sexta-feira, janeiro 30, 2026

Encontrando a mim mesmo na loja de discos

Hoje à tarde fui conversar com um jornalista de Brasília que está em Porto Alegre para fazer pesquisas para um futuro livro. Vou deixar que ele mesmo divulgue o projeto, quando chegar a hora. Ele estava em um hotel na Av. Independência. A entrevista terminou cedo e eu achei que não valia a pena voltar para casa e depois sair de novo para buscar meu filho. Eu já estava na metade do caminho. Então fui matar tempo na Toca do Disco. E na hora certa, pois eles vão entrar em férias. Acabei comprando alguns compactos e um LP, já que estou no embalo de fazer digitalizações de vinil. Mas achar o compacto duplo acima foi uma grata surpresa. Foi um reencontro comigo mesmo 50 anos depois.

Ele tem o meu nome na contracapa. E sou eu realmente, não um homônimo. Já contei a história aqui, é só clicar no link e saber mais. Eu tinha 15 anos quando ajudei Norberto de Barcellos a fazer a letra desse jingle (que foi mostrado na TV em dezembro de 1976) e 16 quando a Prefeitura de Porto Alegre editou esse disco promocional invendável (em 1977). Em lojas de discos raros e usados ele até aparece, de vez em quando. Às vezes eu nem lembro que tenho esse item no meu currículo há tanto tempo. A única outra vez em que ganhei um crédito de coautoria numa música lançada em disco (CD, no caso) foi no álbum "Canções para Leitores", de Rogério Ratner. Enfim, foi um momento de emoção. Quando pedi para olhar os compactos brasileiros, jamais imaginei que ali estaria um com meu nome. 

quinta-feira, janeiro 22, 2026

Caminhadas com meu filho

A foto acima é de 8 de outubro de 2022. Foi a primeira vez em que eu e meu filho Iuri demos uma caminhada na Av. Beira-Rio, em Porto Alegre, depois da pandemia. 

Meu filho herdou minha compulsão por comida, com o agravante de não entender as consequências, por ser autista não-verbal. Não tem vaidade e come por prazer, não para matar a fome. Mas consegui fazer com que criasse gosto por caminhar. Não lembro ao certo, mas acho que não seria exagero supor que ele tinha 6 anos quando comecei a levá-lo do Menino Deus até o Centro pela Av. Beira-Rio. Certa vez um senhor chegou a perguntar a idade dele, de tão impressionado que ficou de ver uma criança pequena já fazendo uma longa caminhada com o pai. Naquele tempo, íamos no passinho dele. Já adulto, ele começou a acompanhar o meu ritmo e até me puxar, às vezes.

É claro que, no final, tem que ter um lanche. Fazemos no Rua da Praia Shopping. Antigamente saíamos de lá em direção à Dr. Flores para pegar um táxi e voltar. Até que, em certo momento, não lembro se antes ou depois da pandemia, ele começou a me puxar para o sentido contrário, indicando que também queria retornar a pé. Eu achei ótimo! Se não for muito tarde e não houver risco de anoitecer no trajeto, fazemos ida e volta. Já se sabe que exercício não emagrece tanto quanto pensam os leigos, mas no tempo em que ficamos na rua caminhando, com exceção do lanchinho, ele não fica querendo comer. E a tarde passa de forma prazerosa.

Só que, há alguns meses, não sei por que, o Iuri começou a ficar mais preguiçoso. Em certos momentos, não queria sair. Ou então saía, mas sinalizava para que fôssemos em locais próximos, geralmente o supermercado. Eu e a mãe dele estamos investigando para ver o que pode estar ocasionando essa mudança de comportamento.

Então um de meus desejos para 2026 é poder voltar a fazer essas demoradas e gostosas caminhadas com meu filho. Se ele estiver com algum problema, que seja logo sanado e ele torne a se sentir disposto para nossos longos passeios. Neste Blog, há muitas fotos dele caminhando comigo nesses 21 anos em que este site está no ar.

domingo, janeiro 18, 2026

Digitalizando vinil

Antes tarde do que nunca, aqui vai a primeira postagem de 2026 no Blog. Comecei o ano realizando um sonho antigo: me dei de presente um toca-discos Audio-Technica para fazer digitalizações de vinil. Há muitos anos eu digitalizei alguns LPs e compactos usando meu toca-discos Aiwa e o gravador de DVD com HD interno Pioneer. Gravava as músicas em DVD-R, trazia o disquinho para o computador, extraía o áudio (já que, tecnicamente, era um vídeo, ainda que sem imagem) e fazia eventuais conversões. Até que não ficava tão ruim. Mas precisei trocar a agulha do toca-discos e não consegui substituí-la, a nova que comprei não encaixou. Pra piorar, meu gravador de DVD começou a falhar. Ele era perfeito para digitalizar fitas VHS e subir o conteúdo para o YouTube na proporção correta de 4:3, o padrão dos televisores antigos. Hoje uso um conversor RCA-HDMI e alimento a imagem do videocassete diretamente na placa Avermedia. O resultado são arquivos em mp4, mas todos em "widescreen". Para ver na TV na proporção certa, basta configurar o "Ratio" no controle remoto. Mas, para o YouTube, vai a imagem deformada, mesmo.

