quarta-feira, outubro 26, 2016

O disco perdido de Diana Pequeno

Signo é o quarto de uma série de CDs independentes que Diana Pequeno vem lançando desde o ano passado. Os três anteriores formaram a chamada "Trilogia das Almas", como comentei aqui. E já está pronto um quinto álbum cuja venda deverá ser anunciada em breve. Nada mau para quem ficou de 2003 a 2014 sem disco novo. Os fãs não podem mais se queixar.

À primeira vista, Signo segue o mesmo padrão da recente sequência de CDs. Mas, examinando-se a ficha técnica na contracapa do encarte, um dado chama a atenção: as músicas foram gravadas entre dezembro de 1989 e janeiro de 1990. Mas ficaram inéditas esse tempo todo. Então o que temos aqui é um "disco perdido" de Diana, que poderia ter saído logo depois do Mistérios, LP independente de 1989. Inclusive os músicos Elias Almeida (guitarra e violão) e Papete (percussão e teclado), do disco anterior, reaparecem respectivamente em três e duas das 11 faixas do CD. Nas demais, o grupo base tem Ney Marques nas violas, Nelson Presbiteri no baixo, Rogério Martins nos teclados e Manoel Pacífico na percussão.

Outra diferença é o repertório. Enquanto nos três CDs anteriores e, posso adiantar, também no próximo, predominam composições próprias de Diana, nessa produção de 89/90 a cantora baiana seguiu a antiga fórmula de interpretar autores consagrados. O disco abre com "Voarás", de Paulinho Pedra Azul, que é o mesmo Paulinho Morais de quem Diana gravou a linda "Vagando" em 1981. Em seguida, "Corsário", de João Bosco e Aldir Blanc, que também consta do Alma Moura em gravação posterior. Ainda três parcerias da cantora com Ney Marques aparecem em duplicata com o CD Alma Gêmea, mas aqui em versões diferentes: "Paixão", "Signo" e "Flores do Mal". Esta última, aliás, já conta três gravações. A primeira foi ouvida em 2001 abrindo o CD Cantigas. Mas o arranjo deste CD ganhou uma roupagem bem pop com teclado e guitarra, faltando apenas um sax para ficar com jeito de Kid Abelha. Voto nessa como a melhor das três.

Mais duas músicas também constam em outros discos de Diana em versões alternativas, no caso, "Desse ou D'Outro Lado", parceria da cantora com o gaúcho André Gomes (aparece em Alma Moura) e "Ser Feliz é Melhor Que Nada", com versos de Diana sobre uma canção tradicional de Cabo Verde (gravada anteriormente em Mistérios). E por falar em gaúchos, outros dois compositores do Rio Grande do Sul estão neste CD: Vitor Ramil com "Clarisser" (lançada por ele em 1984 em A Paixão de V Segundo Ele Próprio) e "Vim Vadiá" de Nélson Coelho de Castro (do segundo LP de Nélson em 1983). Esta teve uma pequena alteração na letra: o "tri bom" do original virou "tão bom", trocando a gíria rio-grandense por uma linguagem mais nacional.

Enfim, para quem estava com saudade de ouvir Diana Pequeno como intérprete de autores diversos, este CD é um bem-vindo presente. Enquanto isso, a baiana segue dando vazão a seu lado de compositora em gravações mais recentes. Para encomendar este e os demais CDs, escreva para epfj@bol.com.br.

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