quarta-feira, abril 05, 2017

James Taylor e Elton John

James Taylor e Elton John já se apresentaram em Porto Alegre antes, respectivamente em 1986 e 2013. Cada um, individualmente, atraiu um público considerável em ambas as ocasiões. Eu estava lá, nas duas vezes. Mas na mesma noite é quase uma overdose de realização musical. A dobradinha de grandes nomes é uma tendência recente em shows internacionais. E quem sai ganhando, é claro, somos nós, os fãs.
O grande evento ocorreu no dia 4, no Anfiteatro Beira-Rio. A abertura ficou a cargo de Rafael Malenotti, vocalista do Acústicos e Valvulados, aqui como solista acompanhado pelas "Velhas da Chalaça". Mais tarde, misturou-se à plateia da pista e foi visto tirando fotos com fãs nos intervalos.
Nunca esqueço que, em 1986 (eu tinha 25 anos), a rádio Atlântida FM avisou que o show de James Taylor no Gigantinho começaria na hora marcada, ou seja, 20 horas. Esse anúncio era importante, entre outras coisas, porque uma das apresentações aconteceria antes e a outra depois do início do horário de verão. E Taylor foi fiel ao relógio oficial nos dois dias. Passados 30 anos (não errei a conta, estou levando em consideração os meses), a pontualidade do cantor/compositor americano continua a mesma: às 20 horas as luzes do Beira-Rio se apagaram e ele entrou no palco.
Depois de cantar "Wandering", leu um texto em português explicando que tinha quebrado o dedo e não poderia tocar "guitarra" (violão, na verdade). E apresentou o violonista Dean Parks, dizendo que "hoje ele vai ser eu". Mais tarde, mencionou o baterista Steve Gadd como "uma lenda". De fato, Gadd já tocou com, entre outros, Simon e Garfunkel (vejam-no no clássico vídeo de 1981 no Central Park) e Paul McCartney. Destaque também para a cantora e violinista Andrea Zonn e o saxofonista Lou Marini. A esposa de James Taylor, Kim Smedvig, era uma das vocalistas.
Além de vários clássicos, como "Country Road", "Carolina in My Mind", "You've Got a Friend" (que muitos nem lembram ser na verdade uma composição de Carole King), "Shower the People", "Fire and Rain" (que, confesso, me levou às lágrimas) e "Handy Man", Taylor homenageou o Brasil com "Only a Dream in Rio". Falando inglês, ele lembrou que estava no Brasil para o Rock in Rio bem na época em que Tancredo Neves foi eleito. Inclusive ele cometeu um errinho perdoável ao dizer que foi a primeira eleição brasileira depois de 20 anos (foi na verdade a última eleição indireta do período, mas a única com candidatos civis e com vitória da oposição) e que, levado ao Circo Voador por Caetano e sua esposa, viu artistas brasileiros "podendo se apresentar novamente", como se estivessem em silêncio total antes disso. O importante é que Taylor captou a emoção do momento histórico e o registrou numa canção. "Eu estava lá no dia D e meu coração voltou vivo", diz a letra composta na época.






Depois de um breve intervalo, às 10 da noite as luzes do Beira-Rio se apagaram novamente e Elton John e sua banda entraram rachando com "The Bitch is Back", a mesma abertura de 2013. Em seguida vieram "Bennie and the Jets", "I Guess That's Why They Call it the Blues", "Daniel", "Someone Saved My Life Tonight" e "Philadelphia Freedom", essa com uma enorme bandeira americana ao fundo (apenas uma homenagem, lembrando que Elton é inglês). Após um longo e interessante solo de piano, o cantor emendou a clássica "Rocket Man".
Curiosamente, ele interpretou "Tiny Dancer", depois anunciou uma canção do álbum Madman Across the Water, que era "Levon". Mas a anterior era do mesmo disco, então por que não uma referência conjunta às duas composições? A verdade é que, ao contrário de James Taylor, Elton falou pouco entre as músicas. Em seguida vieram "Goodbye Yellow Brick Road" e "Your Song". Essa comoveu o público - apareceu no telão uma moça da pista cantando junto e chorando. "Burn Down the Mission" costumava incendiar plateias inglesas e americanas no começo da carreira de Elton, mas o público brasileiro aparentemente não se identifica com esse clássico. A deferência especial ao Brasil viria após "Sad Songs (Say so Much)": a balada "Skyline Pigeon", originalmente um obscuro lado B de compacto que aqui se eternizou graças à novela "Carinhoso".



O laconismo de Elton se confirmou ao homenagear George Michael apenas com a imagem de fundo durante "Don't Let The Sun Go Down on Me", sem dizer uma palavra a respeito. Em seguida, veio "Looking Up", de seu último CD Wonderful Crazy Night. Sim, o músico inglês segue a fórmula da maioria dos veteranos: apenas uma música do álbum mais recente e o restante do repertório vem lá do passado distante. No caso, o segundo disco menos antigo revisitado foi Breaking Hearts, de 1984. Mas é o que os fãs esperam, então por que não atendê-los?
Três números cheios de energia foram guardados para o final: "I'm Still Standing", "Your Sister Can't Twist" e "Saturday Night's Alright for Fighting". Essa última com certeza é o rock mais enérgico já gravado por Elton, mas a versão ao vivo ficou devendo em peso. Predominava o som do piano, num clima festivo. No bis, ouviu-se "Candle in the Wind" na letra original em homenagem a Marilyn Monroe (e não à Princesa Diana, atentem para esse detalhe, por favor) e mais festa para encerrar com "Crocodile Rock". Na banda de Elton, destaque para os fiéis Davey Johnstone na guitarra e Nigel Olsson na bateria (que assinou seu nome em todos os tambores, como se via nos telões). Se em 2013 Elton usou um casaco azul alusivo à capa de Madman Across the Water, dessa vez os dizeres eram "Fantastic", numa referência ao Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy, de 1975.







1 Comments:

Blogger VINIL said...

Que fotos legais, Emílio!

Eu vou assistir o James e o Elton John em SP. Já me emocionei só em ver suas imagens de ontem...

Um abraço,
Vinícius Rangel

10:52 PM  

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