No ano passado, aprendi a fazer digitalizações diretamente no computador. Comecei com fitas cassete. Um amigo me deu a dica do cabo Y que eu teria que usar para efetuar a conexão. Consegui converter os áudios para arquivos WAV sem problemas, posicionando o tape deck provisioriamente ao lado do PC (meu modelo é um Dell desktop, não consigo me contentar com notebook). Acho que funciona com o Audacity, mas como já tinha comprado o WavePad há anos, optei por esse programa para as gravações. Foi o estímulo que faltava para finalmente investir no toca-discos.

Comprei o modelo mais simples e barato da Audio-Technica, o AT-LP60X-BK-C. Não tem Bluetooth nem conexão USB, mas não precisa. Curiosamente, ele vem com um cabo Y semelhante ao que eu comprei no ano passado para fazer digitalizações do tape deck, mas para ser usado de forma inversa: a conexão P2 na saída de áudio e as conexões RCA para entrada em algum amplificador ou mini-system. Esse eu estou dispensando: utilizo um conector P2-P2 para alimentar o som diretamente na entrada de áudio (azul) do computador. E gravo com o WavePad. A exemplo do que fiz com o tape deck, coloco o toca-discos provisoriamente ao lado do computador para essa tarefa. Um contratempo é que, com a placa de som do meu PC, não consigo ouvir em tempo real o que estou digitalizando. No caso do tape deck, eu resolvia conectando a saída dos fones em um som portátil que tenho aqui. Para vinil, o jeito é ficar cuidando para ver quando o disco termina e encerrar a gravação. Depois, é fácil de tirar os excessos do começo e do final no próprio programa.

Estou curtindo demais o meu brinquedo novo. Pensem numa compra boa, daquelas que a gente aproveita bastante e não se arrepende do gasto. Já separei vários LPs e compactos nunca lançados em CD para digitalizar. Quase todos são de música brasileira, mas me permiti escolher alguns de artistas estrangeiros. Também tenho compactos raros que comprei recentemente e nunca tinha ouvido. Uma decepção é constatar que alguns discos não estão tão bem conservados quanto eu esperava. Sempre me orgulhei de cuidar bem de meus vinis, mas às vezes aparecem estalidos e até "pulos" (geralmente resultando em um traço vertical de cima a baixo na onda sonora mostrada pelo WavePad). Há casos em que é apenas um grão de poeira que se alojou no sulco e é relativamente fácil de remover. Aí, repito a digitalização. Mas vou providenciar um acessório para limpeza de discos. Nos velhos tempos, eu tinha um e gostava dele.

Enfim, arranjei uma nova "cachaça". E assim me reencontro prazerosamente com meus discos de vinil, aqueles que ainda não vendi por não terem CDs que os substituam. Breve devo subir algumas dessas preciosidades para o YouTube. Uma delas já está lá: o tango "Passo Fundo", de 1973, parceria de Donato Racciatti com o então prefeito da cidade, Edu Vila Azambuja. Mas não posso negar que esses estalidos e "pulos" que venho encontrando nas digitalizações me fazem lembrar por que prefiro o CD e abracei o novo formato com entusiasmo, quando surgiu. E é uma pena que, ao menos no Brasil, o compact disc esteja desaparecendo, enquanto as gravadoras voltam a lançar LPs, só que a preço de item de luxo. Por favor, não deixem morrer o CD!

terça-feira, dezembro 30, 2025

Com os dois pés

Uma amiga de Facebook que é escritora em São Paulo e é uma das pessoas mais sensatas e ponderadas que já encontrei nas redes sociais entende que o comercial das Havaianas "não era contra a direita, mas contra a polarização", pregando "união, todo mundo junto". Afinal, ele diz que devemos entrar o ano novo "com os dois pés". Com o devido respeito, acho que não foi essa a intenção, mas esta postagem não é para contestar essa ou aquela interpretação. Digamos que ela tocou num assunto que eu abordo de vez em quando aqui no Blog: o meu sonho de que possamos voltar a ser eleitores civilizados, votando, respeitando o resultado da eleição e seguindo todos em paz. 

