sexta-feira, janeiro 30, 2026
quinta-feira, janeiro 22, 2026
Caminhadas com meu filho
Meu filho herdou minha compulsão por comida, com o agravante de não entender as consequências, por ser autista não-verbal. Não tem vaidade e come por prazer, não para matar a fome. Mas consegui fazer com que criasse gosto por caminhar. Não lembro ao certo, mas acho que não seria exagero supor que ele tinha 6 anos quando comecei a levá-lo do Menino Deus até o Centro pela Av. Beira-Rio. Certa vez um senhor chegou a perguntar a idade dele, de tão impressionado que ficou de ver uma criança pequena já fazendo uma longa caminhada com o pai. Naquele tempo, íamos no passinho dele. Já adulto, ele começou a acompanhar o meu ritmo e até me puxar, às vezes.
É claro que, no final, tem que ter um lanche. Fazemos no Rua da Praia Shopping. Antigamente saíamos de lá em direção à Dr. Flores para pegar um táxi e voltar. Até que, em certo momento, não lembro se antes ou depois da pandemia, ele começou a me puxar para o sentido contrário, indicando que também queria retornar a pé. Eu achei ótimo! Se não for muito tarde e não houver risco de anoitecer no trajeto, fazemos ida e volta. Já se sabe que exercício não emagrece tanto quanto pensam os leigos, mas no tempo em que ficamos na rua caminhando, com exceção do lanchinho, ele não fica querendo comer. E a tarde passa de forma prazerosa.
Só que, há alguns meses, não sei por que, o Iuri começou a ficar mais preguiçoso. Em certos momentos, não queria sair. Ou então saía, mas sinalizava para que fôssemos em locais próximos, geralmente o supermercado. Eu e a mãe dele estamos investigando para ver o que pode estar ocasionando essa mudança de comportamento.
Então um de meus desejos para 2026 é poder voltar a fazer essas demoradas e gostosas caminhadas com meu filho. Se ele estiver com algum problema, que seja logo sanado e ele torne a se sentir disposto para nossos longos passeios. Neste Blog, há muitas fotos dele caminhando comigo nesses 21 anos em que este site está no ar.
domingo, janeiro 18, 2026
Digitalizando vinil
Antes tarde do que nunca, aqui vai a primeira postagem de 2026 no Blog. Comecei o ano realizando um sonho antigo: me dei de presente um toca-discos Audio-Technica para fazer digitalizações de vinil. Há muitos anos eu digitalizei alguns LPs e compactos usando meu toca-discos Aiwa e o gravador de DVD com HD interno Pioneer. Gravava as músicas em DVD-R, trazia o disquinho para o computador, extraía o áudio (já que, tecnicamente, era um vídeo, ainda que sem imagem) e fazia eventuais conversões. Até que não ficava tão ruim. Mas precisei trocar a agulha do toca-discos e não consegui substituí-la, a nova que comprei não encaixou. Pra piorar, meu gravador de DVD começou a falhar. Ele era perfeito para digitalizar fitas VHS e subir o conteúdo para o YouTube na proporção correta de 4:3, o padrão dos televisores antigos. Hoje uso um conversor RCA-HDMI e alimento a imagem do videocassete diretamente na placa Avermedia. O resultado são arquivos em mp4, mas todos em "widescreen". Para ver na TV na proporção certa, basta configurar o "Ratio" no controle remoto. Mas, para o YouTube, vai a imagem deformada, mesmo.
No ano passado, aprendi a fazer digitalizações diretamente no computador. Comecei com fitas cassete. Um amigo me deu a dica do cabo Y que eu teria que usar para efetuar a conexão. Consegui converter os áudios para arquivos WAV sem problemas, posicionando o tape deck provisioriamente ao lado do PC (meu modelo é um Dell desktop, não consigo me contentar com notebook). Acho que funciona com o Audacity, mas como já tinha comprado o WavePad há anos, optei por esse programa para as gravações. Foi o estímulo que faltava para finalmente investir no toca-discos.
Comprei o modelo mais simples e barato da Audio-Technica, o AT-LP60X-BK-C. Não tem Bluetooth nem conexão USB, mas não precisa. Curiosamente, ele vem com um cabo Y semelhante ao que eu comprei no ano passado para fazer digitalizações do tape deck, mas para ser usado de forma inversa: a conexão P2 na saída de áudio e as conexões RCA para entrada em algum amplificador ou mini-system. Esse eu estou dispensando: utilizo um conector P2-P2 para alimentar o som diretamente na entrada de áudio (azul) do computador. E gravo com o WavePad. A exemplo do que fiz com o tape deck, coloco o toca-discos provisoriamente ao lado do computador para essa tarefa. Um contratempo é que, com a placa de som do meu PC, não consigo ouvir em tempo real o que estou digitalizando. No caso do tape deck, eu resolvia conectando a saída dos fones em um som portátil que tenho aqui. Para vinil, o jeito é ficar cuidando para ver quando o disco termina e encerrar a gravação. Depois, é fácil de tirar os excessos do começo e do final no próprio programa.
