção é boa, mas um tanto preguiçosa. Ele deixa escapar um suspiro ao anunciar o capítulo 23 - são 25 no total. Outro quesito em que Love deixa a desejar é nos trechos de música que canta à capela. Sua afinação se perde em alguns momentos. Mas demonstra muita emoção em determinadas passagens, principalmente ao falar de seu primo Brian Wilson. Afirma que a lenda que se perpetuou sobre ele, Mike, ser contra a evolução dos Beach Boys para um estilo mais sofisticado foi criada por David Leaf em seu livro "The Beach Boys and the California Myth", publicado em 1978. Por fim, um tema recorrente na autobiografia é sua luta para ter reconhecidas diversas parcerias não creditadas com Brian Wilson, como "California Girls", "Catch a Wave", "Help Me, Rhonda" e "Be True to Your School".

"I Am Brian Wilson" foi editado pouco depois do livro de Mike Love, de forma que não houve tempo de o líder dos Beach Boys responder a eventuais acusações. A primeira autobiografia de Brian Wilson, "Wouldn't it Be Nice", saiu em 1991 e resultou em diversas ações contra o autor e a editora HarperCollins. Mas Wilson alegou mais adiante que mal folheou o manuscrito e, em última análise, não foi o verdadeiro autor do texto. Talvez para transmitir um tom de autenticidade, em "I Am Brian Wilson" os fatos não são enumerados em ordem cronológica, mas vão sendo encadeados à medida em que Brian os lembra, como numa conversa informal. O narrador do audiobook é Fred Berman.

Por fim, "Homeward Bound: The Life of Paul Simon", de Peter Ames Carlin, é um trabalho de fôlego, talvez a biografia definitiva daquele que é um dos maiores cantores/compositores americanos ao lado de Stevie Wonder e Bob Dylan. São quase 18 horas e meia de audiobook, na voz do narrador Adam Grupper. A relação instável e turbulenta com o parceiro Garfunkel, a polêmica ao gravar na África do Sul em plena vigência do apartheid, a passagem pelo Brasil para criar Rhythm of the Saints e a amizade com o cantor Milton Nascimento e o produtor Marco Mazzola, tudo isso está descrito no livro. 

Um comentário à parte: como se sabe, depois do antológico show do Central Park em 1981, a dupla Simon & Garfunkel anunciava sua volta em definitivo, com disco inédito e tudo. De última hora, Paul mudou de ideia e terminou sozinho o álbum que se chamou Hearts and Bones. Um aspecto que nunca vi mencionado nos livros e reportagens que li, mas que me parece evidente, é que Paul percebeu a tempo a faca de dois gumes que seria a volta do duo. No começo dos anos 80, o compositor já estava consagrado como artista solo. Seus discos individuais haviam conquistado um público específico e o respeito da crítica. Se Garfunkel retornasse, tudo isso seria jogado fora. Velhos fãs seriam atraídos esperando ouvir um novo Bridge Over Troubled Water. Qualquer mensagem que ele estivesse tentando transmitir seria ofuscada pelo estigma da "volta de Simon e Garfunkel". Mesmo assim, os dois tornariam a cantar juntos em diversos momentos, mas como nostalgia e não como um projeto atual.

Boa semana a todos.

1 Comments:

Blogger José Elesbán said...

Muito legal!.

9:44 PM  

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