sexta-feira, novembro 04, 2011

Hermes Aquino e Fernando Ribeiro em CD

Durante os meses de junho e julho, fiz um certo suspense aqui no Blog, dizendo que breve teria uma novidade. Pois ela chegou em agosto: o relançamento de três discos gaúchos em CD pelo selo Discobertas, do carioca Marcelo Fróes. A convite dele, eu tive a honra de escrever os textos dos encartes. Só que, por motivos diversos, acabei não fazendo a divulgação como pretendia. Apenas indiquei dois links para o site do crítico Mauro Ferreira. Mas ainda é tempo. Os CDs estão em catálogo e algumas lojas físicas de Porto Alegre só recentemente os receberam. Então, antes tarde do que nunca, vamos a eles.

Desencontro de Primavera, de Hermes Aquino, e Em Mar Aberto, de Fernando Ribeiro, chegaram às lojas praticamente juntos, entre março e abril de 1977 (embora o rótulo do vinil original de Fernando indique 1976). Hermes vinha impulsionado pelo sucesso de "Nuvem Passageira" no ano anterior, incluída na trilha sonora de "O Casarão". Mas um fato que fiz questão de enfatizar em meu texto é que, mesmo antes da estreia da novela, o compacto com "Machu Picchu" no lado A e "Nuvem Passageira" no lado B já era êxito absoluto em Porto Alegre. Consegui datas e números mais ou menos exatos em minhas pesquisas, mas independente disso eu me lembrava do sucesso do disquinho. Como certa tarde em 1976 em que eu estava na saudosa Curtisom, na Avenida Borges de Medeiros, quando um vendedor disse para o outro: "Diz para o Fulano buscar mais Hermes Aquino lá no estoque." E complementou: "Não te falei que o guri ia vender?"

Fernando Ribeiro era desconhecido fora do Rio Grande do Sul, mas a EMI farejou nele um grande talento e apostou alto. O resultado é que Em Mar Aberto tornou-se uma obra-prima de MPB e um dos melhores discos já lançados por um artista gaúcho. Mas não esqueçamos que a riqueza da obra de Fernando devia muito à poesia de seu letrista Arnaldo Sisson. Por sinal, Arnaldo voltou a ter seus versos musicados, desta vez por Léo Ferlauto (Fernando, como se sabe, faleceu em 2006). Mas seu trabalho com Fernando dificilmente será superado. Os dois estavam no auge da inspiração, compondo maravilhas como "Não Demora", "Hora Imprópria", "Estado de Espírito" e "Aqui e Ali".

Em razão de minha colaboração com esses relançamentos (apenas com os textos, mesmo assim fico orgulhoso e agradecido ao Marcelo Fróes pela chance), não pretendo escrever aqui uma crítica aos CDs nos moldes convencionais. Estou apenas fazendo a divulgação prometida, ainda que tardia. E também não vejo necessidade de repetir aqui informações que já estão nos encartes. Vocês podem ler tudo lá. Mas talvez alguns fiquem curiosos em saber como obtive a data exata em que Hermes Aquino mostrou em primeira mão as faixas de seu segundo LP Santa Maria no Ritmo 20 de Clóvis Dias Costa. Simples: eu fiz diário de meados de 1977 a 1981 e ainda tenho os cadernos guardados. Naquela noite eu tinha ido à Rádio Continental com meu irmão João Carlos Pacheco, que era locutor da emissora. Quando eu saí de lá depois de termos ido à farmácia (acho que fui comprar um remédio para minha mãe, não tenho certeza), vi Hermes saindo do elevador quando eu estava entrando. Cheguei em casa e peguei a entrevista já começada, mesmo assim consegui ouvir um bom pedaço. E me lembro bem das faixas que foram rodadas, além da entrevista em si. Quem sabe um dia eu publique um livro só com esses detalhes, tipo "Memórias de um Ouvinte".

Por fim, cumpre lembrar que Marcelo Fróes é um dos mais conceituados produtores de relançamentos do Brasil. Antes mesmo de montar o seu próprio selo Discobertas, ele já havia feito diversos trabalhos para grandes gravadoras, incluindo, entre outros, as caixas de Gilberto Gil, Roberto Carlos, Erasmo Carlos e, no caso de músicos gaúchos, os CDs de Almôndegas e Kleiton e Kledir relançados em 2003. Com o Discobertas ele está conseguindo fazer os encartes como sempre desejou: fartos em ilustrações. O CD de Fernando Ribeiro reproduz fielmente a ficha técnica, as fotos e as letras impressas na edição original. Os CDs de Hermes incluem fotos de compactos diversos das respectivas épocas (inclusive os dois contêm faixas-bônus originais desses disquinhos). E todos trazem os rótulos dos vinis originais. Com tanta pirataria rolando por aí, lançamentos caprichados como esses merecem ser prestigiados. Espero que saiam mais títulos de músicos gaúchos. E, se eu for convidado novamente a colaborar com textos, aceitarei com prazer.

1 Comments:

Blogger zealfredo said...

Tenho quase certeza que "Memórias de um Ouvinte" viria a ser um grande livro. Mas não de more muito.

7:49 PM  

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