Estou curtindo demais o meu brinquedo novo. Pensem numa compra boa, daquelas que a gente aproveita bastante e não se arrepende do gasto. Já separei vários LPs e compactos nunca lançados em CD para digitalizar. Quase todos são de música brasileira, mas me permiti escolher alguns de artistas estrangeiros. Também tenho compactos raros que comprei recentemente e nunca tinha ouvido. Uma decepção é constatar que alguns discos não estão tão bem conservados quanto eu esperava. Sempre me orgulhei de cuidar bem de meus vinis, mas às vezes aparecem estalidos e até "pulos" (geralmente resultando em um traço vertical de cima a baixo na onda sonora mostrada pelo WavePad). Há casos em que é apenas um grão de poeira que se alojou no sulco e é relativamente fácil de remover. Aí, repito a digitalização. Mas vou providenciar um acessório para limpeza de discos. Nos velhos tempos, eu tinha um e gostava dele.
Enfim, arranjei uma nova "cachaça". E assim me reencontro prazerosamente com meus discos de vinil, aqueles que ainda não vendi por não terem CDs que os substituam. Breve devo subir algumas dessas preciosidades para o YouTube. Uma delas já está lá: o tango "Passo Fundo", de 1973, parceria de Donato Racciatti com o então prefeito da cidade, Edu Vila Azambuja. Mas não posso negar que esses estalidos e "pulos" que venho encontrando nas digitalizações me fazem lembrar por que prefiro o CD e abracei o novo formato com entusiasmo, quando surgiu. E é uma pena que, ao menos no Brasil, o compact disc esteja desaparecendo, enquanto as gravadoras voltam a lançar LPs, só que a preço de item de luxo. Por favor, não deixem morrer o CD!
terça-feira, dezembro 30, 2025
Com os dois pés
Uma amiga de Facebook que é escritora em São Paulo e é uma das pessoas mais sensatas e ponderadas que já encontrei nas redes sociais entende que o comercial das Havaianas "não era contra a direita, mas contra a polarização", pregando "união, todo mundo junto". Afinal, ele diz que devemos entrar o ano novo "com os dois pés". Com o devido respeito, acho que não foi essa a intenção, mas esta postagem não é para contestar essa ou aquela interpretação. Digamos que ela tocou num assunto que eu abordo de vez em quando aqui no Blog: o meu sonho de que possamos voltar a ser eleitores civilizados, votando, respeitando o resultado da eleição e seguindo todos em paz.
Ao menos entre as pessoas com quem convivo, já foi assim. Hoje revejo fotos de encontros de amigos realizados antes de 2013 e lamento que os grupos estejam desfeitos. Naquele tempo, não conversávamos sobre política. Evitávamos o assunto não por autocensura, presumo, mas por respeito. O voto de cada um era algo muito pessoal. O problema foi quando o "vem pra rua" resolveu levar para as praças o que já estava decidido nas urnas. E aquilo foi só o começo. O Facebook fomentou as animosidades, seguiram-se acontecimentos questionáveis que alguns comemoraram, outros lamentaram, e o resultado é que o povo está dividido.
Para complicar as coisas, 2026 será um ano de eleição presidencial. Eu lembro que me entusiasmava com a perspectiva de votar e agora fico apreensivo. Acompanhei a luta pela volta das eleições diretas e hoje vejo que nem todos sabem aceitar a democracia. Talvez a direita argumente que o primeiro passo para um "tratado de paz" entre os dois lados seria anistiar os arruaceiros de 8 de janeiro de 2023. Não acho uma boa saída. O Brasil precisa acabar de uma vez por todas com sua tradição golpista e isso não se conseguirá com impunidade. Quanto à revisão das penas, é tarefa para os advogados de defesa.
Por fim, convido os leitores do Blog a reler (ou ler pela primeira vez, conforme o caso) o que publiquei aqui em 3 de outubro de 2023. Naquele texto, citei um trecho do livro "Democracia em Crise no Brasil", de Cláudio Pereira de Souza Neto, que foi escrito bem antes do episódio de 8 de janeiro. Em vez de transcrever novamente, darei o link ao final.
Sei que é difícil, mas seria ótimo se pudéssemos ao menos terminar o ano de 2026 com os dois pés. Feliz Ano Novo!
Aqui, o link: Democracia em crise