Ao menos entre as pessoas com quem convivo, já foi assim. Hoje revejo fotos de encontros de amigos realizados antes de 2013 e lamento que os grupos estejam desfeitos. Naquele tempo, não conversávamos sobre política. Evitávamos o assunto não por autocensura, presumo, mas por respeito. O voto de cada um era algo muito pessoal. O problema foi quando o "vem pra rua" resolveu levar para as praças o que já estava decidido nas urnas. E aquilo foi só o começo. O Facebook fomentou as animosidades, seguiram-se acontecimentos questionáveis que alguns comemoraram, outros lamentaram, e o resultado é que o povo está dividido. 

Para complicar as coisas, 2026 será um ano de eleição presidencial. Eu lembro que me entusiasmava com a perspectiva de votar e agora fico apreensivo. Acompanhei a luta pela volta das eleições diretas e hoje vejo que nem todos sabem aceitar a democracia. Talvez a direita argumente que o primeiro passo para um "tratado de paz" entre os dois lados seria anistiar os arruaceiros de 8 de janeiro de 2023. Não acho uma boa saída. O Brasil precisa acabar de uma vez por todas com sua tradição golpista e isso não se conseguirá com impunidade. Quanto à revisão das penas, é tarefa para os advogados de defesa. 

Por fim, convido os leitores do Blog a reler (ou ler pela primeira vez, conforme o caso) o que publiquei aqui em 3 de outubro de 2023. Naquele texto, citei um trecho do livro "Democracia em Crise no Brasil", de Cláudio Pereira de Souza Neto, que foi escrito bem antes do episódio de 8 de janeiro. Em vez de transcrever novamente, darei o link ao final. 

Sei que é difícil, mas seria ótimo se pudéssemos ao menos terminar o ano de 2026 com os dois pés. Feliz Ano Novo!

Aqui, o link: Democracia em crise

segunda-feira, dezembro 22, 2025

Havaianas

Toda esta polêmica em torno do comercial das Sandálias Havaianas, popularmente chamadas de "chinelo de dedo", me motivou a resgatar essas duas fotos tiradas em 28 de dezembro de 2006 em Capão da Canoa. Eu achei tão genial essa série "Cartunistas" que comprei vários pares com desenhos diferentes. E levei alguns para o meu filho, também. Eu sempre fiz questão de usar Havaianas e não outra marca concorrente. São insubstituíveis, desde a minha infância.

segunda-feira, dezembro 15, 2025

Sessão de autógrafos na Bamboletras

Talvez o temporal com direito a vendaval que assolou Porto Alegre e arredores às 16 horas tenha atrapalhado. Mesmo assim, cerca de 15 pessoas vieram prestigiar a sessão de autógrafos de "1985, o Ano que Repaginou a Música Brasileira" na Livraria Bamboletras. E não tiveram quaisquer problemas, pois o tempo já começou a se estabilizar às 17 horas e, em seguida, nem chuva havia mais. Pouco depois das 18, chegaram os primeiros compradores. Não estava planejado, mas acabou rolando um papo entre os autores presentes. Nas fotos, da esquerda para a direita: Juarez Fonseca, que escreveu sobre a trilha sonora da série "O Tempo e o Vento", Zeca Azevedo, que resenhou o LP de Roberto Carlos, Célio Albuquerque, organizador do livro que veio do Rio especialmente para o evento, eu, que comentei o primeiro LP do RPM, Revoluções por Minuto, e Márcio Pinheiro, que abordou O Melhor dos Iguais, do Premeditando o Breque. Conversamos sobre esse artistas e outros, também. Obrigado a meus amigos Luiz Carlos Lasek e Otávio Diegues pela presença. Lasek tirou a foto abaixo. A de cima, copiei do Facebook de Célio Albuquerque.

segunda-feira, dezembro 08, 2025

Evento com direito a livro

Antes tarde do que nunca, registro aqui a minha participação no evento de posse da nova diretoria da Sociedade Brasileira de Urologia do Rio Grande do Sul, na quinta-feira à noite, dia 4, na sede da AMRIGS, em Porto Alegre. Ao transmitir a presidência a seu sucessor, o Dr. Márcio Averbeck, o Presidente da gestão 2024/2025, Dr. Ernani Rhoden, anunciou que deixaria a todos um documento contando a História da Urologia no Rio Grande do Sul. E distribuiu o livro que eu tive a honra de escrever. Eu já tinha visto o arquivo PDF, mas fiquei positivamente impressionado com a edição em capa dura, com fotos a cores e um belo trabalho de diagramação de Larissa Martins. Obrigado a Paulo Palombo Pruss, da Editora Escuna, por ter me indicado para essa tarefa. E um agradecimento especial também a todos os médicos e pesquisadores que colaboraram.

De novo o detalhe

Todo este endeusamento em torno do técnico Abel Braga por ter evitado o rebaixamento do Internacional me lembra um antigo texto do Blog: "O detalhe no futebol". Publiquei em 2006, por ocasião da morte de Telê Santana. Leiam.